Uma Dose De Amor.

3 Capítulo 3


Fiquei na praia, sozinha, sentindo o vento bater no meu rosto e ouvindo o barulho das ondas. Começou a escurecer, e resolvi voltar para a minha avó. O tempo ainda permanecia o mesmo, não estava chovendo, mas estava muito frio e nublado. Em menos de 10 minutos, cheguei em casa. Não ficava muito longe.

- Wow! A loira do banheiro resolveu aparecer. – Alexia disse, soltando risadas debochadas.

- Que dia você vai fazer cinco anos, irmãzinha? – Dei um sorriso irônico e fui para o quarto. Coloquei meu ipod para carregar, peguei meu livro Querido John e retornei a ler.

“E quando seus olhos encontraram os meus, senti um clique, como uma chave destravando um cadeado. Acredite, não sou romântico. Embora já tenha ouvido muito sobre amor á primeira vista, nunca acreditei nisso, e ainda não acredito. Mesmo assim, havia algo ali, real e reconhecível, e eu não conseguia desviar o olhar.”

Já disse o quanto eu sou louca por livros do Nicholas Sparks? Pois é, sou. Me identifico com tudo. Não entendo. A maioria de meninas e meninos da minha idade, se divertem com bebidas, festas, drogas e outras coisas erradas. Eu consigo me divertir com qualquer livro, qualquer filme, e até mesmo ouvir música deitada na minha cama. Maybe não há prazeres maior que esses.

Vivo me perguntando, também, como deve ser a vida de garotas rodeadas por meninos? Por exemplo, minha irmã. A Lexi é 1 ano mais nova que eu já teve 4 namorados, eu tive apenas 2 rolos. Talvez seja porquê é difícil achar alguém que me ature de verdade, e não sei o motivo, não exijo muita coisa, não precisa ser alguém que tenha um Camaro, que a mãe não implique com as namoradas, não precisa ser um apaixonado por leitura (apesar de eu querer um namorado assim!), apenas alguém que aguente minhas crises de choro e meus dramas.

Me perdi em meus próprios pensamentos e não sabia mais o que estava lendo. Recomeçar... Odeio quando isso acontece!

- Filha, pedimos pizza e acabou de chegar. Vem comer! – Meu pai apareceu na porta.

Poderia recusar porque eu realmente gosto de ficar sozinha, e ter que olhar pra Lexi me dá náuseas. Mas eu estava morta de fome porque não comi nada além de alguns biscoitos no café da manhã.

- Já estou indo, pai! – Respondi com um sorriso.

Guardei meu livro, marcando a página que havia parado e fui comer. Durante a refeição inteira, minha avó e eu ficamos lembrando de quando eu era pequena, subi em uma árvore do quintal, e passei a noite lá em silêncio enquanto todos me procuravam. Eu era uma criança ninja, talvez. Hahaha. Meus pais começaram a conversar sobre outro assunto completamente diferente.

“– Rápido? Repeti 3 vezes! Pelo jeito, você está desligada do mundo né?” O que o garoto do sorriso lindo deve ter imaginado de mim? Talvez um “levem essa garota pro hospício agora.” Comecei a rir sozinha do quão lesada eu sou e todos da mesa voltaram os olhares para mim.

- Rindo do quê? – Perguntou meu pai.

- Uma coisa que aconteceu hoje, nada demais. – Respondi.

- Achei que tinha saído sozinha, Claire! – Disse minha mãe.

- E fui sozinha. – Respondi com um sorriso e me levantei da mesa logo em seguida. Tomei um banho e desmoronei na cama.