Uma Aventura de Amor
2 Capítulo 2
Eles três já estavam caminhando há algumas horas e não saíam daquele bosque – Será que a gente não pode parar pra descansar um pouco? — comentou Verônica — tô cansada.
– Vocês mulheres não têm estrutura pra isso – falou Brian pra ela – eu avisei que não seria uma boa ideia, Djonas.
– Só queria descansar um pouco – respondeu ela – a gente tá andando há mais de uma hora e nada de sair desse lugar...
– Bom, Djonas — falou Brian — agora vou ter que concordar com ela. É melhor a gente parar um pouco e aprontar uma fogueira, man. Logo logo vai anoitecer.
– Tá certo — respondeu Jonas — vamos parar por aqui.
Verônica, então, se acomodou numa pedra, exausta. Sentada, ela os observou agitados, procurando pedaços de madeiras – O que estão fazendo? — quis saber ela.
– Temos que armar uma fogueira – respondeu Jonas – vamos ter que passar essa noite aqui.
– No bosque? Como assim? – falou ela.
– Não vai dar tempo de chegarmos até à cidade antes do anoitecer – explicou Jonas – já vai ficar escuro e muito frio também. Precisamos nos acomodar aqui e esperar pela manhã.
– Eu não acredito que vamos ter que passar a noite dentro do mato – falou ela – e as cobras?
– Elas também dormem, alteza – respondeu Brian – não se preocupe com isso.
– Além do mais – falou Jonas – elas não gostam de fogo. Não vão se aproximar da fogueira.
– Vocês têm certeza disso? – perguntou ela, insegura.
Pensado em ajudá-los, Verônica levantou-se e começou a procurar madeiras também.
– O que está fazendo? – perguntou Jonas, fitando-a, surpreso.
– Tentando ajudar – respondeu ela, não sabendo se devia mesmo fazer aquilo.
– Não achei que princesas carregassem madeiras – respondeu ele.
– Sabe de uma coisa? Nem todas as princesas são frescas como você imagina – respondeu ela, com um sorriso no canto da boca, antes de se afastar dele. Ele ficou a observando. Que garota, afinal, era aquela?
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Em frente à fogueira, os três se esquentavam enquanto conversavam.
– O que vocês fazem da vida, hein? – perguntou Verônica, de repente.
– Por que quer saber? – perguntou Jonas, deitado bem próximo à fogueira.
– Nada – ela respondeu – só curiosidade.
– Nós somos ladr... – respondeu Brian, até que se deu conta do que estava falando – quer dizer...
– Mercadores – falou Jonas, antes que o amigo falasse outra besteira – vendemos as coisas que outras pessoas não querem.
– Eu sei o que fazem os mercadores — respondeu ela.
– Ah, mercadores – zombou Brian – sei. Por que não conta pra ela Djonas?
– O quê? – indagou Verônica, curiosa.
– A gente vende muita coisa legal, sabe? – falou Jonas – muita coisa interessante. E percorremos as cidades todas.
– Devem ganhar muito dinheiro – comentou ela.
– Nem tanto – respondeu Jonas – é uma carreira um tanto quanto injusta, sabe...?
Um silêncio.
– E você, princesa, o que faz no seu castelo? – quis saber Jonas, fitando-a. A claridade da fogueira mostrava-lhe.
– Me chame de Verônica – pediu ela
– Como quiser – respondeu Jonas
– Bom, eu faço muitas coisas interessantes – respondeu ela – lavo, cozinho, passeio, pinto, cuido dos jardins...
– Você lava e cozinha? É sério? – perguntou Brian – pensei que nos castelos haviam criados pra isso.
– E há – respondeu ela – muitos, aliás... mas não sei se vocês perceberam, eu não sou uma princesa comum. Sou independente. Sei me virar.
– Já percebemos – falou Jonas – e pelo jeito, gosta de se meter em encrenca também.
Ela riu, antes de responder:
– Às vezes.
Silêncio.
– Bom – falou Brian, bocejando – a conversa tá boa, mas eu vou dormir. Tô cansado demais. Boa noite pra vocês.
– Boa noite – responderam os outros dois.
Outro silêncio tomou conta do lugar por mais alguns minutos, e eles podiam ouvir o estalar das chamas.
– Então — continuou Jonas – quer dizer que você quer encontrar alguém na cidade. Posso saber quem?
– Bom – respondeu ela, insegura se devia falar – um rapaz...
– Ah, um rapaz? – perguntou ele – namorado?
– Na verdade, um noivo.
– Ah – respondeu Jonas, desanimado. Não sabia da onde tinha tirado a ideia de que podia conquistar aquela garota. Imbecil, ele pensou. Ela não era uma garota qualquer. Era uma princesa. Como pudera ter sido tão sem noção assim? Agora ele sentia-se um bocó. Verônica, com certeza, estava indo atrás de um namorado. Noivo, como ela mesmo disse. Talvez tivessem combinado de fugir juntos. Ou talvez o tal cara nem saiba que ela, aquela mulher linda, estava indo ao encontro dele, e iria propor uma fuga... bom, não importava...
– Bom – falou ela, interrompendo os pensamentos dele – acho que vou dormir também... boa noite, Jonas.
– Boa noite – respondeu ele, observando-a fechar os olhos e se encolher toda. Ela era linda, ele pensou outra vez. Mas não era pra ele. Imagina se uma princesa ia querer alguma coisa com um maldito ladrão. Jonas riu. Como pôde ser tão imbecil? Até que, sem perceber, ele acabou pegando no sono também.
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Verônica despertou no meio da madrugada com um barulho. Era um bicho. Só podia ser um bicho. Sentou-se e olhou em volta. A claridade da fogueira mostrava-lhe algumas coisas, mas nem tudo. O lugar era puro mato e, mais uma vez, ela desejou estar deitada na sua cama quentinha no castelo. Os dois rapazes estavam adormecidos. Brian bem afastado dela, e Jonas logo ali perto. O barulho pôde ser ouvido de novo. Verônica estremeceu de medo. Era uma cobra. Só podia ser uma cobra. Ela tinha pavor de cobras. Elas eram tão horríveis, tão nojentas... tão traiçoeiras... e se uma se aproximasse dela, como aquela de mais cedo? Ela morreria só de imaginar, teria um troço no coração. Amedrontada, ela se aproximou de Jonas, que estava adormecido.
– Jonas – sussurrou ela, tocando-lhe o braço levemente – acorda...
Ele estava mesmo adormecido, pois não moveu uma palha. Então, ela deu-se conta que precisaria balançá-lo com mais força – Jonas, acorda – sussurrou ela, balançando-o com força, fazendo-o acordar, sonolento – Hã... o que foi?
– Tem uma cobra aqui – sussurrou ela, olhando em volta – tô morrendo de medo...
– Cobras não gostam de fogo... – murmurou ele, sonolento, voltando a fechar os olhos.
– Não consigo dormir – sussurrou ela, amedrontada – e se ela nos atacar? Faz alguma coisa...
– Ela não vai atacar... – balbuciou ele, antes de voltar a pegar no sono. Verônica, então, olhou à sua volta outra vez, e sem pensar duas vezes, fez algo que jamais pensou que faria: acomodou-se perto dele, na frente, como se fossem dois namorados dormindo de conchinha, e tentou se acalmar um pouco. Jonas não acordou. Sequer abriu os olhos. Ela só teve o trabalho de ter que retirar o braço dele toda vez que esse caía em cima dela. Isso acontecia a cada cinco minutos. Até que uma hora ela desistiu de fazê-lo. E por incrível que pareça, gostou daquilo. Gostou daquela sensação de proteção que o braço dele em cima dela proporcionava. Até o medo da cobra passou um pouco. Ela, então, segurou a mão dele. Era uma mão grande, forte, macia... começou a imaginar coisas que não devia. Como por exemplo, ele a segurando e depois a beijando. Parou. Tentou parar de pensar naquilo. Onde já se viu? Mal conhecia o cara. Sequer sabia de onde ele vinha. E se ele fosse um bandido? Um bandido lindo, por sinal, e muito corajoso também: salvou-lhe a vida duas vezes em menos de dez minutos. Ela riu. Tinha braços fortes, ela pôde sentir quando ele a carregou. “Ai, Verônica, para de pensar besteira”, pensou ela. “concentre-se em sua missão”. Verônica então fechou os olhos, e relaxou, até que pegou no sono.
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De manhã, Jonas despertou, e ficou surpreso quando viu a moça dormindo entre seus braços. Desvencilhando com cuidado dela, para não acordá-la, ele conseguiu levantar-se.
– A noite foi boa, hein – comentou Brian, sentado em uma pedra, vigiando-os. O amigo estava chupando uma laranja e parecia muito bem humorado. O que uma noite de sono não fazia? Jonas não se deu ao trabalho de responder à gozação do amigo. Tratou de ficar de pé, que o dia prometia.
– O que a gente vai fazer com ela, hein, Djonas? – perguntou Brian quando o amigo se aproximou – tem certeza que foi uma boa ideia?
– Queria que fizéssemos o que, Brian? — respondeu ele — largássemos a garota aqui no meio do mato à própria sorte?
– Não, man, claro que não — respondeu Brian — mas não vejo necessidade de seguirmos com ela. Djonas, nós somos dois fora da lei. Esqueceu? O que vamos fazer com uma princesa na nossa cola?
– Brian, relaxa – respondeu Jonas – vamos fazer o que foi combinado. Vamos levá-la até à cidade e de lá, a gente segue o nosso caminho e ela o dela.
– Ok – respondeu o amigo – assim espero.
Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, e o canto dos passarinhos podiam ser ouvidos.
– Bom dia – falou Verônica, de repente, fazendo os dois rapazes voltarem-se pra ela – acho que eu dormi demais...
– Bom – respondeu Jonas – nem tanto.
– Eu não sou de acordar tarde – comentou ela, levantando-se – é que acabei demorando a pegar no sono ontem...
– Sei – respondeu Jonas – as cobras, né?
Ela sorriu, sem graça – Você me desculpa, mas eu tenho pavor de cobras.
– Já percebi – respondeu Jonas
– Acho que todas as mulheres têm – respondeu Brian – não esquenta. E até alguns homens também. Toma, alteza – e entregou-lhe uma fruta – coma alguma coisa, que nossa viagem vai ser longa.
– Obrigada – respondeu ela, antes de morder a maçã que ele entregou-lhe.
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