Notas iniciais
A partir de agora, isto não fez mais parte de meu sonho.

Eu e a garota misteriosa vagamos por um tempo, eu levava minha armadura que ganhei na luta contra o dragão, e eu nomeei minhas espadas de ceifadoras, mas ninguém sabia pois eu não falava nada, ficamos um tempo vivendo perto do mar, mas éramos nômades, vagávamos por aí sobrevivendo onde podíamos, quando estávamos andando, achamos um barco, um barco pequeno, porém nos serviria, subimos nele e o exploramos, não achamos nada, e conseguimos nos instalar na cabine, içamos velas e partimos mar a fora, seguimos a norte com o vento a nosso favor, ficamos por lá dias e dias, eu aprendi a pescar, e a garota costumava limpar o navio, quando parávamos em ilhas, nadávamos e ficávamos nela por uma noite, e então seguíamos o caminho de barco novamente, até que um dia, uma grande tempestade começou.

O barco batia de um lado para o outro, era incrível ainda estarmos de pé, as ondas cobriam o barco, e eu me escondi na cabine, eu respirei aliviado, porém percebi que a garota não estava lá, eu olhei para fora e a vi caindo do barco, eu arregalei os olhos e saí correndo, pulei do barco e a peguei no mar, nosso barco ia embora junto com nossas coisas, principalmente minhas espadas e minha armadura, quando não se via mais o barco a frente, eu olhei com tristeza para os olhos da garota que não podia fazer nada além de chorar, pensei que iríamos morrer, talvez comidos por um tubarão, talvez afogados, talvez de fome, não havia como saber, a tempestade foi embora, mas nós flutuávamos no mar sem rumo, certa hora eu acabei adormecendo, eu sonhei com meu amigo de infância, ele olhava para mim com uma cara feliz e me dizia que ainda havia esperanças, foi quando eu senti no meu sangue, ele estava vivo, este mundo onde vivíamos era um lugar enorme, talvez eu nunca o encontrasse, mas eu sabia que ele estava vivo, e foi quando me lembrei do bradd, será que ele era quem eu procurava?
Eu não sei, talvez eu jamais saiba, mas agora eu tenho esperanças, eu tenho esta garota ao meu lado, eu sinto que minha vida irá melhorar, eu sei que nada está perdido.

Eu acordei e vi uma luz, era o sol, mas estava coberto, quando minha visão melhorou, pude ver que a garota é que estava na minha frente, eu tentei dar um sorriso, mas foi quando senti uma dor enorme no braço esquerdo, ela olhava para mim com uma cara muito triste, foi quando me dei conta de que meu braço não estava mais lá, eu levantei desesperado, e percebi que estávamos em cima de uma rocha no meio do mar, estávamos rodeados de tubarões, eu não pude acreditar no que estava vendo, uma parte de mim estava faltando, era perturbador, mas eu devia superar, eu tinha que seguir em frente, mas eu não sabia como sair daquele lugar, haviam poucas chances de sobrevier, víamos uma pequena ilha bem próxima dali, mas talvez aquela fosse nossa chance, vários pássaros estavam voando por ali, e foi o que eu usei para me salvar, eu peguei uma pedra com a minha única mão, e joguei em um dos pássaros, rapidamente peguei outra e joguei em mais um, eu consegui acertar os dois, eles caíram no mar, os tubarões viram a comida fresca e foram nadando, era a nossa única chance, pulamos na água e nadamos o mais rápido possível, a garota subiu na ilha, e quando eu estava prestes a conseguir, um tubarão agarrou minha perna, eu me segurei em um cipó que estava ali perto, e comecei a chutar o tubarão com a outra perna, mas estava difícil fazer isto sem um braço, a garota tirou uma de minhas espadas, fechou os olhos e acertou-a na cabeça do tubarão, ele morreu na hora, aproveitamos para acender uma fogueira e cozinha-lo, eu tive que fazer um braço de madeira, demorou, mas eu consegui, eu podia movimentá-lo normalmente, e o prendi para que ele fosse como o meu braço normal, agora eu podia usar minhas espadas juntas novamente, o tubarão ficou pronto, e pudemos aproveitar cada pedaço, mas eu não estava nem um pouco a fim de ficar naquela ilha, então passamos a noite lá, de manhã fizemos uma canoa, com ela conseguimos navegar pelo mar com alguns animais que caçamos, e fomos seguindo até chegar em uma praia, conseguimos chegar a o que sobrou de uma cidadezinha, andamos pelas ruas, mas a cada passo que eu dava, eu ficava mais triste, eu olhava o lugar em volta, e percebia que onde eu estava, era a minha casa, eu corri pelas ruas até chegar na minha pequena casinha, o portão estava aberto, entramos e a garota não entendia o que estávamos fazendo lá, foi quando me lembrei do meu amigo que estava enterrado, eu corri para o jardim do fundo, e ao invés de ter um simples campo com terra, havia um buraco vazio, como se alguém tivesse saído rastejando de lá...

Eu caí de joelhos e chorei de felicidade, ele estava vivo, a garota observou tudo e pode ter uma ideia do que estava acontecendo, mas não pode saber se era um familiar ou apenas um amigo, eu corri para dentro de casa, onde peguei uma foto minha com meu amigo, e então fui correndo até a casa do cientista maluco, eu vi o esqueleto dele ali caído na porta exatamente como eu o deixei, entrei na casa e bati na porta, o cachorro que eu antes vi, morreu de fome, eu apenas pude lamentar e continuar andando, eu tinha uma nova missão, encontrar o barco, e achar o meu amigo.

A garota parecia cansada, então eu a coloquei nas costas e parti no mesmo caminho que fiz até o reino, isto seria mais fácil agora que eu sabia o caminho, levaria provavelmente uma semana, mas eu tinha que encontrar o bradd, eu me arrependo de não ter impedido que ele fosse embora, o quebra-cabeça da minha vida estava começando a se encaixar, tudo começou a fazer sentido, eu tinha novas esperanças e um novo caminho, eu comecei a me lembrar do bradd, e lembrar do meu amigo, era mesmo ele, aquele rosto familiar, eu chorava enquanto caminhava em direção ao reino, não pude acreditar que depois de 6 anos eu reencontraria alguém que eu pensasse estar morto, a viagem foi longa eu tive que parar em várias ocasiões para conseguir comida e água, mas eu não sentia nem um pouco de sono, eu estava determinado a chegar naquele lugar mais do que tudo nesta vida, e depois de 5 dias, já que eu não dormia, cheguei ao reino e dei um sorriso imenso, eu corri até a entrada do labirinto, a garota que estava tirando um cochilo nas minhas costas, acordou e se assustou ao ver aquele lugar novamente, pulou das minhas costas e me encarou curiosa, eu olhei bem para a minha volta, e na porta do labirinto eu me lembrei, apontei para a esquerda, era para lá que ele havia ido, e foi para onde eu parti, seguimos por uma estrada longa da qual eu andava sem dormir, estava com os olhos roxos, então eu apaguei, não pude aguentar tanto tempo sem dormir, acordei no colo da garota que parecia encarar o nada, eu levantei e olhei para a mesma direção que ela, víamos uma fazenda, uma fazenda abandonada, mas uma fazenda, eu corri para lá e chutei a porta, quando logo ouvi um grito:

–Quem está aí?!

Eu reconhecia aquela voz, era o bradd, eu não pude aguentar, fiquei batendo na porta para que ele soubesse que eu não saia do lugar, ele desceu as escadas rapidamente e apontou uma shotgun para mim, eu dei um sorrisinho e acenei, ele abaixou a arma e disse:

–puxa, é você!! espere, o que houve com seu braço?

Eu fiquei sem expressão, mas então eu me animei, peguei minha mochila, e de lá tirei minha foto de infância, eu a encarava com um sorriso, e a entreguei para o bradd, ele viu a foto e ficou boquiaberto, depois de encarar a foto por um tempo ele disse:

–não pode ser...

Ele pulou encima de mim quase me esmagando e me abraçou, eu podia perceber que ele estava chorando, então ele me perguntou:

–Porque você nunca fala nada?

–Eu não vejo necessidade nisso- respondi e não disse mais nada

Ele se sentou em um banco fora da casa junto a mim e a garota quando contou sua história:

–Eu me lembro do dia em que fui envenenado por aquele doutor maluco, eu desmaiei e acordei quase sem ar, saí de debaixo da terra e percebi que estava na sua casa, eu saí para a rua fraco, e olhei em volta, me lembrei de ter matado aquele louco e segui o caminho para a esquerda, e pelo visto você também tomou esse rumo, segui viagem para o reino do qual nos vimos, eu fiquei morando lá um tempo, até você aparecer, mas eu via algo familiar em você, mas você deve estar se perguntando qual é a do nome bradd, eu bati a cabeça em minha jornada até aqui, e comecei a me lembrar de coisas do meu passado, meu nome por exemplo, bradd, e lembro de ter visto meus pais me colocando em uma cápsula, foi quando uma nuvem verde passou e os dois começaram a tossir até a morte, e então as lembranças acabaram, o fim do mundo foi causado por isso meu velho amigo, isto é um veneno que acabou se espalhando por todo o mundo causando o fim- eu e a garota observávamos atentamente e nos entreolhamos-

Pude perceber em seus olhos que ela estava me observando como se também tivesse alguma lembrança minha, mas arrancar uma palavra dela seria difícil, para eu mesmo falar precisei reencontrar alguém que era para mim um irmão, cada lembrança boa que tive com ele ainda estava em nossas memórias, mas ele parecia preocupado comigo, digamos com meu braço, ele pensou um pouco e logo abriu um sorriso:

–sabe a tal joia que eu estava procurando?

Fiz uma cara curiosa e fiquei encarando ele, foi quando ele entrou na casa e me trouxe um tipo de minério maior do que eu mesmo, era brilhante e tinha a cor do ouro, eu o toquei e logo pequenas ondas de eletricidade passaram por meu corpo, eu me assustei e caí sentado no chão, ele pegou uma motoserra e partiu um pedaço daquilo, entrou em casa e depois de um tempinho saiu com um novo braço para mim, meus olhos começaram a brilhar de ver aquilo, eu corri até ele que me deu o braço na hora, eu tirei o meu braço de madeira, e coloquei o novo, agora eu podia controlar eletricidade, para testar, eu mirei em uma árvore, e com um pouco de força da minha mente, pude fazer sair um raio de meu braço, fiquei espantado com meu próprio poder, agora eu poderia fazer muitas novas coisas, mas no momento eu não sabia que rumo devia tomar, foi quando me lembrei do barco, se eu pegasse aquele barco novamente, teria mais mil aventuras pela frente, então eu peguei minhas coisas e parti junto aos meus amigos, que agora estavam mais animados com tudo o que poderia acontecer pela frente.

Notas finais
eu chorei enquanto escrevia isto :,)