Uma Canção para nos Dois.
11 Promessa.
Notas iniciais
Naquele resto de domingo me preocupei em preparar algum programa para a noite, onde levaria Lyah?
Depois de tanto tempo eu finalmente estava sentindo a sensação de amar e ser amado por alguém, me perguntava como as coisas foram parar nesse ponto e já não me importava com a resposta.
Estava decidido em contar tudo a ela a respeito de Portugal e a respeito do tempo que pretendia ficar fora, confesso que me doía saber que eu passaria três anos longe dela.
Uma mensagem de Martim foi a única coisa inesperada do domingo, ela consistia em dizer que nós havíamos arranjado uma apresentação com cache logo de entrada.
Ao que parecia o pai de um dos alunos que viu a nossa improvisada apresentação no auditório da escola possuía um restaurante com temática rock e estava a tempos procurando uma boa banda para fazer um som. Avisava que haveria uma reunião geral para conversarmos sobre isso e principalmente sobre a formatura dos integrantes da banda que pertenciam todos as turmas de terceiro ano.
—Bastante viável.
Falei enquanto segui para o banheiro para tomar banho.
Estava completamente absorto em pensamentos e tentando prever qual seria a reação de Lyah quando falasse sobre a minha decisão de estudar fora.
Eram aproximadamente 17:00 horas quando sai de casa para buscar Lyah e já pensava em como anunciaríamos o nosso namoro as nossas famílias.
Quando cheguei a casa no final da rua pude perceber que no pátio ela e o pai conversavam gostosamente sentados em cadeiras de balanço, ela já estava pronta e isso me surpreendia, desta vez ela usava jeans e tênis uma camiseta preta coberta por uma blusa quadriculada.
—Boa tarde. – Cumprimentei a eles enquanto entrava no pátio. – Já está pronta?
—Claro que sim, acha que me atrasaria em nosso primeiro encontro como namorados?
A resposta dela me fez corar e o pai dela começou a rir da minha cara assustada.
—Relaxe filho. – Começou ele. – não há segredos entre Lyah e eu, talvez você estivesse pensando em algo mais formal pedir a minha permissão certo?
Ele realmente estava certo.
—Sim era exatamente isso.
Respondi enquanto ele apertou minha mão amigavelmente.
—Saiba que faço muito gosto desse namoro João, você demonstrou ser um rapaz de boa índole e Lyah não poderia ter escolhido alguém melhor.
Aquilo me deixou feliz e encabulado ao mesmo tempo.
—Muito obrigado senhor mas, ainda vamos fazer algo especial para anunciar nosso namoro afinal, nossas famílias são unidas por um laço de amizade a muito tempo.
Falei naturalmente, nos despedimos e ele deu a hora para a entrega da princesa de volta ao castelo, 22:00.
—Você hein, falou logo tudo. – Comecei enquanto íamos até o ponto de ônibus. – Falei que queria fazer algo bem formal.
Comecei enquanto ela se aninhava em meu braço.
—Você é das antigas mesmo não é?
—Só acho que a gentileza e o respeito não saíram de moda.
Respondi olhando para o céu azul.
—Onde você vai me levar conde?
Perguntou ela me fazendo rir da piada.
—Bom senhorita, pensei em levar você ao parque de diversões.
Ela sorriu bastante satisfeita com a ideia.
—Ótimo!
Não demoramos a chegar ao parque, e logo Lyah tratou de me fazer andar em praticamente todos os brinquedos possíveis enquanto comíamos pipoca e algodão doce juntamente com todas as guloseimas possíveis.
—Vai ficar gorda. – brinquei enquanto ela devorava um algodão doce.
Ela me olhou preocupada.
—Sério você acha mesmo amor?
Falou ela alarmada.
—Não bobinha, você é perfeita. – Falei enquanto a beijava. – E mesmo que ficasse eu te amaria do mesmo jeito.
Ela me deu um sorriso enquanto enterrava o rosto em meu peito.
—Eu estou tão feliz contigo João.
Falou ela enquanto me olhava nos olhos.
—E eu estou sendo feliz como nunca fui antes de conhecer você.
Falei enquanto beijava sua testa.
—Tem um lugar que quero te levar.
Na nossa cidade existe um complexo arquitetônico-cultural denominado de Complexo Feliz Lusitânia. Dentro desse conjunto de edificações históricas havia uma em especial onde estava agora levando Lyah.
O Forte dos Castelo é tido como o ponto de partida da cidade de Belém, que naqueles tempos ainda chamava-se Santa Maria de Belém do Grão-Pará.
Um lugar de começos muito adequado para marcar perfeitamente um começo como o nosso.
—Fazia muito tempo que não vinha aqui...
Disse ela enquanto a brisa do final da tarde esvoaçava seus cabelos.
—A primeira vez que vim aqui foi num passeio da escola. – Comecei enquanto entravamos no museu do encontro que funcionava dentro do forte mostrando vários utensílios utilizados por colonos e indígenas da terra, o piso era composto de uma forte estrutura de ferro para que o piso original permanecesse conservado.
Tiramos algumas fotos ali e pude perceber que Lyah estava sendo invadida por uma onda de nostalgia.
—Fazem dois anos que voltei para cá. – começou ela enquanto a abraçava por trás. – E ainda não havia voltado a Cidade Velha.
Continuou ela fazendo um cafuné em meus cabelos.
—Eu gosto deste lugar. – Falei. – Sempre que estava aborrecido gostava de vim ver o pôr-do-sol aqui.
—Realmente é um lugar perfeito.
Respondeu ela me beijando.
—Vem comigo, já está na hora.
Falei enquanto a levava de volta para o pátio enorme do interior das muralhas, seguimos andando de mãos dadas rumo a escada que conduzia para o alto da muralha.
—Feche os olhos. – Instrui quando chegamos no topo da escada. – tenho uma surpresa que vai te fazer lembrar de uma vez das raízes.
Ela me obedeceu e então a conduzi caminhando sobre a imensa muralha de pedra e ficando de frente para a baía do Guajará, o sol naquele momento começava a beijar as aguas marrons do rio fazendo um verdadeiro espetáculo natural de luzes.
—Pode abrir. – Falei a abraçando. – Esta é uma lembrança que quero compartilhar com você para sempre.
Os olhos dela cintilaram e se encheram de um brilho magnifico enquanto um enorme sorriso se formava em seus lábios.
—É lindo...- disse ela admirando aquilo. – Obrigada.
Resolvemos sentar ali e assim ficamos por algum tempo enquanto o sol se punha.
—Tem uma coisa que quero dizer.
Comecei, não podia continuar com esses rodeios.
—O que é?
Respondeu ela se encostando em meu peito enquanto nossos olhos continuavam fixos no rio.
—Antes de mais nada quero dizer que te amo, de verdade.
Falei enquanto brincava com uma mecha do seu cabelo.
Ela assentiu com a cabeça.
—Eu sei, posso sentir.
Respondeu.
Decidi ser direto.
—Lyah eu pretendo cursar o ensino superior no exterior.
Falei tremendo um pouco pelo nervosismo.
Ela virou-se para mim.
—Tenho uma pergunta agora que você disse isso.
Falou ela enquanto meu rosto empalidecia.
—D... Diga.
—Você pretende ficar comigo só agora? Ou também quer que eu te espere voltar?
Os olhos dela eram indecifráveis.
—Claro que eu quero que você me espere Lyah, não quero perder você....
Engasguei um pouco com a preocupação.
—Isso é egoísta demais.
Falei olhando para o lado.
Ela então me beijou, um beijo longo e apaixonado.
—Não seja idiota, perguntei somente se você queria que eu te esperasse.
Falou ela beijando minha testa.
—João... Eu nunca amei alguém como eu amo você, e eu te esperaria mesmo que fosse pela vida inteira.
Essas palavras me pegaram de surpresa.
—Eu tenho medo... – Comecei. – Medo de que você canse de esperar.
Falei a abraçando o mais forte que pude, enfim pude entender o que me perturbava em tomar aquela decisão.
Ela retribuiu o abraço me acalmando.
—Eu já esperei você... – Começou ela – Desde que éramos crianças eu tenho te esperado, eu menti quando disse que só lembrava vagamente... na verdade eu sempre gostei de você.
Falou ela enquanto a brisa soprava em nós dois.
—Então você não havia esquecido de mim.
—Não, e se eu já te esperei por todo esse tempo eu também posso esperar o que for necessário por que eu te amo.
Disse ela me dando um beijo.
—Me espere Lyah.
Falei enquanto ela me olhava.
—Eu sempre vou estar aqui.
Disse ela, então eu tomei uma decisão da qual eu com certeza não me arrependeria depois.
—Me espere, e quando eu voltar vamos nos casar.
Ela me olhou surpresa e depois chorou.
—Você está falando sério?
Perguntou-me ela e eu tinha bastante certeza daquilo.
—Nunca falei tão sério em toda a minha vida.
Trocamos outro beijo demorado enquanto o sol enfim se deitava para descansar de um longo dia de trabalho.
—Essa será nossa promessa.
Disse ela me olhando.
—Sim, a nossa promessa e nada nem ninguém vai interferir nisso.
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