Uma Amizade Para Recordar
7 Capítulo Sete
_ Quero que você me prometa, que nunca vai esquecer de tudo que passamos juntas, de cada abraço, brincadeira e tudo. — Ela disse.
Eu não esperava aquelas palavras dela, mas de certa forma, eu já faria isso mesmo se ela não falasse. Como eu iria esquecer alguém como ela? Como poderia esquecer todos os momentos importantes?
_ Eu não vou esquecer por nada. Não sou de esquecer fácil as coisas, mesmo que você não mereça ser lembrada por mim. Desculpa dizer isso. — respondi, fria.
Ela fez que sim com a cabeça, e imaginei mesmo que naquele momento não seria necessário nenhuma palavra. Esperei alguns minutos, e ao olhar no celular, faltavam 5 minutos para a festa começar. Foi então que eu olhei para ela, e disse:
_ Faltam 5 minutos pra festa. Tenho que ir.
_ Eu também vou, combinei de me encontrar com as meninas. — respondeu.
_ Faça uma boa viagem amanhã, e tenha um ótimo ano e que o seu próximo possa ser tão bom quanto este! Que você seja muito feliz, e até outro dia, quem sabe. — eu disse.
_ Uma boa viagem para você também. Digo o mesmo pro que há de vir. Posso te pedir mais uma coisa? — ela perguntou.
_ Claro. — respondi.
_ Me dá um abraço? O último, que seja. — ela perguntou, com a voz clara.
Aquela pergunta doeu meu coração, fazia meses que eu não abraçava ela e não sei se deveria aceitar. Demorei um pouco a responder, mas, como eu não sabia se veria ela de novo, não poderia recusar, mas antes, perguntei:
_ Ainda quer o meu abraço? Me recordo que alguns anos atrás você recusava-o. — eu disse.
_ Quero. — ela respondeu, sem mais nenhuma palavra.
Olhei para ela, e ela se aproximou de mim, me abraçando forte. Quando senti aquele abraço, meu coração doeu, e percebi que era o mesmo abraço de sempre, e parece que o passado teria voltado áquele momento, todas as vezes em que a gente se abraçava todos os dias. Ela me apertou, e eu tive ela em meus braços, pela última vez, pensei. Era mesmo o fim. Ficamos, mais ou menos, uns 3 minutos abraçadas, mas eu interrompi o abraço, e digo, que se eu não tivesse soltado-a, ficaríamos abraçadas por mais minutos. Olhei para ela, e dei um beijo na bochecha dela, e disse:
_ Agora preciso ir! Tchau, se cuida.
_ Tchau. — ela respondeu, e percebi que seus olhos estavam cheios de lágrimas. Isso me afetou um pouco, mas procurei não me importar.
A caminho do salão da festa, fui pensando naquele momento, no último momento, e em todas as coisas que eu teria ouvido dela. Foi estranho, confesso, jamais pensei que ouviria aquelas palavras saindo da boca dela. Senti um pouco de raiva, mas, esse sentimento não faria bem para mim, então lembrei de todos as coisas que um dia me fizeram amar ela e o que me fez continuar a ter a amizade. Eu saberia, que de verdade, ela não lembraria de mim no futuro. Ela só falou aquelas coisas, porque queria talvez me impressionar, mas comigo, seria diferente, eu lembraria dela sempre, mesmo não querendo, mesmo negando os pensamentos.
Aquela noite foi muito boa, até eu que não gosto de dançar, acabei dançando um pouco na festa. Sentei com as minhas amigas, conversei, rimos, tiramos algumas fotos, e saímos do salão era 00h00, perdemos total a noção do tempo, e no outro dia acordaríamos cedo para voltar. Nos despedíamos com um "boa noite e até amanhã", e cada um foi para seu quarto. Entrei no meu, arrumei minhas malas e deitei. Ainda, antes de dormir, comecei a lembrar de tudo que tinha acontecido todos aqueles dias, e principalmente nessa noite. Eu lembraria daquilo pra sempre, mas no momento, eu desejaria esquecer.
Fiquei alguns minutos pensando, e logo cai no sono. Descansei bastante, e estava pronta para mais uma longa viagem de volta.
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