Tarde da noite...

Enquanto aguardavam a chegada das sereias, eles conversavam descontraidamente.

– E então, Djonas? – comentou Brian – por que você não conta aquela sua história? Você não nos contou o final, man.

– É mesmo – falou Barata – eu quero saber o que aconteceu com os guerreiros e o dragão.

Jonas não respondeu. Parecia pensativo.

– Num momento como esse – zombou Zac – e vocês pensando em histórias...

– É bom que passa o tempo... – murmurou Brian.

Silêncio.

– Onde foi que eu parei? – indagou Jonas, de repente.

– Acho que os guerreiros se preparavam pra atacar a torre – respondeu Brian, prontamente.

– E o dragão, hein? – quis saber Barata.

– Não, ele ainda não chegou nessa parte – retrucou Brian – ele parou na parte da torre...

Verônica riu. Já estava se acostumado com aquele bando e com o modo de ser de cada um daqueles rapazes.

– Pois bem – começou Jonas, de repente – desesperados pra encontrarem o tesouro, os bravos guerreiros tiveram uma grande ideia...

Todos passaram a ouvir, atentamente.

– Eles decidiram se espalhar, para que cada um fosse para um lado, encarregado de uma tarefa... – continuou Jonas – o mais rápido foi atrás do tesouro, o mais valente lutava contra os inimigos obstinados e o mais sensível... o mais sensível foi atrás da donzela indefesa.

– Que donzela indefesa? – indagou Brian, de repente – não havia donzela nenhuma na história...

– Ora, sempre tem uma donzela indefesa nessas histórias, Brian – respondeu Jonas, fitando o amigo – uma donzela esperando um bravo cavaleiro para salvá-la.

– Ou um príncipe, né... – comentou Zac.

– Tá, mas eu prefiro os cavaleiros – retrucou Jonas – eles são muito mais corajosos e não têm aquelas frescuras todas que os príncipes almofadinhas têm...

– Eu também prefiro os cavaleiros – comentou Verônica, de repente.

Silêncio.

Jonas e Verônica se entreolharam.

– Mas e o dragão? – indagou Barata, rompendo o clima do casal, com os olhos arregalados – quem vai matar o terrível dragão?

– Ah, o terrível dragão... – continuou Jonas, com ar de mistério – bom... o terrível dragão nenhum dos bravos guerreiros conseguiu derrotar sozinho... e por isso eles tiveram uma outra ideia...

– Que ideia? – indagou Brian, curioso.

– Já que era impossível a tal proeza – continuou Jonas – de matar o dragão sozinho... eles tiveram, então, a ideia de juntos fazerem isso... e assim pegarem o tesouro...

– E eles conseguiram? – indagou Barata, ansioso.

Jonas calou-se, de repente, como se algo tivesse chamado sua atenção.

– Conseguiram, Djonas? – insistiu Brian – continua, man!

– Shhh – falou Jonas, olhando em volta, e os outros quatro acompanharam o seu olhar. Um vento forte começou a soprar, de repente – são elas – murmurou ele – as sereias.

– Tem certeza? – indagou Barata, assustado – oh, mamãe...

Em seguida, alguns barulhos vindos do mar puderam ser ouvidos também, e com eles algumas risadas.

– Oh, meu Deus... – continuou Barata, já atemorizado.

Os outros três arregalaram os olhos, olhando em redor.

– Pensem em alguma coisa – sugeriu Zac – pensem em alguma coisa para distrai a mente...

Brian, a essa altura, já orava todo tipo de oração que se lembrava. Barata estremecia de medo.

Então, as risadas continuaram. Risadas que soavam ingênuas e meigas. E depois lindas vozes começaram a cantar. Músicas lindas, que eles nunca haviam ouvido algum dia. Olhando em volta, Verônica desejou não ter tanto medo. O vento soprava forte, as sereias já podiam ser ouvidas, e o barulho que elas faziam com as barbatanas também. Desejando que elas sumissem dali, Verônica não reparou que os quatro rapazes já haviam ficado diferentes de uma hora para outra. De repente, virando-se, ela levou um susto ao avistá-los hipnotizados. Todos os quatro com um sorriso bobo no rosto e com um olhar distante nos olhos. E eles suspiravam pelas sereias.

– Ei! – gritou Verônica com eles – parem agora! – e levantando-se rapidamente – vocês não veem que elas querem enfeitiçar vocês? Não escutem! É isso que elas querem!

Barata sorria, abobalhado, enquanto que Brian sorria encantado e Zac e Jonas suspiravam com as músicas suaves e lindas das sereias.

Determinada, Verônica resolveu ir até a cabine de controle para de alguma forma adiantar a velocidade do barco e se livrar daquele tormento, mas olhando o timão, ela teve medo de fazer alguma besteira e piorar tudo. Nervosa, Verônica voltou para perto dos rapazes e levou um grande susto quando viu Jonas tentando desesperadamente soltar-se.

– Jonas! – gritou ela, correndo até ele – não! Pare!

Sem responder, ele parecia completamente fora de si. Os outros rapazes, então, começaram a se debater sob as cordas, agitados, tentando soltar-se, mas em vão. Nervosa, Verônica gritou com eles, para que parassem, mas era inútil. Nada adiantava. Aflita, Verônica desejou que aquele pesadelo terminasse logo e que o navio passasse de uma vez por todas por aquele lugar, mas tudo parecia difícil. Ela pensou em correr outra vez até o timão e conzudir o barco, mas algo voltava a lhe chamar a atenção. Era Jonas, que havia conseguido se livrar da maior parte da corda. Desesperada, ela gritou:

– Jonas! Não! – e correu outra vez até ele, que com rapidez e habilidade, desvencilha-se da corda – pare! Por favor, pare!

Indiferente aos gritos dela, ele soltava-se.

– Oh, não... – murmurou ela, olhando em volta. E aflita, pensando em alguma forma de impedi-lo, ela correu para a cabine. Mas naquele barco não havia nada além de cordas e garrafas... garrafas! Pensando rápido, ela pegou uma e, voltando correndo para o centro do barco, aproximou-se de Jonas, que já estava solto e pronto para debruçar-se no barco. Verônica, então, com a garrafa nas mãos, fechou os olhos, e com a maior frieza do mundo, golpeou-o na cabeça. Foi certeiro. Em seguida, ela só pôde escutar o barulho do corpo dele estirado no chão e cacos de vidros se estilhaçarem.

– Oh, meu Deus! – gritou ela, desesperada – oh, meu Deus, eu o matei! Eu o matei! – e sentando-se ao lado dele – oh, meu Deus... Jonas?

Enquanto isso, as sereias continuavam cantando, e mais agressivas, começaram a bater com as barbatanas no barco.

Ágil, Verônica deitou-se sobre Jonas e, usando as duas mãos, fechou-lhes os ouvidos. Por algum tempo ela ficou assim, em cima dele, até que, começou a cantar. Cantou e cantou, como há muito não fazia. Jonas não se mexeu. Depois de algum tempo, Verônica levantou a cabeça e teve a sensação de que o mar já estava calmo e que tudo havia voltado ao normal. Olhando em volta, ela fitou os três rapazes, que pareciam tranquilos. Confusos, eles começaram a se mexer.

– O que foi... – indagou Brian, assustado – que aconteceu?

Aliviada, Verônica saiu de cima de Jonas e sentou-se ao lado dele.

– Que foi? – indagou Barata, agitado. Zac também parecia confuso.

Verônica, então, voltou os olhos para Jonas, que continuava desacordado ao lado dela.

– Jonas? – chamou ela, sacudindo-o – pelo amor de Deus, Jonas, acorde... fale comigo... Jonas! – e pôs a cabeça no peito dele para ver se o coração batia. Então, de repente, ele remexeu-se, para o alívio dela, que sorriu.

– Onde... – balbuciou ele, abrindo os olhos – onde... eu tô?

– No barco – respondeu ela, rindo – estamos todos num barco. Esqueceu? Acabamos de passar pelas sereias encantadas.

Com a mão na cabeça, ele não entendia nada.

– A minha cabeça... – gemeu ele – parece que vai explodir...

– Desculpa – falou ela – tive que te golpear com uma garrafa.

– Ei, vocês! – gritou Brian, de repente, chamando a atenção de Verônica – tirem a gente daqui!

Ela, então, levantou-se, e desamarrou Brian, para que esse pudesse desamarrar os outros dois. Depois, voltando-se para perto de Jonas, que já se levantava com dificuldade, ela quis saber:

– Você tá bem? Tem certeza?

– Tô... – respondeu ele, ainda zonzo – eu tô bem...

– Precisa cuidar disso – falou ela, tocando-lhe a testa – vem, que eu te ajudo – e o conduziu até uma das cabines.

Enquanto isso, após desamarrar os outros dois, Brian caiu na gargalhada.

– Nós conseguimos! – gritou ele, entusiasmado – nós passamos! Passamos pelas malditas sereias, guys! Estamos mais perto do que nunca! – e puxando Barata para dançar – ah, como eu tô feliz! Eu tô muito feliz, man!

– Tá, é? – indagou Barata, fitando Zac, que se debruçava na parede do navio.

– É, mas se eu fosse você – comentou Zac – não ficava tão feliz assim não... ainda temos muita coisa pela frente...

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Enquanto isso...

Na cabine, Verônica cuidava do ferimento de Jonas.

– Tá melhor?

– Estou.

– Que bom. Fiquei muito preocupada com você...

– Ficou? – indagou ele, fitando-a.

– Fiquei.

– Antes da garrafada ou depois disso?

Ela riu.

– Antes e depois.

– Bom saber – respondeu ele – pensei que quisesse me ver longe. Talvez afogado no mar.

– Não seja bobo. Eu nunca desejaria isso pra alguém. Nem mesmo se eu não gostasse de vo... – e interrompeu, pervebendo que havia falado demais.

Silêncio.

– Então quer dizer que você gosta de mim? – indagou ele.

– Jonas, melhor cuidar dessa testa...

Ele, então, a agarrou pela cintura.

– Jonas...

E antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, ele a beijou. Um beijo ávido e quente. Sem pestanejar, Verônica correspondeu ao beijo dele e segurou-lhe o rosto.

Cheio de desejo, Jonas, segurou-a e colocou-a em cima de uma mesa. Em seguida, ele encaixou-se entre suas coxas. Verônica, então, agarrou-lhe o pescoço. Beijando-se com paixão, eles trocaram juras de amor. Até que, de repente, ele arrancou a própria camisa apressadamente. Verônica o ajudou. E enquanto se beijavam, ela mergulhou as mãos nos cabelos macios dele, e sentia a língua de Jonas explorar cada canto de sua boca. A sensação era boa e ela não queria que aquele momento acabasse. Jogando o tronco para trás, Verônica deitou-se e ficou esperando por ele, que mantinha-se ocupado, livrando-se das roupas e peças íntimas dela. Depois, Jonas, então, com determinação, deitou-se sobre ela e beijou-lhe mais uma vez o pescoço.... o ombro... os seios... Verônica gemia enquanto o coração batia forte e a pele sentia o calor humano vindo do corpo dele.

– Eu te amo, sabia? – sussurrou ele, beijando-lhe o corpo — muito...

Com os olhos fechados e emocionada com a declaração de amor que acabara de ouvir dele, Verônica sorriu, acarinhando-lhe o rosto. Jonas, então, beijou-a mais uma vez, antes de amá-la ali mesmo, em cima da mesa.