Uma Aprendizagem
2 Um Confronto
Era um domingo de sol e o verão dava o seu último respiro. Os alunos da Grifinória e da Lufa-Lufa faziam uma algazarra no salão principal. Era dia de partida de Quadribol. Todos estavam à beira de um ataque de nervos. Membros de ambas as casas trocavam insultos e farpas. Depois do episódio fracassado de sabotagem de James todos andavam muito desconfiados e planejavam armadilhas uns para os outros. Um único veterano da Lufa-Lufa, um sextanista francês chamado Fritz, tentava acalmar os ânimos, sem muito sucesso.
Mas isso não importava para Scorpius e Alvo. Eles odiavam quadribol e qualquer outra atividade que reunisse mais de 20 alunos de Hogwarts em um só lugar. Aprenderam ao longo dos anos a amarem e desfrutarem da paz silenciosa do castelo e do salão comunal da Sonserina em dias de jogo. Mas qual não foi a reação quando, em meio ao café da manhã, Scorpius soltou que, só dessa vez, queria ir ao jogo. Alvo ficou estarrecido.
— Isso é sério?
— A gente não tem mais onze anos Al. Não precisamos fazer tudo absolutamente juntos – Scorpius parecia irritado
— Mas é uma tradição! – Al estava irredutível – Eu, você e o castelo só pra gente, sem todas aquelas pessoas horríveis...
— Você quer POR FAVOR parar de ser tão egoísta? Nem tudo é sobre você, mas que droga! Eu vou no jogo sim. Não preciso ter medo dos outros igual você tem, pelo menos não mais...
— Medo, quem falou de medo???? O que deu em você? – Al estava muito nervoso. O salão estava quase vazio, mas as poucas pessoas ali olhavam para eles – É a garota, não é? Blackstone! Ei, Scorpius, não dê as costas para mim!!!
Mas Scorpius já estava longe. Não suportava Alvo sendo tão mesquinho e nem queria ouvir ele falando mal da Cece, que foi uma das poucas pessoas que demonstraram alguma compaixão com ele todos esses anos. Conseguia ver claramente os dois agora, no dia anterior, sentados na grama após mais os treinos. Ele estava melhorando; conseguiu resistir bravos 3 minutos antes de Cece levar a melhor; uma evolução dos 30 segundos iniciais.
Eles dois falavam sobre tudo, principalmente sobre os momentos difíceis que passaram em Hogwarts. Era bom saber que alguém também odiava a escola. Em um desses dias, Cecilia virou e perguntou:
— Por que você não vai atrás dela?
Ele foi pego de total surpresa por aquela pergunta, a qual nunca tinha se feito. Afinal, o que lhe impedia?
— Por que você não se senta atrás dela nas aulas de transfiguração? Pede uma caneta emprestada na aula de história da magia? Não vai nos jogos de quadribol torcer por ela?
— Ela me odeia
— E...? Ela pode te impedir de gostar dela?
E isso ficou na sua cabeça a semana inteira. E agora estava indo para o primeiro jogo de quadribol da sua vida. A vida era realmente frágil e absurda.
Mas Alvo estava furioso. Perguntou para várias pessoas da Corvinal que passavam onde poderia encontrar Blackstone. Ninguém sabia. Sabiam que muito provavelmente ela não estava no jogo; e nem no seu dormitório e também não estava na sala comunal da sua casa. Até que uma menina de olhos muito azuis que parecia tremendamente infeliz lhe respondeu que ela provavelmente estava na torre de astronomia.
E lá estava ela. Fazia uma bela manhã. Cecilia estava sentada perto de uma janela e escrevia atentamente em um pedaço de pergaminho. Tinha dois fios brancos que pareciam vindos das suas orelhas, mas Alvo não conseguiu identificar bem o que eles eram. Ela parou quando viu aqueles olhos muito verdes de Alvo Severo Potter a encarando de forma raivosa. Ela o encarou de volta.
— Pois não senhor, no que eu posso lhe ser útil?
Cece era muito pequena, não devia ter nem 1,60. Não era magra e nem gorda e estava quase sempre um pouco descabelada, com vários fios indomáveis. O rosto de Alvo se contraiu.
— Pare com isso.
— Isso o que? – Ela piscou os olhos, fingindo inocência. Alvo ficou ainda mais furioso
— Pare, só pare.
— Eu não posso parar de fazer alguma coisa se eu não sei o que essa coisa é, sabe... – Cece se levantou e ficou cara a cara com Alvo.
— Só. PARE – Alvo agarrou Cece e a sacudiu com força. Ela deu um grito. Ele a soltou rapidamente, surpreso e envergonhado do seu próprio comportamento. Eles ficaram minutos que pareceram horas se encarando.
— Você só está com medo de perde-lo, não é? — sussurrou ela. Alvo desviou o olhar, de forma dolorosa.
— Então é isso... – Cecilia chegou perto e segurou o rosto de Alvo, com as mãos pequenas e macias, aproximando seus olhos com os deles – Você é só uma criança com medo de um dia acordar e seus amigos de repente não gostarem mais de você...
— O quê? Eu...
— Está tudo bem Potter. Eu entendo. – Ela lhe deu um pequeno sorriso o olhou com um misto de dor, pena e compreensão. Alvo se sentiu ainda pior — Mas eu queria que você soubesse que foi Scorpius que chamou por mim e não eu por ele. E se você gosta tanto dele como eu penso que gosta, o ouviria mais vezes. Ele já teria te contado os motivos.
Alvo tinha um nó na garganta. Cecilia recolheu suas coisas.
— Tenha um bom domingo.
E saiu.
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