Enquanto eles três caminhavam, os dois amigos conversavam divertidamente, indo na frente. Verônica mal conseguia acompanhar os passos deles, mas se esforçava.

– Posso perguntar uma coisa? – falou ela, indo atrás deles – o que é isso que vocês carregam na cintura, hein?

– Isso? – virou-se Jonas, apontando para a própria cintura – é uma espada.

– E pra que vocês precisam de uma espada? – ela quis saber.

– Ora, ela é muito útil – explicou ele, seguindo em frente – há muitos mal feitores espalhados por aí, em todo lugar. Temos que estar sempre preparados.

– Com certeza – respondeu o amigo.

– Sei... – respondeu ela.

– Nós também temos facas – falou Brian, orgulhoso – e pedras. Quer ver?

– Não sabia que mercadores precisavam disso – falou ela.

– O mundo é cruel, Verônica – respondeu Jonas – é por isso que devemos estar sempre preparados. Nunca se sabe o que pode acontecer hoje, amanhã, ou mesmo daqui a pouco...

– E vocês... – continuou ela, tentando acompanhar o passo deles – usam isso com que frequência?

– Bom – respondeu Jonas – depende... mas só quando a gente acha que é necessário mesmo.

O amigo, então, riu.

– Lembra-se daquele episódio, Djonas, que o im... – falou Brian, antes de ser puxado, de repente, por uma corda e ficar pendurado numa árvore. Jonas afastou Verônica com a mão.

– Djonas! – gritou o amigo, desesperado, pendurado de cabeça pra baixo – me tira daqui.

– Oh, meu Deus – gritou Verônica, assustada – o que foi isso?

– Uma armadilha – respondeu Jonas, puxando a espada da cintura – calma, Brian – pediu ele, antes de cortar a corda e fazer com que o amigo caísse que nem uma fruta madura de cima da árvore. Brian gemeu de dor.

– E então, tudo bem, dude? – perguntou Jonas.

– Oh, sim, man – respondeu o amigo – obrigado.

Jonas, então, virou-se pra Verônica, que a essa altura, estava com os olhos arregalados.

– Tá vendo como a gente tem que estar sempre preparado? — falou ele.

Pensativa, ela concordou. Em seguida, eles continuaram caminhando.

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O sol brilhava no céu e o calor era forte. Logo eles encontraram um rio. Os três concordaram em parar um pouco para descansar.

– Ah, nada como um banho... – exclamou Brian, tirando os sapatos e entrando na água com roupa e tudo. Jonas imitou o amigo, só que tirou a camisa primeiro – Você não vem? – perguntou ele à Verônica.

– Não, obrigada – respondeu ela, um pouco desconfortável – vou ficar só olhando.

– Tem certeza? – gritou ele, entrando no rio – a água tá ótima.

Sim, a água devia estar mesmo ótima, pensou Verônica. Mas como ela poderia se banhar com eles ali? Impossível. Não se sentia à vontade. Mas, ahh, como ela desejava entrar naquela água... sentia inveja deles naquele momento.

– Vem, alteza – gritou Brian – a água tá boa!

– Ela deve estar com medo, dude – zombou Jonas – talvez não saiba nadar.

Verônica, então, se aproximou do rio. O máximo que pensou em fazer foi tirar os sapatos e colocar os pés na água. E foi exatamente isso que fez, enquanto os dois amigos se divertiam dentro do rio.

– Ei – gritou ela – vocês não vão ficar aí o dia inteiro, né? A gente precisa seguir viagem.

– Relaxa – respondeu Brian, enquanto Jonas já havia sumido da vista dela – o dia tá ensolarado ainda. Falta muito pra escurecer.

– Eu sei, mas... – falou ela, antes de ser puxada, de repente, para dentro d'água. Assustada, Verônica, viu-se dentro do rio. Jonas e Brian davam gargalhadas.

– Seu... seu cretino! – esbravejou ela, fitando Jonas, que se divertia. Verônica, então, saiu do rio, com um pouco de dificuldade por causa do vestido molhado, que estava pesado. Os dois amigos continuaram se divertindo com o episódio.

– Volta, princesa – gritou Jonas – a água tá boa.

Com raiva, ela tentou se recompor, mas estava completamente molhada. Verônica tentou secar o vestido com as mãos, mas era impossível. Fuzilando Jonas com o olhar, ela gritou:

– Muito idiota essa sua brincadeira, sabia? Não tinha outra coisa melhor pra fazer, não?

– Relaxa – gritou ele de volta – o dia tá lindo, a água tá boa... vem.

– Estúpido – gritou ela – olha o que você fez! Tá satisfeito? Estou toda molhada!

– Daqui a pouco seca – gritou ele – deixa de frescura, princesa.

– Eu não falo mais com você – gritou ela, revolta.

Os dois amigos continuaram se divertindo. E se banhando.

****************

Quando Brian e Jonas finalmente saíram do rio, a hora já estava avançada e eles encontraram a moça, ainda emburrada, tremendo de frio. – Ainda zangada? – perguntou Jonas à Verônica, que se recusou a responder.

– Acho melhor a gente ir – comentou o amigo, calçando os sapatos – pode ficar tarde...

– Eu quero saber como é que eu vou embora assim – comentou ela, mostrando a roupa molhada – eu estou toda molhada! Será que vocês não veem?

– Já já seca – respondeu Jonas – calma. Ainda tem um pouco de sol aqui. Olha ao redor.

– A minha roupa não está só molhada, está TODA molhada! – continuou ela, furiosa – consegue entender a diferença? E eu não tô vendo mais nenhum raio de sol aqui. Só se for no seu mundo divertido, mercador.

– A gente dá um jeito – falou ele, percebendo a seriedade da situação – calma.

– Eu estou calma – respondeu ela, com os braços cruzados – muito calma até.

– Certo – falou ele – eu tive uma ideia – e tirou a camisa do corpo – toma. Veste. Ela tá seca. Fique com ela até seu vestido secar.

Verônica pensou um pouco, contrariada, mas resolveu pegar a camisa da mão dele. Não tinha muita escolha. Era aquilo ou ficar com a roupa toda molhada sabia Deus até quando.

– Vou precisar me trocar – anunciou ela, séria.

– Tem árvores aí – respondeu Jonas – pode ir pra trás de uma delas e se trocar.

Ela encarou os dois amigos, e Brian logo entendeu o que o olhar dela queria dizer. Pigarreando, ele falou:

– Bom, alteza, fique tranquila – e se afastando – não vou nem ficar aqui. Vou deitar um pouco ali na beira do rio mesmo e descansar.

Quando ele se afastou, Verônica fitou Jonas.

– E você?

– Eu o quê? — perguntou ele — ah, bom, eu... vou me virar... ficar de costas – e ele se virou – pronto. Não vou ver nada.

– E como vou ter certeza disso? Que você não vai bancar mais uma vez o engraçadinho e aprontar? Acho melhor você assobiar.

– Assobiar? – perguntou ele, virando-se pra ela – quer que eu assobie? É sério?

– Claro que é sério – respondeu ela, indo para trás de uma árvore – até eu terminar... pra eu ter certeza que você não vai aprontar... aliás, já pode começar.

“Como é mandona” – pensou Jonas, virando-se, outra vez, com os braços cruzados – Tá legal... – respondeu ele, antes de começar a assobiar. Então, assobiou uma canção. Depois outra. E mais outra. E outra...

– E então? – quis saber ele – nada ainda?

– Tô terminando... – respondeu ela, atrás da árvore – continue assobiando.

– É que meu repertório tá acabando, sabe? – respondeu ele.

– Engraçadinho – zombou ela – tô acabando... – e, de repente, ela apareceu na frente dele, vestindo apenas a camisa que ele havia lhe emprestado – pronto. Acabei.

Jonas, então, por um momento, ficou abobalhado, e não conseguiu disfarçar. A fitou dos pés à cabeça. Ela estava simplesmente... sexy, com as pernas de fora, pensou ele. Uau! Ele assobiou com gosto e Verônica jogou-lhe o vestido molhado na cara.

– Desculpa — falou ele, indo atrás dela — essa camisa vestiu muito bem em você, sabia? – comentou ele – tenho que admitir... com todo respeito, claro.

– É mesmo? Mas eu não pedi a sua opinião – respondeu ela, incomodada com o fato de ter que ficar com as pernas de fora ao lado de dois homens desconhecidos – sem mais comentários, por favor.

– Tudo bem – respondeu ele – como quiser.

**********************

Eles, então, tiveram que passar mais uma noite no bosque, pois a diversão no rio foi longa demais e eles acabaram perdendo a hora. Quando se deram conta, já era de tardinha e tiveram que aprontar mais uma fogueira antes que o dia escurecesse. Verônica sentou-se numa pedra, enquanto Jonas e Brian preparavam a fogueira.

E, então? – falou Jonas – não vai ajudar a pegar madeira hoje, não?

Verônica cruzou os braços e limitou-se a encará-lo.

– Hoje ela está séria, Djonas – falou Brian, rindo – melhor deixá-la no canto dela.

Jonas riu. Era claro que estava tentando provocá-la.

– Tá certo – respondeu ele – foi só uma piada.

– De mau gosto, pra variar – falou ela – só você que ainda não percebeu que você não tem graça nenhuma.

Brian, então, zombou do amigo. E ambos continuaram a recolher madeiras.

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Era tarde da noite. Brian já estava em seu sétimo sono. Verônica, ao contrário, com os olhos fechados, não conseguia pegar no sono. Tentava, mas não conseguia. Até que, com a sensação de que alguém a estava observando, ela abriu os olhos. E deu de cara com Jonas. Ele a observava. A encarava. A comia com os olhos. Ela, então, o encarou, sem conseguir dizer nada. E ele permanecia a encarando, mudo. Os dois se entreolharam por um bom tempo, até que os olhos dele desceram até os lábios dela. Verônica ficou sem ação quando isso aconteceu, e só conseguiu acompanhar o olhar de Jonas, malicioso, faminto de desejo. Ele, então, chegou mais perto dela e ficou com o rosto quase colado no seu... e antes que ela pudesse dizer alguma coisa, ele a beijou. A beijou como nenhum homem havia lhe beijado algum dia, com desejo e paixão. Sem mover qualquer ação para protestar, ela só conseguiu fechar os olhos e corresponder ao beijo envolvente dele. Um beijo quente e sensual. E ele continuou a beijando por algum tempo. E ela correspondia. Jonas, então, segurou-lhe a nuca para assim aprofundar o beijo e beijá-la melhor. Ela sentiu-se completamente entregue a ele, que em seguida, tocou-lhe uma de suas pernas, que estavam à mostra. Verônica, então, estremeceu com o toque das mãos dele e imediatamente segurou a mão dele, evitando que ela subisse... – não – balbuciou ela – e de repente, Verônica despertou, assustada. Paralisada e sentada, ela, olhou à sua volta. Tudo tinha sido um sonho. Como poderia? Era tão real. Mas, de fato, era madrugada e ela estava ali naquele bendito bosque escuro, que só não estava tão escuro por causa da claridade da fogueira ali perto, e os dois rapazes estavam dormindo. As chamas do fogo estalavam e ela podia ouvir os estalos. Jonas estava ali, um pouco distante dela, dormindo tranquilamente. Ele dormia próximo à fogueira. Verônica pôde ver seu peito nu. Curiosamente dessa vez ela não sentiu medo daquele lugar. Não sentiu medo de barulho nenhum e de cobra nenhuma, pois sabia que nada aconteceria a ela, pois ele, Jonas, estava ali, pronto para protegê-la. Mas o que fora aquilo? Aquele sonho? Estava sonhando com Jonas? Com ele a beijando? Como podia? Afinal, ele era um estranho. Será que estava se apaixonando por ele? Por um estranho? Não, ela não podia estar gostando dele. Não mesmo. Verônica suspirou. “Calma, Verônica, você está confusa — “ele é atraente, charmoso, lindo... mas amanhã vocês irão se despedir e nunca mais irão se esbarrar... e você nunca mais o verá em sua vida”. Deitando-se outra vez, ela suspirou. Demorou um pouco a pegar no sono. E antes que os dois rapazes acordassem, ela levantou-se e trocou de roupa. A essa altura seu vestido já estava seco. Em seguida, Verônica sentou-se ao lado de Jonas com a intenção de devolver-lhe a camisa emprestada. Mas acabou se distraindo com o peito desnudo dele e, quando finalmente esticou a mão para colocar a vestimenta perto dele, ele, de repente, a puxou e a segurou pelo braço. Assustada, ela tentou se explicar – Só estava... devolvendo...

Ele, então, a soltou, e sentando-se, ficou com o peito mais à mostra. Ela tentou desviar o olhar.

– Sua roupa secou? – perguntou ele, passando a mão no rosto.

– Já – respondeu ela, levantando-se – e eu me troquei enquanto vocês dormiam.

Ele, então, vestiu a camisa.

– Vem – falou ela – preparei um café da manhã.

– Hmm – respondeu ele, levantando-se – café da manhã no meio de um bosque?

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