Notas iniciais
"O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser." - Desconhecido

Holly apoiou os cotovelos sobre a mesa e sus­pirou, desolada diante da imensa pilha de batatas a sua frente. Preparar uma salada para cinquenta pessoas era a última coisa que imaginava fazer em suas breves férias...

– Encontre seu centro de equilíbrio, garota. Faça uma pausa para meditar — Althea sugeriu, esticando o pescoço da porta da sala de jantar.

– Vou precisar de alguma coisa um pouco mais eficaz parar cumprir minha tarefa — retrucou ela com ironia.

Desde que deixou Steve no armazém, não se cansava de analisar todas as nuances da conversa, e estava convencida de que ela fazia parte do cardápio daquela noite. Quando comentou sobre o jantar, seu pai lhe lançou um olhar signi­ficativo, como se já soubesse que aquilo iria acontecer.

– Você tem que parar de interpretar o convite como se fosse um convite baseado no desejo sexual — aconselhara Althea.

– Bem, seja como for, tenho que dar conta da salada, e confesso que estou sem o menor desejo — comentou, expul­sando ambos da cozinha antes de se pôr ao trabalho.

Colocou as batatas picadas para cozinhar e separou limões, ovos e óleo para preparar o creme de maionese caseiro, sen­tindo uma ponta de nostalgia ao se lembrar de quando cos­tumava ajudar o pai a fazer a salada nos churrascos de do­mingo. Depois de preparar cinco receitas, achou que havia exagerado na quantidade. Porém, ao ver a quantidade de batatas, concluiu que teria que voltar à cidade para comprar mais ingredientes para outra receita de creme.

– Tia Thea, tenho que voltar à cidade — gritou da cozi­nha. — Por favor, cuide das batatas que estão no fogo para que não passem do ponto.

– Aproveite para comprar um pouco de tofu para o ape­ritivo dos rapazes no jogo de pôquer desta noite.

– Tofu?

Althea ajeitou os cabelos por trás das orelhas, revelando os múltiplos brincos que a faziam parecer uma princesa in­diana.

– Sim, querida. É um tipo de queijo de soja. Eles prefe­rem batatas fritas, é claro, mas Thor precisa de uma ali­mentação mais saudável.

Holly apanhou as chaves de seu carro e saiu, imaginando como seu pobre tio suportava submeter-se a uma dieta como aquela.

–

Steve havia se esquecido como uma mulher perfeitamente razoável como Susan poderia tornar-se tão inoportuna quan­do saía para jantar fora. Se os anfitriões estivessem à porta da casa, ela queria estar na janela. Se estavam na janela, optava por passar pelo outro lado. Então, recusava-se a comer qualquer coisa que estivesse no cardápio. Reduzira alguns dos melhores chefs de Chicago a incompetentes cozinheiros.

Naquele dia, estava aliviado por descobrir que Susan es­tava de bom humor. Havia mudado de mesa apenas uma vez e os comentários sobre o cardápio limitaram-se a lasti­mar-se por não encontrar seu molho preferido para salada.

Depois de inspecionar o copo de água, tomou um gole com mãos trêmulas.

– Estou feliz por ter aceitado almoçar comigo hoje. Pre­ciso muito conversar com você.

– Eu é que estou lisonjeado por ter me convidado, con­siderando o silêncio com que me tratou na noite passada.

– Você também não me ligou.

– Não é esta a questão.

– Bem, eu precisava dar atenção a Julio. Mas hoje ele estará ocupado até a noite, o que significa que não terei parceria para jogar tênis esta tarde.

– Puxa, não sei como sobreviverá! — ele comentou em tom ácido, entediado com a futilidade que acabara de des­cobrir.

Ela o fitou sem entender a mensagem subliminar do co­mentário, enquanto brincava com o anel de noivado. Steve calculou que o diamante deveria valer duas vezes seu salário mensal.

– Julio e eu trabalhamos muito — continuou ela. — Não sei como vou combinar um casamento com minha agenda.

– Talvez seja mais conveniente adaptar sua agenda ao casamento.

Ela riu como se ele tivesse dito uma piada.

Naquele momento, a garçonete chegou com os pedidos: filé ao ponto para Steve e salada para Susan. Depois de questioná-la sobre a origem do vinagre balsâmico, Susan voltou a atenção para ele.

– O casamento será daqui a duas semanas, e sinto-me sufocada. Eu seria capaz de desistir de tudo, mas nossas famílias já estão muito envolvidas. O que acha que devo fazer?

– Susan, isso não é da minha conta.

Com um ruído com a boca mostrando-se desolada, ela permaneceu em silêncio por alguns segundos antes de voltar a falar.

– Kiara me disse que seu pai lhe ofereceu trabalho.

Steve vislumbrou onde aquilo iria chegar, e teve de admi­tir que ela sabia como manipular a conversa.

– Ele sempre está me oferecendo trabalho.

– Mas ela disse que desta vez é diferente, que você corre o risco de perder as aulas e sua posição na universidade.

Sua adorável irmã deveria ter valorizado a situação, pen­sou para si com desagrado.

– Em primeiro lugar, não passo muito tempo em salas de aula, agora que sou reitor. Em segundo, não estou a ponto de ser mandado embora. Apenas não sei se este trabalho em particular vai existir no próximo ano escolar. Mesmo que a universidade não exista mais, posso dar aulas no colégio, ou até em uma cidade próxima daqui.

– Então, mesmo que perca o cargo de reitor, não há chan­ce de se mudar para Chicago?

– Não há a menor chance.

– Entendo...

Mudando de assunto, ela se pôs a comer, fazendo pausas para revelar algumas fofocas sobre seus amigos de Chicago.

Steve estava grato por ter conseguido encerrar o assunto com tanta facilidade. Terminaram o almoço sem tocar no­vamente no problema de Susan e seus planos futuros, e ele se apressou em tomar o café para ir embora. Quando ela pediu um beijo, mal roçou os lábios na face maquiada.

Porém, Susan tinha outros planos. Voltou-se e colou os lábios nos dele, sem se intimidar com a evidente resistência. Pego de surpresa, Steve não teve como evitar, e afastou-se tão logo foi possível.

Quando virou-se para sair, viu Holly sentada dentro de seu carro à espera que o sinal abrisse. Embaraçado, acenou timidamente para ela, torcendo para que não tivesse pre­senciado a cena. Em vez de responder ao cumprimento, ela lançou-lhe um olhar gelado e apertou as mãos no volante como se estivesse apenas esperando a largada de uma cor­rida de automóveis. Assim que o sinal abriu, ela empinou o nariz e pisou no acelerador, sumindo de seu raio de visão.

– Rapaz, você está perdido... — ele murmurou para si, saindo do restaurante o mais rápido que pôde.

–

Humilhada, desolada e sentindo-se a pior das mulheres da face da terra, Holly parou o trabalho com a carreta por alguns instantes. Sentou-se no velho sofá e olhou ao redor, detendo-se nos pequenos detalhes do celeiro. Quando crian­ça, aquele era seu lugar favorito para sonhar sobre como seria quando crescesse. Imaginava-se bonita e sofisticada, com cabelos dóceis e maleáveis e completamente sem sardas. Teria sandálias para combinar com todos os vestidos de ve­rão, e nunca usaria calças jeans. Em síntese, queria ser como Susan Muller.

Bem, estava crescida, e não era Susan Muller. Ao vê-la com Steve do outro lado da calçada, percebeu como estava distante de seu ideal de infância. Testemunhou o beijo com um silêncio dolorido. Somente a expressão chocada de Steve a fez interromper o pânico que congelava seu sangue. Aquele sinal era algo que tinha que considerar.

Eles pertenciam ao mesmo círculo social. Supunha que, se houvessem se casado como planejavam, ele estaria diri­gindo o BMW dela e teriam um casal de cachorros. Sem filhos, é claro. Não teriam filhos enquanto não tivessem des­frutado de todos os prazeres da vida.

Holly encarou o short e a camiseta branca que usava. Era um modelo econômico. Não precisava de carros caros e trocava as viagens por um confortável sofá e um bom livro. Suas necessidades eram simples. Queria apenas ser tratada com atenção e respeito.

Suspirando, voltou ao trabalho e envolveu-se com a deco­ração do carro. Quando deu por si, passava das oito horas da noite.

A decoração estava pronta, e sentou-se em uma cadeira de praia no centro do paraíso de areia que havia criado, sem perceber que Steve havia chegado alguns minutos atrás, e a observava em silêncio.

Com um sorriso, ele acariciou-a com o olhar. Ela parecia estar em outro mundo. Os cabelos, presos no alto da cabeça, estavam cobertos de tinta azul. Uma mancha esverdeada decorava o queixo arredondado, e os braços estavam respin­gados de pontos amarelos.

Aproximou-se em silêncio, depositando a cesta com o jan­tar aos pés dela.

Holly o fitou sem demonstrar surpresa. Em vez de sau­dá-lo, encolheu as pernas e abraçou os joelhos, como se es­tivesse se defendendo de um perigo eminente.

– A decoração ficou fantástica — arriscou ele, incomoda­do com a fria acolhida. — Você mesma desenhou as faixas com motivos marítimos?

– Sim. Acabei hoje, enquanto você estava fazendo... ou­tras coisas.

Podia imaginar por que Holly estava perturbada, e per­cebeu que ele próprio estava pouco à vontade.

– Certo, antes que você me expulse daqui e ordene que seja executado sumariamente, eu confesso. Almocei,com Su­san hoje, e ela me beijou. Você viu a cena do outro lado da calçada, não é?

– Oh, você acertou em cheio!

– Dispenso o tom de ironia. Se quiser conversar a res­peito, vamos conversar. — Ele subiu na carroceria do trator e sentou-se ao lado dela. — Na noite passada, Susan me pediu para encontrá-la. Não achei que fosse uma ideia muito boa, mas não tive como dizer não sem soar como o enciumado ex namorado desprezado. De qualquer forma, ela estava com al­gumas dúvidas, e não ocorreu-lhe que eu não seria a melhor pessoa para desabafar.

Holly começou a limpar as manchas de tinta das mãos, tentando dar a impressão que estava se importando pouco com o assunto.

– Baseada no que vi, talvez ela tenha imaginado que era exatamente o que você estava esperando.

– Mas não era.

Sem olhar para ele, ela hesitou por um instante antes de perguntar:

– Você se arrepende por não ter se casado com ela?

A verdade era que se sentia mais aliviado a cada minuto! Quanto mais tempo passava com Holly, mais percebia que jamais seria feliz ao lado de Susan. Ao contrário do resto do clã dos Morettins, gostava de uma vida simples e tranquila, com liberdade e espaço.

– Não, de forma alguma — afirmou com convicção. — Nunca teria dado certo. Hoje, tenho certeza que não temos nada em comum, exceto o mesmo lugar para irmos nas férias de verão.

Ela se pôs de pé, apoiando a mão na areia para se levantar.

– Chega de falar sobre Susan. Preciso tomar um banho. Enquanto isso, você pode preparar a mesa para o jantar. Há um cavalete e algumas tábuas ali no canto.

– Certo. — Ele respirou aliviado. — Quando você voltar, estará tudo pronto.

Quando ela voltou, Steve havia preparado a mesa com uma refeição que era o melhor que Sandy Bend podia ofe­recer. Colocou os cavaletes no centro do celeiro, e o cobriu com uma toalha branca. O champanhe estava em um balde de gelo, e dois candelabros com velas acesas emprestavam um brilho mágico ao cenário rústico. A voz melodiosa de Diana Krall, sua vocalista de jazz favorita, entoava do apa­relho de som portátil.

– Uau! Você trabalhou rápido!

Ele a fitou, admirando o corpo bem-feito. As roupas co­bertas de tinta haviam sido trocadas por um top de lycra preto e um short branco, que deixavam as pernas longas e bem-torneadas à mostra. Os cabelos estavam secos e perfu­mados, caindo em cachos sedosos por sobre os ombros.

– Entre e feche a porta.

Ela obedeceu e sentou-se à mesa improvisada.

– Agora, deixe-me servir meu tipo predileto de jantar: aquele que não precisamos preparar!

O sorriso que ela deu em resposta era um sinal estimu­lante de que o havia perdoado.

– Conte-me como é a vida em Carmel Highlands — su­geriu ele, enquanto a servia com uma generosa porção de salpicão de frango.

– Não é uma cidade muito grande, mas é agradável. Além disso, não passo muito tempo lá. Quando tenho um final de semana de folga, gosto de ir a uma reserva na­tural não muito de longe de onde moro. Quando o dia está ensolarado, costumo levar meu material de pintura.

Enquanto ouvia, Steve colocou a mão direita em seu joelho e começou a acariciá-lo com leveza. Holly sentiu-se parali­sar, mas continuou falando como se aquilo fosse o gesto mais banal do mundo.

– Algumas vezes, quando estou sozinha, posso ouvir o barulho das ondas nas rochas.

Prendeu a respiração quando a mão esquerda de Steve deslizou para sua cintura. Estava tão envolvida com as ca­rícias que não conseguiu reagir.

– Ou então, eu levo um bom livro e...

As palavras foram interrompidas por um beijo quente e apaixonado. Holly se retraiu, afastando-o.

– Não faça isso — ele pediu, num sussurro rouco.

– Você está me deixando nervosa!

– Holly, estive pensando em nós dois. Acho que há algo mal resolvido entre nós.

A boca de Holly tornou-se subitamente seca, e sorveu o conteúdo de sua taça de um só gole. Sabia que acabara de entrar em um terreno muito perigoso, e não havia como escapar.

– O que você quer dizer?

– Quero dizer que, agora, é minha vez.

Erguendo-se, ele tirou a camisa e jogou-a aos pés dela. Então, levou as mãos para o cós da calça, com movimentos lentos e insinuantes. Embora ela tentasse desesperadamen­te falar, suas cordas vocais estavam paralisadas. Sem con­seguir refrear a tentação, fechou os olhos, receando perder o controle e atirar-se nos braços dele.

Ao abrir os olhos, Steve estava seminu, com um brilho de provocação dançando nos belos olhos escuros. Aquele olhar fez uma jornada até o mais profundo de sua alma, e Holly sentiu-se aquecer como mel derretido.

– Holly, quero você... — ele sussurrou, fazendo-a duvi­dar que não estava sonhando.

Aquilo não era um jogo. Era real, tão real que o resto de sua vida parecia não significar nada naquele momento. Ele a queria! Mesmo que não tivesse dito tais palavras, seus instintos básicos já haviam intuído.

Qualquer escolha que fizesse, seria para sempre. Quando deu por si, estava de pé, sem ter ideia de como chegara lá, e sem a menor ideia de como havia voado para os braços abertos em sua direção.

Sair correndo dali seria o mais sensato a fazer. Ficaria curiosa pelo resto de seus dias sobre como seria fazer amor com Steve, mas sairia com o coração intacto.

Se caísse em tentação, a solidão que sentiria quando vol­tasse para Carmel deixaria um vazio irreparável em sua alma.

– Holly?

Ela voltou para a realidade e o fitou. Então, o que viu apagou todas as dúvidas. Havia vulnerabilidade naquele ho­mem, e uma entrega que lhe deu a coragem que precisava.

Correu os dedos pelos bíceps bem-desenhados, e sentiu os músculos se retraírem ao contato.

– Muito bom. Mas você ainda não me mostrou nada que eu não tenha visto na praia.

– Tecnicamente, é verdade — Steve concordou com voz rouca.

Ela se aproximou e acariciou os lábios com a ponta da língua. Inalou o hálito doce, deixando-se inebriar pelo perfume que desprendia do corpo.

Holly deu um passo para trás e sorriu.

– Não quero que você pense que estou tirando vantagem da situação... — murmurou enquanto abria o zíper do short.

Deixou-o cair a seus pés e deu um passo à frente, envol­vendo-o com seus braços.

Sentir a pele de Steve contra a sua provocou a mais in­crível sensação que já havia experimentado. A mão hábil deslizava por suas costas, detendo-se na alça do top.

Holly não interrompeu o contato enquanto ele a despia, passando a pequena peça por seus ombros.

Ele se afastou e a fitou com gentileza, quase com reve­rência, deslizando os dedos pela curva generosa dos seios.

– Você é a mais perfeita beleza que eu poderia imaginar em uma mulher.

O elogiou apanhou-a de surpresa, comovendo-a até a alma.

– Já fiz isto antes, e foi um completo desastre...

– E você acha que vai acontecer de novo?

– É impossível não me lembrar de como fracassei.

Ele apanhou as mãos dela e colocou-a sobre o coração, que batia em um ritmo desenfreado. Com a outra mão, aca­riciou-lhe o rosto e o ergueu até que seus olhos se encon­trassem. O desejo explodia nas íris escuras, com uma ur­gência incontrolável.

– Você realmente acredita nisto, Holly?

– Espero que prove que estou errada.

Um sorriso discreto curvou os lábios. Com uma carícia sensual, ele mergulhou os dedos nos cabelos sedosos e puxou-a para si.

Com os dedos, ele traçou o vale por entre os seios, provo­cando-lhe uma cascata de arrepios. Seguiu a linha que le­vava ao ventre liso e subiu novamente até o pescoço, beijan­do-a lentamente, enlouquecendo-a de desejo.

Ela se aproximou, ansiando para que ele a tocasse. En­volveu os dedos nos cabelos fartos, enquanto conduzia as mãos hábeis para seus seios.

– Estava tentando fazer tudo devagar, mas não é o que vai acontecer, não é?

Holly não pôde encontrar a voz, e meneou a cabeça com um enfático não.

Ele conduziu-a para o sofá, deitando-a com gentileza. Sen­tou-se ao lado dela e a beijou com ternura.

A música ecoava de um lugar distante, como se viesse de um mundo de sonhos.

Steve se ergueu e apanhou a garrafa de champanhe, e ela prendeu a respiração ao sentir o líquido borbulhante lhe aca­riciando a pele arrepiada do ventre. Com uma excitação que jamais sentira, observou-o enquanto sugava a bebida espalhada em seu corpo, explorando os recantos mais secre­tos da intimidade úmida e macia.

Depois de levá-la ao paraíso, Steve se levantou e pegou preservativos do fundo da cesta de piquenique. Mal contendo a urgência de senti-lo, esperou enquanto ele colocava a pro­teção, pronto para ela. Sentiu o corpo pesado sobre o seu, e gemeu de prazer e desejo.

Mais tarde, quando ambos estavam exaustos demais para falar, Steve abriu os olhos e a fitou.

– E então, foi um desastre total?

– Não... — Ela sorriu, repleta de felicidade. — Mas acho que terei fazer tudo de novo para me convencer...

–

Quando Steve acordou, o dia já havia rompido. Os raios dourados do sol entravam pela janela do celeiro e dançavam sobre eles.

Ele abriu os olhos e alongou os músculos, sorrindo ao ver Holly encolhida no sofá.

A noite passada havia sido a mais maravilhosa de toda sua vida. Ele sempre havia pensado em ter uma mulher próxima de si, mas nunca imaginara que pudesse estar tão perto. Não se tratava apenas da presença física. Holly es­taria dentro dele para sempre.

Surpreendera-se com a naturalidade com que haviam se entregado sem reservas. Pela primeira vez em sua vida, de­sejara dar prazer antes de pensar em seu próprio prazer. Inconscientemente, sempre se colocara como prioridade. Mas não quando Holly estava em seus braços.

Precisava de tempo para pensar na razão de tudo ser tão diferente quando estava com ela. Mesmo que fizessem amor um milhão de vezes, não seria suficiente para resolver aque­le mistério.

– Humm... Ainda estou sonhando? — Holly abriu os olhos sonolentos e olhou ao redor.

– Bom dia. Você dormiu bem?

– Bem, a cama estava um pouco apertada, mas não tenho do que reclamar. — Ela deslizou os dedos pelo queixo viril. — Estou me sentindo nas nuvens.

Ele apenas sorriu, guardando para si que não chegava nem perto do que ele sentia. Lamentando o amanhecer, ele sentou-se e alongou os músculos. Tinha que ir embora o mais rápido possível. Marcara uma reunião na universidade na­quela manhã e precisava fazer a barba e tomar banho. Além disso, queria sair de lá antes que os rapazes acordassem. Tinha consciência que os homens da família Adams sabiam o que ele e Holly estavam fazendo no celeiro, mas sentia-se pouco confortável em ter que encará-los.

– O que foi? — ela indagou, notando sua expressão preo­cupada.

– Nada. Tenho uma reunião na universidade, e preciso ir embora.

Notando a decepção nos olhos azuis, ele se arrependeu por ter aberto a boca.

– Você precisa ir embora... — ecoou ela, num murmúrio quase inaudível. — Voltamos à realidade, e temos que nos separar.

Ele se levantou e se pôs a recolher sua roupa, espalhada pelo chão.

– É assim que acha que deve ser? — perguntou por fim, enquanto abotoava a camisa. — Apenas uma noite, e então nos separamos?

Ela fechou as mãos sobre as dele, e um sorriso triste bro­tou nos seus lábios.

– Daqui a dois dias, teremos que nos separar.

O tom distante da voz fez com que Steve sentisse o peso de séculos sobre os ombros. Receava que tudo que haviam vivido se perdesse para sempre nas lembranças como uma noite de prazer, mas não disse nada. Que direitos poderia ter sobre ela? — pensou para si. Em dois dias, Holly voltaria para a Califórnia e estaria fora de sua vida.

Fitou-a longamente antes de sair, sentindo que deixava uma parte de sua vida atrás de si.

Talvez ela não quisesse nada além de resolver as frustra­ções do passado, refletiu enquanto dirigia de volta para casa. Porém, Holly o remetera a uma única rota, fatal e inevitá­vel. Estava apaixonado por aquela mulher, de uma forma que jamais imaginara ser possível.

Não poderia deixá-la partir, e teria apenas dois dias para reconquistá-la...

De súbito, dois dias transformaram-se em uma eternida­de. Com um sorriso cheio de esperança, estacionou o carro no jardim da mansão, sentindo-se pronto para enfrentar o desafio.

Notas finais
Oi meus amores, boa tarde! Como vocês estão? Enfim mais um capítulo. Espero que gostem e comente sobre o que estão achando. Beijos meu amores.