Uma Chance para Duas
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Regina
Sexta à noite
—Vamos conosco! —Dizia Zelena ao telefone.
—Não tenho clima para passeio nenhum, Zelena.
Fazia 15 minutos que estávamos ao telefone, onde ela tentava me convencer a passar um o final de semana em família na nossa casa de campo em Storybrooke.
—Por favor, Regina, prometo não tocar no assunto, a não ser que você queira, é claro. E outra, eu gostaria tanto que todos estivessem reunidos.
—Você pode não tocar no assunto, mais eu sei quem vai.
—Ok, me dou por vencida, mais eu sei quem pode te convencer.
—Zelena, o que é que você vai fazer...?
—Regina? —Soou uma voz grave do outro lado.
—Oi pai. —Falei em um suspiro.
—Minha filha, as coisas não vão ficar melhores se você continuar se isolando em casa, ou se afundando no trabalho. Seria bom você vir conosco para relaxar, respirar outros ares e cavalgar. Você sabe que o Rocinante sempre está a sua espera.
É, ele era alguém que poderia me convencer.
—Mas você sabe que não será tão simples assim, não com ela aí.
—Mas você sempre soube como responder a sua mãe a altura.
Suspirei me dando por vencida.
—Você pode vir de carro conosco, já que Zelena vai com Hades e os sogros.
—Achei que seríamos só nós.
—Zelena convidou os sogros, o cunhado e a sua esposa. Não deixa de estarmos em família.
—É... Mas eu prefiro ir no meu próprio carro.
—Tudo bem então, mas não deixe de ir, e você ainda está me devendo uma conversa.
—E eu também estou com saudades de você.
—Nos vemos no sábado então, tchau meu anjo.
—Tchau pai.
Emma
Esse era primeiro final de semana desde o meu primeiro encontro com a Regina. Passei a semana inteira tentando entrar em contato com essa Marcela, na primeira vez que liguei ela atendeu, mas assim que falei quem eu era e comecei a explicar o motivo pelo qual eu estava ligando, ela desligou na hora. Tenho a impressão de que esse não será um simples processo de divórcio.
Na segunda eu ligaria para Regina, apesar não ter feito nenhum progresso no caso, devo avisá-la da minha suspeita.
Para aquele final de semana, a programação era: Storybrooke, casa dos meus pais.
Quando me formei e comecei a trabalhar, saí da casa deles, não que tivéssemos muitos problemas, quer dizer, tínhamos, mas como toda família tem. A propósito foi nesse momento, quando eu estava saindo de casa, que contei sobre a minha sexualidade e meus reais planos para o futuro.
Flashback ON
—É por isso que você está indo embora Emma? — Perguntou Branca angustiada coma mudança da filha.
—Você sabe que nós te amamos acima de qualquer coisa, e se é quem você realmente é, só cabe a nós te amar ainda mais. —Disse David em um tom compreensivo.
—Sei que vocês me aceitam, e eu sou tão, tão grata por isso. Mas é uma necessidade minha. Vocês agora têm o Neal, e não eram vocês mesmos que viviam dizendo que essa fase passava logo, então aproveitem. Eu só estarei a um telefonema de distância.
Flashback OFF
Hoje estando a duas cidades de distância, vejo meus pais e meu irmão pouquíssimas vezes. A verdade mesmo é que eu só sou forte o suficiente para o meu filho, mas são incontáveis as vezes em que desejei estar mais perto deles ou que quis o colo da minha mãe. Passar esse tempo com eles será tão bom para mim quanto será para o Henry, a final os avós e o tio são praticamente estranhos para ele.
Regina
Fazia quase uma semana e aquela advogada ainda não tinha me ligado, me perguntava se algo tinha dado errado. Será que a juguei competente demais? Devaneando dessa forma, cheguei a Storybrooke sem nem me dar conta.
Durante a viagem, o tempo todo segui atrás do carro deles. Ao descer do carro fui logo recebida com um abraço do meu pai e um olhar de lado da minha mãe.
—Que bom que você veio minha filha. —Meu pai falou enquanto me abraçava.
—Quero deixar bem claro que só vim pelo Rocinante. —Falei com um sorriso torto.
Já no hall da casa cumprimentei os sogros da Zelena, o seu cunhado Zeus e sua esposa Júlia. Acho que os pais de alguém gostavam muito de mitologia.
—Regina! —Disse Zelena me envolvendo em um abraço. — Que bom que você veio, esse final de semana não estaria completo sem você. Tenho uma surpresa para o jantar. —Completou ela em um sussurro.
—Surpresa? — Sussurrei também, e ela confirmou com um aceno rápido de cabeça.
—É bom vê-la, Regina. —Minha mãe falou mantendo a pose de mãe do ano.
—Oi mãe, é bom vê-la também. — Disse respondendo no mesmo tom.
Cora Mills era uma mulher que amava viver de aparências, o mundo poderia estar desabando, que se não fosse do seu interesse, pouco importava. Eu tinha aprendido com a melhor, iria jogar o mesmo jogo.
—Os empregados estão terminando de preparar o nosso almoço, os quartos estão devidamente identificados. Seria bom subirmos para descansarmos da viajem antes de almoçar.
Todos concordaram e subiram.
Já no meu quarto, tomei um banho quente e demorado, seria um logo final de mana.
O almoço ocorreu sem problemas, por incrível que pareça. Dona Cora não quis soltar nenhum veneno na frente dos ricos sogros da Zelena.
Logo após o almoço rumei para os estábulos. Desde de criança sempre gostei de cavalos, quase todos os finais de semana o meu pai me trazia, ele aproveitava para visitar os amigos na cidade, e eu, para andar a cavalo. Após o nascimento da Zelena, as vindas a casa de campo diminuíram, minha mãe dizia que a Zelena por ser novinha, poderia acabar ficando doente, e pôr a cidade ser pequena, ela dizia que o hospital não prestava. Mas no fundo eu parecia saber que na verdade ela só queria minar os momentos de felicidade que eu poderia ter, mas sempre que dava, o meu pai me trazia, mesmo sobre as restrições dela.
Distraída escovando o Rocinante, não percebi quando o meu pai chegou.
—Regina? —Disse ele me tirando das lembranças.
—Oi pai.
—Você esteve tão calada durante o almoço.
—Eu não tinha muito o que falar em uma mesa cercada de médicos. —Falei irônica.
—Mas eu poderia apostar que você sabe mais do qualquer uma ali, inclusive mais que eu.
—Eu só sou uma biologia licenciada e que estuda algumas bactérias. Ou bionada, como a mamãe gosta de falar.
—Não dê ouvidos a ela, de toda aquela mesa, a única que tinha o título de doutora era você.
—Para os leigos isso não é nada.
Ele assentiu pensativo.
—Fiquei muito preocupado com você minha filha.
—Eu estou bem pai. —Estava demorando para ele entrar nesse assunto.
—Você não atendeu as ligações de ninguém, nem respondeu as mensagens...
—Eu posso lidar sozinha com os meus problemas.
—Mas não quer dizer que deva. A Marcela procurou a sua mãe há alguns dias, falei para ela não se meter, mas você sabe como é a sua mãe.
—É, eu sei sim. —Falei com pesar. —Eu dei entrada no divórcio, pai.
—Você tem certeza de que é isso que você quer?
—Tenho. Nem nos meus melhores dias eu seria capaz de perdoar o que aconteceu.
—Sinto muito que as coisas tenham que acabar assim, vocês sempre me pareceram felizes. —Disse passando a mão no meu rosto.
—Também achei que éramos.
—Você não está pensando em cavalgar a essa hora né? Já está anoitecendo. —Falou mudando de assunto. Meu pai era um homem sagaz. —Aliais, Zelena já deve estar querendo servir o jantar.
Rumamos de volta a casa.
Com todos à mesa, Zelena nos contou a sua surpresa.
—Queria pedir a atenção de vocês por um instante. — Todos largaram os talheres e dirigiram sua a tenção a ela. —É de conhecimento de todos que não foi à toa que os convidei para esse final de semana. Então, o que eu gostaria de dizer a todos vocês é que o meu amado esposo, Hades, foi promovido a Diretor Geral do Hospital Central, um cargo que há muito tempo ele almejava. —A mesa irrompeu em palmas e felicitações.
—Parabéns meu irmão. —Disse Zeus dando um abraço em Hades.
—Sempre soube que você conseguiria meu filho. —Disse sua mãe.
—O melhor genro-filho que uma sogra poderia ter. —Falou Cora.
—Parabéns Hades, fico feliz por sua conquista. —Falei sincera.
—Queria pedir silêncio novamente. —Pediu Zelena.
—Não vai dizer que é outra surpresa? — Nosso pai falou brincalhão.
—Na verdade é um convite. Eu gostaria de convidar você, Regina, para ser a madrinha do meu bebê. —Falou com um sorriso radiante.
—Bebê? Que bebê Zelena? —Falei sem entender nada.
Senti o olhar de todos cair sobre mim, inclusive a dos empregados. Foi como seu tivesse dito “Hi Hitler” no meio de Judeus.
—Como assim que bebê Regina?! Me bebê horas.
—Oi? Eu não estou entendendo, Zelena. —Falei sincera.
—Eu mandei mensagens para você. Eu sabia que você não estava atendendo ninguém, então resolvi falar por mensagem, imaginei que você fosse ler pelo menos as da sua irmã! —Falou se alterando.
—Eu sinto muito Zel, mas eu não vi.
—É claro que não viu, afinal eu sou só a sua irmã. —Zelena falava cada vez mais alto.
—Zelena, se acalme. —Disse Hades.
— Você deve ter visto a mensagem chegar e pensou,“ É só a Zelena”. Para você é sempre só a Zelena. —A esse ponto ela já gritava.
—Zelena...
— São sempre os seus problemas, não é mesmo? — Falou zombando. —“Sou lésbica”, “não segui a carreira da família”, “fui traída”...
—Basta Zelena. — Nosso pai falou em tom grave.
No mesmo instante Zelena se retirou da mesa e subiu as escadas correndo, como fazia quando éramos crianças, e o seu esposo subiu atrás.
Fiquei atônica, sem reação alguma com as palavras Zelena. Saí do transe quando ouvi a voz da minha mãe.
—Você não deveria ter falado assim com ela, ela está grávida, Henrique!
—A Zelena perdeu o controle. —Falou ele sério, como fazia poucas vezes. — Regina, tá tudo bem?
Joguei o guardanapo na mesa e saí sem responder.
—Maldita hora que resolvi aceitar vir para esse final de semana. —Praguejei no jardim.
Sai caminhando sem perceber para onde estava indo, eu só precisava andar ou explodiria, até que me dei conta de que já estava entrando no centro da cidade.
Tudo parecia continuar exatamente igual, nada tinha mudado desde a última vez em que estive na cidade, a prefeitura, a loja de penhores, a biblioteca, a torre do relógio, o Granny’s... Tudo permanecia igual.
As luzes do Granny’s estavam acesas, mas me perguntava se ainda funcionava, e como que uma resposta a minha pergunta mental, um jovem casal entrou no restaurante. A temperatura na cidade estava caindo, deveria ser início de inverno ali na região, então entrei no Granny’s.
Emma
Estava feliz por estar em casa. Meus pais fizeram a festa com o Henry, estávamos todos com saudades uns dos outros.
O Neal, meu irmão mais novo, era praticamente um bebê quando saí de casa, e agora parecia que tinha crescido horrores. Hoje com seis anos, tinha se tornado um garoto muito esperto. Ele parecia com a nossa mãe, tinha cabelos negros e lisos como os dela.
O Henry adorou brincar com Neal, parecia que não havia nada mais lindo nesse mundo do que aquela risada sem dentes.
Depois de um almoço e jantar em família, meu pai deu a ideia de deixar as crianças com uma babá, e irmos passar um tempo no Granny’s, segundo ele, haviam amigos querendo me ver.
Parecia que todos da cidade tinham tido a mesma ideia que nós, o Ganny’s estava cheio.
Muitos ali eu conhecia, a maioria fez parte da minha adolescência, eles agora diziam que eu era da “cidade grande” e que não me importava mais com eles.
Eu gostava de lá, mas não para viver integralmente.
—Olá Swan. —Ouvi uma voz insinuante às minhas costas.
Quando me virei lá estava ele, Killian, a paixão platônica de todas as garotas da cidade na minha adolescência.
—Hei Killian, como vai? —Perguntei me levantando e apertando a sua mão.
De todas as garotas que ele dava em cima, fui a única que não caí na sua lábia, e Killian que não gostava de ninguém, acabou se apaixonando por mim.
—Vou bem, Swan,e Você? —Falou me olhando de cima a baixo.
—Pare com isso de Swan e me chame de Emma, seu bastardo. —Falei em um tom zombeteiro.
—Está só de passagem, Love? —Perguntou se sentando conosco
—Estou, só vim passar o final de semana com os meus pais.
—Me contaram que você agora é mãe, isso é verdade?
—É verdade sim.
—E onde a gente se inscreve para preencher a vaga de pai? —Falou dando um gole no rum.
—Vai se ferrar Killian. —Falei socando seu braço.
Ouvi a porta do Ganny’s se abrir, mas devido a multidão que se abrigava lá dentro não pude ver quem era. O clima estava ficando cada vez mais frio.
—Vou no balcão pegar um chocolate quente. —Falei para aos que estavam na mesa.
O lugar estava tão cheio, que esperar eu fosse vista para ter o pedido anotado seria era quase impossível.
Todos estavam vestidos de forma tão confortável ali no Granny’s, que estranhei a presença de alguém com calça de alfaiataria preta, uma camisa branca passada e um casaquinho da mesma cor da calça bebendo uísque.
Mesmo no meio daquela multidão, eu reconheci.
—Regina? —Chamei tocando o seu ombro.
—Emma? — Ela parece se assustar ao me ver.
—O que você está fazendo aqui? —Mal podíamos nos ouvir devido ao barulho das conversas alheias.
Fiz sinal para que ela me acompanhasse para fora do Ganny’s, mesmo me olhando estranho ela me seguiu.
—O que você faz aqui? —Perguntamos ao mesmo tempo, o que pareceu embaraçoso.
—Eu sou a advoga eu e faço as perguntas, se lembra? —Falei tentando descontrair.
—E eu respondo o que der, lembra? —Falou com um sorriso de canto. Ela sempre tinha uma resposta. —Bom ... A minha família tem uma casa aqui na cidade, e nós viemos passar o final de semana. —Disse passando a mão nos cabelos, ela parecia cansada. — Mas e você? O que você está fazendo nesse fim de mundo?
—Minha família é toda daqui, também vim passar o final de semana. Vim visitá-los.
—Que mundo pequeno. —Pareceu falar mais para ela mesma do que para mim.
—Está tudo bem Regina?
—Vai ficar, eu acho. —Disse olhando para mim.
Regina tinha olhos tão profundos que eu acho que poderia me perder se os olhasse por muito tempo.
—Tá frio aqui. — Falei quebrando contato visual.
—Está, e eu acho melhor ir embora. —Falou se virando para ir.
Vi Regina começar a caminha pela rua, mas ela não parecia ir em direção a carro nenhum. Será que ela morava ali perto? Não era possível, conhecia tudo em pelo menos o raio de um quilometro. Quando Regina virou a esquina e pensei em voltar para o Ganny’s, do lado de fora estava muito frio, mas algo me impediu, algo me dizia que eu deveria seguir aquela mulher. E foi isso que fiz, peguei o meu carro e segui ela.
Ela estava tão aturdida com seus pensamentos que não percebeu a minha chegada.
—Ei! —Chamei de dentro do carro. Ela pareceu não me reconhecer e continuou andando, e eu a seguindo com o carro. —Regina, sou eu, Emma.
—O que você está fazendo? —Falou enquanto continuava a andar.
—Onde você mora?
—Aqui perto.
—Perto quanto? Conheço todos que moram “perto” e isso não inclui você. —Continuei seguindo-a com o carro.
—Depois do lago.
—Mas está longe daqui. Entra no carro que te levo lá.
—Não precisa!
—Entra no carro, Regina, ou você vai congelar antes de virar a esquina. Se fosse de dia tudo bem, mas a essa hora, é fora de questão. — Ela continuou andando. —Será que terei que chamar o Sheriff? Você escolhe, ou entra no carro, ou faço você passar a noite numa cela.
—Faz-me rir, Emma, você deve conhecer muita gente aqui, mas não é para tanto.
—O Sheriff é o meu pai, David Nolan Swan. —De repente Regina ficou estagnada. —Vai entrar ou não?
Entrando no carro ela disse. —Qual é o seu problema?
—Meu problema é não deixar você congelar. Sei que as coisas andam complicadas para você. —Falei dando partida no carro. —Mas não é se ariscando assim que elas vão melhorar.
—Você não sabe de nada. —Falou soltando o ar pela boca.
—Saberia se você quisesse conversar, mas eu só sou a sua advogada, não é mesmo?
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