No meio da madrugada Mary acordou e sentou-se na cama. Pela primeira vez teve um pesadelo sobre suas histórias de vampiros. Por alguns segundos tentou lembrar-se de seu sonho, mas não conseguia e então se levantou e foi até o banheiro que era em frente ao quarto. Acendeu a luz e ficou parada diante o espelho, lavou o rosto e ficou mais alguns segundos se olhando. De repente Mary se sentiu meio incomodada, apagou a luz, voltou para o seu quarto e foi até a janela.

Foi quando seus olhos se arregalaram, suas mãos ficaram geladas, e seu coração parecia que ia parar. Mary não acreditava no que via, não acreditava que estava olhando diretamente para o Ian, que estava no seu quintal parado feito estatua olhando para ela sem ao menos piscar.

Ela então se virou, saiu do quarto, desceu as escadas e parou em frente a porta que estava logo a frente, nem pensou duas vezes e já a abriu. Assim que chegou ao jardim olhou para todos os lados, mas não o encontrou. Suspirou e pensou alto – Acho que tenho que parar de pensar nas minhas historias – E sorriu.

Sentiu um calafrio e virou-se rapidamente entrando na casa, trancou a porta, subiu as escadas e correu para o seu quarto, deitou-se na cama e disse – Acho que estou gamada por ele – deu uma gargalhada – Sério, preciso parar de ficar imaginando histórias de terror – Em minutos depois ela dormiu.

No outro dia, Mary fez questão de acordar mais cedo para ligar para sua amiga Loren e contar tudo o que havia acontecido. Então pegou o celular que estava caído no chão e discou o número.

– Alô? Disse uma voz sonolenta de quem havia acabado de acordar.

– Loren? É a Mary. Disse com uma voz empolgada.

– Sabe que horas? Começou a gritar de raiva.

– Desculpa amiga, mas a gente precisa se ver, tenho algo para lhe contar.

– E precisava ser essa hora? Tudo bem, me encontra no Grills às 20h.

– Ok, até mais então.

Mary desligou o celular, deitou-se na cama novamente e começou a imaginar... Suas histórias não eram apavorantes o suficiente para deixar alguém com medo, porém ela sempre imaginava naquele tipo de homem que seria perfeito para ela, forte, romântico, atraente, alguém que deixaria tudo de lado só para estar ao seu lado, e como sabe que ela nunca encontraria alguém assim, acrescentava uma pequena ficção. Um lado sombrio do tal homem. Um lado que outras pessoas não gostariam de conhecer, e o mais incrível é que esse homem se apaixonaria por ela.

Mary começou com suas histórias a partir dos 14 anos, mas nunca contava isso para ninguém, nem para a sua melhor amiga porque sabia que até ela iria achar isso meio doentio e esquisito.

De tanto pensar no seu mundo imaginário, ela logo se deu conta que estava atrasada novamente, isso era algo que já estava fazendo parte de sua rotina.

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