Uma Aposta Para Dois
5 Capítulo V - Bárbara Fernandez
– Pra onde está me levando Lucas?
– Pra festa dos ex-alunos, você não queria tanto ir pra lá? – disse Lucas, novamente com um tom sarcástico.
– Não Lucas! Mas que droga!
– Não estou te entendendo. Você não queria MESMO vir, ou é só porque você mentiu pro seu namorado? – disse parando o carro na porta da festa.
– Você é um idiota mesmo. – abri a porta.
No segundo em que saí do carro, dei de cara com Guilherme na calçada.
– Bárbara? – disse Guilherme
Apressadamente Lucas saiu do carro, deu a chave para o manobrista e me disse sorridente:
– Está entregue, espero que se divirta.
– Não acredito que fez isso. – sussurrei
– É, eu não sou mesmo confiável. – ele disse piscando um dos olhos.
Lucas foi caminhando em direção à porta, apenas parando para cumprimentar Guilherme.
– Oi amor, surpresa! – eu disse enquanto o abraçava.
– O que você estava fazendo no carro com o Lucas?
– Eu queria fazer uma surpresa pra você, como ele vinha para a festa, pedi uma carona.
– Porque não veio com seu carro?
– Porque eu ia voltar com você.
– Vamos entrar então. – disse Guilherme pegando minha mão.
Assim que entramos, Guilherme me apresentou a algumas pessoas que se diziam importantes na vida dele. Depois de algumas horas na festa notei que tinha perdido Lucas de vista. Tentei agir naturalmente, mas não consegui sossegar, tive que ir procura-lo.
– Amor, vou ao banheiro, já volto.
– Tudo bem, quer que eu te acompanhe até a porta?
– Não precisa. Me espere aqui.
Fui checar em cada canto da festa, desde o bar, até os fundos. Só havia um lugar que eu não tinha procurado. Na área vip. Das duas, uma, ou ele tinha ido para casa, ou estava lá. Logo, decidi subir e olhar.
Subi as escadas tentando não ser notada, para a minha sorte, o local era meio escuro. Quando cheguei na entrada fui barrada por não ter uma tal pulseira.
– Desculpe-me senhorita, mas não pode entrar sem pulseira. – disse o segurança.
– Está falando sério? É que eu preciso mesmo entrar aí. Não tem uma lista?
– Tem sim, vou pegá-la.
Pensei em entrar escondido, mas o que eu menos precisava era chamar atenção, sendo assim, esperei alguns segundos, e lá estava ele de volta.
– Qual é o seu nome senhorita?
– Bárbara Fernandez.
– Ah sim, seu nome está na lista. Desculpe-me pelo inconveniente. Você deve ser mesmo importante para ter o nome nesta lista. Aí dentro só tem estrelas do futebol da faculdade, líderes, entre outros... Inclusive, o senhor Bruno Fernandez, seu irmão, eu presumo, está aí dentro.
– Sim, é meu irmão, obrigada pelas informações.
Eu sabia que meu nome estaria na lista, não por mim, mas pelo meu irmão, que se encaixa na opção A do segurança. Estrela do futebol da faculdade. Foi assim que conseguiu entrar pra lá, diferente de Lucas, que só entrou por causa do pai.
Fui chegando como se estivesse em meu território. Eu não dava a mínima para quem estava ali, só queria saber se iria encontrar o Lucas.
Bingo! Lá estavam eles, sentados em um sofá, repleto de garotas, e o Lucas, estava visivelmente bêbado.
– Luponni, posso falar com você?
– Ih, sua namorada chegou Lucas, acho melhor ir. – uma das garotas falou.
– Quem? Ela? Nem se eu quisesse, ela é impossível. – Lucas disse com a voz meio mole.
– Levanta, por favor, eu quero falar com você!
– Ok, chatice!
Fui puxando ele até um lugar mais silencioso, para que pudesse depositar minha raiva sem que ninguém percebesse.
– O que está acontecendo Lucas? Você está bêbado!
– Ué Fernandez, é isso que as pessoas fazem em uma festa, qual é?! – ele disse apoiando-se na parede.
– Não, não é. Você tem que ir pra casa agora. – segurei ele pelo braço.
– Eu não vou ir a lugar nenhum contigo, sua maluca. Me solta!
– Ah! Não mesmo! Você vem agora.
Desci com ele até o estacionamento, antes, passei pelo manobrista e pedi a chave do seu Ford Maverick V8. O coloquei no banco do carona e enquanto dava a volta pelo carro, ele caiu no sono.
Vou aproveitar e ligar para o Guilherme antes que ele acorde.
O telefone chamou três vezes e ele logo atendeu com uma voz de preocupado.
– Onde você tá?
– Eu estou bem. O Lucas é que não está. Eu o encontrei no corredor, ele estava muito bêbado e ameaçando vomitar. Tinha uns caras querendo bater nele, aí eu o peguei e nós estamos indo pra casa. Quer me encontrar lá?
– E eu tenho outra escolha? – ele suspirou – Vou me despedir e te encontro na sua casa.
– Ele deve estar me odiando agora, e a culpa é toda sua Luponni, somente sua! – gritei enquanto estava a caminho de casa. – Você nem está acordado para escutar as coisas que eu estou afim de te xingar!
Olhei para o lado e senti pena dele por um segundo, apenas por um segundo, até que a raiva voltou no meu pensamento, talvez um pouco amena agora, mas o fato dele estar indefeso não fez com que eu me segurasse.
– Idiota! – sussurrei.
Chegando à porta de casa e tentei acorda-lo, mas foi em vão. Sem conseguir pensar em outra solução, o tirei do carro com cuidado e entrei pelos fundos.
– Ei, Lucas! Colabora vai. Acorda aí. – eu disse enquanto ele resmungava – Vou te levar para o quarto do Bruno.
Já sem paciência, o joguei na cama do jeito que estava. Eu sabia que nada mais ia fazer com que ele acordasse, logo, me sentei ao lado e comecei a tirar seus sapatos.
– Você é uma pessoa muito difícil Lucas. Depois de tudo que fez comigo hoje, eu não devia nem me importar com o seu estado. Mas não tem jeito, haja o que houver, eu sempre estarei cuidando de você, assim como nas outras vezes, não se lembra de nenhuma delas, provavelmente. Sempre que se desespera você enche a cara, e no dia seguinte, nunca se lembra do que aconteceu. E eu, a otária, estou sempre te ajudando. Depois ainda diz que eu não me importo. – uma lágrima escorreu no meu rosto – Eu lamento por tudo que aconteceu no passado, mas você nunca se põe no meu lugar. Eu tenho um namorado Lucas, assim como eu tinha aos 14 anos, eu não podia os abandonar do mesmo jeito que eu não te abandono. Mas pode ter certeza de uma coisa, eu não me importo com eles à metade do que eu me importo com você. – suspirei – Eu queria que escutasse isso.
– Eu estou te ouvindo.
– Mas não vai se lembrar disso como nas outras vezes.
– Uhum – ele disse sem ao menos abrir os olhos.
– Você quer um café?
– Não, que barulho é esse?
– Deve ser o Guilherme chegando.
– Ele está vindo?
– Está.
– Fala sério, ele não desgruda?
– Cala a boca! – rolei os olhos.
– Não me deixa aqui sozinho, por favor! Dorme comigo, eu juro que só iremos dormir.
– E porque eu faria isso?
– Ah, não sei. – ele bufou – Eu não consigo pensar em nada pra te dizer agora, mas, eu quero muito que você fique aqui. Finge que você me levou para o hospital e não podia ficar com o celular ligado, sei lá.
Escutei o barulho da campainha enquanto olhava para o Lucas deitado na cama implorando para que eu não atendesse.
– Sinto muito.
Levantei da cama sem olhar para trás, apenas para garantir que não haja arrependimentos. Bati a porta do quarto e desci para atender a porta.
– E ai, ele está bem? – disse Guilherme.
– Não muito. Mas pode ir subindo para o quarto que eu já vou.
– Está bem.
– Vou pegar uma toalha pra você tomar banho.
Antes de entrar no meu quarto, fui dar a última checada no Lucas, para que eu pudesse dormir sossegada.
– Está tudo bem aí?
– Não. – ele disse enrolado na toalha, pois havia acabado de sair do banho.
– O que foi?
– Ele vai dormir aí?
– Vai.
– Por quê?
– Você é quem procurou isso.
– Quer saber? Não importa o tempo que você passe comigo ou o quanto cuida de mim. No final do dia é com ele que você vai dormir.
– Olha, eu...
– Não, está tudo bem pra mim, vai lá, eu já estou legal.
– Tem certeza, porque eu posso...
– Tenho! – ele me interrompeu. – eu vou comer alguma coisa e depois dormir.
– Está bem, boa noite então.
– Só se for pra você.
Quando uma pessoa sai com outra estando namorando, ela tem medo de magoar seu parceiro, ou parceira. Eu me superei desta vez, consegui magoar todo mundo, o Lucas, o Guilherme e até a mim mesma. Bem que a Carol avisou, eu nem sei por que ainda insisto com o Lucas, toda vez que a gente tenta se entender todo mundo sai chateado. Eu deveria fazer uma escolha agora, mas eu simplesmente não tenho cabeça pra isso e nem vontade de abrir mão de ninguém. Eu queria que todos se acertassem, mas parece impossível.
Eu estava perdida em pensamentos quando Guilherme abriu a porta e me viu no corredor.
– Está tudo bem? – ele disse encostado na porta.
– Não. – eu disse olhando para o chão.
– Vem cá. – disse Guilherme enquanto me puxava para um abraço reconfortante.
– Me desculpa?
– Pelo o que?
– Você sabe Guilherme.
– É eu sei, mas não tem problema. – ele sorriu. – Vem, vamos entrar, você toma um banho, e amanhã vai estar tudo bem de novo.
– Promete?
– Prometo.
Ele já estava à vontade, pois havia entrado na frente, então se deitou na cama e ligou a TV.
Enquanto estava no chuveiro, aproveitei para pensar sobre o que ia fazer, seria estranho cruzar com Lucas no corredor amanhã de manhã quando o Guilherme ainda estiver por aqui. Mas não é isso que mais me preocupa, e sim o fato de que apesar de tudo, eu não conseguia ficar completamente brava com ele, de tantas vezes que nos desentendemos eu sempre me sentia a culpada, eu não quero me sentir assim toda vez que estou com ele.
– Amor, você está demorando, eu fiquei preocupado. – disse Guilherme ao entrar no banheiro.
– Eu já terminei. Pode arrumar a cama pra mim?
– Já arrumei, vem logo. – ele disse saindo do banheiro.
Vesti uma roupa eu fui me deitar. Sem prolongar muito o momento, dei um beijo no Guilherme, que estava deitado ao meu lado.
–Durma bem. – sussurrei.
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