Uma Aventura de Amor
6 Capítulo 6
No dia seguinte. Enquanto Jonas caminhava, Brian ia seguindo-o, e tagarelando...
– Djonas, você está maluco, man? Então você dormiu mesmo com a princesa? Oh my God! O que você tem na cabeça? Titica? Quer terminar a vida enforcado no meio de uma praça? E ainda vai ter platéia. Vão te torturar e pendurar na frente de todo mundo, sabia?
– Brian, fecha a matraca. Seu problema é esse, sabia? Falar demais.
– Eu tô falando sério, Djonas. Tô falando isso pro teu bem. Sou teu amigo, man. Quero o teu bem. Aliás, você é o melhor amigo que eu tenho.
– Então, se eu sou mesmo seu amigo, faça um favor pra mim? Cala a boca.
– Você tá apaixonado, Djonas. É isso. Eu sabia que estava. Você tá apaixonado pela princesa. Confessa.
– Brian, ela tem nome. E não adianta ficar mexericando. Não vou te contar nada do que aconteceu. Sou um homem discreto. É melhor você parar de me amolar. Assunto encerrado.
– Djonas, tire isso da cabeça, my man, my brother, ela é uma princesa. Ela nunca vai ficar com você. Escuta o que eu tô te dizendo.
Jonas, então, virou-se pro amigo.
– Brian, quer calar a boca? E você tá pensando que eu sou o quê? Eu ainda vou ganhar muito dinheiro, man. Vou ficar rico. Você vai ver. Esses meus dias de ladrãozinho porco estão contados. Escute você o que eu tô dizendo.
– Eu sei, man, mas isso não muda nada. O fato de você ficar rico não vai mudar em nada o fato dela ser uma princesa. Como também nada vai mudar o fato de que você desvirginou uma mulher da realeza, man. Tem noção do que você fez?
– Brian, eu não tenho medo – respondeu Jonas, voltando a caminhar na frente – e eu também assumo o que eu faço. Se alguém vier me confrontar, que venha. Estou à espera.
– E o tal príncipe francês? Já pensou nisso, man? Ela não está noiva dele? E se ele descobrir? Vai que na hora lá ele descobre e... ?
– Do que você tá falando?
– Na hora que eles estiverem, você sabe... digamos, na lua de mel... ele não vai perceber que o produto dele foi violado?
– Que baboseira é essa, Brian? – perguntou Jonas, virando-se outra vez pro amigo – da onde você tirou isso? – e rindo – me diz uma coisa: você realmente já esteve com uma mulher? Ás vezes eu tenho minhas dúvidas.
– É claro que eu já estive com uma mulher, Djonas. Que pergunta. Mas voltando ao assunto, e se o tal príncipe descobrir que você tirou a virgindade da noiva dele? Você tá frito, man, e eu não gostaria de estar na tua pele.
– Eu tô morrendo de medo – respondeu Jonas, voltando a andar – ele que venha. Quem sabe a gente não trava uma batalha de espadas? Você sabe que eu sou bom nisso. Acha mesmo que eu tenho medo desses príncipes idiotas, Brian? Posso não ser da realeza, mas não tenho medo de nada. Nem de ninguém. E mesmo que eu morra, morrerei feliz, sabendo que lutei como homem, sem fugir da raia.
– E você acha que a Verônica vai querer ficar com você, se ela pode ficar com o noivo rico e príncipe dela? Quando eles se casarem, ela não vai nem lembrar de você, Djonas. Lamento, mas é a realidade.
Jonas parou, de repente, e desviou o olhar, pensativo.
– Pensa no que eu to te dizendo, man – continuou Brian, parando também – depois não diga que eu não avisei.
Jonas, naquele momento, ficou bastante incomodado com o rumo da conversa. Fitou Brian, sem dizer nada. No fundo, ele sabia que o amigo estava com a razão e tudo que ele estava falando fazia sentido. Mas teimoso do jeito que era, Jonas Marra não queria dar o braço a torcer.
– Brian, eu vou ser sincero – falou Jonas, com as mãos na cintura – a gente... a gente se amou na noite passada. Eu e Verônica. E eu não a forcei a nada. Juro que não a forcei. Jamais faria isso, você sabe. E vou te dizer uma coisa: ela sequer lembrou do tal príncipe quando esteve nos meus braços.
– Oh, man, eu acredito...
– Então, assunto encerrado.
– Ok – respondeu Brian, seguindo o amigo.
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Verônica despertou com o canto do galo e o barulho dos animais ali perto. Virando-se para o lado, ela não encontrou Jonas na cama. Mas avistou uma bela rosa vermelha no lugar dele. Verônica, então, pegou-a e sorriu. Então, pensou, não havia sido um sonho. Eles realmente haviam se amado na noite passada. Após se vestir, ela saiu do quarto à procura dele...
– Bonjour – ela ouviu uma voz cumprimentar-lhe. Era a ruiva sensual, que havia passado a noite com Brian.
– Bom dia – respondeu Verônica.
A ruiva sorriu, amigável.
– E então, dormiu bem, chéri?
– Oh, sim – respondeu Verônica, olhando em volta – muito obrigada. Vocês realmente foram muito gentis comigo.
– Está procurando os rapazes? Eles saíram faz um tempinho. Aqueles dois não se desgrudam, né? Mas não se preocupe, daqui a pouco estão de volta. Sabe como são os homens, né? Eles voam, voam, voam, mas sempre voltam para o ninho. Sente-se. Come alguma coisa comigo.
Mais relaxada, Verônica concordou.
– E então, chéri – falou a ruiva – de onde você vem?
– Bom, de um pouco longe. Vim do outro lado do bosque. Não sei se você conhece...
– Oh, sim, já ouvi falar. Mas sabe que eu nunca fui para aquelas bandas? Mas sei que há um belo castelo e a maior parte da nobreza vive por lá.
– Sim, isso é verdade.
– E o que de tão importante você veio fazer aqui, na cidade?
Verônica fitou a mulher e pensou se devia mesmo contar alguma coisa. Achou melhor omitir alguns fatos.
– Na verdade, vim encontrar alguém...
Enquanto elas conversavam, a mulher morena, que parecia ter muita intimidade com Jonas, se aproximou delas – Olá.
– Olá – Verônica e a ruiva responderam.
– Nem me convidou para o café, Marisa – comentou a morena, com um sorriso amarelo.
– E precisa convidar, queridinha? Você vive aqui na casa e sabe muito bem como as coisas aqui funcionam...
– Estava só brincando – respondeu a morena, sem graça, pegando algo para comer, e logo se retirou.
– Essa é a Sandra – comentou a ruiva, assim que a morena se afastou – ela é louca pelo Jonas...
– Eu já percebi – respondeu Verônica.
– Mas não esquenta com ela – continuou a ruiva – ele nunca deu muita bola pra ela. O máximo que faz é se embolar com ela de vez em quando, quando ele e o Brian estão de passagem por aqui, se é que me entende...
Verônica baixou a cabeça, constrangida. Não queria saber o que Jonas e a morena faziam.
– E eles – perguntou a falsa princesa – já se conhecem há muito tempo?
– Há alguns anos – respondeu a ruiva – você acredita que houve uma época em que a coitada cismou que ele a levaria daqui e se casaria com ela? – riu a ruiva, sarcástica – coitada mesmo.
– É mesmo?
– Devaneios dela, chéri – continuou a ruiva – os homens não querem nada sério conosco, Verônica. Nós, mulheres da vida, quero dizer. O que eles querem é apenas se divertir. Nada mais. Jonas pode ser amável, mas não deixa de ser um homem. Imagina se ia querer uma “quenga” como esposa e mãe de seus filhos – completou a ruiva, antes de cair na gargalhada.
– E vocês? – indagou Verônica, com cuidado – não se incomodam com isso? Com a posição de vocês?
Marisa suspirou, antes de responder – A gente se acostuma, chéri. Sabe, eu já sonhei em sair daqui e ter uma vida direita, mas também nunca tive a sorte de encontrar um homem que prestasse. Eles parecem que não existem. E a maioria deles nos vê como objetos. Uma hora se divertem conosco, e na outra nos humilham e nos tratam como lixo. Alguns até batem, sabia?
– Eles... batem em vocês? Meu Deus...
– Xingam... batem... já apanhei de alguns trastes nessa vida. Poucos são os que nos respeitam. Brian e Jonas são dois desses.
Enquanto conversavam, outras mulheres se aproximaram delas. Muitas eram amáveis. Verônica passou a se sentir bem na companhia delas.
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Quando voltaram, Brian tratou de se distrair com alguma coisa, enquanto Jonas ficou curioso ao ouvir vozes e risadas de mulheres. Verônica estava entre elas, o que o deixou surpreso. Curioso, ele se aproximou para ouvir o que elas diziam, mas não deixou que elas percebessem...
– Então, Verônica, quer dizer que você está à procura de um rapaz, chéri? – indagou Marisa.
– Bom... sim – respondeu a princesa.
– Um namorado? – continuou a ruiva.
– Na verdade, um noivo – respondeu a princesa – mas a gente não...
– Oh, que maravilha! – exclamou uma outra, sorridente.
– Nossa, que romântico! – comentou uma outra.
– Então, quer dizer que você veio de tão longe atrás desse noivo? – indagou uma quarta mulher – nossa, que bela história de amor.
– Bom, meninas... – falou a princesa, mas foi interrompida outra vez por uma das mulheres. Jonas, então, se afastou. Já havia ouvido o suficiente para saber que ela, na verdade, ainda pensava, sim, no noivo rico e príncipe. Cabisbaixo, ele se retirou dali, decepcionado. Sentiu-se um tolo. "Como pude ser tão idiota?" ele pensou.
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Quando Verônica encontrou Jonas no quarto dele, ela correu para abraçá-lo...
– Por onde andou? Estava com saudades...
– Precisava sair um pouco... – respondeu ele, evitando abraçá-la – e você, ficou bem?
– Fiquei – respondeu ela, afastando-se para fitá-lo – só queria ir logo embora daqui... quando vamos poder voltar para a cidade?
– Em breve... – respondeu ele, se desvencilhando dos braços dela.
– Está tudo bem? – perguntou ela, estranhando a atitude dele.
– Está – respondeu ele, dando-lhe as costas – e você parece com pressa...
– É que, você sabe... vim de longe... preciso encontrar algo ainda, Jonas...
– Alguém, você quer dizer.
Verônica não respondeu. Só o encarou, intrigada com a atitude dele.
– O seu noivo – concluiu Jonas, evitando encará-la.
– Bom, Jonas, Jerome é... na verdade...
– Jerome. Então esse é o nome dele – concluiu ele, a cada minuto mais decepcionado e estranhamente irritado.
Verônica fitou-o, sem saber o que dizer.
– Jonas...
– Sim, eu já entendi – respondeu ele, voltando-se pra ela – você precisa encontrar o seu noivo. E quer a minha ajuda pra isso.
– Bom, Jerome é francês – comentou ela, sem ter o que dizer – um príncipe francês. Ele vai tomar posse da coroa quando o pai morrer e...
– E você vai se casar com ele.
– Bem...
Verônica passou a língua nos lábios, nervosa. Jonas estava entendendo tudo errado, mas ela não podia contar-lhe toda a verdade. Não naquele momento. Ela, então, não sabia o que fazer, ou mesmo, o que dizer.
– Jonas, não queria que você pensasse que...
– Eu não estou pensando nada – respondeu ele, fitando-a – só queria entender por que você não se lembrou desse seu noivo francês enquanto trepávamos ontem à noite.
– Como é?
– Já entendi a sua, princesa. Você quer alguém para te servir de apoio e segurança e para te levar sã e salva até o seu noivo almofadinha. E o trouxa aqui caiu direitinho. Está certo. Eu mereço. Quem manda eu ser besta, né?
– Você disse... trepou?
– Oh, yeah. Por quê? Me desculpe, é um termo muito chulo pra você. Bom, acontece que eu sou um cara da plebe e não da realeza. E que eu me lembro, a gente trepou, sim, ontem à noite. Aliás, você me pareceu muito...
Antes que Jonas terminasse a frase, Verônica deu-lhe uma bofetada.
Com a mão no rosto, ele fitou-a, surpreso.
– Cretino – xingou ela – quem você pensa que é pra falar assim comigo? Seu... grosso.
Jonas manteve a mão no rosto, fitando-a.
– Sabe o que você é, Jonas Marra? Um canalha. Um verdadeiro canalha. Um mau caráter. É isso o que você é. E eu sou uma burra por ter acreditado em você... por ter acreditado naquela sua conversinha mole... – ela, então, controlou o choro – sou uma burra mesmo por ter confiado em você e ter me... me entregado a você. E você... você não passa de um maldito cretino rude e grosso. E quer saber o que mais? Você foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Vai pro inferno.
Verônica, então, retirou-se do quarto e Jonas sentiu-se mal por ter sido tão estúpido. Percebeu que fora infeliz nos comentários.
Já em seu quarto, Verônica trancou a porta e não conseguiu controlar o choro. Ninguém nunca a havia tratado mal daquela forma. Jonas realmente a magoara. O termo que ele havia usado tinha sido horrível. “trepar”. Então, quer dizer que eles simplesmente treparam? Não fizeram amor? Foi apenas uma relação sexual qualquer para ele? Poxa, ela havia se entregado a ele. Havia confiado nele. Pra quê? Pra ele tratá-la daquela forma? Pra humilhá-la? Jonas havia jogado aquilo tudo na cara dela, como se ela fosse uma daquelas prostitutas do bordel. Decepcionada, Verônica chorou. Chorou até soluçar. Então foi para aquilo que ele a havia levado até ali? Para seduzi-la e usá-la como se ela fosse uma qualquer? Aliás, naquele momento, era assim mesmo que ela se sentia. Uma qualquer.
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Mais tarde, Brian entrou no quarto e encontrou Jonas, deitado, de botas e tudo, em cima da cama. Ele parecia pensativo.
– Vai ficar aí o dia inteiro, enfurnado no quarto? Que foi, man? Aconteceu alguma coisa?
Jonas encarou o amigo.
– Brian, me deixa. Me deixa porque hoje eu não estou bem.
– Foi alguma coisa com a princesa? Ela acabou de sair. Disse que estava indo embora. Já sei, vocês brigaram.
– Eu não quero falar sobre isso – respondeu Jonas, cruzando os braços.
– É, man, mas ela tá indo embora. Pensei que você estivesse apaixonado. O que houve?
Jonas apenas encarou o amigo. Limitou-se a fitá-lo. Depois, desviou o olhar, como quem não quisesse papo.
– Djonas, seja lá o que foi que aconteceu, vocês podem se acertar. Além do mais, não é legal deixar uma princesa andando sozinha por aí. Não estamos mais no centro da cidade, man.
Jonas, desviou o olhar outra vez, pensativo.
– Djonas...
– Brian, o que você quer? Ela já foi embora, não já foi? Quer que eu faça o que agora?
– Bom, não sei, man, mas o Djonas que eu conheço iria atrás de uma princesa indefesa. Ainda mais se a tivesse levado para a cama.
– Ela não quer nem ver a minha cara — respondeu Jonas — nem se eu estivesse pintado de ouro... talvez seja melhor assim. Você estava certo, dude. Ela só quer mesmo encontrar o noivo francês. E eu sou um estúpido, um cara rude e grosso, como ela mesma falou. Não ia dar certo.
– Ok, man, mas eu ainda acho que você devia ir atrás dela.
Silêncio.
– Ela foi há muito tempo?
– Há alguns minutos. Quando entrei, ela já havia partido.
– E por que você não foi atrás dela?
– Oh, Djonas, eu não sou bom nisso, em convencer as pessoas... você sabe. Mas se eu fosse você, eu iria.
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