Uma Jornada Ao Resgate
54 A Batalha Final: Valery Contra Servia Parte II
Notas iniciais
Ao ouvir as palavras de Samira, os dois irmãos olham para ela com o mesmo olhar confuso. Samira apenas dá de ombros e se limita a sorrir para eles.
– Deixa eu falar uma coisa. – a voz da arqueira se faz ouvir – A Tabita não é importante só para vocês, ela também é muito importante tanto para mim quanto para a Valery. E, nenhum de nós chegou tão longe para perder aqui. Ninguém aqui vai desistir antes de aniquilarmos essas malditas bruxas e salvarmos a Tabita. Um já foi, faltam três, certo?
– Certo. – os dois irmãos respondem ao mesmo tempo.
– A Valery não vai perder para essa maldita bruxa! – diz Samira.
***
Cada vez mais, Valery sente o ar lhe faltando aos pulmões, devido a pressão que as malditas correntes de Servia fazem contra o seu pescoço. Sua situação não é nada boa pois quanto mais tenta se soltar as correntes, mais elas lhe sufocam.
– Dro... Droga...! – exclama Valery, enquanto sente-se cada vez mais sufocada pelas correntes de sua adversária.
E, enquanto a maga continua a tentar se livrar das correntes com todas as suas forças, Servia gargalha de prazer vendo o sofrimento de sua inimiga. E, dizendo palavras em um idioma completamente desconhecido, Servia aumenta a pressão das correntes que sufocam o pescoço de sua inimiga, a tal ponto que ela começa a erguer Valery do chão.
– E então, maguinha? – zomba a bruxa sádica – É assim que você vai me derrotar? Olha que a sua amiguinha inútil está assistindo toda essa palhaçada que você está chamando de luta, sua idiota!
Valery se esforça para olhar para o céu, onde, através da projeção criada por Mabel, a maga vê sua melhor amiga acorrentada contra aquela parede imunda, o corpo todo ferido... Não se conforma...! Não pode se permitir perder esta luta...!
Precisa vencer Servia custe o que custar!!!
Ainda se sentindo sufocada pelas correntes em seu pescoço e com os pensamentos fixos em Tabita, a maga segura as correntes que prendem seu pescoço e colocando toda a sua força em suas mãos, tenta se livrar daquilo. Fecha os olhos, concentrando seu poder e quando os abre novamente, eles emanam o brilho azulado de quando evoca a sua magia, e, o mesmo brilho de seus olhos passam para as suas mãos, permitindo assim que ela quebre as correntes de sua adversária, caindo no chão em seguida.
Sentindo-se aliviada, Valery respira pausadamente a fim de buscar novamente o ar que havia perdido, para ira de Servia.
– Maldita! – exclama a bruxa sádica.
– Já disse e volto a repetir, eu não vou perder pra você! – exclama Valery, os olhos ainda emanando um brilho azulado.
Furiosa, Mabel começa a criar esferas negras de energias e manda-las em direção a Valery, que usa sua magia de vento cortante para literalmente parti-las em duas, o que só serve para aumentar ainda mais a fúria de Servia, que continua atacando-a sem parar.
A bruxa toma distância, e tenta manter a cabeça fria para montar uma estratégia que lhe permita acabar de uma vez por todas com a vida desta maguinha de quinta categoria. Ela olha para o céu, para a projeção criada por Mabel e então uma ideia lhe vem a mente.
Murmura palavras em um idioma desconhecido, evocando o poder das trevas, e, no mesmo instante, através da projeção criada por Mabel, um forte grito de Tabita é ouvido, e a maga vê um profundo corte no abdômen da jovem prisioneira, olha para trás e vê Tavius contendo um grito de dor, pois sentira o golpe.
Para Servia, este descuido é mais do que suficiente e a bruxa usa seus poderes para criar uma foice negra, atingindo com um poderoso golpe o abdômen de Valery.
A maga grita de dor ao mesmo tempo em que leva as duas mãos ao ferimento, que começa a sangrar, ela olha para Servia com ódio profundo.
– Maldita trapaceira! – exclama a maga.
– Trapaceira? – Servia gargalha de prazer – Você é que não passa mesmo de uma maguinha de quinta categoria! Explore o ponto fraco de seu inimigo e use-o em seu favor! Vocês são fracos porque se preocupam demais com aquela criatura que não vale o chão que pisa!
***
“Vocês são fracos porque se preocupam demais com aquela criatura que não vale o chão que pisa!”
As palavras de Servia ecoam sem parar nos ouvidos de Tabita, fazendo com que lágrimas e mais lágrimas caiam por rosto tão sofrido.
A dor do ferimento que recebera através da magia de Servia se mistura as duras palavras que ouviu, só aumentando a dor de seu pobre coração. Dói ouvir que é a razão de Valery ter se machucado... A amiga luta por ela... E seu grito de dor fez com que ela se machucasse...
Gostaria de não ser o ponto fraco de seus irmãos e de suas amigas... Gostaria de não ser prisioneira destas mulheres desumanas... Gostaria que seu pesadelo acabasse e encontrasse enfim a libertação...
Fabian está morto graças ao esforço e sacrifício de seu irmão Thales... Porém, Mabel, Servia e Soraya continuam vivas... E, tem medo do que essas três malditas mulheres possam fazer contra as pessoas que mais ama neste mundo...
***
O sangue não para de jorrar de seu ferimento, mas Valery não tem tempo para pensar em nada, pois Servia ataca-a sem parar com esferas negras de energia, e tudo o que pode fazer é ignorar a dor e continuar a desviar.
Precisa vencer essa luta custe o que custar e sabe que muita coisa depende de seu sucesso! Não desejou tanto esta luta contra Sérvia para perder assim! Thales arriscou sua vida para tirar a de Fabian e, ela fará a mesma coisa com relação a Servia, não irá parar enquanto não tirar a vida de sua adversária.
Seus olhos continuam emanando o brilho azulado de quando usa seus poderes, enquanto usa sua magia de vento cortante para explodir as esferas de energia de sua adversária, mas, sabe que isso não pode continuar assim!
Por conta do profundo ferimento, sente seu corpo cada vez mais cansado e sabe que em breve chegará a seu limite. Precisa levar Servia para o inferno antes que isso aconteça.
O ferimento faz com que perca velocidade e, começa a ser atingida pelos ataques de sua inimiga, que se tornam cada vez mais rápidos. E, além das esferas de energia, Servia também a ataca com esferas envolvidas em chamas negras, que, conforme atingem seu corpo, a queimam com uma intensidade que faz com que ela não consiga reprimir um grito.
De repente, Servia para e novamente evoca a sua magia das trevas, murmurando palavras no idioma maligno e, uma cúpula negra surge ao redor das duas, impedindo Valery de continuar a fugir dos ataques de sua adversária.
– Chegou a hora de acabar com essa palhaçada, maguinha! – exclama a bruxa sádica.
O olhar de Valery é de fúria, mas ela não reponde a provocação de sua adversária. Ainda não sabe como irá vencer, mas, não vai parar enquanto não vencer! Fará isso por Tabita! Fará isso por sua amiga!
Com um sorriso maligno em seus lábios, Servia cria correntes negras por toda a cúpula, que voam em direção a Valery, que não tem para onde correr e é capturada pelas correntes, que prendem seus braços, pernas e pescoço.
– É, maguinha de araque, parece que seu fim chegou. Olhe bem pra sua amiguinha lá na projeção, porque ela verá ao vivo a maneira cruel como eu vou acabar com a tua vida!
Com dificuldade, Valery olha para a projeção... Para a sua amiga... Vê as lágrimas nos olhos de Tabita e seu coração parece se fortalecer, lembrando-se do motivo de ter chegado até ali...!
Chegou até ali para salvar Tabita...! E a vida de Servia será seu presente para sua amiga...! Tabita não vai mais chorar...!
Reunindo toda as suas forças, consegue levar a mão acorrentada até a bainha e desembainhar a sua espada.
– Supernaturaj fortoj, kiuj estas sur la bona flanko, donu al mi la povon por batali kaj detrui la mallumo!*
No instante em que Valery termina de invocar a sua magia, a lâmina de sua espada começa a brilhar e a se misturar com o vento, tornando-a mais poderosa. E, com toda a sua força, Valery usa a espada para cortas as correntes que a prendem, primeiro as dos braços, depois as das pernas e por último a do pescoço. Seus olhos são pura fúria e obstinação enquanto olha para sua inimiga.
– Supernaturaj fortoj, kiuj estas sur la bona flanko, mi bezonas vian forton! Donu al mi la povo por fini mia malamiko!**
Todo o corpo de Valery começa a emanar a aura azulada que antes só seus olhos emanavam e a maga parte com todas as forças contra a sua inimiga, tentando colocar um ponto final de uma vez por todas nesta luta de vida ou morte.
Surpresa com o que vê a sua frente, Servia fica paralisada por uma fração de segundo, e, quando se dá conta, Valery está perto demais dela. Tenta andar para trás e se esquivar da maga, mas é pega em sua própria armadilha e sente a cúpula que criou atrás de si, bloqueando a sua passagem.
Com as mãos, Servia tenta parar a espada de Valery, mas descobre a lâmina envolvida por fortes correntes de vendo e falha na tentativa, pois a maga crava a espada no coração de Servia com toda a sua força, acabando de vez com a sua vida.
CONTINUA...
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