Uma Conexão

1 Capítulo 1 - Tudo começa.


Notas iniciais
O gif ao final do capítulo representa Kristen (Karen Gillan).

As pessoas aqui me causavam arrepios. A cidade era sombria, todos eram trancados em seu próprio mundo. Não falava com ninguém nesse lugar desde a morte da minha mãe aos meus 5 anos, já o meu pai eu nunca conheci. Ela era linda, ruiva dos olhos azuis, havia pequenas sardas em seu rosto, exatamente como eu. Que saudade ela fazia em minha vida. Hoje tenho 16 anos, sou uma garota sem amigos, sem família e culta.

Estava caminhando com medo entre aquelas árvores,estava chovendo muito. Abri a porta da biblioteca, e levei um grande susto ao me esbarrar fortemente com um garoto. Eu nunca havia visto ele por aqui, era lindo, talvez uns 17 anos, seu cabelo era loiro e seus olhos azuis como a cor do céu. Aquela presença me fazia ficar trêmula, não conseguia explicar, talvez fosse por não ver um garoto com tal beleza à muito tempo. Ele ficou me olhando por alguns segundos e logo disse algo:

– Desculpa — disse preocupado — Eu te machuquei?

Logo neguei, e voltamos a nos encarar. Aqueles olhos claros penetravam em mim e não conseguia parar de olhar. Meus pés doíam de tanto andar, queria desabar em uma cadeira e não ficar batendo papo com um desconhecido que com certeza não queria falar com uma estranha como eu.

– Sou novo na cidade, me perdi no caminho e essa biblioteca é algo mais perto que encontrei, pensei que teria alguém para me ajudar a voltar, o que aconteceu com todos aqui ?

Como eu explicaria à ele que nessa cidade as pessoas vivem trancadas em casa, são estranhas e não gostam de visitas? Me aproximei e tentei ser o mais natural possível, mas claro que isso não aconteceu.

– Ah, aqui as pessoas não gostam muito de sair de casa.

– Então você parece ser a única normal aqui — disse com algumas risadas- Meu nome é Arthur.

Porque ele pensou que eu era a única normal aqui ? No meu ver eu era a mais estranha, talvez fosse por causa de mim que as pessoas não saíssem de suas casas.

– Eu sou Kristen.

Nunca havia me apresentado à alguém antes, estava inquieta, não parava de mexer em meus cabelos.

– Então Kristen, será que você pode me ajudar a voltar para casa ?

Eu não sabia os caminhos da cidade exceto o da minha casa, que passava por um bosque assustador.

– Desculpa, mas não conheço a cidade tão bem — eu disse, estendendo a mão para pegar um livro na prateleira.

– Então me leve para algum lugar que você conheça, só me tire daqui por favor,eu realmente não sei pra onde ir.- seu olhar me implorava.

– Logo que a chuva diminuir posso te levar até metade do caminho que conheço.

Ele me deu um sorriso, e como era lindo. Sentei em uma pequena mesa quebrada que havia ali e abri meu livro, ele se sentou ao meu lado, fazendo meu coração acelerar.

– Você é muito bonita.

Não sabia o que responder, fiquei confusa, nunca tinha recebido elogio de um garoto .

– Obrigada — eu disse,envergonhada.

Queria muito conversar com ele, mas não sabia o que falar.

– Como você veio parar aqui ? — foi a única coisa que pensei em dizer.

– Bom , meus pais faleceram recentemente, eles tinham uma casa e deixaram pra mim, então eu vim.

Ele era orfão como eu, finalmente tinha alguém pra conversar.

– Meus pais também faleceram quando eu tinha 5 anos, moro sozinha agora.

– Somos parecidos então. — disse enquanto estava tirando sua blusa.-Você deve estar com frio.

Ele se levantou e vestiu a blusa em mim, enquanto tirava o cabelo que estava sobre meu rosto. Quando ele me tocou, eu me arrepiei toda, ele não parava de me olhar nem um segundo.

– Obrigada, mas você vai ficar com frio.

– Isso não é problema — disse ele, chegando mais perto de mim e me abraçando — Dizem que o calor humano é o mais eficaz contra o frio.

Não sei descrever o que senti, as mãos dele quentes sobre meu ombro, conseguia escutar a respiração dele mesmo com o barulho da chuva, então ele olhou pro meu rosto e me deu um sorriso. Ah aquele sorriso ! Me fascinava tanto. E de repente esqueci de tudo e viajei no olhar dele, sem saber o que estava fazendo beijei ele, não consegui resistir, foi tudo tão rápido e encantador, talvez fosse a carência que eu estava sentindo à anos. O beijo foi calmo, e estranho, pois nunca o havia feito.

– Desculpa. — Eu disse constrangida

– Não precisa, você fez o que queria, eu gosto de garotas com atitude.

O que eu fiz? Era a única coisa que eu conseguia pensar; O que deu em mim? Foi tão estranho, conheci ele alguns minutos atrás e senti como se o conhecesse à anos. Perto dele eu estava me sentindo tão protegida, longe de toda estranheza que andei vivendo. Deitei nos ombros dele e peguei no sono sem perceber.