– Senhora e Senhores, esse é Devendra Ananda – falou Barata, fazendo voz teatral – Devendra, esses são meus novos amigos: Jonas Marra, o nome diz tudo – riu o comerciante – nunca vi sujeito mais marrento... esse é Brian Robenson...

– Benson – corrigiu prontamente o guru – Brian Benson.

– Isso que eu falei – continuou Barata – e essa é a deslumbrante, linda e encantadora Verônica. Mas conhecida como Veroquinha... para os íntimos.

– Olá – falou o indiano – sejam todos bem vindos. Vieram comprar mapas?

– Oh, não – falou Brian – na verdade...

– Na verdade – falou Jonas, tomando a frente – já temos um mapa. Precisamos que você o decifre. Você deve saber decifrar mapas, não?

– Sim, eu costumo decifrá-los sim – respondeu Devendra – mas me falem, que tipo de mapa é esse?

Jonas, então, virou-se pra Brian, que logo tirou um pedaço de um mapa velho e encardido do bolso.

– Aqui está – falou o guru, entregando o mapa ao indiano, que passou a analisá-lo cuidadosamente.

– Oh, my God – murmurou o indiano, observando – creio que vocês não têm noção de que mapa seja esse...

– O mapa do tesouro – falou Jonas, observando o homem com o mapa.

– Sim – respondeu o indiano – uma parte dele. Mas me digam, como conseguiram isso?

– Bom, isso é uma longa história – respondeu Jonas, orgulhoso.

– Mapa do tesouro? – repetiu Verônica – do que vocês estão falando? Isso é uma lenda. Claro que não existe isso...

– Você pode estar errada, princesa – falou Brian – e eu espero que esteja.

– Mas isso não existe – continuou ela – vários homens tentaram pegar esse tesouro e nunca conseguiram achar nada. Vocês não acham que... ?

– Tesouro? – indagou Barata, confuso, olhando para os quatro – do que vocês estão falando?

– Na verdade – falou Devendra – ninguém sabe realmente se esse tesouro existe mesmo ou não. Mas também ninguém nunca conseguiu provar o contrário. Tudo é possível, a meu ver.

– Então esse tesouro pode mesmo existir – concluiu Jonas – e a gente vai atrás dele – continuou ele, decidido – mas pra isso, precisamos da sua ajuda. Será que pode decifrar o que diz no mapa?

– Creio que sim – respondeu o indiano – mas tenho que adiantar que não vai ser nada fácil pra voces encontrarem essas riquezas, se é que elas existem mesmo.

– Como assim? – quis saber Jonas, intrigado.

– Muitos obstáculos no caminho... – respondeu Devendra – caminhos tortuosos pela frente... mares revoltos, larvas de fogo, sereias encantadoras e rio de crocodilos. Tudo isso vocês terão que enfrentar, até chegarem ao fim.

– Você tá brincando com a gente – resmungou Brian, preocupado.

– Já ouvi dizer – respondeu Jonas – mas eu não tenho medo. E sei que posso encontrar esse tesouro.

– Não teria tanta certeza assim se fosse você – comentou o indiano.

– Senhor, pode decifrar o mapa? – insistiu Jonas.

– Sim, eu posso – respondeu Devendra – mas preciso de um tempo...

– Todo o tempo do mundo – respondeu Jonas, animado.

********************

Quando saíram da casa de Devendra Ananda, eles conversavam, agitados.

– Vocês não estão mesmo acreditando nessa história, estão? – indagou Verônica – é a coisa mais absurda que eu já ouvi.

– É sério esse negócio de tesouro? – perguntou Barata, fitando os três – mas como assim tesouro?

– Tão sério como o céu é azul – respondeu Brian, risonho.

– Jonas – continuou Verônica – você não está pensando em ir atrás...?

– Eu vou ficar rico, Verônica – respondeu ele, decidido – esse Jonas Marra pobretão que você tá vendo aqui, princesa, vai ficar pra trás. Meu futuro vai ser diferente. Pode escrever.

– É assim que se fala, man – concordou Brian.

– E por que essa fixação toda por ficar rico? – continuou Verônica – pra que tanta ambição? Há coisas mais importantes na vida que isso, você sabia?

– Como o quê? – perguntou Jonas, sarcástico – fale, voz da razão.

– Valores, amizade, família – respondeu ela – coisas que não são bens materiais, mas que são mais importantes.

– Eu nunca tive nada disso – respondeu Jonas – além do mais, você diz isso porque vive num conto de fadas, princesa. Mas pra quem sempre teve a vida dura, como eu, contos de fadas não existem.

– Exatamente – concordou o guru.

– E você acha mesmo que esse conto de tesouro existe? – continuou ela – quer deixar de ser tolo? Logo você, tão metido a arisco e esperto, acreditar nisso?

– Eu não tenho nada a perder, Verônica – respondeu ele – e vou, sim, pagar pra ver. Se vocês não quiserem ir, eu vou sozinho.

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Já era de noite, e o quarteto resolveu esperar o amanhecer para seguir viagem. Entrando numa hospedaria, eles se dirigiram à recepção.

– Olá, senhores – falou o atendente – em que posso ajudá-los?

– Precisamos de pelo menos três quartos para passar esta noite – anunciou Jonas, tirando algo do bolso. Provamente algumas pratas.

– Lamento, senhor – respondeu o atendente – mas só temos dois quartos disponíveis hoje. Com a chegada do natal, muita gente está vindo para a cidade antecipadamente.

– Que azar – resmungou Jonas – chegamos tarde demais.

– Sem problemas – falou Verônica – vocês três ficam com um, que eu fico com o outro.

– Lamento, senhorita – falou o atendente – mas um dos quartos só alugamos para casais. É um quarto de casal, sabe?

– Como assim? – indagou ela, surpresa – tem isso também?

– Sinto muito – respondeu o atendente.

– Jonas – falou Verônica – então por que não procuramos um outro lugar?

– Não tem outro lugar – respondeu Jonas, fitando-a – essa birosca aqui é a única hospedaria barata da cidade – e virou-se pro atendente – certo. Vamos ficar então com os quartos.

Verônica fitou-o.

– Vamos fingir que somos casados, ok? – confidenciou ele no ouvido dela – confie em mim, eu sei o que estou fazendo.

– Mas eu não vou dormir no mesmo quarto que você – sussurrou ela, fitando-o – nem pensar. Você acha que...?

– Você que sabe – interrompeu ele – se preferir, pode passar a noite com um dos dois aí atrás, fique à vontade. Os dois atrás eram Brian e Barata. Verônica virou-se pra eles e, então, pensou melhor. Já havia se deitado uma vez com um homem, e se passasse a noite com um dos outros dois, seria muito ruim para a reputação dela. Sem falar no constrangimento que sentiria. Não, não dava. Se tivesse que fingir alguma coisa, teria que ser com Jonas mesmo. Afinal, com ele já havia ultrapassado todos os limites da razão.

*******************

Já no quarto.

Assim que entraram, Verônica se aproximou da cama.

– Não tente dar uma de espertinho, hein, Jonas Marra – falou ela, mexendo nos lençóis da cama – vamos dormir no mesmo quarto, mas isso não significa que você pode tentar qualquer gracinha comigo.

– Pode deixar, princesa – respondeu ele, tirando as botas dos pés – isso não vai acontecer.

– Assim espero – continuou ela, jogando alguns lençóis e travesseiros no chão, enquanto ele parou para observar o que ela fazia.

– O que é isso? – quis saber Jonas, fitando-a – o que pensa que está fazendo?

– Como assim o que pensa que está fazendo? Eu vou ficar com a cama. Você fica no chão.

– Como assim você vai ficar com a cama e eu com o chão? Eu passei dias atravessando bosques, levando tombos e salvando uma certa princesa indefesa. Meu corpo está um bagaço. Não acha que eu mereço uma cama macia e limpa para passar a noite também? Será que você é tão espaçosa assim?

– Jonas, eu não vou dormir com você. Me recuso a isso. Vai ser de mais pra mim.

– Com todo o respeito, acho que é tarde demais pra você pensar nisso, não acha?

– Vamos esquecer aquele infeliz episódio, ok?

– Me diz uma coisa: por que toda essa raiva de mim? Eu fiz alguma coisa contra a sua vontade, por acaso?

– Vai lá pro seu cantinho, Jonas – pediu ela, temendo a aproximação dele – eu quero dormir.

Suspirando, Jonas não teve outra opção, além de aceitar. Forrou o chão com um lençol e deitou-se. A cabeça no travesseiro.

– E não tente dar uma de engraçadinho, ok? Por favor – continuou ela, acomodando-se na cama – eu tenho o sono leve. Se você tentar alguma coisa, qualquer coisa que seja, eu vou gritar.

Jonas riu.

– Fique tranquila. Não costumo abusar de princesas indefesas. Não faz meu tipo.

– Que bom – falou ela – então boa noite.

– Cuidado pra não sonhar comigo, princesa – provocou ele.

– Nesse caso, não seria sonho, seria pesadelo.

Jonas riu outra vez.

– De qualquer forma, seria comigo.

– Jonas, eu quero dormir... boa noite, tá?

– Boa noite.

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De madrugada.

Verônica sentiu vontade de ir ao banheiro. Ela tentou se controlar, mas a vontade era forte demais. Definitivamente ela precisava de um banheiro. Afastando o lençol sobre si, ela levantou-se. O quarto estava escuro e ela mal conseguiu distinguir os objetos. Por um momento, esqueceu-se que Jonas estava ali, no chão, deitado, mas quando o viu, tentou não fazer barulho e saiu pisando na ponta dos pés. Ela, então, atravessou o corredor escuro e encontrou o banheiro. Na volta, ela abriu a porta com cuidado, e fechou-a atrás de si, mas esquecendo outra vez que Jonas estava ali no chao, ela tropeçou nele e caiu em cima dele com o rosto em seu peito, acordando-o.

– O que pensa que está fazendo? – indagou ele, assustado.

– Desculpe – respondeu ela, tentando levantar-se – foi sem querer... eu fui ao banheiro e... bom, pode me soltar, está tudo bem.

– Não, não está tudo bem – respondeu ele, antes de agarrá-la pelos cabelos e beijá-la com determinação. Por um momento, Verônica ficou sem saber o que fazer. Ele, então, facilmente, fez com que ela rolasse para baixo dele e passou a ficar sobre ela. Verônica fez menção de protestar, mas desistiu. E logo a boca dele se apoderou outra vez da dela. Correspondendo ao intenso beijo dele, ela o desejou como nunca e adorou sentir a mão dele acariciando-lhe a perna, depois a coxa... Jonas, então, após uma pausa, tirou a camisa e depois a calça. No escuro, ela pôde sentir-se mais à vontade com ele. Em seguida, ele tirou-lhe a roupa e Verônica fechou os olhos, adorando sentir o toque das mãos grandes e macias dele percorrerem-lhe o corpo. De repente, ela sentiu essas mãos apalpando-lhe os seios arredondados. Ela, então, gemeu, entregue a ele. Quando ele voltou a beijá-la, ela pode sentir os pêlos do peito dele tocando-lhe o corpo e agarrou o pescoço dele, apaixonada. Quando ele passou os braços fortes, envolvendo-a toda, ela afastou as coxas, se preparando para recebê-lo. Após mais um beijo demorado, ele beijou-lhe o cangote e, em seguida, penetrou-a com desejo e paixão. Gemendo, ela não sabia entender o que sentia. Só sabia que o queria, com urgência. Enquanto Jonas pulsava delicadamente dentro dela, e gemia, enlouquecido, beijando-lhe o cangote do lado esquerdo e depois do lado direito, ela o agarrou pelo pescoço. Entre gemidos e beijos apaixonados, eles passaram a noite se amando.

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