Um sonho estranho
2 O Labirinto
Notas iniciais
Eu agora tenho 14 anos, e só agora eu pude superar a morte do meu único amigo, eu estive vagando por 6 anos a procura de um lugar bom para viver, e agora eu cheguei a um tipo de reino abandonado, um reino sem castelo, porém um reino.
Eu vasculhei todas as casas atrás de comida e medicamentos, por sorte eu achei o que precisava, estava todo machucado do tempo em que tive que sobreviver, tive que enfaixar um olho que logo estaria bom novamente, mas até lá eu ficaria com apenas a visão de um olho, consegui me instalar em uma pequena rocha acima do chão, perto de um portão colossal com portas que brilhavam com algum tipo de líquido azul... PERA, QUE?!
Eu olhei para aquele portão gigante, e na frente dele, haviam guardas, mas eu duvidei que fossem humanos, a portão tinha um cadeado tamanho hulk, o que quer que houvesse lá, ninguém poderia entrar, e obviamente eu iria seguir as regras sem me arriscar a entrar naquele lugar misterioso.... só que não.
Eu corri até o portão e peguei a espada de um dos guardas enquanto ele estava distraído, eu o ataquei, e ele virou areia, eu fiquei espantado, mas continuei atacando os guardas que estavam ativos, levei um belo corte na barriga, pelo visto terei uma cicatriz bem grande, eu parti o guarda ao meio, que logo virou areia, os outros estavam mais fáceis, eu pude atacar um deles o derrubando no chão e enfiando a espada em sua barriga, ele virou areia, e o último, eu simplesmente peguei uma de minhas facas e joguei em seu rosto que não estava coberto com a armadura.
Eu me livrei dos guardas, mas para abrir o portão eu precisaria destruir o cadeado, mas para isto, eu precisaria de um poder bem grande, eu tive que voltar a rocha para descansar, e fiquei a noite toda encarando aquele portão, quando finalmente dormi, lembro de ter ouvido um barulho estranho e acordei, faltava meia hora para o nascer do sol, então eu peguei a espada que tinha roubado dos guardas de areia, porém a espada virou areia como eles, pelo jeito, eu teria que usar as ferramentas que adquiri ao longo de minha vida, eu corri para as ruas, tudo abandonado e revirado, eu seguia o som de alguém correndo, e quando a ouvi parar, eu subi em uma das casas para espiar, eu olhei para a pessoa que estava ali, mas eu nunca tinha visto ela antes, era um homem, deveria ter uns 22 anos, ou talvez ele apenas fosse grande, ele tinha uma roupa de lenhador, eu nunca vi um lenhador....
Eu esperei ali, ele estava sentando fazendo um monte de nada, eu pulei ali, e ele se assustou, mas... eu não falava nada, eu ainda não sabia meu nome também, ele não parecia ter medo de mim, afinal ele era um gigante comparado a qualquer um que eu já vi, mesmo considerando o fato de que eu nunca vi ninguém além de meu amigo de infância, acreditei que ele seria o maior, mas reparando bem em seu rosto, percebi que ele não era um adulto como eu havia imaginado, mas sua idade para mim continuou um mistério, eu o olhava de uma maneira que eu mesmo não entendia, era como se eu estivesse falando e ele entendesse, ele logo deu alguns passos a frente e se apresentou como bradd.
Mas agora eu te pergunto, quem diabos é bradd?
Que eu saiba, nunca conheci um bradd na vida, nem em sonhos, nem na vida real, mas não é hora de discutir nomes, ele pode perceber que eu não falava nada, e continuou falando, ele estava ali no reino a procura de comida, mas não achou nada, afinal eu já tinha pegado tudo, eu lhe dei uma lata de sardinhas que encontrei em uma das casas, ele comeu a lata inteira em poucos segundos e me agradeceu, eu fiz um sinal para que ele me seguisse, e fomos andando até o portão colossal, ele se espantou ao ver aquilo, eu apontei para o cadeado gigante mais acima, e ele parou um pouco para pensar, ficamos ali por quase uma hora, eu ia até a minha rocha, voltava, e ele não parava de encarar aquele cadeado e pensar, finalmente ele se mexeu e falou que o cadeado poderia ser aberto com uma chave, porém ele era feito de um metal raro e indestrutível, então teríamos que procurar pelo reino todo, nas casas, nas paredes, no chão, mas até aí nada, quando estávamos prestes a desistir, eu me lembrei de ter visto algo de cima da minha rocha, eu subi lá e olhei atentamente para todos os lugares, encima de um morro próximo, eu podia ver uma coisa para fora da terra, corremos até lá e desenterramos algo que parecia uma cápsula gigante, abrimos ela e encontramos a chave, ela era feita do mesmo material que o cadeado, mas afinal, o que havia lá dentro? estávamos prestes a descobrir.
Subi na minha rocha e de lá me estiquei para alcançar o cadeado, eu coloquei a chave, mas estava difícil virar, eu tive que pular da rocha para subir no cadeado e girar a chave, quando finalmente consegui, a corrente se soltou e me jogou na parede, eu caí e vi o portão destrancado, me levantei com dificuldade, e me lembrei do meu corte na barriga do qual ainda não havia enfaixado, parei um segundo para enfaixar, e então empurrei o portão com todas as minhas forças, o bradd me ajudou, conseguimos abrir, e quando eu esperava a resposta para a cura do fim do mundo, encontrei um enorme corredor a céu aberto com um jardim envolta, eu dei alguns passos a frente, e pisei em algo, ao pegar, vi que era um papel, mas era um papel estranho, eu o desdobrei e vi várias imagens, aquilo era como um manual de instruções lego, mas ele não fazia sentindo, não havia nada envolta a não ser o corredor, eu peguei o papel e segui em frente, o bradd não quis me acompanhar, ele me disse que foi muito bom conhecer outra pessoa, mas ele precisava partir, ele devia encontrar uma joia da qual esteve procurando a vida toda, e eu apenas pude acenar em despedida, e continuar andando, estava ensolarado, a poluição do mundo havia praticamente desaparecido em 6 anos, eu cheguei ao fim do corredor imenso, e dei de cara com uma parede com um monte de imagens, como se contasse uma história, eu a examinei, e depois de um tempo eu entendi o que os desenhos queriam dizer.
A muito tempo, havia um reino feliz, todos vivendo suas vidas, e comemorando suas festas, e entre essas pessoas, uma garota de cabelo azul, era mais do que eles imaginavam, durante uma noite, a garota foi possuída, possuída por um demônio desconhecido, ele a usou para destruir o reino, e quando quase tudo estava devastado, um bravo herói lançou um feitiço antigo na garota, que teve seu corpo livre, mas o demônio prometeu que ainda pegaria o corpo de volta, eles acharam que nada seria capaz de evitar isto, mas depois de uma reunião, eles resolveram esconder o corpo da garota num labirinto que seria vigiado para que ninguém pudesse entrar, ou sair, e quando o escolhido chegasse, ele poderia libertar a garota de seu tormento, a grande sorte, foi que o demônio já havia sido morto, então eu não teria que me preocupar com isso, mas eles não puderam libertar a garota depois que o demônio morreu, e ela ainda vive naquele lugar.
Era mais que óbvio que eu era o escolhido, eu era o dono do sonho, não gostou, toma leite, mas eu não conseguia achar o labirinto, quando lembrei do manual que encontrei, eu o peguei e percebi que ali estava a resposta para achar, dentre todas essas imagens, eu deveria aperta-las na combinação certa para fazer a porta se abrir revelando o labirinto, mas eu não pretendia fazer isso agora, no tempo que passei ali, já estava escurecendo, eu sai do labirinto e subi na minha rocha, a noite passou e eu fui correndo para o primeiro enigma, olhei o manual atentamente, e apertei a combinação certa de imagens, duas vezes a garota de cabelo azul, uma vez o reino, e três vezes o labirinto, a porta então rangeu e se abriu, revelando uma sala cheia de tochas, eu peguei minha mochila e segui em frente.
O próximo enigma parecia um pouco mais difícil, eu deveria descobrir uma forma de passar para o outro lado sem cair num buraco cheio de lava, o manual me deu algumas dicas:
A leste e oeste a resposta pode achar, mas escolha certo ou seu fim vai encontrar.
Eu olhei para a esquerda e para a direita, havia uma alavanca de cada lado, eu deveria apostar na sorte, quando fui puxar a alavanca da direita, eu parei um pouco e olhei o manual, lá dizia: e sem dúvidas uma pegadinha encontrar.
Agora eu entendi, olhei para cima e lá via uma alavanca, certamente as duas a direita e esquerda eram armadilhas, então abri minha mochila e de lá, tirei uma corda, joguei na alavanca e a puxei, tirei a corda, e uma ponte saiu das paredes, eu atravessei e cheguei ao próximo enigma.
Desta vez eu deveria testar minha memória, não havia dicas no manual, só uma imagem de um garoto na frente de uma parede, eu olhei a parede e então vi a história do reino toda embaralhada, eu puxei um dos blocos com a imagem do reino feliz, e a coloquei na frente, a garota de cabelo azul depois, o demônio, o herói, o labirinto e por fim o escolhido, a porta se abriu e eu pude continuar, cada passo que eu dei, me dava mais esperanças de chegar ao fim, e o próximo enigma, não era um enigma, era um desafio, o manual dizia:
Dentro da besta, tem o que precisará, derrote o monstro e ao fim chegará.
Ao terminar de ler aquela frase, meu sangue gelou, ouvi passos que faziam o chão tremer, e da escuridão, eu vi dois olhos brilhantes me observando com ódio, eu fiquei congelado de medo na frente dos olhos, quando de repente, ele começou a sair, era um dragão, ele era vermelho, cheio de escamas pelo corpo, e sua pele parecia ferro, ele tinha asas grandes, mas para minha sorte não havia espaço para voar, suas garras eram maiores do que eu, a minha volta, vários ossos de pessoas que já tinham chegado até ali, mas falharam, eu corri o mais rápido que pude envolta do dragão e pulei em sua calda cheia de espinhos, ele se sacudiu e começou a cuspir fogo em todas as direções, eu escalei suas costas e cheguei na cabeça, ele se sacudia e se batia nas paredes, eu esperei até o momento certo, e quando ele abriu a boca, eu pulei la dentro, peguei minhas duas facas e enfiei na garganta dele por dentro, ele nem reagiu, eu fui descendo até o estômago, e quando eu parei em uma parte de sua garganta, eu olhei para a esquerda e vi uma armadura e duas espadas das quais nunca vi antes, eu olhei para aquilo e dei um sorrisinho maligno >:3
Eu pulei onde elas estavam presas, e vesti a armadura com dificuldade, tentando não cair dali, peguei as espadas e as usei para subir, o dragão começou a gritar de dor, e eu percebi que ele apenas poderia ser morto por estas armas, eu cheguei em sua boca e segurei seus dentes para sair, eu pulei de sua boca e caí no chão, me levantei e encarei o dragão que estava com os olhos vermelhos de raiva, ele cuspiu fogo em mim cobrindo quase toda a sala em chamas, quando ele parou, eu olhei para mim mesmo e percebi que a armadura era a prova de fogo, eu agradeci a deus por estar vivo, e pulei para cima do dragão, ele tentou me esmagar com suas patas enormes, mas eu pude desviar, usei a minha corda para subir no dragão, e quando cheguei em sua cabeça, prendi a corda entre sua boca e sua cabeça, assim o segurando, o dragão perdeu o controle, e eu puxei as cordas o levando para a parede, eu o fiz correr o mais rápido possível, e então, ele bateu na parede a quebrando inteira, o dragão atordoado parou, foi quando peguei as duas espadas e finquei em sua cabeça, o dragão gritou de dor e desespero, um rugido tão alto que pode ser ouvido a quilômetros de distância, ele caiu no chão morto, e eu desci, no chão eu parei um segundo e vomitei, o que eu acabei de fazer aqui é algo que eu JAMAIS vou fazer de novo, eu peguei as espadas e usei para destruir a porta, como mandava o manual, e vi apenas um corredor escuro, a cada passo que eu dava por ele, as tochas iam se acendendo em volta de mim, como antes, e chegando no final, eu vi apenas uma pequena janela, eu a abri e vi um campo cheio de grama, o céu aberto, e uma cabana, era um lugar lindo!!!
Eu fiquei parado observando aquele lugar por um tempo, então olhei mais ao longe, uma garota de costas, ela estava com um vestido rasgado, e estava colhendo flores, como seria sua reação ao me ver?
Eu só tinha uma maneira de descobrir, e então eu pulei, caí no chão e rolei, eu tirei aquela armadura pesada, e guardei as espadas nas costas, fui andando no campo verde, com um céu azul, eu não conseguia acreditar no que estava vendo, comparado com toda a minha vida, eu nunca havia visto um lugar assim, e sem perceber, eu cheguei até a garota, ela parecia ter a minha idade, ou talvez um ano mais velha, ela se levantou, e ao olhar para trás, ela deu um pulo de susto e caiu no chão, eu até me assustei com o susto dela, coisa meio esquisita, mas me assustei, ela me encarava com os olhos brilhantes, como se ela soubesse que a resposta para sair de lá, estivesse na sua frente, e pelo visto ela era igual a mim, não falava uma palavra, eu dei um sorriso e peguei minha corda, fiz um sinal para que ela me seguisse, e joguei a corda na janela, onde a prendi e escalei, joguei a corda para a garota que se amarrou, eu a puxei, e a levei para fora do labirinto, quando ela viu a liberdade, deu um sorriso e saiu correndo vendo tudo, eu peguei minha mochila e a segui, quando cheguei até ela, ela andava pela praça do reino, olhando tudo, ela reconhecia sua casa da qual esteve abandonada por anos, eu fui até uma das casas onde havia achado um novo vestido para ela, ela foi até uma cachoeira da qual eu nem sabia que existia e se trocou antes de eu chegar lá, ela olhava seu reflexo na água, e arrumava seus longos cabelos, quando ela me viu, acenou, e eu acenei de volta, ficamos ali por uma noite, e no dia seguinte, partimos.
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