Uma Aprendizagem

6 Potter & Potter


Alvo e Scorpius não lembravam de serem tão felizes em um ano letivo antes. Tudo estava indo tão bem para os dois que era difícil de acreditar que era real. O clube de duelos seguia de vento em polpa, e para surpresa geral — exceto para eles mesmos e Cece – Eles estavam se saindo extraordinariamente bem.

Ninguém se mostrou surpreso quando derrotaram alguns alunos do segundo ano, nem do terceiro. Mas quando Alvo enfrentou um aluno do sétimo ano, considerado um dos favoritos, e o venceu com folga, as pessoas começaram a ficar atentas. Scorpius também surpreendeu, tendo derrotado vários sextanistas com uma facilidade impressionante. Mas Rose e Cece estavam dominando a competição. Rose estava cada vez mais agressiva; um pobre menino da Corvinal do terceiro ano teve que ir para a enfermaria depois de um duelo com ela. Já tinha recebido vários avisos, mas que não surtiram nenhum efeito e ela vinha ficando cada vez mais perigosa...Enquanto isso, Cece claramente se divertia muito nos duelos, que sempre tinham feitiços engraçados. Ela era um pouco teatral e gostava de, entre outras coisas, fazer flores nascerem das pontas das varinhas de seus oponentes, que levavam na esportiva, felizmente.

Nos duelos de duplas, Scorpius e Rose estavam no mesmo patamar que Alvo e Cece, apesar de Rose nunca ter cogitado treinar e nem ao menos falar com Scorpius, as somas das duas partes ainda estavam dando bons resultados. E com Cece ao seu lado, Alvo se sentia imbatível.

Mas naquele sexta-feira ele estava andando até o salão comunal da Sonserina para encontrar Scorpius. Cece tinha cancelado o treino deles, pois tinha uma “reunião” com Flitwick e McGonagall. Alvo não quis fazer perguntas. Estava quase chegando quando um rapaz alto e bonito apareceu bem na sua frente, como que esperando por ele. Era o seu irmão, James.

— Alvo! Tudo bem? Como é que você está? – James deu um sorriso sincero. Alvo deu um passo para trás, meio desconfiado. Estava achando aquilo um pouco estranho.

— Tá tudo bem. Mesmo.

— Que bom, que bom. E... – James coçou a cabeça. Parecia ansioso para conversar – Impressionante como você está no clube de duelos. Papai vai ficar muito surpreso.

— É, vocês sempre acharam que eu não tinha muito potencial, não é?

— Não! Não! Mas que droga... Espere aí. Eu realmente não quis dizer isso, eu... – James, constrangido, baixou a cabeça. Alvo notou no olhar dele uma coisa que só vira uma vez antes: arrependimento. Agora o coração dele doía um pouco. Seu irmão estava sendo sincero.

— Ei, desculpa. Fui um pouco grosseiro agora, não era a minha intenção.

— Escuta Al – James se aproximou do irmão e colocou a mão no seu ombro – Eu sei que eu nunca fui muito legal com você e que nunca fomos amigos de verdade, mas...eu estou disposto a mudar isso. Várias coisas aconteceram comigo esse ano – e um dia vou te contar tudo – mas por enquanto eu queria pedir desculpas e fazer as pazes. Não precisa me responder agora; sei que muita coisa aconteceu no passado e que há muito no que se pensar. Mas só queria que você soubesse. Eu amo você, Alvo – e deu um longo abraço no irmão, com lágrimas nos olhos. Al sentiu também uma imensa vontade de chorar e também uma súbita sensação de acolhimento que ele poucas vezes tinha sentido antes.

Naquela noite Alvo demorou um pouco a dormir. Ficou muito tempo pensando no seu irmão, e naquela súbita, mas emocionante declaração mais cedo. O que será que deu nele? Disse que muita coisa aconteceu...e realmente parecia que ele tinha mudado. Tinha se livrado daquele trio de patetas que tinham o empurrado para aquele plano. Parou de atormentar os seus outros colegas. Alvo esperava ansiosamente que ele cumprisse a promessa e lhe revelasse essas “coisas”. James, James, James.

James. Ele sempre foi o mais carismático, o mais esperto dos irmãos e tudo para ele vinha mais fácil. O primeiro filho. Sempre foi popular em Hogwarts, desde o primeiro dia. Bonito, sim, sempre foi muito bonito. Cruel também. Mas foi só depois daquela garota...

Sim, sim agora Alvo se lembrava muito claramente da outra vez em que vira aquele olhar do irmão. Foi por causa daquela garota. Sim, sim, Sabine, ela se chamava Sabine. E foi avassalador para seu irmão.

Sabine e seu irmão foram amigos desde o expresso Hogwarts. Eles sempre andavam juntos, ele contando piadas imbecis e ela rindo. Era de uma beleza monstruosa, terrível. Alvo não gostava dela, mas James a amava. Sim, a amou de verdade, agora ele conseguia ver isso. Começaram a namorar logo no terceiro ano, não se desgrudavam nunca. Viviam andando de mãos dadas, entre cochichos e beijos. No natal de 2018, ela estava com a família deles. A mãe deles gostou dela. A avó nem um pouco. Ciúmes, claro. No ano letivo passado, o relacionamento deles já estava bastante sério. Havia boatos de noivado. Ele não conseguia acreditar naquelas histórias. Eles noivos, ela grávida. Seria isso tudo real?

Até que um dia aconteceu. Sabine sumiu. James caiu doente. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Um dia, Dominique correu até ele. Ela e James sempre foram muito próximos. E então ela contou.

Aparentemente, o tio Percy ouviu o pai de Sabine, um empregado de baixa patente do Ministério da Magia chamado Marcus, bêbado que nem um gamba, contando para um amigo o plano brilhante dele de subir na vida. Aparentemente ele instruiu a filha desde cedo para procurar por James e ser próxima dele. Ai, o que veio depois, foi um pulo. Sabine e o pai seriam parentes do grande Harry Potter. Teriam fama e fortuna. Percy imediatamente chamou Harry, que no dia seguinte confrontou Marcus, que choroso e depois de muitas ameaças, admitiu o plano. Ele foi demitido e Harry mandou uma longa carta para o filho. James nem teve tempo de confrontar Sabine. Ela saiu da escola no dia seguinte.

James ficou desolado por semanas, e inventou que ficou doente. Ele não conseguiu dormir por várias noites. Quando estavam em casa Al as vezes ouvia ele chorando no quarto, de madrugada. Ele nunca mais foi o mesmo.

A partir disso, ele se tornou muito mais cruel com os outros. Principalmente com meninas, que descuidadamente se apaixonavam por ele. James passou a trucida-las com as suas palavras de desprezo. Mal sabiam que, no fundo, ele só estava ferido. Muito ferido.

E o que será que fez ele mudar? O sono enfim venceu os seus questionamentos, e ele dormiu.

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