Notas iniciais
Olha eu aqui de novo! Vanessa BR de novo na área, com mais um capítulo que espero que esteja eletrizante!! Ah, neste capítulo tem uma "mãozona" da Tita, ela me ajudou muito a ter ideias pra escrevê-lo. Obrigada, Tita!! Sem mais delongas... Boa leitura, povão!

A quimera alada retirou as presas do ombro de Tavius, que logo sentiu suas pernas começarem a ficar bambas. Os buracos marcados pela criatura doíam devido à profundidade das perfurações. Aos poucos, sua visão embaçava, bem como sentia-se gradualmente mais febril. Sentia-se mais pesado e o suor começava a escorrer pelo rosto.

Segurou com força sua espada, sentia-a mais pesada que o normal. Mas não se deixaria abater pelo veneno que circulava por seu corpo. Encarou a criatura, procurando não demonstrar medo diante dela.

– Posso até ter veneno por todo o meu corpo... – disse em tom desafiador. – Mas não vou morrer antes de salvar a minha irmã... E pra isso eu vou te destruir!

Mesmo em um estado já não muito bom, Tavius partiu para cima da quimera alada, correndo a toda velocidade que podia e com a espada já pronta para perfurar a criatura. No entanto, a criatura acertou suas garras contra a espada, que foi jogada longe. O espadachim correu, meio trôpego, atrás da espada e a pegou novamente.

Correu novamente de encontro à quimera, conseguindo causar-lhe um corte em uma das patas dianteiras. Em seguida, tentou acertar a cabeça, porém não conseguiu seu intento, pois a criatura se desviara do ataque com alguma facilidade. A quimera tentou cravar suas presas novamente nele, porém não conseguiu, pois Tavius abaixou-se.

Tavius tentou outra investida, mas a sua visão acabou se turvando de vez. Nisso, acabou tropeçando no próprio pé e caindo ofegante e encharcado de suor. Procurou alcançar a espada a alguns centímetros de sua mão, mas todas as suas articulações doíam muito, fazendo com que tal esforço fosse ainda mais penoso que o normal.

Nesse meio-tempo, a quimera aproximou-se dele e acertou suas garras em Tavius, que não conseguiu reagir e foi arremessado longe, colidindo-se com uma árvore e perdendo a consciência.



***



Tabita se desesperava mais e mais ao ver que Tavius estava caído e prestes a ser atacado pela quimera alada. O rosto expressando total desespero apenas divertia Servia. Lágrimas amargas derramadas pela refém eram como a mais refrescante água que encontrasse para beber. Os gritos desesperados soavam como música aos seus ouvidos. O sangue que escorria das feridas servia-lhe como decoração para um quadro de horror, belo aos seus olhos.

O que havia feito para sofrer tanto nas mãos daquelas três bruxas? Por que tinha que passar por tudo aquilo? Só porque era filha de Lorde Harrison?

Era sofrimento demais. Cada ferimento, cada corte, cada hematoma era extremamente dolorido. E não havia tempo para cicatrizar, pois novos golpes faziam novas feridas e abriam as antigas novamente. Era dor demais, tanto física como emocional. E as torturas aumentavam cada vez mais, sem dó nem piedade.

A nova tortura agora envolvia Tavius, que estava em perigo. Como se não bastasse isso, Servia a obrigava a ver seu irmão sofrendo horrores para resgatá-la.

– Está vendo, mimadinha? – a bruxa sádica disse. – Está vendo em quem está confiando? Seu irmão é mesmo um mongo! Ele não vai aguentar... A cada minuto, o veneno que foi injetado em seu corpo vai enfraquecê-lo cada vez mais, até que esteja no ponto para que um dos bichinhos da Mabel o coma. Nem vai dar tempo daquele seu irmão idiota agonizar direito...

– Ele vai resistir... Tavius vai aguentar... Eu sei que ele vai!

– Tolinha... Pare de ter esperanças tão vãs... Ele não vai resistir a um veneno tão letal! Vou até parar de mostrar isso pra você, sabemos que ele será retalhado logo, logo...

Servia parou com a projeção da batalha, para desespero ainda maior de Tabita. Temia por Tavius, bem como temia por Samira e Valery. A angústia era ainda pior que ver tudo acontecer. Lágrimas mais uma vez percorriam sua face, enquanto murmurava:

– Tavius... Por favor, resista... Não morra, Tavius...!



***



– TAVIUS!! – Samira e Valery gritaram ao mesmo tempo.

As duas conseguiram despistar as outras duas quimeras e saíram correndo rumo ao local onde Tavius estava caído inconsciente. Atrás delas, as duas quimeras corriam a passos largos, o que sinalizava que elas possuíam pouco tempo para fazer o que era necessário para livrar o espadachim do terrível destino de ser despedaçado pela terceira criatura.

Mais uma vez, Valery liberou sua mão esquerda e invocou sua magia de ventos cortantes. Podia não ser poderosa o suficiente para ferir a criatura alada, mas servia como distração.

– Fumas ekrano!*

Em uma explosão, uma grossa cortina de fumaça se formou, prejudicando parcialmente os sentidos das quimeras e dando tempo para que Samira e Valery conseguissem carregar Tavius para o esconderijo mais próximo dali.

Conseguiram juntar forças rapidamente para carregar o amigo logo dali, com alguma dificuldade devido ao porte físico do espadachim. A densa cortina de fumaça ia se desfazendo bem aos poucos, contribuindo assim para que ganhassem tempo suficiente para se esconderem.

As duas conseguiram avistar, após alguns minutos de corrida, um esconderijo perfeito: uma sequoia gigante, com um grande buraco próximo à raiz. Entraram ali mesmo e depositaram Tavius no chão. Sua face estava banhada de suor e sua respiração estava ofegante. Samira levantou um pouco sua cabeça e deu-lhe água de um cantil que trazia consigo. Ele bebeu generosos goles de água, mas nada baixava sua febre. E, pra completar, começou a murmurar com a voz entrecortada:

– Tabita... Tabita...

– Não se preocupe, Tavius – Samira disse. – Vamos salvar sua irmã.

Fitou Valery e disse:

– Ele está delirando. O veneno parece bem forte.

– É. Eu percebi. – a maga respondeu com os olhos fechados, expressando concentração.

– O que vai fazer? Magia de localização?

– Não. Vou tentar fazer a magia da cura.

– Mas você não disse que não sabia fazer?

– Sim, eu disse. Mas enquanto descansávamos de enfrentar aquelas bestas, eu estive estudando. Mas, antes de fazer isso no Tavius, vou fazer em mim. Eu serei a cobaia. Se minha mão direita for curada, quer dizer que consigo usar essa magia no Tavius.

– Que pode acontecer se não der certo?

– Posso perder a minha mão.

– Perder... A mão?

– Sim.

– Vai mesmo se arriscar a isso?

– Vou. Não posso deixar um amigo assim. Não posso deixar de pelo menos tentar.

Valery fechou os olhos novamente, respirando lentamente a fim de acalmar-se e ter sangue frio o suficiente para fazer algo arriscado daquela maneira. Concentrou-se a ponto de poder escutar os próprios batimentos cardíacos e sua própria respiração. Abriu os olhos, que emitiram um brilho azulado e disse:

– Supernaturaj fortoj, kiuj estas sur la bona flanko, donu al mi la povon de sanigi ajnan damagon! Donu al mi la povo de resanigo!**



***



A angústia lhe corroia em meio à escuridão do local. Há alguns instantes havia sido deixada sozinha ali em meio à penumbra, amenizada apenas por uma simples tocha com chamas que ameaçavam se apagar a qualquer momento naquele local frio.

Sua respiração estava mais pesada e seu coração, acelerado. Saber que Tavius estava em perigo a deixava ainda pior do que já estava. Será que seu irmão conseguiria ser salvo? Será que ele morreria? Temia o pior...

Um rangido se fez ouvir, anunciando que a porta pesada de seu cativeiro se abria novamente para dar passagem a seu carrasco.

Mas ainda estava cedo pra uma nova sessão de tortura! Por que Servia estava lá antes do costumeiro?

– Antes que você pergunte – a bruxa sádica disse. – Não, eu ainda não vim me divertir pra valer. Só vim dizer que é só questão de tempo para que seu estimado irmãozinho morra por causa do veneno. Não perca seu tempo com falsas esperanças, mimadinha...

Após dizer isso com um sorriso de satisfação no rosto por ver Tabita com uma expressão de desespero, Servia deixou o local rindo da desgraça e da angústia alheia.

– Tavius... Por favor, resista... Resista, porque eu também vou resistir...!



***



– Supernaturaj fortoj, kiuj estas sur la bona flanko, donu al mi la povon de sanigi ajnan damagon! Donu al mi la povo de resanigo!

Assim que disse estas palavras, o brilho azul dos olhos de Valery sumiu e apareceu um brilho semelhante na palma da mão esquerda, já posicionada sobre a direita. Sentiu a mão direita esquentar e latejar por alguns segundos.

Samira olhava atentamente o desenrolar daquela cena, na expectativa de que aquilo realmente desse certo. Os murmúrios de Tavius chamando pela irmã a deixavam cada vez mais preocupada, principalmente pela respiração cada vez mais dificultosa. Sabia que Valery estava dando o seu melhor pra ajudar, mas mesmo assim queria que o amigo fosse curado logo.

O brilho da mão esquerda da maga logo desapareceu, bem como o calor na mão direita e a sensação latejante. A mão direita não havia mudado na aparência.

– E aí? – a arqueira perguntou. – Deu certo?

Valery experimentou mover a mão direita. Abriu e fechou os dedos perfeitamente, mexeu o pulso, fez vários outros movimentos, quando disse com um sorriso:

– Veja você mesma!

– Maravilha!

– Agora vou cuidar do Tavius.

A maga ajoelhou-se ao lado de Tavius, que ainda delirava devido à febre muito alta. Fechou os olhos novamente e respirou fundo, a fim de se concentrar. Colocou as duas mãos sobre o peito do espadachim e abriu os olhos, que novamente brilhavam e, em seguida, repetiu a invocação que fizera instantes atrás:

– Supernaturaj fortoj, kiuj estas sur la bona flanko, donu al mi la povon de sanigi ajnan damagon! Donu al mi la povo de re...!

Sua invocação foi bruscamente interrompida pelo som forte e o tremor violento gerado por um som de garras “rasgando” o tronco da grande sequoia, que desabou instantaneamente, revelando os três ali.

– Droga, fomos descobertos! – Samira disse, enquanto olhava incrédula para as quimeras.

Notas finais
* “Cortina de fumaça!” ** “Forças sobrenaturais que estão do lado do bem, deem-me poder para curar qualquer dano! Deem-me o poder da cura!” Continua...