Uma Canção para nos Dois.

12 A primeira apresentação.


Notas iniciais
Fala Galera linda! Desculpem a demora pra postar o cap. estou arrumando as ideias e procurando deixar bem agradável esses últimos capítulos. Hoje teremos a primeira apresentação dos garotos, uma descoberta sobre os talentos de Lyah e é claro música boa. A canção: Pra você Guardei o Amor utilizada neste capitulo pertence a Nando reis.

Na segunda as aulas estavam sendo rápidas afinal estávamos nos aproximando das férias escolares.

Havia falado com Martim e contado a ele sobre a faculdade e sobre o plano de montar uma loja com ele, ele pareceu bem animado e concordou em me ajudar e também claro poder se assegurar, porém, a parte em que eu ia passar três anos fora não o animou muito.

—E se você decidir fazer doutorado ou até mesmo um mestrado fora?

Perguntou ele enquanto íamos ao refeitório.

—Não tenho planos de passar mais que três anos lá... – Comecei pensando em como ia suportar ficar longe de todos e principalmente de Lyah. – Três anos já é tempo demais longe dela.

Falei dando um sorriso forçado.

—Você realmente se apaixonou por ela, afinal não era nada inesperado, ao ver a forma como vocês se aproximaram qualquer um esperaria algo do gênero.

Falou ele rindo.

—Só uma pessoa está sentindo uma coisa que ela mesma provocou agora. – Falou ele estreitando os olhos enquanto nos aproximávamos da mesa onde o pessoal estava reunido para a reunião teríamos o próximo horário livre e decidimos aproveitar para decidirmos as coisas. Felipe estava sentado na cabeceira da mesa na posição de líder que lhe era cabida, ao lado direito Eduardo, na esquerda Helen os seus fiéis escudeiros, Alice estava ao lado de Eduardo com uma feição melancólica, Lyah também estava presente ali e o pessoal já estava acostumado com ela. – Alice está sentindo na pele o que fez você passar.

Falou ele aos sussurros enquanto cumprimentávamos todos, Lyah me deu um selinho enquanto eu sentava ao seu lado.

—Então estamos todos aqui. –Começou Felipe iniciando a reunião. – Vamos logo direto ao ponto. Como muitos sabem a mãe de Helen mora no exterior e já a muito tempo atrás haviam acordado de que ela faria faculdade nos estados unidos.

Então não era somente eu que ia para o exterior.

—O Curso que eu escolhi tem duração de três anos. – Começou ela categórica como sempre. – Então ao termino dele estarei de volta.

Finalizou enquanto Felipe continuava.

—Todos nós queremos evoluir como músicos e transformar a Our Time em uma grande banda mas, todos somos maduros o suficiente para sabermos que a vida não é tão simples.

Todos nós precisamos de um plano B. – Felipe era o líder da banda não somente por ter sido ideia dele mas, sim, por ser uma pessoa que sonha com os pés no chão.

—Diante disso eu gostaria de perguntar os planos de cada um para o ensino superior e também para decidirmos juntos o futuro da banda.

Finalizou ele.

—Concordo com você.

Falou Alice.

—Então pode começar Alice, o que pensa fazer?

Ela respirou fundo.

—Primeiramente não quero que a banda termine, precisamos achar uma solução adequada quanto a isso e segundo, Pretendo cursar o ensino superior em São Paulo e durante o período do curso morarei com uma tia. – Começou ela. – Meu plano B é Letras e o curso dura em média quatro anos.

Finalizou ela, Felipe então apontou para Eduardo.

—Bom meu pai quer que eu estude direito em Coimbra. – Começou ele e aquilo me pegou de surpresa, se passarmos já não me sentirei tão sozinho. – E particularmente eu gosto muito da ideia, o período do curso também é de quatro anos.

Depois disso foi a vez de Martim.

—Pretendo continuar aqui pela cidade e cursar música pela federal.

Falou ele sem se alongar muito.

Finalmente chegou a minha vez de falar.

—Bom. – Comecei um pouco desnorteado. – Eu pretendo me candidatar a escola superior de música de Lisboa e cursar licenciatura em música...

Comecei tentando expor bem.

—Ainda não sei ao certo quanto tempo levará o curso mas, creio que seja em três anos acho...

Felipe então começou a falar.

—Nossa, esperava que Helen fosse estudar no exterior mas, confesso que Eduardo e João me surpreenderam pela audácia das suas escolhas. – Começou ele rindo. – Já eu preciso organizar as coisas para a banda então, tomei a mesma decisão que Martim em fazer vestibular para Música por aqui mesmo.

Ele então pegou o seu caderno e se preparou para rabiscar.

—Três de nós iram para o exterior. – Começou ele. – Uma vai para outro estado, e dois vão ficar. Aproximadamente 90% da banda vai passar muito tempo fora. – Continuou ele. – Então senhores vamos arrebentar enquanto pudermos pois teremos uma longa pausa na banda.

Falou ele enfim.

—Realmente parece ser o mais viável.

Concordou Helen e na verdade todos nós concordamos com essa posição.

Felipe explicou como funcionariam as apresentações no restaurante, toda sexta das 19:00 as 22:00 e claro como tínhamos em média 16 e 17 anos teríamos de ter uma autorização assinada pelos pais e não teríamos acesso a bebida alcoólica e, por sinal, pra mim não faria diferença nenhuma.

As aulas continuaram rápidas e logo pudemos iniciar os ensaios montamos o primeiro set-list da banda com doze músicas entre rock, mpb, e indie rock.

Ganhamos mais uma hora para ensaiar dadas pela direção, o que nos proporcionou um ensaio bem produtivo.

—Nessa primeira noite poderíamos colocar umas três músicas acústicas. – Comentei enquanto guardávamos os instrumentos. – O que vocês acham?

Todos acharam uma ótima ideia.

—Ótima colocação, podemos tocar essas no começo e deixar pra quebrar tudo já no final.

Falou Alice se aproximando.

—Ai brother até que enfim botou a caixola pra funcionar não é? – Começou Eduardo. – Vou levar meus chocalhos e o pandeiro afinal a batera já é do restô do tio mesmo.

E então ficou combinado dessa forma.

Os dias agora dividiam-se entre os estudos os ensaios e o tempo que passava com Lyah

Não queria perder um segundo sequer ao seu lado. Aceitei a proposta de meu pai e comecei a construir minha loja virtual sob os ensinos dele e as dicas que o levaram ao sucesso do seu empreendimento, já esperávamos o primeiro lote de mercadorias chegar coisas pequenas como palhetas, correias, baquetas e etc.

Estava bastante ansioso com tudo isso e Lyah me ajudava a controlar essa ansiedade lembrando-me sempre de ter o controle da situação.

—Você vai acabar tendo uma crise de stress.

Falou ela enquanto saiamos do cinema.

—Você acha? – Indaguei um tanto receoso. – Confesso que estou um pouco agitado com tudo isso.

Os olhos dela assumiram um olhar incrédulo.

—Um pouco agitado? Amor vocês está uma pilha de nervos!

Exclamou ela enquanto me impedia de ser atropelado.

—João! – Gritou ela exasperada. – Amor em que mundo você está?

Falou ela me abraçando preocupada.

—Desculpe.

Foi somente o que consegui dizer tentando absorver o que haverá acontecido.

—Está se desculpando por quase morrer?

Continuou ela preocupada.

Por um momento resolvi sentar no meio fio e respirar fundo, realmente eu estava estressado e aquilo já estava perigoso.

Ela me olhava preocupada enquanto as pessoas perguntavam se eu estava bem, se precisava de algum tipo de auxílio.

Decidi levantar-me e saímos daquele circo armado para podermos conversar.

—Eu estou bem. – Disse enquanto levantava e pegava a mão de Lyah. –Foi somente uma falta de atenção mas, agora está tudo bem.

Quando já estávamos no ônibus Lyah decidiu que íamos jantar na sua casa.

—Vou fazer uma comidinha caseira pra você. – Falou ela me abraçando. – Aposto que vai melhorar.

Realmente ao chegarmos em sua casa ela preparou algo rapidamente para jantarmos, Guilherme já havia se recolhido depois de um cansativo dia de trabalho.

—Acho que a razão por estar assim está em amanhã à noite acertei? – Perguntou ela enquanto comíamos. – Afinal é a primeira vez de fato que se apresentaram para uma plateia que com certeza será critica.

Para Lyah eu havia me tornado um livro aberto, mesmo estando juntos a pouco tempo tínhamos uma confiança mutua invejável.

—Sou tão fácil assim de decifrar. – respondi enquanto devorava aquela comida deliciosa. – A propósito, está uma delícia.

Ela riu.

—Estaria assim se estivesse no seu lugar. – disse ela com um olhar terno. – João, todos vocês são músicos experientes, vão se sair muito bem amanhã.

Falou ela enquanto estendia seu braço sobre a mesa para segurar minha mão.

—Eu acredito no talento de vocês.

Aquelas palavras me encheram de paz e tranquilidade, realmente Lyah havia se tornado meu anjo da guarda.

Conversamos sobre diversas coisas e depois de lavarmos a louça ela me convidou para ir em uma sala que ficava no meio do corredor.

—Tem uma coisa sobre mim que você ainda não sabe. – Disse ela destrancando a porta. – Feche os olhos.

Instruiu ela, realmente fiquei curioso em saber o que eu ainda não conhecia a respeito dela depois de todo esse tempo.

—Pode abrir. – Disse ela acendendo a luz do cômodo de paredes brancas. – Esse é o meu esconderijo.

Aquela sala, na verdade, era um atelier de pintura, nas paredes pendiam quadros de diversos tipos e tamanhos, um deles retratava uma paisagem perfeitamente pintada em cores vivas, em outro uma criança corria livre em um parque seguida por um cachorro.

Haviam várias telas em branco encostadas em uma parede nos fundos do cômodo enquanto uma ainda estava sendo elaborada no tripé.

Nela, uma mulher de longos cabelos segurava uma criança em seus braços, as mãos do pequeno ser iam em direção ao rosto da figura que possuía um lindo sorriso.

Fiquei absorto com a figura ainda rascunhada em carvão e reconheci as feições da musa inspiradora do quadro.

—Ela é ...

—A minha mãe. – Respondeu ela fitando o quadro ainda em construção com um olhar distante e perdido em memorias. – E a criança em seus braços sou eu.

Falou ela se aproximando do quadro e acariciando a figura.

—Lyah, são lindos. – Falei maravilhado com o dom que minha namorada possuía e que eu nem fazia ideia. – Você é uma artista talentosa.

Ela seguiu por uma das paredes passando a mão delicadamente nos quadros.

—Não falo isso para as outras pessoas. – Explicou ela. – Pelo menos não ainda, então peço que não conte. – Pediu ela olhando-me ternamente. – O meu sonho é me tornar uma artista reconhecida e poder pintar os sentimentos daqueles que me rodeiam.

Explicou ela voltando ao quadro em construção da mãe.

—Este quadro, marca o meu retorno ao meu sonho. – Falou ela olhando as linhas em carvão. – Sabe João, quando ela morreu eu havia desistido disso tudo... Senti como se minha vida houvesse sido arrancada de mim. – Continuou ela deixando uma lagrima solitária rolar. – Mas ai eu encontrei você, alguém machucado mortalmente porém, a maneira com a qual você encarou a sua dor e decidiu correr atrás dos seus sonhos me encorajou a continuar. – Ela então segurou minhas mãos. – E é por isso que eu sei que você vai arrasar amanhã.

Já era tarde e decidi ir para casa, naquela não consegui dormir, na verdade nenhum dos integrantes da banda conseguiu.

Trocávamos mensagens em nosso grupo e nem percebemos o sol nascer.

As aulas terminaram tarde aquele dia então, decidimos descansar até a hora da apresentação e naquela tarde dormi como uma rocha.

Eram 17:45 quando minha mãe me acordou, ela já havia assinado a declaração e somente pediu que eu não fizesse nada de errado.

Encontrei com Lyah e ela ajudou-me levando o violão estava perdido em pensamentos e tentando colocar a cabeça em ordem.

Conversávamos sobre coisas banais no caminho e quando chegamos ao restaurante o pessoal nos esperava.

Já passava das 18:30 quando dávamos os ajustes finais nos instrumentos e na posição de cada um no palco, o restaurante era bem espaçoso e o palco ficava em evidencia para todas as mesas.

“Coragem, foi para isso que nos preparamos tanto.”

—Sabe, mesmo confiando no nosso talento eu não consigo entender o porquê desse cara nos dar essa chance.

Falou Felipe quebrando aquele silencio apavorante.

—Também me pergunto isso. – Emendou Alice. – Eles fizeram até divulgação com panfletos, estão vendo já tem até gente chegando.

Finalizou ela gesticulando com a cabeça para a porta onde algumas pessoas já começavam a entrar e escolher seus lugares.

Lyah havia se posicionado bem à frente na mesa que nos foi dada.

Um dos atendentes veio nos lembrar que dentro de cinco minutos teríamos que começar a apresentação.

O lugar imenso agora fervilhava de pessoas e estava com sua lotação quase completa.

—Está na hora. — Disse Felipe botando a mão em meu ombro. – Agora está nas suas mãos João, nos lidere.

Nos posicionamos nos bancos que nos foram dados nossos instrumentos devidamente apoiados em tripés, com um sinal o atendente de antes nos indicou que deveríamos iniciar, respirei fundo e conferi mentalmente por alguns segundos tudo o que passamos até aquele momento e nas palavras de Felipe, nos lidere.

—Boa noite senhoras e senhores. – Comecei. – Sejam bem-vindos ao Classic Rock. – Helen começara a harmonizar algumas notas como fundo. – Esperamos que essa noite seja inesquecível. – Começamos os dedilhados do dueto que iniciaríamos sendo aplaudidos enquanto alguns gritavam. – Permitam que nos apresentemos, Boa noite somos a Our Time.

Alice se focou na plateia enquanto meus olhos encontraram Lyah.

—Pra você guardei o amor
Que nunca soube dar
O amor que tive e vi sem me deixar
Sentir sem conseguir provar
Sem entregar
E repartir.

As pessoas aplaudiam enquanto Alice eu iniciamos a primeira estrofe.

—Pra você guardei o amor
Que sempre quis mostrar
O amor que vive em mim vem visitar
Sorrir, vem colorir solar
Vem esquentar
E permitir

Enquanto cantava aquela música olhava atentamente para Lyah e depois para o restante da plateia, afinal tinha de agir profissionalmente.

—Guardei
Sem ter porquê
Nem por razão
Ou coisa outra qualquer
Além de não saber como fazer
Pra ter um jeito meu de me mostrar

Achei
Vendo em você
explicação
Nenhuma isso requer
Se o coração bater forte e arder
No fogo o gelo vai queimar

Aquelas notas e letras me fizeram lembrar de quando conheci Lyah, dos dias que se seguiram e a maneira que havíamos nos apaixonado, não havia melhor explicação para nós.

Quando chegamos no momento final da música onde Alice fazia um solo vocal acompanhada de algumas batidas a plateia acompanhou com palmas e quando terminamos fomos aplaudidos de pé.

—O que acharam? – perguntou Felipe.

—Estamos indo bem. – Respondi puxando a próxima música. – Vamos mostrar o que sabemos fazer.

E assim seguiu-se a noite de estreia onde a Our Time Brilhou pela primeira vez.

Notas finais
Agora só faltam três, espero que vocês tenham gostado pessoal. O que vocês esperam do desfecho dessa trama? Comentem ai !