Notas iniciais
Nossa que demora mas, é por uma boa causa pessoal. Estamos nos encaminhando para o nosso penúltimo capitulo dessa historia que nos fez rir e chorar. neste capitulo vemos uma viagem bem legal em família.

As férias de verão estavam na metade e meus pais juntamente com o pai de Lyah decidiram alugar uma casa de praia por duas semanas.

—Vamos para Cotijuba? – Perguntei entusiasmado. – Que massa!

Meu pai deu uma risadinha suspeita.

—Sim garanhão nós vamos. – Começou me olhando com uma cara sacana. – Mas Lyah vai dividir o quarto com sua irmã e o senhor dormirá no sofá.

Só ai entendi o que ele queria dizer e comecei a rir junto com ele na cozinha

A ilha de Cotijuba é uma das ilhas pertencentes a cidade de Belém onde só é possível chegar através de travessias de barco.

A ilha mede cerca de 60 km² e possui 20 km de praias de água doce, nas férias meus pais sempre gostam de ir lá e eu particularmente adoro aquele lugar.

—Cotijuba, nossa vai ser a primeira vez que vou lá. – Começou Lyah enquanto me ajudava com as malas. – Tem certeza que só se pode ir de barco?

Percebi uma pontada de temor naquela pergunta.

—Você está com medo amor? – Perguntei sentando ao seu lado. – Nunca andou de barco?

Ela me olhou dando uma risada.

—Não, morro de medo. – Respondeu ela pegando uma sunga vermelha. – Vai ficar top em você.

—Sem chance de eu usar isso. – falei tirando a sunga da mala. – Detesto sungas, prefiro calção.

Falei enquanto ela ria para mim.

—Não precisa ter medo Lyah, eu vou estar do seu lado.

Ela foi preparar as malas pois havíamos combinado a viagem para depois do almoço, Tonhão também iria viajar com a esposa e dispensou Alice para descansar nas últimas semanas, as apresentações no restaurante também haviam sido dispensadas, afinal, somos todos jovens e merecemos um descanso.

Aquela viagem seria muito importante pois, além de ter a oportunidade de viver momentos únicos com Lyah poderia também construir ótimas lembranças com a família.

O dia transcorreu normalmente, meu pai e Guilherme fecharam com um estacionamento que ficava em Icoaraci para deixarem os carros guardados durante o período.

Chegamos ao trapiche as 14:00.

—Vamos de popopo pai? – Perguntei fazendo Lyah me olhar com interrogação.

—Popopo? – perguntou ela fazendo careta. – Que é isso?

Havia horas que tinha que lembrar que Lyah passou muito tempo fora e não conheceu muitas coisas da nossa região.

—São esses barcos menores filha. – Começou Guilherme explicando. – O nome provem do som do motor.

Lyah estava curtindo muito minha irmã e Sarah também havia amado a nova cunhada, tiraram muitas fotos juntas enquanto caminhávamos na passarela que levava ao embarque não havia percebido que estava cainhando atrás de todos e aquela imagem me apertou um pouco o coração, ver Lyah, Sarah e todos se divertindo juntos, em família me fez sentir saudades antecipadas.

—No que você está pensando meu anjo? – Perguntou minha mãe enquanto diminuía o passo para me acompanhar. – Apenas curta a viagem e guarde boas recordações, afinal você vai passar muito tempo fora.

Falou ela me abraçando de lado enquanto caminhávamos.

—Lyah é uma moça especial João mas, tome cuidado com ela. – Minha mãe havia percebido algo que eu também já tinha notado. – Ela acaba sendo inocente demais e pessoas mal intencionadas podem se aproveitar disso.

Já no barco pude constatar que um cara não tirava os olhos de Lyah e institivamente sentei ao seu lado lhe dando um beijo.

—João, a Sarah. – Falou ela vermelha. – Por favor?

Quando o barco começou a se mover Lyah apertou forte a minha mão, a travessia dura cerca de quarenta minutos e as paisagens do rio são de tirar o folego.

—É lindo... – disse Lyah maravilhada já perdendo o medo. – Esse lugar e magico.

Ao saímos do barco o mesmo cara ofereceu ajuda a Lyah mas, me interpus na sua frente estendendo a mão a ela.

—Deixa que ajudo ela grande, não precisa se incomodar. – Falei encarando o interessado.

Ele me encarou dando um sorriso.

—Não tem por onde. – Respondeu ele. – Cão de guarda.

Fechei as mãos em punho o encarando de volta.

—Você acha que não te saquei? – Perguntei o encarando de volta. – Quero saber se a tua mãe não te ensinou a não brincar com o que é dos outros.

Ele veio pra cima me empurrando.

—Quem manda sua mina ser uma gostosinha.

Aquilo foi a gota d’agua, quando ele fechou a boca o acertei com um soco violento o fazendo cair.

—Filho da puta, tá achando que ela é o que?

Meu pai e Guilherme correram para me segurar enquanto um dos transeuntes segurava o tarado.

—Calma João! – Falou meu pai me puxando.

—Eu vou acabar com esse cretino!

Minha mãe ajudou Lyah a sair do barco, ela correu me abraçando.

—Amor vamos embora, por favor tou pedindo. – Disse ela nervosa. – Olha a Sarah tá morrendo de medo.

O tarado estava visivelmente assustado e logo tratou de sair com o rabo entre as pernas.

Procurei me acalmar para não estragar a viagem.

—Desculpa pessoal... – Falei já mais calmo. – Eu não pude me conter.

—Belo soco. – Disse minha mãe atraindo o olhar de todos. – me encheu de orgulho.

Meu pai estava surpreso.

—Elisa! – falou ele assustado. – O que deu em você?

Guilherme caiu na risada.

—Realmente foi um belo soco. – Falou ele me dando uns tapinhas no ombro. – Você só Me faz ter mais certeza de que foi uma ótima escolha de Lyah.

Todos começamos a rir. Nos dirigimos a uma das charretes que estavam à espera e depois de indicar o endereço colocamos as bagagens, foram necessárias duas para irmos todos.

Ao chegarmos na casa percebi que ela era simples e rustica porém de um ar acolhedor.

Logo reconheci minha cama, um enorme sofá de três lugares onde Sarah lançou-se cansada da viagem.

—São três quartos disponíveis. – Começou meu pai. – Um fica com o Guilherme, as meninas decidiram ficar juntas em outro e o João fica com a sala.

Finalizou ele dividindo tudo.

—Não fica ruim pro João? – Começou Guilherme. – Ele pode ficar comigo.

“Não me tirem da minha sala!”

—Não precisa não. – Falei olhando para Lyah que entendeu. – Eu curto ficar na sala, vai ser ótimo.

E assim todos nos instalamos na casa e preparamos algo para comer.

Existia um quintal enorme então decidimos fazer uma fogueira.

—A praia é logo ali no fim da rua. – Falou meu pai gesticulando para uma escada que dava para a praia. – Estamos a mais ou menos cinco casas de distância dela, demos sorte em conseguir essa casa.

Conversarmos até altas horas, havia levado o violão e cantamos algumas músicas e um a um foram se recolhendo.

Deitei-me no sofá cansado daquele longo dia e nem quis ligar a televisão examinei mais uma vez o ambiente havia outro sofá menor de frente para o meu, uma estante simples com a TV, e um tapete. Tirei um cochilo rápido e então acordei sem sono.

Aquela ilha era um pedaço do paraíso para mim e resolvi sentar na varanda e admirar um pouco a noite.

As pessoas já haviam se recolhido e eu estava sozinho naquela estreita rua, o céu estrelado que dificilmente veria na cidade me prendeu a atenção e me perdi em pensamentos em meio àquela imensidão luminosa.

—Posso te fazer companhia?

Perguntou uma voz conhecida.

—Se não se importar. – Respondi enquanto o vento bagunçava meu cabelo. – está ventando, pegue o meu cobertor e se enrole.

Lyah então se dirigiu ao sofá e pegou o tecido se enrolando.

—Realmente está um pouco frio.

Respondeu ela sentando-se em uma das cadeiras de balanço.

—Obrigado por me defender hoje. – Falou ela. – Mas não se arrisque daquele jeito de novo tá?

Trocamos um beijo silencioso.

—Deixando isso de lado, o que achou da ilha?

Perguntei balançando-me na cadeira.

—Linda. – respondeu ela admirando o céu noturno. – bem que uma amiga me disse que esse lugar era a Ilha do amor, é bem romântico.

—Eu te amo. – Disse eu olhando em seus olhos. – Poderíamos morar aqui quando voltar de Portugal, Longe de todos os problemas da cidade grande.

Demos as mãos enquanto nos balançávamos nas cadeiras.

—Seria maravilhoso. – Respondeu ela sorrindo. – Poder ver esse céu pra sempre com você.

Conversamos até altas horas até que ela foi deitar-se e eu fiz o mesmo.

O dia começou cedo para nós, hoje teríamos praia.

—Vamos meninas. – Chamou meu pai enquanto Guilherme trazia um enorme isopor de dentro de casa. – Não podemos perder tempo.

Elas saíram de casa com seus chapéus de praia e biquínis, Lyah usava uma saída de praia para cobrir a parte de baixo, ela como sempre estava divinamente linda.

—Feche a boca meu genro. – Brincou Guilherme. – Ou ela vai ficar sem jeito.

O dia transcorreu divinamente bem, entre brincadeiras e banhos e tentativas frustradas de castelos de areia nos divertíamos muito, Tiramos muitas fotos também o grupo decidiu assim para que eu pudesse levar bastante delas quando fosse para a Europa.

E assim o dia se findou.

—Vem comigo. – falei levando Lyah comigo. – Tem algo que quero te mostrar.

A levei até uma parte da praia onde não haviam tantas pessoas.

—Aqui está bom.

Falei enquanto olhávamos o horizonte, o sol estava se pondo colorindo o céu com um tom laranja enquanto as águas reluziam seu brilho.

—Nossa amor, isso é lindo! – Exclamou ela animada. – Divino vou querer pintar essa cena!

Disse ela pegando o celular na bolsa e tirando uma foto.

Ficamos ali por um tempo trocando carinhos e beijos e depois voltamos.

Foi a vez de Lyah fazer o jantar e, como sempre, ela arrasou depois da cozinha estar limpa resolvemos caminhar um pouco na praia.

O som do reggae podia ser ouvido pelos bares de beira de praia e Lyah começou a me fazer ensaiar uns passos com ela.

O céu continuava divinamente lindo e pontilhado de estrelas nos sentamos em alguns bancos de madeira e ficamos conversando, namorando e brincando.

Tiramos várias selfies para enviar para o pessoal, afinal o sinal do celular só funcionava na praia.

Estar com Lyah naquele lugar maravilhoso era tudo o que podia querer, e eu não queria ter de sair daquele sonho.

Voltamos para casa e o restante do pessoal já havia se recolhido, somente minha mãe nos esperava e fez questão de só se recolher depois de Lyah entrar no quarto.

As vezes imaginava se ela estaria dormindo de fato ou se estaria acordada, comecei a pensar em coisas que talvez não devessem ser pensadas, se é que me entende.

Sentia um calor correr pelo meu corpo me impossibilitando de dormir, imaginava Lyah saindo do quarto e se juntando a mim naquele sofá, imaginava nos dois fazendo muito mais que apenas trocar beijos e caricias.

—João, João... Cuidado pra não perder o controle.

Falei bem baixo.

—Falei a mesma coisa agora a pouco.

Lyah estava no sofá a minha frente e eu nem mesmo havia percebido, ela usava uma camisola curta e transparente.

—Lyah, não sei se sou uma boa companhia hoje. – Falei tentando advertir a donzela. – Parece que os hormônios resolveram aflorar hoje e eu não quero faltar com respeito.

Falei sentando-me.

—João... Você... Você já... transou?

Que raios de pergunta era aquela!

—Por que quer saber disso agora...- Não havia problema em dizer acho. – Bom... er... como vou dizer, na verdade eu... na verdade eu nunca fiz isso com ninguém... eu ainda sou... virgem.

Esperava ela rir ou tirar sarro, afinal como um cara de dezessete anos em pleno século vinte e um era virgem?

Mas ela pareceu ficar ainda mais nervosa.

—Serio... na verdade... eu também... sou virgem.

Falou ela nervosa, eu sabia o que estava para acontecer mas, embora eu quisesse, respeitaria Lyah ao máximo.

—Lyah, você não precisa se sentir obrigada a nada.

Falei tentando acalmá-la.

—Não estou me sentindo obrigada a nada. – Respondeu ela me dando um sorriso. – Eu simplesmente quero que seja você.

Ela sentou-se em meu colo enquanto trocávamos um beijo quente, minhas mãos apertaram seu bumbum com força a fazendo soltar um gemido.

Mas algo me fez parar.

—Espera Lyah, espera um pouco. – falei arfando enquanto ela me olhava. – Não quero que seja assim ... tem que ser algo especial.

Falei enquanto ela sentou-se ao meu lado.

—Nós não temos muito tempo. – falou ela vermelha. – Eu amo você e quero dar tudo que eu tenho em mim pra você.

Seguiu-se um silencio enquanto clareava as ideias.

—Não precisamos ter presa Lyah, você deve pensar melhor se sou realmente digno de você se entregar desse jeito para mim.

Minhas palavras a fizeram sorrir.

—E com essa atitude você ainda se acha indigno?

Peguei meu cobertor e a agasalhei a noite outra vez estava fria.

—Se vamos fazer isso, temos que fazer direito e não em um sofá no meio da noite.

Rimos um pouco dessa minha colocação.

—O que quero dizer é, que devemos tomar as precauções necessárias amor.

Sentei na cadeira de balanço e ela sentou-se em meu colo.

—Entendo.

Falou ela recostando-se em meu peito.

—Às vezes fico imaginando quando você for. – Falou ela estendendo a mão para o céu. – Não vai mais estar em meu alcance.

O tom tristonho em sua voz me fez entristecer um pouco, estendi minha mão e segurei a dela que já estava sem forças.

—Se você me pedir pra ficar eu fico. – Falei enfim, eu era realmente dependente dela. – Não penso duas vezes, faço tudo o que você me pedir.

Ela então apoiou nossas mãos no peito.

—Seria egoísta fazer você desistir de seu sonho pra seguir meus caprichos. – Ela falava de uma forma serena. – Se o amor que sentimos um pelo outro e realmente verdadeiro ele a de resistir a distância e o tempo.

Depois dessa declaração já não havia o que ser dito, e ali naquela varanda tive certeza de que escolhi a mulher certa para amar.

Notas finais
Aqui seguem alguns links pra vocês conhecerem um pouco desse paraíso que é a ilha de Cotijuba. Trapiche de Cotijuba. http://s2.glbimg.com/e7cN7uJ8_1AKi749XjIeCl-veh0=/620x465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2012/07/13/cotijuba1.jpg Praia do vai quem quer: https://media-cdn.tripadvisor.com/media/photo-s/04/4f/c1/9e/ilha-de-cotijuba.jpg http://www.diarioonline.com.br/app/painel/modulo-noticia/img/imagensdb/original/destaque-293529-cotijuba-cm-(11).jpg http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/15757821.jpg Trapiche de Icoaraci: https://c2.staticflickr.com/6/5504/12049894113_835891277b_z.jpg https://c8.staticflickr.com/4/3767/12049888863_3ad9dc9abc_h.jpg https://c6.staticflickr.com/8/7310/12049897853_175949f170_h.jpg Até a próxima!