Uma Aposta Para Dois
6 Capítulo VI - Bárbara Fernandez
Nossa, a Carol não para de falar. Eu até quero prestar atenção nela, mas não...
– E ai, o que você acha? – disse Carol me cutucando.
– Sobre o que? – arqueei a sobrancelha.
– Poxa Bárbara, se liga, eu estou falando.
– Eu sei amiga, me desculpe, eu estou voando.
– O que houve ontem?
– Nem queira saber...
Meu colégio tinha aula aos sábados e mesmo sem nenhuma vontade eu estava lá. Eu não queria reviver o que rolou ontem só para atualizar a Carol, então preferi ficar na minha, pelo menos por enquanto.
– Amiga, na boa, seja lá o que aconteceu, vai passar. Vamos conversar sobre outra coisa, que tal sobre seu aniversário? – disse Carol entusiasmada.
– Não vou fazer nada esse ano, não estou animada.
– Mas você estava! O que houve?
– Não força Carol, por favor.
– Já sei. Eu ouvi falar que vai ter uma baita festa na faculdade do meu primo...
– Espera! Não é a mesma faculdade do meu irmão?
– Sim! Ele te falou da festa?
– Não. – disse em um tom agressivo.
– Faço ideia do motivo pelo qual ele não te falou... – ela deixou subentendido.
– Explique-me, por favor.
– Vai rolar de tudo lá dentro, terão vários DJs e open bar... Será tipo ‘a semana do saco cheio’.
– Não sei... O Guilherme nunca concordaria com isso.
– Para de ser ridícula. Ele é seu namorado, mas não manda em você.
– Ok. Vou pensar.
– Faz o seguinte, quando minha amiga voltar, me avisa!
Carol revirou os olhos e saiu.
– Ei, Carol...
Levantei-me para ir atrás dela, quando passei pelo banheiro masculino a caminho da sala e ouvi uma voz conhecida.
– Cara, você precisa ir.
– Eu ainda não sei. Você vai?
– Mas é claro, pensa em quantas mulheres gostosas vai ter lá, você leu o convite?
– Cara, eu não tenho pensado em outras mulheres. Estou tentando ficar numa boa com a Bárbara.
Só aí eu pude ter certeza de que eram Guilherme e Rodrigo, decidi ignorar e continuar o meu caminho, até que recebi uma mensagem.
“Acabei de acordar e o Lucas ainda está dormindo. O que houve ontem depois que você saiu da festa?”
“A gente conversa quando eu chegar em casa”, respondi.
Já eram mais de meio dia, e a essa hora, haja o que houver o Lucas já estaria acordado. Ele costuma levantar cedo para caminhar na praia e depois dar um mergulho e talvez surfar. Fui até o estacionamento, e sem demora peguei o carro.
Não levei muito tempo para chegar, quando parei na porta, vi Bruno e Lucas lavando o carro na frente da casa.
– Bruno, pode me ajudar? – disse com cara de zangada.
– Está bem. – ele disse largando a mangueira.
Ao chegar à porta do carro eu o puxei para dentro pelo braço.
– Você não disse que ele estava dormindo?
– E ele estava, mas já acordou.
– Deu pra ver.
– Então porque perguntou?
– Porque eu quero entender o motivo de ter me chamado.
– Ah, hoje é sábado, relaxa.
– Não sei por que, mas eu estou com a sensação de que não devia acreditar em você.
– Você é muito desconfiada sabia? Devia parar com isso. – disse Bruno saindo do carro.
Fechei a porta e peguei minhas coisas. Estava caminhando em direção à porta quando fui atingida por um jato de água pelas costas.
– Ah, vocês só podem estar zoando. Quem fez isso? – eu disse me virando.
Estavam os dois rindo e a mangueira jogada no chão.
– Tá legal gente, muito engraçado! Eu estou falando sério.
– Não sei poxa, eu não estou com a mangueira. – disse Lucas
– Nem eu. – disse Bruno
– Então ela me molhou sozinha? Curioso.
– Não sei. – Lucas disse fazendo beicinho.
– Então tá. – eu disse entrando em casa.
Ah agora eles vão ver!
Fui correndo até a garagem, eu sabia que ali tinha guardado uma arminha de jato d’água do Bruno. Assim que achei, fui enchê-la rapidamente com tinta guache, que por acaso estava perto da tal arma. Ao terminar, fui correndo até a entrada da casa, e comecei a molha-los.
– E agora, vocês se rendem? – eu gritei.
– Eu me rendo, não fui eu, não fui eu! – gritou Bruno enquanto corria para dentro de casa.
– Ah, então quer dizer que foi você Luponni? – eu disse colocando a mão na cintura.
– É, já que meu cúmplice fugiu, sobrou pra mim né?
– Ainda bem que você sabe!
Enquanto corria em volta da casa para acha-lo, percebi que ele havia sumido, então comecei a diminuir os passos, logo, pensei que ele estaria escondido atrás da árvore, então continuei lentamente, até que ele surgiu de trás da pilastra ao meu lado, me fazendo cair no chão, e consequentemente, o fazendo cair também em cima de mim. Ficamos ali parados durante alguns segundos, um olhando nos olhos do outro.
– Você poderia...? – eu disse me referindo a ele se levantar.
– Ah, é. Foi mal.
Ele se levantou e em seguida deu-me sua mão para que eu pudesse me levantar.
– Obrigado. – eu disse
– Desculpa.
– Não foi nada.
– Não por isso, pela roupa. – ele disse apontando para minha roupa que estava toda manchada de tinta.
– Ah não! Não acredito! – eu gritei
– Isso sai né? – ele disse rindo
– Não sei, deve sair... – eu ri
Peguei a arminha do chão, e entrei com ele pelos fundos e me deparei com o Bruno na cozinha.
– Estou de saco cheio dessa cidade, cara. – disse Lucas ao Bruno.
– Nem me fale. – respondeu Bruno.
– Vamos viajar?
– Assim do nada? Pra onde?
– Sei lá, sem destino, só para dar uma arejada, segunda feira é feriado, então podemos ficar em algum lugar. O que vocês acham?
Um olhou para o outro, até que meu irmão se manifestou.
– Vamos! Vou subir e arrumar minhas coisas. – ele disse enquanto saía.
– E você Bárbara, topa? – disse Lucas
– Não sei, é meio arriscado sair assim com vocês dois.
– Confia na gente. Vai lá tomar um banho.
Respirei fundo e virei às costas.
– Essa tinta não realçou seus olhos, você tem que tirar isso. – disse Lucas gritando.
– Não teve graça. – respondi gritando também.
Subi as escadas correndo, quando cheguei ao corredor, entrei no quarto do Bruno, que estava arrumando sua bolsa.
– Acha mesmo uma boa ideia? – eu disse.
– Acho, porque não? – Bruno respondeu.
– Sei lá, digamos que ontem não saiu como planejamos.
– Cara, ele parece não se lembrar de nada. Não sei ao certo o que houve, mas ele bebeu o suficiente para não fazer ideia do que aconteceu.
– É, isso é estranho, eu pensei que ele ia ficar mais alguns anos sem falar comigo, o que aconteceu enquanto estavam na área vip ontem? — eu disse sentando na cama.
– Não faço ideia. Sinceramente, eu estava ocupado demais pra vigiar o Lucas. E não se preocupe, você sabe que geralmente quando ele toma esses porres, não se lembra de nada no dia seguinte.
– Eu sei, mas quando a noite começou, ele não estava bêbado.
– Então ele se lembra só do inicio.
– Sendo assim, ele devia estar mais bolado ainda. – eu disse levantando-me da cama.
Fui até o meu quarto para arrumar as coisas, tirei uma penca de roupas do armário, parecia até que eu ia passar um mês fora. Depois de alguns minutos, estava tudo certo para que saíssemos, a não ser pelo fato de não ter comunicado a mais ninguém. Minha mãe estava na casa da minha avó, desde o dia da festa, ela disse que só voltaria depois do feriado, mas não é essa a minha preocupação e sim Guilherme, eu não podia simplesmente viajar sem dar nenhum sinal, mas também não dava para ligar e dizer que estava viajando com Lucas, afinal, ele sabe que temos uma história.
– Está pronta? – disse Bruno.
– Estou, eu só vou ligar pra a Carol. – eu disse pegando o telefone.
Rapidamente disquei seu número, e sem pensar duas vezes liguei para minha amiga.
– Onde você está? Já rodei o colégio todo! – disse Carol
– Ai droga, esqueci de te avisar. Resolvi sair mais cedo.
– Ah, obrigada por lembrar de mim! – Carol disse sarcástica.
– Desculpa amiga, é que eu estou com um pouco de pressa.
– Tudo bem, pode falar.
Após contar resumidamente a história para ela, ouvi um barulho de buzina, seguido de um grito.
– Bárbara! Desce logo! – gritou Lucas.
– Já vou! – respondi.
– Amiga, eu acho que você deve ir sim. Vai ser bom para relaxar e é uma oportunidade para finalmente conversar com o Lucas, porém, mais cedo ou mais tarde, seu namorado vai te procurar, e o que você vai dizer? – disse Carol.
– É eu sei. Mas, provavelmente, logo em seguida ele vai te procurar, e você vai inventar alguma desculpa pra mim, certo?
– Não me ponha nisso, você sabe que sempre dá errado.
– É só você me ligar logo em seguida e me dizer o que disse pra ele, assim a história não fica trocada.
– Não, nem pensar.
– Então tá legal, eu me viro, tenho que ir.
– Juízo hein.
– Poupe-me – eu disse rindo.
Ao desligar o telefone, resolvi gravar um novo recado para a caixa de mensagem, assim, quando o Gui me ligasse, eu não precisaria me explicar.
“Alô? Aqui é a Bárbara, eu estou passando uns dias na casa da minha avó, e por aqui não tem sinal, então deixe o seu recado após o bip e te ligarei quando voltar.”
Fale com o autor