Uma História Para Dois
1 Prologo
Uma história para dois
Prólogo
Existem várias historias que conhecemos onde duas pessoas por alguma vontade ou até mesmo brincadeira do destino acabam se encontrando ou até mesmo dividindo a suas de fracassos, pode ser profissional ou sentimental. Mas sempre tem alguém que pode dividir essas historias com outra pessoa. Enfim, vou contar uma história sobre Ana e Willian, como os dois se conheceram e como um mesmo caso poderia reunir duas pessoas diferentes, mas com o mesmo coração, a mesma dor... A mesma... Vocês sabem: história.
Ana é uma menina com quase vinte e sete anos. Quando digo menina, ela aparenta ser devido seu jeito doce que não a faz aparentar a idade de mulher que ela tem. É a caçula de três irmãos, recém-formada em Artes trabalha em uma galeria na Avenida 136 em Goiânia, Goiás há quase dois anos. De tanto transformar sua vida em rotina, Ana acabou desenvolvendo uma espécie de obsessão compulsiva, uma espécie de TOC. Não gostava de sair com outros rapazes, somente com suas colegas de serviço. Tinha apenas uma melhor amiga: Carol. Pois era a única que aguentava seus 'tiques nervosos' e seus medos. Há quase dois anos, Ana, não ver seus pais, seu irmão Pedro, que mora e estuda na Inglaterra e não fala com sua irmã mais velha, Mariana. Vamos tentar entender melhor o que aconteceu...
Há quase três anos atrás, Ana morava com os pais no interior de São Paulo e ainda estudava na faculdade de Artes, área que sempre quis seguir por ser apaixonada por Van Gogh. Outra paixão de Ana era os cavalos, os pais dela tinha um haras e desde pequena gostava do convívio com eles e todos achavam que ela seguiria a carreira de veterinária. Mas ela sempre foi muito imprevisível. Naquela época, Ana tinha um belo manga-larga na belíssima cor da terra na qual lhe foi dado o nome de Areia. Seu animal estava com uma grande ferida na pata traseira e esquerda, devido ao ataque do cachorro da fazenda vizinha. Preocupada os pais chamaram um veterinário que seria filho de um antigo amigo do casal e que já havia passado sua infância com os filhos. Chamava-se Robson. Quando Robson chegou para ver o equino, se deparou com Ana tentando dá animo para o Areia. Os dois logo se entenderam e trouxeram velhas lembranças do passado, da infância.
–- Me lembro de você tão pequena junto com seus irmãos — dizia Robson — O tempo lhe fez bem, Ana.
–- A você também Robson. Ela observava o quanto ele havia mudado nos últimos dez anos: Havia crescido bastante, tinha um rosto belo e sereno, seus cabelos negros e meio cacheados balançavam como se dançassem e seus olhos tinham um tom de mel que combinavam com seu sorriso de canto e com sua pele clara, porem bronzeada. Ana não poderia lutar pelo quanto gostava dele, e isso foi retribuído durante os dois meses, a cada sete dias que ele retornava para rever o animal. Quando o animal estava totalmente curado, Robson disse que não tinha mais uma desculpa para vê-la. E acabou se abrindo e revelando que não parava de pensar mais nela. Ana retribui apenas o beijando. Logo eles anunciariam seu namoro.
Ana não se contém mais em alegria, estava total e perdidamente apaixonada por Robson. Durante quatro meses Ana e Robson era o mais belo casal onde ambas as famílias não viam a hora de isso seguir adiante, de seguir para um casamento. Para felicidade de Ana, que mais tarde seria sua maior decepção, sua irmã Mariana voltava de Santa Catarina depois de um longo mestrado. Em um jantar típico da família finalmente ela iria apresentar o homem a quem tanto ama. Logo os dois se tornaram amigos, já que tinham a mesma profissão. Ana não via isso com maus olhos, confiava em sua irmã que era dois anos mais velha que ela. As duas sempre foram mais que irmãs: uma era sempre confidente da outra. Ficara feliz, pois os dois juntos iriam abrir um hospital veterinário na cidade. Tudo ia bem, isso na cabeça de Ana, mas o que vai ser descrito aqui ela mesmo não gostaria que isso tivesse ocorrido. No pensamento dela, se pudesse arrancar isso da memória faria sem medo algum.
Na véspera do aniversario de vinte e cinco anos, Ana passeava de um lado para o outro terminando de ajudar sua mãe com os preparativos da festa. Nessa hora Robson chega perguntando se precisam de algo:
–- Pode ajudar a Mariana com as mesas no salão.
Ana continuou limpando e ajeitando o local com sua mãe. Só pensava o quanto estava feliz e que seria seu primeiro aniversario que não passaria sozinha, que teria alguém para dizer a todos que era seu namorado. Ana percebeu que o tempo havia passado rápido demais e sentiu falta do namorado e da irmã. Foi até o salão externo, e viu que as mesas já estavam postas deixando espaço no meio para a parte da dança. Foi quando ela percebeu que os últimos seis conjuntos de mesas estavam desalinhados, como se alguém estivesse barrado neles. No intuito de arrumá-los foi em sua direção, enquanto alinhava novamente, ela escutou risadinhas abafadas vindo da parte da cozinha do salão. Ana achou por um momento que estava ficando louca, foi quando ouviu mais risadinhas. Foi em direção das ‘risadas’ e à medida que caminhava o som foi ficando mais alto. Ela acabou entrando na cozinha onde não havia ninguém, porem voltou a ouvir novamente as risadinhas que vinham diretamente da dispensa. Vagarosamente ela foi até lá, porem seu coração, sangue, alma haviam gelado: Ana estava ouvindo sussurros do seu namorado. “Robson?” pensou, “O q-que ele está fazendo aí? E sussurrando?” Respirando mais profundamente, empurrou a porta da dispensa. Mas no fim ela queria mesmo era não ter feito aquilo: deitados sobre sacos de alimentos estavam seu namorado e sua irmã. O olhar desesperado e transtornado de Ana ia de sua irmã, que estava sem a blusa mostrando seu sutiã e estava deitado sobre o braço de seu namorado, e voltava para Robson que estava com a camisa aberta e a mão esquerda sobre as coxas de sua irmã. Rapidamente os dois se ergueram se compondo enquanto Robson tentava explicar o que acontecia naquele momento... Naquele lugar. Ana continuava apenas olhando entre um e outro, ela apenas observava, mas não conseguia escutar o que falavam, parecia que o seu mundo estava desabando debaixo dos seus pés e nada poderia mudar esse fato. Mariana apenas olhava com o canto de olho e percebia pelo seu rosto o quanto ela estava vermelha, agora não sabia se era vergonha pela traição ou pela descoberta ou por ambos.
–- Eu amo sua irmã, Ana – foi à única coisa que entendeu, quando Robson segurava se rosto para que pudesse ouvi-lo – Sempre foi a Mariana. Desculpe.
Ana saiu rapidamente do local ainda escutando a voz de Robson ecoando atrás, ela chegou a imaginar que ele estava as suas costas, mas na verdade as últimas palavras ecoavam em sua cabeça. Ela nem percebeu que tinha convidados no salão quando passou correndo por entre eles, sua mãe percebeu e quando viu que atrás dela vinha o genro e Mariana sua intuição de mãe despertou e a mesma entendeu que o inevitável aconteceu.
Na mesma noite, Ana resolveu, decidiu sair do interior e aceitar o estágio oferecido por uma colega lá na cidade de Goiânia decidira ali mesmo que não iria mais ficar no mesmo ar que a irmã e o ex. Ela gargalhou por dentro, apesar de por fora seu sorriso estivesse apagado. Até de manhã ela tinha um namorado, agora ela tem um ex. Antes de partir, ela se observou no espelho e via como seu rosto estava cansado e triste, percebeu que tudo que ela havia construído e sonhado despencou em fração de segundos, respirou fundo e enxugou a ultima lagrima que descia teimosamente de seus olhos. E prometeu ali mesmo nunca mais amar ninguém como amou seus ex.
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