De manhã cedo, Zac avistou Jonas debruçado na parede do navio e, então, se aproximou.

– Olhando a vista? – indagou o rapaz do capuz, fazendo o outro encará-lo rapidamente.

– Pois é – respondeu Jonas, e depois virou-se outra vez para admirar o mar.

– Esqueci de dizer uma coisa, Jonas – comentou Zac, debruçando-se também, ao lado do líder do bando – Herval está atrás do tesouro também, assim como nós estamos... a essa hora ele já pode estar tentando chegar lá. E talvez chegue primeiro que a gente.

– Você tá brincando, né? – indagou Jonas, fitando-o.

– Pois é... eu não falei nada antes porque ainda não sabia se podia mesmo confiar em vocês, mas agora... agora sei que faço parte do bando. Me sinto parte desse bando e me sinto amigo de vocês.

– E será que nós podemos confiar em você? – indagou Jonas, sério.

– Bom, eu tenho uma ideia... – comentou Zac – eu estive pensando, o Herval quer a princesa, Jonas. Ele vai fazer de tudo pra tê-la. A gente pode tentar enganá-lo e distraí-lo por um bom tempo. Assim teremos o caminho livre. Mas pra isso... vamos precisar da Verônica.

Jonas fitou-o.

– O que você tá querendo dizer com isso? — indagou ele.

– Se ela se passar pela princesa — explicou Zac — vamos poder distraí-lo e chegar na torre primeiro. Essa é a nossa única chance.

– Ela não vai fazer isso. Pode ser arriscado. E nem eu vou querer.

– É só a gente fazer direito. Pensa bem. Pode sim dar certo.

– Não sei se é uma boa ideia...

Nisso, Verônica surgiu, de repente.

– Eu faço – anunciou ela, se aproximando. Os dois rapazes fitaram-na, surpresos.

– Não deve ser tão dificil assim – continuou ela – ou é? Zac tem razão. Pode ser nossa única chance.

– Não sei – retrucou Jonas – pode não ser uma boa ideia... você vai acabar se arriscando... a gente pode dar outro jeito. A gente sempre dá.

– É nossa única chance, Jonas – insistiu Zac – eu conheço o Herval. Sei que ele não vai desistir. E eu também conheço os pontos fracos dele. Se a gente pensar direito e planejar bem, dá pra enganá-lo e distraí-lo.

Jonas ficou pensativo.

– Eu consigo, Jonas – insistiu Verônica – pelo menos, vai ser uma tentativa.

– E se não der certo? – indagou Jonas, inseguro.

– Vai dar – respondeu Zac – é só cada um fazer direito a sua parte. Podemos dividir as funções. Como na sua história. Lembra?

– Hein, amor – falou Verônica, abraçando-o – vai dar tudo certo. Confie em mim.

Um pouco contrariado, Jonas concordou.

***********

À noite, Jonas olhava as estrelas, deitado no chão do navio, com os braços sob a nuca, quando Verônica aproximou-se e deitou-se ao seu lado.

– Estava te procurando – falou ela, deitando a cabeça no peito dele, ao mesmo tempo que o abraçava – que foi? Tá pensando em que aqui sozinho olhando as estrelas?

– Nada... tá vendo aquela estrela lá? – falou ele, de repente, apontando para o céu. Verônica, então, olhou para cima, acompanhando o olhar dele – é a minha estrela da sorte – continuou ele. Toda vez que ela aparece lá em cima é porque algo de bom vai acontecer comigo, sabia?

– É mesmo? – indagou ela, divertida – e qual é o nome dela?

– Glaucia – respondeu ele, fitando o céu.

Ela fitou-o, intrigada

– Glaucia?

Ele sorriu.

– Era o nome da minha mãe – explicou.

– E você deu à estrela o nome de sua mãe? – indagou ela, intrigada.

– É que assim eu sempre lembro dela, entendeu? – respondeu ele – ela morreu quando eu tinha oito anos de idade, sabe? Então foi uma maneira que eu arranjei de homenageá-la e de também mantê-la sempre presente na minha memória.

Verônica fitou-o, com compaixão.

– Oh, Jonas, que lindo isso... aposto que ela iria adorar a homenagem.

– Pois é... – continuou ele – mas você sabe que uma vez, eu tava tão inseguro com uma viagem que ia fazer, que quase não dormia... mas então, quando chegou à noite, eu olhei pro céu e ela estava ela, aquela estrelinha ali, e no dia seguinte, tudo deu certo pra mim? Eu viajei bem, cheguei no lugar numa boa, negociei com o sujeito e ainda por cima conheci a... – e interrompeu ele, de repente o que ia dizer – quer dizer…

– Conheceu a...? – quis saber ela, fitando-o.

Ele pigarreou.

– Bom... conheci a … – e coçando a nuca – ah, deixa pra lá. Ninguém importante.

– Como assim ninguém importante? Se você estava falando de coisas boas que aconteceram na sua vida e então citou essa pessoa... é porque deve ter sido alguém importante sim. Quem era? Agora fiquei curiosa.

– Ah, não era ninguém – continuou ele, rindo – deixa pra lá.

– Fala, que agora eu quero saber – insistiu ela – você conheceu a…?

– Deixa pra lá, Verônica... bobagem minha... devia ser uma égua qualquer.

Verônica levantou a cabeça para fitá-lo melhor.

– Como assim uma égua qualquer? – indagou ela, indignada – você tá querendo me dizer que conheceu uma égua? Ah, Jonas Marra! Quer parar de mentira e me contar logo a verdade? Mas que cara de pau! Você não conheceu égua nenhuma! Foi uma mulher! Isso sim!

Ele fitou-a, divertido, antes de explicar:

– Bom... foi só uma moça... uma amiga... Berenice o nome dela.

– E o que que tem essa Berenice? – indagou ela, curiosa – que lembrança tão boa você tem dela?

– Ah, deixa pra lá... você não vai gostar de saber.

– Fala, Jonas.

Jonas voltou a rir.

– Bom, ela foi a … ela foi a minha primeira mulher na cama, sabe? Eu tinha apenas dezessete anos quando a conheci... foi ela que me ensinou muita coisa que eu sei hoje, princesa.

– Ah, é mesmo? – indagou ela, um pouco enciumada.

– Mas depois teve a Dulce, a Maria... a Jurema... a Sumira...

Verônica fitou-o, chocada. Jonas coçou a nuca outra vez, divertido.

– Eu falei que você não ia gostar de ouvir, não falei? – falou ele.

Verônica afastou-se, um pouco irritada.

– Você é um... é um promíscuo! Isso sim!

Jonas deu risadas.

E antes que ela se afastasse, ele a segurou pelo braço e puxou-a para si.

– Ah, não – sussurrou ele, beijando-lhe o ombro – você não vai me deixar agora, não.

– Para, Jonas – gritou ela, sentindo cócegas com o os lábios dele em sua pele. Ele, então, passou a beijá-la na boca. Segurando o rosto dele, ela correspondeu ao beijo apaixonado.

**********

Na manhã seguinte, Jonas encontrou o bando conversando no meio do navio. Bem disposto, ele cumprimentou a todos.

– Acho que tô um pouco enjoada... – comentou Verônica, de repente.

– Ih, será que vem um Jonas baby por aí? – brincou Brian, fazendo Jonas observar a namorada.

– Não – respondeu ela – não se preocupem. É só um enjoo por causa da viagem mesmo... é que estamos muito tempo no mar.

– Veroquinha tem razão – comentou Barata, de repente – eu também tô com vontade de vomitar... – e correu para debruçar no navio e pôr para fora tudo o que seu estômago havia rejeitado.

– Argh – resmungou Zac, fazendo cara de nojo.

Jonas, então, de repente, puxou uma espada da cintura e fitou Brian e Zac.

– Que tal um duelo de espadas agora? Só eu e vocês. Hoje é nosso último dia no mar. Quem vai ter coragem e vai enfrentar o capitão Marra nesse último dia de viagem?

– Capitão Marra, é? – indagou Brian, tirando uma espada da cintura também – veremos, então, o que esse capitão pode fazer.

– Lamento, mas eu tô sem espada – queixou-se Zac. Jonas, então, tirou outra espada da cintura e jogou-a para o rapaz do capuz. Ao pegá-la, Zac também apontou a espada para ele.

– Ora, ora – comentou Jonas – mas são dois contra um?

– Lamento, capitão – respondeu Zac – mas foi você que escolheu assim quando desafiou esses dois pobres marujos para um duelo.

– Tudo bem então – respondeu Jonas – veremos quem vai levar a melhor. Se sou eu ou são vocês.

E os três encenaram um bravo duelo de espadas, enquanto Verônica auxiliava Barata, que passava mal, debruçado no navio. E assim eles passaram o último dia no mar.