Notas iniciais
Vanessa BR de novo aqui! Espero que gostem de mais este capítulo de "Uma jornada ao resgate"! Tenham uma boa leitura!

O corpo inerte de Fabian caiu pesadamente no chão após o golpe fatal dado por Thales. O alquimista avançou até o cadáver e de lá retirou sua espada, que já voltara ao normal e estava com a lâmina encharcada de sangue.

Permaneceu ali por alguns instantes fitando aquele cadáver, que era o que restava de um homem dissimulado, traiçoeiro e sujo. A morte ainda era pouco para aquele maldito. Mas sabia que ele, sim, iria arder no inferno por toda a eternidade, o que o deixava mais satisfeito.

Balançou sua espada para retirar o excesso de sangue, que respingou no chão, e a colocou de volta na bainha. Com dificuldade, devido aos ferimentos e à exaustão, saiu dali e foi se juntar aos seus companheiros de jornada. Tavius foi logo ao encontro do irmão e ofereceu-lhe apoio.

– Tavius, por que está tão sorridente, hein? – o alquimista perguntou.

Tavius não titubeou e respondeu:

– Porque eu sabia que você iria vencer essa.

Enquanto isso, do outro lado reinava a fúria por sua primeira baixa. Mabel rangia os dentes ante o ocorrido. Como Fabian, forte no combate, cruel com seus adversários, fora sucumbir diante daquele alquimista medíocre?

Medíocre? Não, não tinha como aquele maldito homem ser medíocre. Fabian não perderia para qualquer um.

Algo lhe dizia que era hora de parar de subestimar aquele grupo. Porém, Servia estava longe de qualquer reflexão a respeito e rangia os dentes de ódio. Não se conformava com aquela baixa. Não se conformava com o fim que fora dado a Fabian. Não se conformava com o fim dado ao seu homem.

Maldito alquimista!

Aquela sucessão de cumprimentos que Thales recebia a enojava, a ponto de fazer com que começasse a ranger fortemente os dentes, devido ao ódio profundo que sentia naquele momento.

Não iria deixar aquilo barato. Por essa razão, decidiu avançar alguns passos. Já sabia o que fazer para acabar com aquele nojo todo. No entanto, uma voz a questionou:

– O que você vai fazer, Servia?

– Não é óbvio, Mabel? Vou acabar com a festinha daqueles palhaços.

– Temos que traçar um plano!

– Danem-se os planos! – Servia disse de forma ameaçadora enquanto formava uma esfera negra. – Vou acabar com isso de uma vez por todas!

*

Tabita assistia a tudo aquilo impressionada. Por um momento, pensou que seu irmão Thales poderia realmente morrer nas mãos de Fabian. Porém, ficou surpresa logo que a situação se reverteu.

A esperança aumentara mais uma vez. Sentia que sua liberdade era questão de tempo, assim que viu que Thales havia derrotado em definitivo aquele homem que a machucara tanto física como emocionalmente.

Ao ver Thales retirando a espada que cravara nele, ela teve a certeza de que parte de seu pesadelo chegava ao fim.

Porém, ao ver que Servia se aproximava perigosamente do grupo que estava ali para resgatá-la, sabia que o seu pesadelo e o seu tormento não acabariam tão rápido.

*

“Você vai pagar, maldito...!”, pensou enquanto rangia os dentes mais uma vez. “Não pense que vai sair vivo após matar o MEU Fabian!”

Aproximou-se mais do grupo, que nem prestava muita atenção ao que ocorria atrás deles. A alguns passos de distância, apontou sua mão com uma esfera negra para Thales, disposta a pulverizá-lo. Disparou o ataque, porém ele não atingiu seu alvo.

– TRANĈI!*

A esfera negra disparada por Servia acabou sendo cortada em duas partes por uma lufada de vento cortante. A autora daquele contra-ataque deu um sorriso irônico. Quem diria... A adversária que tanto queria estava ali querendo lutar. Nada melhor do que aproveitar a chance, então!

– Nada disso, madame! – ela ironizou. – Não é nada legal atacar alguém pelas costas, sabia? Se quiser chegar até o Thales, vai ter que passar por mim!

Aquela maguinha estava de brincadeira, certo? Servia queria rir diante de tal disparate. Certamente aquela magia proibida bem-sucedida fora um golpe de sorte, mas parecia ter afetado os miolos dela, fazendo-a não ter noção do perigo que era enfrentá-la.

– Ah, você acha que eu estou ficando louca, Servia? – Valery continuava a ironizar. – Mas não estou. Eu estou em meu juízo mais do que perfeito. E quero realmente te enfrentar em uma batalha justa.

Aquilo soou como uma grande provocação, absolutamente imperdoável!

Não, aquela maldita maga insolente tinha que ser morta! Ela pagaria pela morte de Fabian!

Tomada pela fúria, Servia partiu para o ataque, facilmente defendido por um escudo invisível de ar, produzido por Valery. A maga contra-atacou, disparando rajadas de vento, das quais a bruxa se desviou com velocidade.

A bruxa procurou disparar uma rajada de bolas negras de energia maligna contra sua adversária, porém a maga do vento abrira os braços e, com esse movimento, fizera com que uma lufada de ar dissolvesse o ataque que ia até ela.

Servia percebia que ela não conseguiria nada tentando um ataque frontal. Tinha que pensar em uma estratégia de aproximação, e logo! Valery tinha uma boa defesa naquele momento. Não era qualquer coisa que poderia alcançá-la.

Desacelerou e cessou os ataques. Murmurou palavras incompreensíveis, que eram nada menos que uma invocação das trevas. De sua mão, surgiu uma corrente negra, envoltas em uma aura roxa e com uma ponta bem afiada, capaz de perfurar qualquer coisa. Assim que ela se formou, Servia lançou-a contra Valery, que procurou se desviar daquele objeto.

Mas, o que ela não imaginava é a corrente tinha vida própria e, por mais que se esquivasse, não adiantava nada. Em fração de segundos, Valery viu-se sufocada com aquela corrente apertando seu pescoço, apertando-o até praticamente tirar-lhe todo o ar e comprometer o simples ato de respirar.

Não contava com aquilo! Tentou, em vão, se livrar daquilo com as suas próprias mãos, mas não adiantava. Quanto mais tentava se livrar da corrente, mas ela se apertava em sua garganta.

Isso não estava em seus planos.

*

“Essa não...!”, Tabita pensou. “O que vai acontecer com a Valery?”

A jovem assistia a tudo, sentindo-se cada vez mais impotente com o desenrolar daqueles combates. Fabian tinha sido derrotado, porém, entre Tavius e os outros e ela, havia o grupo de Mabel.

E agora Servia estava com Valery sob seu domínio, graças à corrente que a prendia pelo pescoço e a sufocava. A maga era uma de suas melhores amigas, junto com Samira. Ela e as outras duas eram quase irmãs.

Não imaginava que Valery era capaz de chegar até ali, ao extremo de se arriscar a fazer uma magia proibida por sua causa.

Não sabia o quanto a maga valorizava aquela amizade, até ter sido raptada e começar aquele seu inferno particular. Desde então, vira mostras e mais mostras de que Valery não estava disposta a permitir que aquele laço tão forte se desfizesse tão cedo.

Viu que Valery era capaz de ir até as últimas consequências só pra manter essa amizade intacta. E, no que depender da maga, essa amizade seria sempre inabalável.

*

Valery continuava literalmente no sufoco devido à corrente em seu pescoço, que a apertava mais e mais. A cada movimento que fazia para se libertar dela, mais ela a estrangulava.

Evidentemente, isso preocupava aos seus companheiros de jornada. Porém, Samira não aparentava tanta preocupação.

– Vocês não perceberam uma coisa? – ela perguntou.

– O que é? – Tavius questionou a arqueira.

– Reparou que em nenhum momento dessa luta ela não pegou na espada?

Notas finais
* “Cortar!” CONTINUA...