Uma Jornada Ao Resgate
3 Humilhação
No meio daquela tempestade, as lágrimas de derrota e humilhação de Tavius se misturavam à água da chuva. Seu ferimento ainda doía, porém, a dor que não conseguia suportar era a dor de ver sua amada irmã sendo levada por suas inimigas. Ele viu Tabita pedir-lhe socorro, e teve que assistir a tudo como um cachorro, humilhado no chão.
– Tabita...! Me perdoa...! A culpa é minha...!
Sente-se tão perdido, tão derrotado, tão humilhado e tão destroçado que mal percebe a chegada de Samira e Valery, que se surpreendem ao ver o amigo ferido.
– Pelo visto chegamos tarde... – Valery consegue murmurar.
As duas mulheres aproximam do amigo e tocam o ombro dele em sinal de apoio.
– Tavius... – diz Samira – Elas... Elas estiveram aqui, não é? Aquelas bruxas... Mabel, Soraya e Servia... Elas estiveram aqui, não é?
– Samira ouviu uma conversa delas e descobriu que era verdade o que Lorde Harrison afirmou. – continua Valery – Viemos aqui avisar que você e Tabita corriam perigo, mas, pelo jeito, chegamos tarde.
Tavius olha as duas amigas, seus olhos desesperados carregados de culpa, a única coisa que consegue pensar é em sua irmã... E no quanto fora fraco ao não conseguir protegê-la. O quanto fora fraco ao falhar na promessa que fizera a seu pai.
– A culpa foi minha. – ele diz com a voz carregada de dor e de culpa – Elas levaram a Tabita porque eu fui fraco e não consegui proteger a minha única irmã.
– Isso não é verdade! – diz Valery, em tom decidido – Aquelas três são perigosas e montaram uma armadilha muito bem planejada para raptarem a Tabita. Você não é culpado por elas serem perversas.
– Mas sou culpado por não ter protegido a Tabita! – continua Tavius – Ela é frágil, delicada... Precisa ser protegida. E, eu havia prometido ao meu pai que a protegeria e falhei em meu juramento. Agora minha irmã está nas mãos daquelas bruxas, e sabe-se lá o que aquelas enviadas do demônio pretendem fazer com ela.
Dizendo estas palavras, Tavius tenta se levantar e sente uma forte dor em seu ferimento. Apoia sua espada no chão, usando-a como bengala para se levantar e dá uns passos cambaleantes em direção a saída da propriedade.
– Espera aí, Tavius. – diz Samira – Aonde você pensa que vai?
– Onde você acha? – responde o jovem – Vou atrás da minha irmã. Vou atrás de Tabita! Tenho que salva-la a qualquer custo!
– Você não pode sair desse jeito! – Valery se coloca na frente de seu amigo – Mesmo que você as encontre, o que poderá fazer por Tabita nestas condições? Ela só sofrerá mais ao te ver sendo derrotado mais uma vez.
– Além do mais. – Samira se junta a Valery – Elas podem não ser tão boas e te matar, nestas condições, você é um alvo fácil. Vamos entrar em sua casa, cuidar de seus ferimentos, e, só então procurar a Tabita, tenho um palpite do lugar para onde aquelas três bruxas podem ter levado sua irmã.
– Como é? – pergunta Tavius, confuso.
– Vamos entrar e cuidar de seus ferimentos, Tavius. – continua Samira – Não é bom que continuemos nesta chuva. Lá dentro, conto-lhe tudo.
Tavius quer retrucar, não quer cuidar de seus ferimentos, ele quer sair e procurar sua irmã. Cada minuto que se passa, é um minuto a mais de sofrimento para ela. Os gritos desesperados de sua pobre irmã ainda ecoam em sua mente, e parece que ainda vê, diante dele, Servia a machucando de tal modo que ela perde a consciência, e ele feito um patife sem poder fazer nada.
A dor da humilhação de perder sua irmã é mil vezes pior do que a dor do ferimento, e não consegue pensar no que aquelas mulheres irão fazer com ela. Mas, por outro lado, Samira e Valery têm razão, não pode fazer nada enquanto estiver ferido. Tem que recuperar suas forças para poder resgatar sua amada Tabita.
– Venha conosco, Tavius. – diz Valery – Vamos cuidar de seus ferimentos primeiro, e depois vamos te ajudar a procurar a Tabita.
– E enquanto isso, eu vou te contar o que descobri. – diz Samira.
Sem alternativa, Tavius se deixa ser conduzido para dentro de sua casa por Samira e Valery. Precisa melhorar depressa para poder procurar por sua irmã, não quer que ela fique por muito tempo refém de suas inimigas.
***
As três mulheres chegam a um novo esconderijo, outra casa, totalmente abandonada, no pé da montanha. Por fora, ela tinha uma aparência de abandonada, mas, por dentro, tudo havia sido preparado para receber Tabita Harrison.
Servia carrega a moça em seus braços, que continua desmaiada, e, não parece nada feliz em carrega-la.
– Escute, Mabel. – começa a mulher – Por que não a matamos logo de uma vez? Aposto que este seria o melhor castigo para o maldito Lorde Harrison.
Mabel se aproxima da bruxa, e com uma de suas mãos toca o rosco adormecido da jovem que agora está em suas mãos. A crueldade e a maldade dominando o seu olhar.
– Porque eu quero fazer ela sofrer muito antes de matá-la. – diz Mabel – Quero tortura-la, humilha-la, machuca-la, fazer ela ver o inferno em vida, para aí sim, mata-la da forma mais cruel possível. Só depois de fazê-la implorar pela morte, é que iremos matá-la, e então, nossa vingança contra aquele velho maldito finalmente estará cumprida.
– Eu vou adorar ver a filha de nosso inimigo sofrer bastante. – diz Soraya. – Em nossas mãos, ela se arrependerá amargamente do dia em que nasceu.
– E, mesmo que o idiota do Tavius venha nos procurar, ele jamais será capaz de nos encontrar. – completa a líder das três – Tavius poderá passar a vida dele inteira procurando pela irmã, que jamais a encontrará novamente com vida. Esta casa não é visível aos olhos dos outros, eles poderão passar por aqui mil vezes e nada encontrarão.
– Não é bom que fiquemos muito tempo aqui fora. – diz Servia – Vamos entrar.
As três mulheres entram na casa, que é composta apenas de três cômodos, o primeiro, é uma cozinha, onde se encontra o básico para se cozinhar, além de um velho sofá de três lugares. Ao fundo, dois quartos. Um deles, com três camas e uma pequena janela e o outro, totalmente vazio, apenas com um colchão velho e rasgado no chão e sem nenhuma janela, o lugar é sujo e repleto de teias de aranha. Na porta deste quarto, uma grossa corrente com um grande cadeado, e, a chave para abrir este cadeado encontra-se pendurada em uma corrente no pescoço de Mabel.
Servia vai diretamente para este quarto e, sem nenhuma delicadeza, joga a dama no chão, fazendo-a recuperar a consciência com a queda.
Tabita abre seus olhos lentamente, sem reconhecer o lugar onde está... De repente, ela olha para a mulher a sua frente, que sorri para ela de forma cruel. Assustada, ela se arrasta para a única porta daquele minúsculo quarto, onde Servia continua sorrindo para ela de forma cruel.
Sem pensar duas vezes, a bruxa dá um forte chute na jovem prisioneira, fazendo com que ela seja jogada contra a parede daquele quarto, para em seguida fechar a porta e trancá-la com o cadeado, gargalhando de prazer enquanto executa a tarefa.
Tabita queria colocar uma das mãos em seu tórax, no lugar onde fora atingida por aquela mulher, mas as correntes não deixam,sente dor, mas ao mesmo tempo, sente medo. Quer desesperadamente sair deste lugar. A dama se arrasta até a porta, se ajoelha diante dela e, começa a gritar, desesperadamente, enquanto lágrimas começam a banhar seu rosto sem parar.
– ME TIREM DAQUI...! POR FAVOR...! EU QUERO SAIR...! ME TIREM DAQUI...! ME TIREM DAQUI...! SOCORRO...! TAVIUS...! SOCORRO...! POR FAVOR...! ME TIREM DAQUI...! TAVIUS...! TAVIUS...! EU ESTOU COM MEDO...! EU QUERO SAIR DAQUI...! EU QUERO SAIR DAQUI...!
***
Em sua casa, Tavius sente uma grande pontada em seu coração, e imediatamente pensa em Tabita. De alguma forma, sentia que ela estava chamando por ele naquele momento. Ele vai até uma das janelas da sala e olha para a noite nublada, sem nenhuma estrela devido a forte chuva que tinha caído.
Valery e Samira haviam enfaixado seu tronco, no lugar onde fora ferido e, agora não sentia tanta dor, a não ser a da humilhação de ter perdido sua amada e adorada Tabita.
Samira havia contado que, descobrira uma casa no meio da floresta onde as três estavam se escondendo. Pela lógica, seria bem provável que tivessem levado Tabita para lá. Queria ir naquele instante... Porém Valery e Samira aconselharam a esperar o amanhecer, pois o caminho poderia estar cheio de armadilhas e seria pior à noite. Então, teria que esperar até o amanhecer.
Teria que deixar Tabita uma noite inteira nas mãos daqueles três demônios em forma humana...
Outra pontada em seu coração e agora não tem mais dúvidas, sabe que é Tabita chamando por ele.
– Tabita... Força... Resista... Eu vou chegar até você e te salvar...! Resista, Tabita! Eu vou te salvar!
***
– TAVIUS...! ME TIRA DAQUI...! POR FAVOR...! TAVIUS...!
CONTINUA...
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