Scorpius Malfoy, um quartanista da Sonserina, parou em frente a um cartaz no meio do corredor para a biblioteca da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e mordeu apreensivo o lábio inferior. O cartaz se referia a reabertura do Clube de Duelos, e da criação de uma competição geral para premiar o maior duelista da escola, entre todos os anos. Scorpius olhou para o bilhete em sua mão, escrito em uma letra grande e redonda, e até um pouco infantil, que dizia para a encontrar na biblioteca, na sessão de estudos dos trouxas. Ele seguiu o seu caminho.

A biblioteca estava silenciosa, pois era começo de ano letivo. Poucos alunos estavam ocupando mesas ou procurando livros. Scorpius reconheceu um menino muito alto da Corvinal, do 6° ou 7° ano, Naim Yusuf, que parecia morar ali. Depois de alguma dificuldade, encontrou a ala que procurava, e avistou uma menina da sua idade, de olhos imensos e rosto redondo, lendo atentamente um livro cuja capa era o grande rosto de um leão dourado. Scorpius fez sinal a menina, que se chamava Cecilia Blackstone.

— Olá, muito prazer, eu sou o... – Começou Scorpius

— Sente-se, por favor – disse a menina em um tom educado. Ela tirou os enormes óculos e fechou o livro. Cecilia deu um sorriso amável. – Eu sei muito bem quem você é. A que devo a honra?

Ele limpou a garganta, nervoso.

— Flitwick disse para conversar com você sobre um, hã, problema que eu estou tendo – Scorpius parecia muito desconfortável. – Deixe me ser mais claro. Eu, hã, queria melhorar a minha capacidade, de, você sabe, duelos, por causa do clube e da competição e... Tudo – Ele esfregou as mãos suadas nas roupas – E, bom, eu pedi ajuda pro professor, porque ele foi já foi campeão de duelos, e ele me disse pra procurar você, porque é de longe a sua melhor aluna e... — Aqui Scorpius parou e olhou atentamente a sua interlocutora. Cecilia estava muito sem graça com o elogio de Flitwick, mas o olhava atentamente, na esperança de que ele continuasse. Mas ele não prosseguiu e se limitou a abaixar a cabeça.

— Você quer que eu te treine para o clube de duelos? – A voz de Cecilia tremia um pouco

— Sim, sim por favor! – A ênfase do menino a assustou.

— Ok. Bom eu... tenho que fazer uma coisa primeiro – Cecilia tirou da bolsa surrada de couro caramelo um saquinho de pano encardido. De lá, tirou um punhado de cartas com nomes e desenhos muito, muitos estranhos que Scorpius jamais vira. Ela as embaralhou e disse:

— Tira 12, por favor. Sem perguntas

— Ok...

Scorpius foi tirando as cartas sem nenhuma atenção especial. Estava era bastante nervoso. E se a garota dissesse não, o que ele faria? Mas nem bem ele tinha tirado seis, a voz de Cecilia o despertou de seus pensamentos:

— Ah, você está fazendo isso por causa de uma garota, não é? – Ela o olhou friamente. O rosto de Scorpius ficou branco.

— Se você não se importar eu gostaria de manter isso em particular...

— Ah, qual é Malfoy! – Cecilia deu uma risada – Não é difícil perceber. A Grande Rose Weasley, não é? Acho que é mais fácil você entrar para o time de quadribol da Grifinória do que ganhar o clube de duelos para impressioná-la, você não acha?

— Eu sou da Sonserina.

— Exatamente! Esse é o meu ponto.

— Se é assim é melhor eu ir embora. – Sussurrou ele, em um tom muito magoado. Cecilia se arrependeu tremendamente de sua piadinha idiota.

— Está bem. Me desculpe...de verdade – Cecilia olhou para Scorpius, que parecia tão pequeno e inseguro sentado ali a sua frente, nas suas vestes grandes demais para o corpo magro, magro, magro de tudo. As coisas que ele sofreu! Todos aqueles boatos terríveis, todas aquelas pessoas cruéis. Hogwarts te molda, sim, mas de uma forma assustadora. Ela odiava Hogwarts. – Olha, tira mais três cartas

Scorpius as tirou sem muita emoção.

— Está bem, está bem. Uau, que jogo bom... – ela olhou as cartas pensativa e as recolheu de supetão – É isso. Fechado

— O quê? Oi? – Ele ficou incrédulo. Piscou seus olhos atordoado e deu um enorme sorriso – Você vai me treinar?

Cecilia lhe retribui o sorriso caloroso. Ela tinha covinhas.

— Amanhã, perto da cabana do professor Hagrid. Não se preocupe, ele não vai estar. Eu quase sempre vou lá nesse horário. Sozinha – ela acrescentou.

— Claro, claro! – Scorpius apertou a mão dela muito animado.

— Então combinado. Vai ser um prazer. Me sinto honrada de uma forma esquisita...mas ainda honrada. Espero não te decepcionar.

— Acho mais provável que eu vá decepcionar você.

— Pare com isso! Primeira regra: autoconfiança. Seu dever de casa. Agora, sinto muito, tenho que ir. Preciso tratar de um assunto importante. – Cecilia se agachou para colocar as coisas em sua mochila, incluindo o livro, as cartas e um grande rolo de papel pardo e velho. – E pode me chamar de Cece ou só Ce mesmo – ela estava quase virando quando Scorpius a chamou

— Ei, Cece! – Ela se virou rapidamente – O que você viu nas cartas?

Ela deu outro sorriso retumbante.

— Se você não se importar eu gostaria de manter isso em particular... – e foi embora rindo.

Mais tarde, naquele mesmo dia, Scorpius seguiu para o salão de jantar para encontrar seu melhor e (único) amigo Alvo Severo. Tudo estava como sempre, mas as pessoas pareciam estar falando mais e mais alto do que o normal. Ele se acomodou no mesmo lugar de sempre e tentou captar o que as pessoas diziam.

— Eu soube que pegaram os quatro.

— Não, não! Algum deles conseguiu escapar!!!

— Mas são muito burros mesmo – Ouviu Scorpius de Naim Yusuf, o mesmo garoto da Corvinal da biblioteca, para a sua irmã gêmea Mona, que era da Grifinória.

Ela balançou a cabeça, concordando.

— Só podia ser aquele Potter...

Naquele momento, Alvo chegou e Naim e Mona se calaram. Alvo não reparou naquele silencio súbito e se sentou em uma cadeira bem ao lado deles. Estava muito irritado.

— Você não vai acreditar no que o idiota do meu irmão fez.

— O quê? – Scorpius largou o que estava comendo, assim como todas as pessoas em um raio de 10 metros de onde eles estavam.

— Ele e aqueles amigos imbecis apostaram que conseguiriam roubar as vassouras do time de quadribol da Lufa-Lufa, por causa do jogo de domingo. Eles estavam quase conseguindo, mas Filch apareceu e pegou eles no ato. Possivelmente alguém delatou. Isso foi no final da tarde. Agora está todo mundo lá, incluindo o meu pai. Nunca o vi tão furioso assim. – os cochichos recomeçaram com mais força – O grande James Potter – debochou Alvo – Ei, onde você estava agora antes de jantar?

— Eu? Estava estudando, claro

— Você sabe que é um tremendo nerd, não sabe?

— Aham – Mas Scorpius não estava mais prestando atenção nem em Alvo e nem dos absurdos de James Potter. Seus olhos seguiam Rose, que acabara de entrar no salão. Devia estar fazendo um papel ridículo a encarando daquele jeito, porque logo viu que Cecilia o olhava e ria. Ela piscou e acenou para ele. Scorpius conseguia ler em seus lábios “Amanhã”. Ele acenou de volta, animado.

— Quem é aquela? – Perguntou Alvo, de boca cheia

— Cecilia Blackstone. Do nosso ano, lembra? Da Corvinal.

— Aaaah sim – Ele parou um pouco – Bonita.

Scorpius deu de ombros

— É... – E se virou para olhar Rose mais uma vez.