Uma Jornada Ao Resgate
40 A Força do Laço entre Tavius e Tabita
Notas iniciais
– TAVIUS!? – Thales, Samira e Valery gritam ao mesmo tempo, no instante em que Tavius cai no chão inconsciente.
Os três se aproximam do corpo caído do espadachim, sem conseguirem entender o que está acontecendo. Eles notam o rosto de Tavius bastante pálido, enquanto gotas frias de suor caem pelo rosto do espadachim.
– O que houve com ele? – questiona Samira, querendo saber o que está acontecendo.
– Não faço a mínima ideia. – Valery responde.
Thales apenas observa o irmão, já imaginando a razão deste estranho acontecimento. E, um sentimento de vingança começa a tomar conta do alquimista, enquanto aumenta em seu coração o desejo de se vingar dos quatro demônios que vem fazendo tanto mal a sua família.
Não demora muito para que Tavius abra os olhos e volte a si e, o espadachim estranha o irmão e as duas amigas o rodeando.
– O que houve? – questiona Tavius.
– Ao que parece você desmaiou. – Valery responde – Nós não entendemos nada, apesar da batalha que travamos e vencemos, você parecia bem.
– Foi a Tabita. – murmura Tavius, lembrando-se da visão horrível que tivera de sua irmã – Eu a vi sendo torturada por aquelas malditas bruxas e pelo Fabian.
– Como é que é? – Samira quase se sobressalta – Repete de novo porque essa é nova pra mim!
– Essa também é nova pra mim. – fala Tavius, com a voz séria – Não sei ao menos explicar o que aconteceu. Tudo o que eu sei é que fechei meus olhos e vi a Tabita. Ela estava em um lugar horrível, escuro e gritava enquanto era torturada por aqueles quatro demônios.
– Tavius, você deve ter tido apenas uma impressão. – diz Valery, um pouco incerta – Nós nem sabemos aonde a Tabita está, meu amigo. Como é que de repente você consegue vê-la sendo torturada? Se soubéssemos onde ela está, com toda a certeza arrombaríamos o lugar e compraríamos briga com aqueles quatro demônios que se intitulam seres humanos.
– Sei que parece loucura. – continua Tavius – Mas eu vi.
– Mas como isso é possível? – Valery continua a questionar.
– Talvez a ligação entre Tavius e Tabita seja muito maior do que qualquer um de nós possa imaginar. – a voz de Thales se faz ouvir – Desde que éramos crianças, os dois sempre foram unidos, sempre tiveram uma ligação especial. Penso que toda esta tragédia e o sequestro da Tabita só serviu para aumentar esta ligação.
– Você pode estar certo. – concorda Tavius, sem conseguir tirar os pensamentos da irmã e das cenas horríveis que tivera.
– Tavius, sei que é difícil pra você, mas tente se reerguer, amigo. – fala Samira, com um sorriso no rosto para tentar animar o amigo – Afinal nós precisamos encontrar uma maneira de sairmos deste labirinto para continuarmos nossa jornada ao resgate da Tabita.
As palavras de Samira fazem o espadachim voltar a realidade, e, ele olha em volta, para as grandes e intransponíveis paredes do labirinto, mais um obstáculo que o impede de chegar cada vez mais perto de Tabita.
– Tem razão. – sua voz soa distante, pois seus pensamentos estão em Tabita – Alguém tem alguma ideia de como vamos sair deste maldito labirinto?
***
Após mais uma sessão de tortura, Tabita jaz praticamente inconsciente em seu cativeiro escuro e fétido, sem conseguir distinguir direito o que é sonho do que é realidade. Não sabe se é seu corpo ficando cada vez mais fraco ou as sessões de tortura que se tornam cada vez mais intensas... A única coisa que sabe é que, a cada dia, sente suas torturas ficando cada vez piores e, tem certeza de que não conseguirá suportar por muito mais tempo.
Seu corpo está chegando a seu limite, pois a toda hora, seus cruéis torturadores brincam e se divertem com seu tormento e sofrimento...
Suas lágrimas se misturam ao sangue seco em seu rosto, que, de tão maltratado, nem se parece mais com o que fora um dia. Não somente seu rosto, mas, todo o seu corpo, ensanguentado, e ferido, os cabelos desgrenhados, suas vestes rasgadas... Parece mais um animal maltratado do que uma pessoa... E não vê a hora de toda este sofrimento acabar... Seja para a morte ou para finalmente ser libertada de seu tormento...
Não aguentará viver assim por muito mais tempo...
Fecha seus olhos e por um momento acha que está ficando louca, tão grande seu desejo de ser novamente livre... Vê um céu noturno e sem nuvens, apenas iluminado pela bela e majestosa lua cheia, então ela vê grandes e intransponíveis paredes que parece não ter fim, e se dá conta de que está vendo o labirinto em que vira seus irmãos e suas amigas serem tão cruelmente derrotados.
Mas como?!
É então que ela vê Tavius com os olhos distantes e preocupados, e, a visão de seu irmão mais velho faz seu coração bater mais depressa ao mesmo tempo em que um calor parece lhe consolar.
Não sabe como, mas tem certeza de que neste momento, onde quer que Tavius esteja, ele está pensando nela, assim como ela está pensando nele. E, esta conexão é tão poderosa que faz com que ela o veja e o sinta, a ponto de encontrar forças bem no fundo de sua alma e de seu coração para continuar suportando tanta humilhação.
– Tavius... – sussurra Tabita em uma voz quase inaudível.
***
Mabel, Soraya, Servia e Fabian observam através de magia o grupo formado por Tavius, Samira, Valery e Thales andando pelo labirinto sem conseguirem achar a saída. Eles tentam de todas as formas, com as armas que possuem, mas nada é capaz de ultrapassar as grandes paredes que foram construídas através de magia.
– Eu falei que os quatro idiotas jamais conseguiriam encontrar uma saída para nosso labirinto. – fala Fabian com um sorriso cruel – Eles ficarão presos para sempre em nosso labirinto enquanto nós vamos continuar brincando com o meu amorzinho.
– Dessa vez eles não terão como escapar. – concorda Mabel.
– Não mesmo. – concorda Soraya – Eles são patéticos demais para descobrirem uma saída para nosso labirinto.
– Só quero ver até quando eles ficarão à procura de uma saída que não existe. – ironiza Servia.
– Vamos continuar assistindo. – fala Mabel.
***
Após andarem pelo que pareceu horas no labirinto, o quarteto para e, exaustos, se sentam no chão. Apesar de estarem cansados, a determinação persiste no olhar de cada um. Permanecem por um bom momento em silêncio que, é quebrado por Thales, que finalmente sorri.
– Acho que já sei como sairemos deste maldito labirinto!
Fale com o autor