Uma Amizade Para Recordar
6 Capítulo Seis
Era uma terça-feira á noite, teríamos uma última festinha com todas as outras salas juntas. Eu estava saindo do meu quarto, e a Carolina do dela, como era do lado, ela me viu e deu um sorriso, acompanhado de palavras:
_ Oi, Barbara. Tem um tempinho para falar comigo?
_ Oi! Tenho, ainda falta alguns minutos pra festa começar mesmo. — respondi, intrigada com o que viria dela.
_ Podemos nos encontrar daqui 5 minutos em frente a pracinha, ali da frente? — ela disse me olhando.
_ Claro! Vou só dar uma palavrinha com a Bruna e já vou. — respondi.
Ela disse que sim com a cabeça e saiu. No caminho, fui pensando no que será que ela iria me falar.. talvez dar um fim em tudo mesmo, ou, não sei. Qualquer coisa que viria dela agora poderia talvez me surpreender. Fui até o quarto da Bruna, entregar um livro dela que tinha me emprestado á alguns meses, e ela estava se arrumando para a festa. Só bati na porta, deixei o livro, dei um beijo nela e sai. Fui em direção a tal pracinha. De longe, não avistei a Carolina, e imaginei que ela ainda não teria chegado.
Parei lá em frente. Os 5 minutos que combinamos já havia passado, e eu imaginei que ela não viria. Decidi esperar mais alguns minutos. Ela chegou, me comprimentou e disse:
_ Vamos sentar aqui, preciso falar com você! — ela apontou para o banco.
Sentamos ali, e o silêncio permaneceu. A noite estava bonita, e era aproximadamente umas 20h e a lua já estava no céu. Uma noite de calor, onde a luz vinha somente da lua. Olhei para cima, depois voltei os olhos para a Carolina, e perguntei:
_ Você não vai falar nada? Vamos perder o horário da festa.
_ Não sei como dizer, faltam palavras. — ela respondeu.
_ Então não fale nada, deixe para outro dia. Aliás, melhor não falar nada. Não estou afim de brigar num dia como esses. — retruquei, com a voz séria.
_ Não quero brigar também, mas é preciso que você saiba de umas coisas. Eu sei que é meio tarde para conversarmos, afinal, amanhã todos vamos voltar de viagem, e você não estudará mais comigo. — ela respondeu, de cabeça baixa.
_ Como ficou sabendo?. — eu perguntei.
_ As meninas me contaram. — respondeu.
_ Pensei que elas não falariam pra você. — eu disse.
_ Você não me contaria, eu sei. Mas elas decidiram me contar, para que eu também pudesse me despedir de você. — ela disse olhando em meus olhos.
_ Eu não gosto de despedidas. Nem com elas, nem com ninguém, por isso resolvi não contar pra você, afinal, não somos mais amigas. — eu disse, com a voz lamentável.
_ Eu sei, mas é preciso que você ouça o que eu tenho pra falar. — ela olhou para o céu, o que fez a lua refletir nos olhos escuros dela, e depois abaixou a cabeça novamente.
_ Fale.
_ Queria dizer umas últimas palavras pra você, apesar de eu não ter costume de me despedir de alguém assim. Nunca pensei que fosse dizer isso, mas: Obrigada. — ela disse.
_ Obrigada pelo que? — respondi.
_ Pela amizade que tivemos, por todos esses anos que passamos juntas. Desde a quinta série, e também na pré escola. Você sempre foi uma pessoa muito boa comigo. E agora que você está "partindo", espero que seja feliz e que consiga tudo o que você quer! — ela disse, talvez com os olhos cheios de lágrimas, mas procurei não prestar muita atenção nisso, e sim no que estava ouvindo.
Aquelas palavras soaram em meus ouvidos como uma música, nunca pensei que ouviria isso dela. Me bateu uma felicidade, e isso me fez bem. Continuei olhando pra ela e finalmente obtive uma resposta, a qual não foi a melhor mas foi de coração.
_ Não precisa agradecer, Carol. Sempre gostei muito de você e a nossa amizade sempre foi uma das melhores para mim também. Muito obrigada, e eu realmente pensei que jamais ouviria isso de você mesmo. Obrigada por tirar um pouco do seu tempo para mim, e por ter me convidado para conversar com você. Espero que seja feliz também, e tenho certeza que será. — respondi, sorrindo e grata.
_ Precisa, sim. Você sempre foi muito boa comigo, sempre deu valor pra quem nunca deu pra você, sempre insistia em nossa amizade. Você realmente me provou que não devemos desistir de algo que nos faz bem, apesar de todas as consequências. Aprendi muito todos esses anos. E quero te pedir uma coisa, de todo o meu coração, posso? — ela disse.
Naquele momento, senti um frio na barriga. Não sei porque. Algo que eu nunca tinha sentido. Respondi que sim com a cabeça, e ela me pareceu um pouco nervosa. Olhando para o céu, disse...
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