Uma Jornada Ao Resgate
41 O vento e o diamante
Notas iniciais
– Acho que já sei como sairemos deste maldito labirinto! – a voz de Thales foi ouvida pelos “espectadores”.
– Tolo... – Fabian murmurou com um sorriso no rosto. – Esse labirinto não tem saída. Pode tentar, que não conseguirá. Não com a magia que o envolve.
– E convenhamos que a magia do labirinto agora é mais forte do que a que o envolvia quando aquele alquimistazinho de araque fugiu. – Servia disse enquanto abraçava Fabian por trás.
– Mesmo que ele esteja acompanhado com aqueles três patetas, não vai conseguir. – Mabel opinou. – Até porque a maguinha ainda é bem inferior.
– Não vai nem ter graça ficar assistindo isso, pessoal. – Soraya desfez a magia que tudo observava no labirinto. – Já sabemos que eles andarão em círculos e morrerão à míngua, pois o labirinto, além de estar cheio de magia, não tem saída alguma desta vez.
*
O quarteto ainda estava sentado ali em meio ao labirinto repondo suas forças, a fim de prosseguir a jornada. A certeza de Thales pegou os demais de surpresa.
– Thales – Tavius questionou. – Como tem tanta certeza de que sairemos daqui? Até agora eu não vi a saída.
– O labirinto não tem saída. – Thales afirmou.
– Como tem tanta certeza? – Samira perguntou.
– Valery, envie uma magia sua para percorrer todo este lugar. É possível fazer isso?
– É, sim, Thales. – a maga respondeu.
Valery se concentrou e liberou, com um sopro, uma brisa suave, que percorreu todo o labirinto. Após alguns momentos, abriu os olhos para receber de volta a brisa que havia liberado.
– O Thales tem razão, gente. – disse. – O labirinto não tem saída.
Samira sorriu:
– Parece que eles estão levando a gente mais a sério.
– Só parece, Samira. – Thales sorriu confiante. – Porque eles nem imaginam que eu já tenho uma forma de tirar a gente daqui... Ou melhor, eles nem imaginam que forma é essa de sairmos.
– A julgar pela sua cara, meu irmão – Tavius também sorriu. – Imagino que tenha uma boa ideia em mente.
– Teoricamente ela pode ser boa, mas na prática ainda não sei. Mas, escuta só...
*
Aquele convencimento todo de Mabel, Fabian, Soraya e Servia a preocupava. Mesmo estando esperançosa quanto a ser resgatada e tudo mais, Tabita continuava preocupada com seus irmãos e suas amigas. Sabia que eles corriam riscos o tempo todo, e que a morte estava sempre à espreita do quarteto.
Estranhamente, pressentia que algo diferente estava por acontecer em breve. Se era algo bom ou ruim, não sabia. Só tinha a impressão de que isso poderia mudar o rumo da sua história, para bem ou para mal.
No entanto, queria acreditar que isso poderia ser algo bom. TINHA que ser algo bom!
Em meio ao cansaço e ao esgotamento cada vez maiores, que faziam com que ela não tivesse mais a noção do que era dia ou era noite ali, Tabita fechou os olhos.
Impressão sua ou estava fora dali?
Não, seu corpo dizia que ela continuava confinada àquele local fétido e escuro.
Mas... O que via?
Olhava para cima, onde via lâminas de três espadas sendo erguidas para o alto. Uma espécie de magia envolvia as três lâminas, ao mesmo tempo em que o metal delas se convertia no mais puro diamante.
A transmutação do metal ao diamante partia de uma das espadas, enquanto que a magia do vento cortante partia de outra. Viu os rostos confiantes de Thales e Valery, invocando seus poderes para isso, enquanto Samira assistia a tudo.
Espera! Ela estava vendo tudo através dos olhos de Tavius de novo...? Mas, como...?
Não sabia explicar, mas tinha a sensação de que, fosse lá o que eles estivessem fazendo, tinha chances imensas de dar certo.
*
Assim que a transmutação foi finalizada, Tavius pareceu acordar de um transe, o que deixou seus companheiros novamente intrigados.
– O que houve, Tavius? – Samira perguntou. – Nem parecia você agora pouco!
– Pra ser sincero, pelo jeito não era eu...! Realmente não lembro nem como a minha espada ficou do jeito que tá agora...!
– Será que isso tem a ver com a ligação entre você e a Tabita? – Valery perguntou. – Não duvido nada que tenha sido a Tabita que viu o que aconteceu com os seus olhos.
– Talvez. Mas não entendo por que isso acontece.
– Tavius, essa sua ligação com a Tabita só pode ter uma explicação plausível... – Thales disse. – Estamos bem perto dela. Cada vez mais perto.
– Claro, a julgar pelos inimigos cada vez mais fortes que enfrentamos, não é surpresa nenhuma. – Tavius afirmou. – Mas não acho que seja com toda essa certeza.
– É aí que você se engana. Eu sei exatamente onde a Tabita está sendo mantida refém.
– Como é?
– Isso mesmo, Tavius. – Thales afirmou categoricamente. – Sei o local exato do esconderijo onde o bando de Mabel mantém a Tabita presa. Mas não vamos falar sobre isso agora, temos um plano de fuga a ser executado!
O trio formado por Tavius, Valery e Thales começou a percorrer toda a extensão do labirinto, seguido por Samira. Os quatro começaram a avançar, correndo, contra as paredes, na intenção de literalmente atravessá-las. No entanto, a coisa não seria fácil... Como nada nunca era fácil para eles.
Garras negras como as sombras buscavam agarrá-los de qualquer maneira. No entanto, Samira, com rapidez, lançava suas flechas contra as garras que chegavam perto de seus amigos.
Com sincronia, Thales, Valery e Tavius cravavam suas espadas nas paredes, que se convertiam em frágeis vidros, os quais eram quebrados pela arqueira e por sua mira precisa. Durante a corrida, uma das garras segurou com força o braço de Tavius, que logo conseguiu se soltar graças à sua espada.
Chegaram a mais uma parede intransponível, onde cravaram novamente as espadas, porém agora as garras negras procuravam removê-las dali. Os donos das três espadas faziam todo o esforço para mantê-las ali, até que se convertesse a parede em vidro, enquanto Samira já preparava seu arco para atirar uma flecha.
Eram três ou quatro garras tentando retirar aquelas espadas de onde estavam, porém nem Tavius, Thales ou Valery cediam, empurrando com muita força as espadas para dentro das pedras daquela parede imensa.
– Vocês três! – Samira disse, com três flechas no arco, que estava fortemente retesado e posicionado na horizontal. – Afastem-se, vamos ver se conseguimos de outro modo!
– Ei, Samira, o que voc...?
Thales foi interrompido pelo som das três flechas sibilando a grande velocidade e acertando as três espadas, que finalmente foram fincadas na parede. Em questão de segundos, a parede se tornou vidro, que foi imediatamente partida por mais uma flecha certeira.
Antes que as garras pegassem as espadas, seus donos foram mais rápidos e cortaram todas aquelas coisas sombrias antes. Prosseguiram nesse ritmo, até que encontraram a última barreira do labirinto da morte.
As garras negras logo avançaram contra o quarteto, que não se deixou intimidar e retalhou todas as que ousavam tocar em suas espadas sem piedade. Assim que tiveram chance, cravaram as lâminas de diamante no paredão de pedra e as seguraram até que este fosse todo convertido no mais frágil vidro. Assim que isso ocorreu, Samira logo lançou suas flechas, ao mesmo tempo em que Tavius, Valery e Thales golpeavam aquela muralha com suas espadas já com as lâminas normais de metal.
Enfim, a liberdade!
Mais uma vez, sobreviveram a mais uma armadilha daquele bando de seres malignos em forma humana. Estavam cansados, exaustos, mas livres, e o mais importante: estavam vivos. Vivos para prosseguirem o resgate de Tabita.
*
– MALDIÇÃO!! – Mabel urrava ao ver o que acabara de ocorrer no labirinto da morte.
A líder daquele quarteto tenebroso havia acabado de usar seus poderes para visualizar o que ocorria no labirinto, confiando que Tavius e os outros estariam já definhando por não terem saída alguma. A intenção, a princípio, era mostrar à sua prisioneira o fim de seus amigos e de sua esperança fútil de sair dali.
Mas o tiro saiu pela culatra e Tabita via ali a última muralha do lugar sendo quebrada como uma simples parede frágil de vidro e indo abaixo, e em seguida, todos saindo dali vivinhos da silva.
E, evidentemente, o grito de fúria de Mabel não passou despercebido. Servia, Soraya e Fabian logo apareceram para saber a exata razão de tudo aquilo. Mabel nem esperou pela pergunta óbvia e logo explodiu:
– VEJAM A INCOMPETÊNCIA DA SORAYA, MEUS CAROS!
Na imagem projetada ali pela magia de Mabel, os quatro – e Tabita – testemunharam Valery usando uma poderosa magia, que provocou um vendaval que varreu todas as paredes derrubadas para longe. Além da maga, viram Tavius, Thales e Samira sãos e salvos fora do que antes era um terrível labirinto, e que deveria ser a sepultura dos quatro.
Deveria, mas não foi.
– Se a Soraya não tivesse com tanta confiança, com certeza saberíamos o que fazer pra evitar isso! Caímos na conversa dela e isso enfraqueceu o meu labirinto! – Fabian alegou.
– Não tenho culpa se eles tiveram uma estratégia do nada! – Soraya se defendeu.
– Tem culpa de atrapalhar a gente, sua vadia! – Fabian retrucou.
– Ei, Fabian, não trata assim a minha irmã! – Servia interveio.
– A sua irmã é uma idiota, Servia! – Mabel exclamou. – O excesso de confiança dela foi o que levou tudo a perder agora!
E toda essa briga se desenrolava diante dos olhos de Tabita, que assistia a tudo “de camarote”. Não esperava por isso bem na sua frente.
Porém, ela não era a única espectadora daquela briga interna...
*
– Ei, Tavius! Acorda! – Thales deu uns tapinhas de leve no rosto do irmão, que parecia estar fora do ar ao mesmo tempo em que sua face expressava surpresa. – O que aconteceu?
Ele estava rodeado pelo irmão e pelas duas amigas, que também pareciam intrigadas. Não era pra menos, diante do que ele testemunhara olhando através dos olhos de sua irmã. A coisa chegava a ser engraçada de tão patética.
– Não sei se vocês vão acreditar, mas... Eu vi a Mabel e os outros começando a brigar feio diante da Tabita.
– Como é, Tavius? – Thales continuava intrigado.
– Exatamente isso. – o espadachim começava a ter vontade de rir. – Vocês precisavam ver o quanto eles eram patéticos na hora!
Nisso, duas gargalhadas explodiram. Incrivelmente, Valery e Samira começaram a rir descontroladamente, o que fez com que os dois irmãos as olhassem meio confusos. As duas logo pararam de rir meio constrangidas e pediram desculpas.
Instantes depois, saíram do local, a fim de procurar um lugar para descansar por algum tempo, a fim de recuperarem as energias após a batalha e a revelação inesperada de Tavius.
Porém, sabiam que não tinham como descansar tanto, apenas o máximo possível. A jornada ainda não chegara ao fim, e pressentiam que, mesmo estando cada vez mais perto do objetivo, ainda havia mais obstáculos até que chegassem a Tabita.
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