Quando o rapaz de capuz entrou no salão principal do castelo do reino, encontrou o príncipe Herval sentado no trono, encarando-o, com uma das caras mais insatisfeitas do mundo. O rapaz, então, curvou-se, naturalmente, como forma de respeito e, antes de dirigir a palavra ao príncipe, aproximou um pouco. Não tanto.

– Cadê a princesa? – perguntou o príncipe, indo direto ao assunto.

– Está na cidade, alteza – respondeu o rapaz de capuz – infelizmente não foi dessa vez que eu consegui pegá-la...

O príncipe Herval, então, levantou-se, tentando controlar a irritação.

– Ela não viaja sozinha, meu senhor – continuou o rapaz do capuz – está sendo acompanhada por três sujeitos espertos e valentes. Eu sou apenas um.

– Estou cansado de suas desculpas, Zac – falou Herval – sabe o que eu estou achando? Estou achando que você está me saindo um incompetente, assim como o tolo do seu pai foi.

Silêncio.

– Mas, sabe de uma coisa? – continuou o príncipe – cansei de ser paciente e piedoso com você. Portanto, te darei uma última chance para me trazer essa princesa aqui. E acho bom você fazer esse serviço direito ou não terá uma próxima vez. Será que eu fui claro?

– Sim, senhor – respondeu o rapaz do capuz, humilde, sem esboçar qualquer reação.

– Agora some da minha frente – ordenou o príncipe, irritado.

O capataz, então, curvou-se outra vez, como forma de respeito, antes de sair da presença do príncipe.

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Na manhã seguinte.

Deitados na cama, ainda abraçados, o falso mercador e a falsa princesa conversavam, entre beijos e carícias.

– Você é a coisa mais linda que eu já vi nesse mundo... – declarou ele, tocando-lhe o rosto – parece uma joia.

Fitando-o, ela sorriu.

– Você deve dizer isso pra todas as mulheres que aparecem no seu caminho...

– Engano seu – retrucou ele – nunca fiquei tão encantado por uma mulher assim antes. Verdade.

– Sei...

– Eu não sou assim tão mulherengo como você imagina...

– É mesmo? – falou ela – vou fingir que acredito... nem vou citar as mulheres do bordel.

– As mulheres do bordel? – falou ele, pensando no que dizer – bom, as mulheres do bordel são só um... um rolo... nada sério.

– Eu vi como uma delas te olhava...

– A Sandra – falou ele, rindo – e você morreu de ciúmes, né?

– Nem tanto, seu convencido.

Eles, então, se beijaram. Em seguida, ela o abraçou mais forte.

– Mas e então – quis saber ele, de repente, sussurrando em seu ouvido – o que você achou da noite passada? Foi tudo bem? Foi bom?

– Quer mesmo que eu fale? – sussurrou ela, de volta.

– Quero... se eu tô perguntando...

– Bom, Jonas Marra – sussurrou ela, fitando-o – foi tudo ótimo... tudo incrível.

Ele sorriu, com o ego inflamado.

– Melhor que a primeira? – quis saber ele.

– Melhor que a primeira – respondeu ela, beijando-lhe o peito.

– Bom saber...

Silêncio.

– Mas e agora? – quis saber ela, de repente – como vai ser?

– Como vai ser?

– A gente – continuou ela – como vai ser a gente agora? Eu quero saber.

– Agora – respondeu ele – vai ser tudo muito sério, princesa. Sabe por quê?

– Hmm?

– Porque agora você é minha... só minha.

Ela riu.

– Sou, é?

– É.

Ele, então, virou-se, ficando sobre ela, e beijou-a. Um beijo longo e apaixonado.

– Eu te amo... – murmurou ela, envolvendo o pescoço dele.

Eles, então, voltaram a se amar.

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Depois de se amarem pela segunda vez, ela voltou a deitar no peito dele.

– Jonas, a gente ainda precisa conversar, sabia?

– O que foi?

– Eu tenho que te contar uma coisa... a verdade sobre Jerome.

Jonas, então, voltou a fitá-la. Já havia até se esquecido do príncipe francês dela.

– O que tem ele?

– Você entendeu tudo errado sobre a gente... sobre eu e Jerome.

– Como assim eu entendi tudo errado?

– É que – suspirou ela – Jerome, na verdade, não é meu noivo, Jonas... aliás, eu e ele nunca tivemos nada. Eu mal o conheço e... a verdade é que... eu não sou uma princesa.

Confuso, Jonas, limitou-se a fitá-la.

– Eu não sou uma princesa de verdade – continuou ela – isso foi tudo uma mentira que eu inventei... e Jerome não é meu noivo.

Silêncio.

Jonas continuou fitando-a, perturbado.

– Como assim você não é uma princesa? Quer dizer então que...

– Eu menti – falou ela – eu menti porque quando a gente se conheceu, vocês logo me perguntaram se eu era do castelo... aí então, com medo de vocês não me deixarem acompanhá-los, eu inventei toda essa história, pra ver se vocês me davam importância e me ajudavam. Mas a verdade é que eu não sou uma princesa. Eu sou mesmo uma dama de companhia. Dama de companhia da verdadeira princesa. E é ela que está noiva do príncipe Jerome.

Jonas continuou confuso com toda aquela história. Precisou de um tempo para digerir a informação.

– Está chateado? – quis saber ela, fitando-o – me desculpe.

– Então – falou ele, finalmente – quer dizer que todo esse tempo eu fiquei bancando o bocó, o estúpido... morrendo de ciúmes de você com o tal do francês...?

– Jonas...

– Eu fui um idiota então...

– Eu juro que não fiz de má fé – continuou ela – me diz que não tá chateado.

Jonas, então, encarou-a.

– Verônica, eu... eu também preciso te contar uma coisa...

Mas ele foi interrompido por alguém que bateu na porta do quarto em que eles estavam.

– Djonas! – gritou a pessoa. Era Brian – Djonas, está aí, man?

– Que foi, Brian? – perguntou Jonas.

– Precisamos ir, man – falou Brian do outro lado – você perdeu a hora, é?

– Como assim perdi a hora? Que horas são?

Quando Jonas e Verônica olharam a hora, levaram um susto, pois já havia passado das 10 das manhã. Apressados, eles pularam da cama e começaram a se vestir.

– Anda, man – continuou Brian – temos que ir enquanto é dia...

– Já vamos, Brian – gritou o amigo, vestindo as calças – só um segundo...

Enquanto Jonas vestia a camisa, Verônica vestia o vestido.

– A princesa tá aí? – quis saber Brian – ela já tá de pé?

– Já, Brian – respondeu Jonas, que já abotoava a camisa – espera só um pouco...

– O que vocês dois estão fazendo aí até uma hora dessa? – continuou o guru.

– Não é da sua conta – respondeu Jonas, antes de tropeçar em algum objeto e xingar um monte de palavrões.

– Ok, man, mas já estão saindo, né?

– Brian, quer parar de amolar? – gritou Jonas, procurando pelas botas.

– Tá certo – falou o amigo – vou esperar vocês então lá fora. O tal do Barata é um chato de galochas, mas vou tentar suportá-lo até vocês aparecerem. Pelo jeito, a noite foi boa, hein.

Jonas calçou as botas, enquanto Verônica ajeitava os cabelos.

– Está pronta? – perguntou ele, indo em direção da porta.

– Estou...

– Vamos então, antes que o Brian volte a perturbar.

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– Achei que vocês nunca fossem sair daquele quarto – resmungou Brian, assim que avistou o casal – o que houve pra perderem a hora? Você nunca perde a hora, man – e virando-se pra Verônica – bom dia, princesa.

– Oh, sim – respondeu ela – bom dia.

– Cadê o grandão? – quis saber Jonas.

– Foi tomar café de novo... man, esse sujeito não para de comer... ah, olhe, ele vem vindo aí...

– E então, pessoal – falou Barata, assim que se aproximou do grupo, com dois pedaços de pão numa das mãos e uma maçã na outra – vamos?

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Zac observou o quarteto caminhar pelo bosque, e foi atrás. Pelo caminho, ele matutava como iria abocanhar aquela princesa para Herval. Ele era apenas um contra três. Precisava aproveitar a distração deles, mas seria difícil, pois o grupo não parecia se separar. Ele, então, teve uma ideia.

Verônica andava atrás dos rapazes, quando, de repente, foi agarrada por alguém. Com o grito dela, os três olharam para trás. Verônica estava sendo agarrada por um estranho de capuz preto. O mesmo do bar. Havia uma faca apontada na direção do pescoço dela.

– Eu quero que os três joguem as armas aí no chão – falou o rapaz do capuz – agora!

Barata e Brian olharam para Jonas, que permaneceu imóvel, fitando o desconhecido.

– Eu não estou brincando – continuou o rapaz do capuz, com ar sério – joguem essas malditas armas no chão agora! E se tentarem alguma gracinha, ela morre.

Jonas, então, tirou a espada da cintura e a jogou no chão. O rapaz do capuz observava todos os movimentos. Os outros dois fizeram o mesmo com suas facas, punhais e pedras.

– Certo – continuou o rapaz do capuz – agora podemos negociar... eu tenho uma proposta pra fazer a vocês.

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