Notas iniciais
Ufa esse é um bem comprido! As músicas: QUE PAIS É ESSE & SERÁ? Utilizadas neste capitulo pertencem a Renato Ruso(em memoria) e a banda Legião Urbana. A canção: THANK YOU FOR LOVING ME mencionada aqui pertence a banda Bon Jovi. neste capitulo teremos muita música, declarações, atitudes inesperadas e muito mais.

Levantei-me mais cedo do que de costume, havia uma coisa que eu queria fazer.

—Já vai? – Perguntou minha mãe. – Não vai tomar café?

Perguntou ela preocupada.

—Hmm como algo no caminho. – Comecei. – É que não vi Lyah ontem depois do intervalo...- continuei enquanto ela me olhava. – E também ela não me mandou mensagem alguma, estou preocupado.

Ela esboçou um sorriso.

—Tome. – Falou ela me entregando um embrulhinho. – Entregue para ela, é um de seus preferidos.

Falou minha mãe ternamente, o cheiro maravilhoso que emanava do embrulho me fez pegar algo da mesa e sair abocanhando.

Há quanto tempo será que nossas famílias se conheciam? Porque será que nunca havíamos nos visto até então?

Me fazia essas perguntas enquanto corria até a casa no final da rua, Será que ela já estava acordada? Será que estaria usando baby doll? Aquela pergunta me fez ficar vermelho como um tomate! Lyah era perfeita, tinha um corpo atlético fruto de suas corridas ao crepúsculo e me surpreendi por ter um pensamento tão... tão... Tarado?

Quando cheguei a casa toquei logo a campainha, a porta abriu-se apenas um pouco ficando entreaberta reconheceria aqueles olhos castanhos em qualquer lugar.

—João? – Perguntou ela surpresa. – O que faz aqui? Acordou com as galinhas?

Indagou ela incrédula.

—Precisava te ver. – Respondi me aproximando da porta, nossos olhos solitários encontraram-se por um minuto. –Você sumiu ontem.

Comecei assumindo uma feição entristecida... Não sabia muito bem o que era aquilo.

Os olhos dela também se demonstraram tristes quando ela me respondeu.

—Bom... – começou ela tentando desviar seus olhos dos meus. – Você estava ocupado demais ontem, e tinha um teste...

—Te procurei lá. –Comecei interrompendo-a. – te procurei o tempo inteiro e você não estava lá.

Continuei deixando uma lagrima rolar, por um momento lembrei-me da declaração de Alice no dia anterior “Talvez seja mais dependente de Lyah não é?”

A porta abriu-se de repente e ela saltou de dentro da casa me prendendo em um abraço, pude sentir seu corpo junto ao meu, seu cheiro... um cheiro suave e floral que me encheu as narinas, deixei minha mochila cair e retribui aquele abraço a trazendo para mim.

“Não quero te soltar” pensei de modo egoísta mas, era a mais pura verdade e só agora descobri que Lyah se tornou uma espécie de amuleto que me libertava de meus demônios.

—Me desculpe. – começou ela. – Agi como uma boba ontem.

Continuou ela, só então percebi certo volume fofinho nas mãos quando percebi estava com a mão em seu bumbum, saltei como um gato assustado.

—De... de... Desculpe! – gritei alarmado, ao que parecia ela nem havia percebido. – não foi minha intenção.

Ela me olhava com um ponto de interrogação em sua cabeça.

—O que houve? – Perguntou ela olhando seus trajes, realmente ela estava usando Baby Doll e um bem sexy por sinal bastante curto e de cor rosada.

—Yhai! – Gritou ela correndo pra dentro. –Espere um minutinho!

Gritou ela lá de dentro meu rosto fervilhava enquanto eu olhava para minha mão.

“Fofinho” pensei e logo me reprovei, que pensamentos eram aqueles?

— Pode entrar. – chamou ela agora enrolada em um cobertor. – Vou me arrumar e já volto.

Falou ela indo em direção a escada.

—Minha mãe te mandou algo. – falei. – disse que é um de seus preferidos.

Os olhos dela brilharam.

—Ótimo! – Exclamou ela correndo escada acima. – Já tenho o que comer no caminho.

Continuei ali examinando a sala, a casa era muito bem decorada, haviam retratos da família espalhados pelas paredes e um em especial prendeu minha atenção.

—Hein? – fiquei abismado com a cena retratada naquela foto, nossas famílias estavam juntas, minha mãe carregava um bebê no colo provavelmente Sarah, na esquerda estava a minha família e na direita a família de Lyah. – Como não lembrava disso? – Continuei perplexo olhando a imagem, Lyah e eu lado a lado sorrindo um para o outro.

—Também fiquei abismada quando meu pai me disse que era você ali. – Começou ela apontando a foto e me tirando daqueles pensamentos. – Foi no dia em que sua irmã completou um mês.

Falou ela pegando a fotografia.

—Meu pai disse que foi um dia feliz.

Continuou ela acariciando o rosto impresso da mãe.

—Como eu esqueci de você? – perguntei mais para mim mesmo que para ela. – eu tinha nove anos na época que Sarah nasceu.

—E eu tinha oito. – falou ela devolvendo a foto. – depois disso morei por muito tempo com meus tios em São Paulo. – continuou ela. – na verdade só voltei depois que fiz catorze.

Finalizou me olhando. – Talvez seja por isso mas, quando te vi aquela noite na praça senti uma sensação de estar com alguém de confiança, na verdade tinha vagas lembranças de você.

O que me deixava decepcionado comigo mesmo era o fato de a ter esquecido completamente, aquilo machucava meu coração.

—Sou um perfeito retardado. – comecei rindo. – Como pude esquecer de você?

Ela segurou meu rosto nas mãos.

—Não se turbe com isso meu querido. – falou ela olhando nos meus olhos. – Estou disposta a fazer o tempo perdido valer a pena.

A força daquela afirmação me fez arrepiar.

—Se não te conhecesse diria que está tentando me seduzir. – Comecei me afastando um pouco, afinal sou um homem e não sei o que pode acontecer.

Ela se aproximou de mim encostando-me no sofá.

—E se estiver? – falou ela ao meu ouvido, seu hálito quente eriçou todos os meus pelos senti meus músculos enrijecerem e meus dentes trincarem. – Estaria conseguindo?

Perguntou ela beijando meu pescoço, aquilo foi a gota d’agua segurei sua cintura com força e a pressionei na parede invertendo a ordem do jogo. – Lyah... – Comecei olhando dentro dos seus olhos com uma ferocidade desconhecida. – Não me tente desse jeito. – Falei enquanto beijava fortemente seu pescoço, seu cheiro me hipnotizava ela soltou um suspiro enquanto apertava meus cabelos. – Eu não sou de ferro!

Finalizei dando um chupão em seu pescoço, depois disso consegui me desvencilhar daquele frenesi que assumira meu corpo ainda cambaleante me afastei dela.

“O que diabos foi isso?”

Ela olhava-me com um sorriso enigmático, mesmo de longe pude ver a marca que deixei nela.

—Caramba! – Exclamei assustado. – Olha só o que fiz com você.

Ela então pegou um espelho na bolsa e examinou aquilo.

—Hmm nossa ficou bem grande. – falou ela pegando seu estojo de maquiagem. – Não esquenta com isso, vai dar pra cobrir.

Falou ela me olhando. – O que foi que deu em você? –Perguntei tentando me recompor.

Ela me estendeu a mão.

—Você vai entender hoje à noite. – Começou ela enquanto eu segurava sua mão. – A noite tudo fará sentido pra você.

Naquela manhã caminhávamos de mãos dadas ela agia como se não houvesse acontecido nada.

—Se eu te fizesse um pedido. – Comecei enquanto caminhávamos na direção da escola. – Você atenderia?

Ela me olhou sem soltar minha mão. – Depende. – Respondeu ela me olhando com cara de gato. – Desde que não pegue na minha bunda de novo.

Terminou ela me deixando com o rosto fervendo de vergonha.

—Fo... Fo ...Foi um acidente! – Falei gaguejando. – Não tive a intenção.

Ela desatou-se a rir, parecia uma criança aquele riso era tão lindo.

—Eu sei disso. – Falou ela continuando a caminhar e se apoiando em mim. – Sei que você não é esse tipo de garoto.

Pensei em dizer a verdade, realmente eu procurava respeitar as garotas mas, naquela manhã havia algo em Lyah que me fez... Desejá-la? Seria essa a palavra?

—Qual é seu pedido?

Perguntou ela.

—Hmm tipo você tem um cabelo lindo, e nada contra a sua boina sei que ela é importante. – Comecei queria muito ver. – Hoje você... Deixaria ver seus cabelos? Digo sem a boina...

Ela me olhou com um sorriso terno.

—Posso sim. – respondeu ela se aninhando mais no meu braço. – Só porque você me pediu.

Respondeu enquanto atravessamos a rua para entrarmos na escola.

Martim soltou um riso ao nos ver chegando.

—Bom dia pombinhos. – Começou ele rindo. – Tudo certo?

Lyah foi até ele dar um dos seus beijinhos, enquanto ria da piada.

—Está com ciúmes Martim? – Perguntou ela. – Não se preocupe não deixar ele sair da banda e nem vou atrapalhar.

Falou ela pegando minha mão de novo.

—Ensaio hoje? – Perguntei e ele assentiu a cabeça animado. – Vamos começar fazendo uns covers nacionais primeiro, tocando aqui pela escola mas...

Ele me olhou com um sorriso de canto.

—Felipe quer ver se consegue umas apresentações para nós.

Trocamos alguns tapas enquanto Lyah entrou na sua sala.

—Até o intervalo. –Então me beijou e deu um tchau para Martim. – Ai a gente combina tudo pra hoje à noite.

Alice estava ali com seu violão, apoiei minha guitarra nova no meu lado da cadeira.

—Então essa é seu novo caso? – Perguntou Martim. – estou ansioso pra ver o que você resultou dessa experiência com lixo.

Já fazia um mês que estava trabalhando na loja e havia um corpo de guitarra que havia encontrado no lixo já havia mais de um ano, nas horas vagas eu trabalhava na reforma daquele corpo, Tonhão me arranjou um braço que serviria perfeitamente porem os trastes e demais acessórios seriam por minha conta.

Tonhão me disse que se aquela guitarra ficasse boa ele me ensinaria a fazer uma guitarra do zero.

—Pois é, quem joga um corpo no lixo?

Respondi sentindo-me o mais sortudo do mundo.

—Você vai se surpreender com meu “lixo”.

Finalizei. Alice veio até nós.

—Vamos de nacional hoje?

Perguntou ela cumprimentando Martim com um beijo no rosto e depois fez o mesmo comigo.

—Já era mais que tempo, vocês só querem cantar inglês.

Falou Martim se espreguiçando.

—A música que escolhemos pra ser a primeira do repertorio condiz com nossa realidade atual neste país.

Continuou Alice.

—Na verdade, talvez, essa realidade nunca tenha mudado. – Conclui. – O termo mais correto seria que ela foi somente maquiada.

Nosso professor de história entrou na sala nos fazendo procurar nossos lugares.

As aulas transcorriam normalmente enquanto trocávamos algumas mensagens combinando algumas coisas pra fazer na hora do ensaio e tirando dúvidas sobre a música.

Meu celular vibrou, era Lyah mandando uma mensagem.

Lyah: Gostou do meu perfume?

João: Porque está me perguntando isso?

Lyah: Gostou ou não?

João: Sim, muito.

Lyah: J É bom saber disso!

João: Caiu da cama e bateu com a cabeça?

Lyah: Bati a cabeça quando conheci você.

João: Porque está agindo dessa forma?

Lyah: Já te disse que vai saber a noite.

E assim as mensagens se silenciaram. Não sabia o que estava rolando ali mas, estava gostando daquele jogo.

O intervalo chegou e também a hora de combinarmos o nosso roteiro da noite.

—Vamos pegar um cinema, tem um filme ótimo que estreia hoje. – Começou Lyah. – O que acham?

—Eu topo.

Falou Martim comendo seu segundo Hot-dog.

—Também topo.

Finalizei enquanto corrigia uma nota na cifra da música que a impressão havia estragado.

—Essa música parece ser fácil. –Falou Lyah. – Não vejo muitas letras vermelhas nela.

Ela chamava de letras vermelhas as representações das notas nas cifras, por exemplo nessa musica usávamos três notas muito simples.

Mi menor, Dó maior e Ré maior representadas pelas letras Em, C e D.

—Mas para alguém como o João que está muito tempo sem praticar algo simples pode gerar dor de cabeça. Explicou Martim partindo para o terceiro Hot-dog.

—Você não acha que está exagerando Martim? – Perguntou Lyah preocupada. – pode te fazer mal.

—Ela tem razão. — concordei com Lyah. – Se continuar comendo besteira desse jeito vai acabar como um rei, no trono.

Rimos um pouco.

—Que nada gente, meu estomago e de aço!

Exclamou ele.

O restante das aulas correu tranquilamente e finalmente chegou o momento do ensaio.

—A hora dos músicos é agora! – Exclamou Alice entusiasmada.

—O que você acha? – Começou Martim me olhando. – Alguém vai gritar aquele jargão?

Perguntou ele dando um sorriso malicioso.

—Julgando o fato de estarmos na escola. – comecei. – Acho que não mas, é um ensaio e estaremos sozinhos quem sabe no calor da emoção.

Respondi rindo também.

—É quase inevitável não falar. – falou Alice aos risos. – Essa é a graça da música.

Começamos a rir no corredor enquanto caminhávamos.

—Cara isso é tão nostálgico. – Continuou ela. – Estarmos tocando juntos outra vez não é?

—É verdade, já estava sem graça tocar sem vocês.

Falou Martim feliz.

—Então voltamos a ser o trio. – falei rindo. – O trio ternura.

Começamos a rir de novo quando nos aproximamos do auditório uma figura encostada na porta tornou minha alegria completa.

—Até que enfim gente.

Falou Lyah, corri até ela feliz da vida.

—Você veio. –Comecei rindo. – Que bom.

—Falei que vou estar aqui não falei?

Nos olhávamos quando Alice passou com um torpedo entre nós abrindo a porta.

—Oi gente! – falou ela cumprimentando o restante da banda.

—O que era tão engraçado?

Perguntou Lyah.

—Algumas lembranças e também nos perguntávamos se alguém iria gritar o jargão imortalizado dessa música.

Ela começou a rir.

—Se não falarem a música perde a graça.

Martim me olhava ansioso.

—Ai pessoal, João vai tocar com uma guitarra que catou no lixo.

Começou ele.

—Serio mesmo? – Perguntou Helen. – Só pode ser brincadeira.

Contei-lhes então a história da guitarra que estava prestes a mostrar a eles todos estavam curiosos agora.

—Vamos batizá-la de lixeira!

Começou Martim, e por incrível que pareça gostei do nome.

—Tai, curti. – Comecei tirando a telecaster refeita do case. Havia refeito toda a pintura, ela agora estava vermelha com todos os acessórios novos. – Apresento a vocês a lixeira!

—Show. – Falou Alice. – Como esperado de você, Tonhão vai ter que te ensinar a fazer uma agora!

Falou ela animada.

—Há ele vai!

—Chega de papo furado galera.

Falou Felipe, todos então tomamos nossas posições.

—Prontos? – Perguntei.

—Sempre estaremos. – Respondeu Eduardo girando a baqueta. – Já estava na hora de usar a bateria pra valer.

—Um, dois, três e ...

Começamos com as distorções enquanto Eduardo arrebentava a bateria.

—Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a Constituição

Mas todos acreditam no futuro da nação

Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Martim não pode segurar e gritou no banking Vocal.

—É a porra do Brasil!

O rock nacional levou curiosos para dentro do auditório.

—Terceiro mundo se for piada no exterior

Mas o Brasil vai ficar rico

Vamos faturar um milhão

Quando vendermos todas as almas

Dos nossos índios num leilão

As pessoas faziam muito barulho, aquilo era inesperado porém nos levou a fazer um verdadeiro show ali.

— Que país é esse?

Que país é esse?

Que país é esse?

Cantava quando era seguido por gritos de “É a porra do Brasil”

Quando finalizamos a música a multidão que havia se formado no auditório gritava frenética.

—Mais uma!

Gritavam alguns.

—Toca Raul!

Gritavam outros.

—João, você sabe tocar será? – Perguntou Felipe animado.

—Sei sim. – Respondi. – tudo bem continuarmos?

Perguntei.

—Tá brincando? — Falou Eduardo logo atrás de mim. – a voz do povo é a voz de Deus homem.

Então começamos a tocar e as pessoas gritavam frenéticas enquanto alguns até dançavam.

Lyah olhava tudo aquilo bastante animada.

— Tire suas mãos de mim

Que eu não pertenço a você

Não é me dominando assim

Que você vai me entender

Eu posso estar sozinho

Mas eu sei muito bem onde estou

Você pode até duvidar

Acho que isso não é amor

Até mesmo alguns professores que passavam ali resolveram entrar nosso ensaio havia se tornado um verdadeiro show.

— Será só imaginação?

Será que nada vai acontecer?

Será que é tudo isso em vão?

Será que vamos conseguir vencer?

Ô ô ô ô ô ô ô ô ô

Estava me sentindo realmente vivo naquele instante. Ao terminarmos a segunda música fomos aplaudidos por nossa plateia.

Quando descemos para falar com eles fomos cobertos de perguntas.

Senti duas mãos me puxando para fora da muvuca.

—Parece que ficamos famosos. – Falou Alice nos ocultando atrás das cortinas. – Não é Renato cover?

Falou ela me olhando, de repente ela se aproximou e eu já sabia o que viria a seguir.

—Não... – falei virando o rosto. – Não faça isso, pode se sentir bem mas ainda me deixa mau.

Ela então deu um meio sorriso e me beijou no rosto.

—Tudo bem. – Começou ela saindo das cortinas. – Eu sou paciente.

Hoje eu teria folga, somente Alice iria para a loja então esperei Lyah para irmos embora.

—Como está se sentindo? – Perguntou-me ela. – agora que tornou-se o novo ídolo do colégio.

Rimos da piada.

—Estou me sentindo muito bem. – respondi enquanto ela brincava na minha mão. – Principalmente porque você estava lá.

Continuamos caminhando enquanto falávamos sobre a foto que havia visto na casa dela, não deixava de me sentir culpado com aquilo.

—Sabe. – Começou ela olhando para o céu. – Às sextas se tornaram meus dias preferidos sabia?

—Porque?

Ela se aninhou no meu braço como de manhã.

—Porque é o seu dia de folga, então você pode voltar para casa comigo.

O dia passou tranquilo aproveitei para tirar um cochilo a tarde, quando acordei perto das cinco. Recebi uma mensagem de Martim, o maluco estava passando mal depois de ter comido tantos Hot-Dog’s.

“Eu te avisei retardado.”

No final das contas eu ia acabar indo sozinho com Lyah, por um lado estava bom mas, por outro.

“Vai entender tudo hoje à noite...”

Nos encontramos as 18:30 e no final das contas desistimos do cinema saímos a esmo pela cidade, fomos a uma cafeteria nova que inaugurou semana passada conversávamos sobre coisas banais, Lyah usava um vestido de cor clara, pouca maquiagem, ela cumpriu o que havia dito e estava com os cabelos livres fiquei ali admirando aquela garota por uns minutos.

—O que foi, tem algo errado em mim?

Perguntou ela preocupada.

—Não você está perfeita. – Respondi enquanto terminava meu café. – está realmente linda.

Ela então deu um sorriso enquanto terminava seu chá.

—Posso te pedir algo? – começou ela.

—Pode sim, se estiver ao meu alcance.

Respondi enquanto chamava o garçom para pagar a conta.

—Vamos dançar?

Pediu ela, eu não dançava quase ou melhor eu não dançava nada!

— Tudo bem. – Respondi, afinal devia essa a ela. – Mas adianto que não sei dançar.

Falei enquanto levantávamos.

—Não tem problema, eu guio você.

Perguntei ao garçom se havia ali algum lugar para dançarmos e ele disse que a própria cafeteria possuía uma pista de dança mas, como éramos menores de idade só podíamos ficar até as 21:00.

Concordamos e ele nos indicou o salão onde algumas pessoas dançavam.

—Bom divertimento.

Uma música começou a tocar.

—Essa música é ótima!

Começou ela me puxando.

—Segure minha cintura. – instruiu ela. – movimente primeiramente devagar e à medida que a música acelerar você acelera.

Instruiu ela mostrando-me os passos que pareciam simples, sentia-me como um babuíno porem, confesso, estava me divertindo.

A música começou a acelerar e quando acelerei o passo ela soltou-me e começou a girar e fazer alguns passos rápidos e sensuais estava inebriado com aquilo.

Com outro giro ela voltou para mim enquanto a música terminava.

—Até que você não foi tão ruim. – Falou ela quando uma música mais lenta começou a tocar. – Essa vai ser mais fácil e também é perfeita. – Falou ela me abraçando. – Músicas românticas dançamos assim.

A música tranquila que tocava eu conhecia muito bem, Thank You for Loving Me – Bom Jovi.

—João. – Começou ela. – Eu preciso te dizer uma coisa.

Falou ela enquanto a música se aproximava do primeiro refrão.

—Pode falar, sou todo ouvidos.

Ela me abraçou e colocou a cabeça no meu peito.

—Seu coração está batendo depressa.

Falou ela enquanto dançávamos.

—Você é a causa.

Ela me olhou e então me disse.

—Não era pra ter acontecido mas... –Falou ela abaixando a cabeça. — Eu acabei me apaixonando por você... no começo tentei de tudo pra fazer você ficar com Alice...-Continuou ela apertando o rosto em meu peito. – Eu só queria te ver feliz... mesmo que não fosse comigo...

Senti algo quente molhar minha camisa, ela estava chorando, meus braços agiram por conta própria e a abraçaram mais forte.

—Porquê Lyah. – falei enquanto a música atingia o clímax. – Porque você se apaixonou por alguém patético como eu?

— Por que? Bom eu não sei... Você sabe que a gente não explica essas coisas...

Alguém havia pedido um replay da música.

—Tenho que ser sincero contigo. – Falei tentando fazer os passos que ela me ensinou. – Você está mexendo comigo também, está mudando coisas e fazendo eu ser renovado...- Comecei enquanto voltávamos a dançar- Porém eu estou tão confuso...

Falei sendo sincero com ela e também comigo mesmo.

Ela então me olhou e disse.

—Eu sei disso... Mas eu tomei uma decisão. – Falou ela me olhando seriamente. – Vou lutar por você... E te garanto que não vou entrar nessa pra perder.

Concluiu ela.

Eu sorri enquanto acariciava o rosto dela, a fazendo corar.

—Talvez você tenha grande chance. – Admiti. – Vamos fazer um trato, essa noite não existem Alice ou qualquer dos nossos problemas... Somos só você e eu.

Falei, sim era isso que eu queria agora... “Que se dane o mundo, agora eu quero só você.” Pensei.

—Que se dane o mundo... – comecei enquanto me aproximava dela. – Agora eu quero só você.

Conclui enquanto o ultimo refrão tocava embalando nosso beijo.

“Obrigado por me amar, Lyah...”

Notas finais
Nossa que reviravolta inesperada! porém ainda não é um surgimento de casal. João dividido entre duas garotas que pretendem brigar com unhas e dentes por esse coração despedaçado. continuem lendo a saga desse músico sem experiencia com as garotas.