Notas iniciais
Saudações, pessoal! Aqui é mais uma vez a Vanessa BR e, antes de partirmos para mais um capítulo, quero agradecer a todos os leitores que nos acompanham pelos comentários que nos deixam. Espero que continuem curtindo a história! Bem... Agora, vamos a mais um capítulo, e tenham uma boa leitura!

Samira estava petrificada, com os olhos vidrados naquelas cenas de horror projetadas ali à sua frente. Quando se achava que não teria preocupações... Como se concentrar em um combate, vendo a tortura e ouvindo os gritos desesperados e de dor de alguém tão querido como Tabita?

Sem perda de tempo, Soraya foi ao ataque, lançando duas esferas de fogo negro contra Samira. A arqueira se esquivou por muito pouco do ataque e pegou uma flecha qualquer de sua aljava. Rapidamente, encaixou-a no arco e o retesou, procurando mirar em sua adversária.

Quando iria atirar, ouviu um urro de dor vindo de Tabita. Isso desestabilizou Samira, a ponto de ela errar a mira e a flecha passar longe.

Com isso, em uma fração de segundo, Mabel aproveitou a guarda baixa e disparou um raio contra o abdome da arqueira, que foi jogada para trás com o impacto. No entanto, Samira não se deixou abater com esse revés inicial. Pegou mais uma flecha, e mirou desta vez em Mabel, que estava perto dela. Disparou sua flecha envenenada contra ela, mas a líder do trio simplesmente evaporou no ar e mais uma flecha foi desperdiçada.

Apalpou a sua aljava presa às costas e teve uma surpresa desagradável: Não a havia reabastecido antes de ir à beira do rio. E isso agora implicava em um erro grave que fora cometido diante daquelas três.

Como conseguir acertar uma flecha certeira em cada uma?

Quando tentou se concentrar mais uma vez para poder raciocinar como agir, ouviu um forte estalo de chicote. Olhou para a direção de onde vinha o barulho seco e mais um grito.

Maldição! Como bolaria uma estratégia, se sua preocupação a impedia de pensar claramente?

“PARA COM ISSO, POR FAVOR...! NÃO AGUENTO MAIS...! TAVIUS... SAMIRA... VALERY... ALGUÉM... POR FAVOR, ALGUÉM ME AJUDE, NÃO AGUENTO MAIS...!”

O último grito fora perturbador. Tabita estava ali à sua frente, por assim dizer, e ao mesmo tempo estava completamente fora de seu alcance. Precisava arranjar alguma forma de acabar com aquilo! Precisava urgentemente de fazer isso!

Suou frio. As torturas estavam sendo vistas como se ela estivesse lá naquele cômodo, frente a frente com aquela cena aterradora e completamente incapaz de interferir.

“Não adianta gritar por socorro, mimadinha.”, dizia o clone de Servia, dando mais uma bofetada em Tabita. “Ninguém vai vir te ajudar, nem te salvar. Aquela patética da Samira nem consegue lutar direito. E por culpa de quem? Sua, claro! Você é uma imprestável que manipula os outros a seu bel-prazer!”

“Isso... É mentira... É mentira...!”

A Servia original encarava Samira com um sorriso sádico estampado em sua face, com um ar bastante provocativo. Isso simplesmente fez com que Samira ficasse tomada pela raiva e avançasse para cima da bruxa. Tirou mais uma flecha de sua aljava e rapidamente a atirou contra ela, que se esquivou, mas mesmo assim foi atingida de raspão.

Aproveitando um momento de aparente distração, Samira desferiu um forte soco no rosto de Servia. Mesmo recebendo um golpe tão potente, ela não deixava de sorrir. Aquele sorriso a irritava, e muito! Quando avançou para desferir outro golpe, Soraya tomou a frente e recebeu seu novo golpe. Mabel fez o mesmo, quando Samira atirou a penúltima flecha de sua aljava. Soraya foi alvejada pela última flecha e deixou-se atingir, em meio a mais e mais gritos de Tabita.

Agora Samira não tinha mais flechas. E as três bruxas sorriam para ela de forma irritante. O ódio por aquele trio crescia mais e mais, a ponto de deixar sua raiva lhe dominar totalmente. Foi pra cima de Soraya novamente e desferiu mais uma sequência de socos contra a bruxa. Mas nenhuma delas parava de sorrir. E nem Tabita parava de gritar de dor.

Ao parar de atacar, os gritos de dor cessaram, o que lhe causou estranheza. Assim como lhe causara muita estranheza ser tão fácil acertar golpes tão simples nelas sem que reagissem.

Por quê? Por que elas se deixavam golpear?

Olhou para a imagem projetada, onde viu Tabita exausta e ainda mais ferida. Mais uma vez a fúria tomou conta e ela acertou mais um potente soco agora em Servia. E mais um grito de Tabita foi ouvido. Samira olhou novamente para lá e descobriu que Tabita fora golpeada mais uma vez.

De repente, entendeu o que estava ocorrendo ali. A verdade estava na sua cara!

Sentiu algo prender-lhe o pescoço e a sufocá-la. Servia a prendera com seu chicote e a puxara para perto de seu rosto.

– Parece que você percebeu agora, não é, sua idiota? – ela perguntou.

– O que... Vocês fizeram, suas malditas...? – a voz de Samira saiu sufocada.

– Nós? Nada. Mas você, sim. Esses últimos golpes que a Tabita recebeu foram seus!

– O... O quê...?



***



– Ela tá demorando, Tavius... Será que ela tá é esperando fazer a água?

– Antes fosse, Valery... Porque não é normal ela demorar dessa maneira.

– Eu tava só tentando quebrar o gelo. Na verdade, eu tenho um mau pressentimento.

Valery se concentrou e murmurou:

– Supernaturaj fortoj, kiuj estas surla bonaflanko, donu al mi antaux pretermiajokuloj povasvidi!*

Mais uma vez, apareceu seu terceiro olho, que ficou aberto por alguns segundos, antes de mais uma vez a maga cair para trás, como se fosse golpeada.

– Viu alguma coisa, Valery?

Ainda ofegante da visão que tivera parcialmente – conseguira ver Samira tentando se livrar de um chicote enrolado ao pescoço, ela respondeu:

– Tavius, a Samira tá em perigo. Vamos atrás dela!

Sem questionar, Tavius a seguiu correndo em direção ao rio. Precisavam encontrar Samira rapidamente, antes que o pior pudesse acontecer.



***



Em vão, Samira tentava se soltar daquele chicote que a sufocava. Não adiantava nada tentar. Mas estava perplexa com o que lhe fora dito.

– O que vocês fizeram...?

– Simples, tolinha... – Servia disse, apertando ainda mais o chicote em volta do pescoço da arqueira. – Por que você acha que deixamos que nos golpeasse? Porque cada golpe que você desferiu contra nós foi redirecionado para meu clone, que aplicou os mesmíssimos golpes na sua querida amiguinha imprestável.

– Resumindo, queridinha... – Soraya completou. – Eram seus golpes os que atingiram a Tabita.

– Suas... Malditas...! – Samira fez menção de reagir.

– Não, não. – Mabel disse zombeteira, fazendo gesto negativo com a mão. – Se você golpear uma de nós, vai atingir sua frágil amiguinha...

Estava em uma bela cilada, e de mãos atadas. O que fazer?

– Sem suas flechas, você não é nada, queridinha... Como vai sair dessa, hein?

Soltando uma gargalhada apavorante, Servia fez com que o chicote gerasse uma forte corrente elétrica. Com a dor insuportável, Samira não conseguiu segurar um grito desesperado de dor. Mas aquilo era só o início de seu tormento com aquelas três.

– Hora de devolver à Samira o que ela nos deu, companheiras! – Servia disse.

Sem pestanejar, Soraya e Mabel formaram uma esfera de fogo cada uma e lançaram o ataque contra Samira, que não podia se defender, pois recebia puxões sucessivos de Servia que procurava sufocá-la ainda mais.

A dor fora cruel, sua pela ardia nos locais atingidos, que foram “fritos” pelos ataques. Para piorar ainda mais, era forçada a ver Tabita sendo torturada mais e mais. Sentia-se completamente impotente ante aquela cena terrível.

Toda a sua postura confiante desaparecera, dando lugar ao desespero. E, para piorar ainda mais a situação, uma magia de transporte fora feita, fazendo com que Tabita e o clone de Servia aparecessem lá em carne e osso. A jovem refém tinha uma das correntes que aprisionavam seus braços também enrolada ao pescoço, de tal forma que a sufocava mais e mais.

Ao ter essa visão aterradora bem à sua frente, Samira se levantou com dificuldade, puxando o chicote com o peso de seu corpo. Precisava sair dali pra tirar Tabita das garras daquelas bruxas... Precisava ser forte pra resgatá-la... De qualquer maneira!

Mas, antes que fizesse qualquer outro movimento, um grito desesperado se fez ouvir:

– TABITAAAAAAA!!!!!

Tavius irrompeu correndo feito um louco, com espada em punho para atingir o clone de Servia. No entanto, seu ataque não surtiu efeito. Uma barreira invisível existia ali, e era impenetrável.

Totalmente sem razão, o espadachim golpeava aquela barreira sem parar. Havia ignorado os avisos de Valery, só queria salvar sua querida irmã daqueles demônios com forma humana. Não pensava em mais nada a não ser libertá-la daquela barreira, daquelas correntes... Não pensava nas consequências de seus atos, não se importava com as lágrimas de desespero que brotavam de seus olhos sem perceber... Usava toda a sua força contra aquela barreira, mas nada adiantava ali.

– TAVIUS! ME TIRA DAQUI!!

Tabita queria sair dali, e acreditava que seria salva. Isso só serviu para que Tavius mais uma vez investisse contra aquela barreira, enquanto as três bruxas contemplavam um “espetáculo patético” diante de seus olhos.

Após dezenas e dezenas de golpes, Tavius caiu de joelhos, completamente desolado. Era incapaz de fazer qualquer coisa ali.

– Já acabou esse draminha? – Mabel perguntou com entonação que denotava asco. – Você nunca vai conseguir salvar sua irmã inútil do destino que traçamos a ela. Nunca!

– Conseguirei, sim, custe o que custar!

Mabel chutou com força o rosto de Tavius, que deixou sua espada cair. Antes que a recuperasse, Mabel foi mais rápida e a pegou, apontando-a para ele.

– Não conseguirá. – disse a ele. – Nunca conseguirá.

Tabita não suportava ver Tavius, Samira e Valery ali se sacrificando por sua causa. Aquilo fazia com que seu peito doesse mais e mais de angústia. Não aguentava mais ver aquilo. Virou seu rosto para o lado e suas lágrimas mais uma vez apareceram percorrendo sua face. No entanto, o clone de Servia a forçou a olhar de novo para onde estava olhando antes, segurando sua cabeça para que esta não se movesse.

– Veja só que espetáculo deplorável...! – a Servia original disse. –Tudo isso só por sua causa. Isso é tão patético! Olha só...! Todos são incapazes de te salvar! Ainda confia neles? Até mesmo naquela que sempre disse que seria sua amiga em qualquer situação? Olha só... Ela foi a única que não se moveu. Você confia em alguém que é tão inútil assim? Se ela realmente fosse sua amiga, tentaria ao menos nos atacar! Ela NÃO é sua amiga! Ela não se misturaria com alguém tão inútil a troco de nada!

– Cale a sua boca, maldita...! – Valery rugiu. – Você não sabe de nada a meu respeito...! CALE A SUA BOCA!

Servia sorriu ante a fúria da maga, que vociferou:

– TRANCU!**

Com a mão esquerda, lançou rajadas de vento cortante contra as bruxas, porém, apenas com o brilhar dos olhos das três, as rajadas voltaram para sua origem, atingindo a maga, que caiu cheia de cortes pelo corpo e com as roupas retalhadas. Ela não fora a única a ser atingida. Tanto Tavius como Samira também sofreram os mesmos danos, ficando inconscientes, assim como Valery.

Triunfantes mais uma vez, Mabel, Soraya e Servia se retiraram dali levando mais uma vez a pobre refém de volta ao seu cativeiro de tormento.

– Tavius... Samira... Valery... Por favor, me perdoem...!

Notas finais
* “Forças sobrenaturais que estão do lado do bem, deem-me a visão além do que meus olhos podem ver!” ** “CORTAR!” Continua...