Um novo Vingador
7 Problemas e mais problemas...
Notas iniciais
Acordei por conta própria (foi um milagre) já era meio dia, eu almocei e depois fui conversar com Luke.
– Podemos treinar agora? – Perguntei.
– Claro, vamos ficar até as cinco. – Ele disse.
Fiquei meio chateado, provavelmente eu não veria Felicia naquele dia, mas afastei o pensamento e me foquei, entramos no carro e fomos para a estação de trem.
– Depois dos seus exercícios vamos treinar a sua pontaria. – Luke falou.
Eu assenti e comecei a malhar, tudo continuava normalmente como qualquer treino, depois de terminar eram três horas da tarde, então Luke me chamou.
– Você vai pegar essa bola de ferro e vai tentar acertar naquele alvo. – Ele disse apontando.
Eu olhei, ele não estava muito longe.
– Pode começar. – Luke mandou.
Eu comecei a arremessar as bolas de ferro, eu errei varias tentativas, mas acertei algumas, fiquei um tempo nisso, até que alguém rebateu uma bola de ferro na minha direção, eu desviei, a bola passou a centímetros da minha cabeça.
– Mas quem?... – Luke perguntou olhando para frente.
– E aí Luke, já faz um tempinho que eu não te vejo. – Um cara musculoso falou, ele apareceu do nada.
Ele usava um macacão verde com listras e suas luvas, botas e mascara eram roxas, ele carregava um pé de cabra nas mãos.
– Destruidor, mas que droga é essa? Dois ataques em dois dias. – Luke disse.
– O Hood nos disse que temos um herói mirim, para nossa segurança, não podemos deixar que ele fique bom o suficiente. – Destruidor disse olhando para mim.
– Pois fique sabendo que você não vai encostar um dedo em Kayque, vamos acabar com você primeiro. – Luke disse.
– Você acha que eu sou idiota de vir aqui sozinho Luke? – Ele perguntou sorrindo diabolicamente.
– Mas que... Kayque cuidado! – Ele disse e me empurrou para o lado.
No mesmo lugar em que eu estava uma bola de demolição bateu no chão.
– Maça! – Luke gritou e tentou soca-lo.
Ele pulou para trás, então eu o vi, Maça era um cara negro, alto e corpulento, ele usava um traje verde com luvas, botas e mascara amarelos.
– Kayque, tente segurar o maça que eu cuido do destruidor! – Luke falou. – Tome cuidado com a bola de demolição dele, pode ser pequena, mas é pesada, de um jeito de segurar ele e se possível derrota-lo.
Luke foi para cima do destruidor e eu me virei para o maça.
– Muito bem moleque, vamos dançar. – Ele disse em tom divertido e lançou a bola de demolição em cima da mim.
Eu rolei para o lado, mas ele se recuperou rápido e a jogou para o lado, eu estiquei o braço e tentei parar a bola, péssima ideia, eu consegui absorver boa parte do impacto, mas mesmo assim a bola me jogou alguns metros para trás, eu só parei quando bati em um vagão, me levantei e maça já vinha outra vez me atacar, “Que cara chato” pensei, ele jogou a bola e eu desviei, mas dessa vez fui mais esperto e dei um soco na cara dele ele voou alguns metros para trás e caiu, a bola não se soltou do braço dele, a corrente estava fortemente presa no braço, o que me deu uma ideia.
– Garoto, mais mil socos desse e você pode começar a me fazer a suar. – Ele provocou.
– Você fala demais, e eu sempre quebro a cara de quem se acha. – Eu falei.
Ele se irritou e me atacou outra vez, eu desviei e dei um chute no estomago dele, outra vez a bola não se desprendeu e aquilo me deu mais segurança para o meu plano.
– É só isso que você tem? – Perguntei. – Que decepção.
Ele ficou irado, veio com tudo para cima de mim e deu um golpe poderoso de tremer o chão, a bola de demolição ficou presa no solo e eu vi a brecha que eu precisa, segurei a corrente.
– Vou te mostrar uma coisinha que aprendi assistindo um desenho. – Falei a ele.
Eu segurei a corrente com força e o arremessei no chão de um lado para o outro como um pendulo invertido, fiz isso varias vezes enquanto ele gemia com as pancadas, eu olhei na direção de Luke e Destruidor.
– Eu treinei mira a tarde toda, vamos ver se aprendi alguma coisa. – Eu disse.
Eu girei maça com força em volta de mim e o arremessei em direção ao destruidor, a bola de demolição atingiu o destruidor em cheio no estomago e eles voaram vários metros destruindo vagões cabines e pilares de ferro.
– Boa Kayque, agora vamos pega-los. – Luke me disse correndo na direção dos dois vilões.
Mas quando chegamos lá os dois haviam sumido.
– Kayque aquilo foi incrível, você acabou com o seu primeiro super vilão. – Luke disse animado. – Me deixe ser o primeiro a dizer, seja bem vindo ao mundo dos heróis!
– Valeu Luke, isso vale muito vindo de você, mas acho que chega de agitação por hoje, vamos voltar.
Nós entramos no carro e voltamos para casa, eu percebi que Felicia estava no sofá.
– Vá falar com Jess eu falo com Felicia. – Eu disse a Luke.
Ele assentiu e foi para a cozinha.
– Oi lindinho, como foi o treinamento? – Felicia disse se deitando no meu colo.
– Conturbado. – Falei.
– Por quê? –Ela perguntou.
Eu contei a ela sobre Destruidor e Maça, ela pareceu surpresa.
– Você arremessou o Maça contra o Destruidor? – Ela perguntou. – Que incrível!
– É, mas agora eles sabem sobre mim, não tem problema eles saberem sobre Jess ou Luke, mas se eles souberem sobre você... – Eu não consegui terminar a frase, mas Felicia pareceu entender o recado.
– O que vamos fazer agora? – Ela perguntou.
– Vamos ter de sair bem pouco juntos, e eu não posse te buscar na escola de jeito nenhum. – Eu falei.
– Que droga! Nós já nos vemos pouco, agora somos obrigados a ficar separados. – Ela reclamou.
– É só por um tempo, depois eles vão se preocupar com outros assuntos, mas por hora vamos ter de seguir esse plano. – Eu disse a ela.
Felicia assentiu ela deitou a cabeça no meu ombro e eu pus o braço ao redor dela.
– Isso vai ser muito chato. – Ela falou irritada.
– Deixe de ser birrenta, não vai demorar muito. – Eu a confortei.
– Que seja, mas vamos sair no sábado então. – Ela propôs.
Pensei um pouco e acabei aceitando.
– Só porque eu suspeito não quer dizer que vai acontecer. – Eu falei me convencendo.
– Eu vou ter que ir agora. – Ela disse triste.
Eu dei um beijo na testa de Felicia e ela foi embora.
O professor Edwards apareceu um pouco depois, a aula foi tranquila como sempre, depois de tudo ele foi embora e eu fui para cama, pensei no que tinha acontecido no dia, não conseguia tirar a expressão triste de Felicia da minha cabeça, minha vontade era de voltar atrás e dizer que eu iria ficar o dia todo do lado dela, mas eu sabia que não podia fazer isso, os vilões iriam sequestra-la para me atingir, eu fiquei enjoado só de pensar, dormi tranquilamente naquela noite.
Acordei as 10:00h da manha, “Pelo menos um pouco mais cedo” pensei, fui para a cozinha e tomei uma xicara de café, eu ainda não conseguia engolir a ideia de me afastar de Felicia, era frustrante, mas eu tinha que acatar com isso, depois de acabar fui para sala, a casa estava deserta, eu me sentei no sofá, mas não liguei a TV, minha cabeça estava a mil, “O que eu faço?”, “Não vou conseguir ficar longe de Felicia.”, eu ficava pensando e aquilo me irritava eu tinha vontade de gritar, sair correndo, ir direto para onde Felicia estava e lhe dar o abraço mais apertado de todos, mas eu tinha que resistir, mas estava com ainda mais raiva dos vilões, era tudo culpa deles, então liguei a TV e não sei se foi bom ou ruim, por que a noticia era péssima.
– Escola em Manhattan pega fogo logo após explosão na cozinha. – A jornalista dizia. – Vamos ao vivo com nossa repórter no local.
A câmera mudou e eu gelei quando vi a escola, era o colégio de Felicia.
– Algumas turmas escaparam, mas as outras continuam lá dentro, a oitava série o segundo e o primeiro ano continuam lá presas pelo fogo. – A repórter informou.
Eu me sentia como se alguém tivesse arrancado o meu coração e feito embaixadinhas com ele, não pensei duas vezes e pulei da amurada, abri um buraco no asfalto quando pousei, não estava nem aí, corri como louco na direção da escola, eu cheguei alguns minutos depois, a policia tentou me impedir de entrar, mas eu os empurrei, cheguei à entrada do colégio e alguns professores esperavam apreensivos.
– Onde ficam as salas dos alunos? – Perguntei pegando folego.
– Você não pode entrar lá! – Um deles falou.
– ME DIGAM! – Gritei.
Eles hesitaram, mas me disseram as salas, ficavam no segundo piso. Entrei na escola, tinha muita fumaça, mas não liguei fui exatamente onde os professores tinham dito, eu me encostei-me às paredes e pude ouvir murmúrios, do outro lado, e percebi por que ninguém conseguia sair, tinha uma coluna de fogo bloqueando o corredor e a porta estava do outro lado, então eu tive que fazer uma, quebrei a parede a socos, os alunos do segundo ano me olhavam assustados.
– Desçam, o caminho está limpo! – Eu gritei para os estudantes. – Mas digam onde é o primeiro ano.
Eles me disseram que ficava mais ao fundo, três salas adiante, eu saí quebrando as paredes das salas até chegar à sala, os alunos se espantaram com a minha chegada.
– Desçam! – Eu gritei. – Onde fica a oitava série? – Perguntei.
– Na outra sala. – Um aluno me falou e todos desceram.
Eu arrebentei a parede e entrei na sala, ali estava pior que as outras, o fogo começava a entrar e com muita fumaça muitos alunos tossiam, meus olhos começaram a arder.
– Desçam todos! Rápido! – Gritei.
Eles começaram a entrar pelo buraco que eu fiz, notei um pequeno aglomero de quatro pessoas em um canto, eram as amigas de Felicia, eu corri até elas e quase enfartei quando vi Felicia quase inconsciente.
– Felicia! – Gritei, as amigas dela se assustaram com o meu grito. – Ana, Gina, Sam e Linda, fujam, eu cuido de Felicia.
Elas correram pra fora e eu tomei Felicia nos braços.
– Kay... Que. – Ela murmurou.
Aquilo me apertou o coração, eu não pensei duas vezes e saltei pela janela, eu caí no chão e levei Felicia para uma ambulância, ela ainda tossia um pouco, então reparei que os bombeiros tinham chegado e começavam a conter as chamas na escola, os paramédicos atendiam Felicia com rapidez, eu entrei com eles na ambulância e fui para o hospital. Chegamos um tempo depois, fomos rapidamente para o pronto-atendimento, ela tinha inalado muita fumaça e quase desmaiou, depois de um tempo ela foi para um quarto para ser tratada, enquanto ela dormia devido a um gás eu fiquei do lado dela o tempo todo, alguns minutos depois a mãe dela irrompeu na porta do quarto.
– Felicia! – Ela exclamou quase chorando.
– Sra. Hardy. – Eu a chamei para perto. – Ela ainda está descansando.
– Quem a tirou de lá? – Ela perguntou.
– Eu – Contei. – Ainda bem que cheguei a tempo.
– Muito obrigada Kayque, não tenho palavras para agradecer. – Ela disse.
– Sem problema, o bem estar de Felicia é o bastante. – Contei.
Esperamos um pouco e então eu ouvi um pequeno gemido na cama.
– Felicia! – Exclamei.
Fui até a beirada da cama.
– Kayque. – Ela disse quase num sussurro.
Ela sentou devagar e me abraçou, eu senti que ela chorava, eu sorri.
– Por que está chorando? – Perguntei. – Salvar a sua vida quase virou um esporte pra mim.
Ela soluçava e a mãe dela também.
– Obrigada – Felicia me agradeceu. – por você vir me salvar tão depressa.
– Eu não podia ficar em casa esperando – Falei. – faz um favor pra mim? Estuda no terreo, não quero queimar minha roupa outra vez.
Eu senti que ela sorriu, ela me soltou e abraçou a mãe dela, Felicia segurou a minha mão e me olhou, os olhos dela brilhavam.
– Meu cavaleiro de armadura – Ela disse. – mesmo sabendo que tinha que ficar longe de mim veio me salvar, de novo.
Eu sorri para ela.
– Vou deixar vocês conversarem, tenho que ir para casa tenho algumas coisas pra fazer. – A mãe de Felicia nos disse.
– Eu vou dormir aqui, pode deixar que eu cuido de Felicia. – Eu disse a ela.
Ela me agradeceu e se despediu de Felicia. Quando ela saiu Luke e Jess entraram.
– Vocês estão bem? – Jess perguntou preocupada.
– Sim, estamos. – Felicia respondeu.
– Kayque, foi muito heroico o que você fez, nesse ritmo vai ser um vingador antes do que pensa. – Luke me elogiou.
– Obrigado Luke, mas eu só tive a pura coincidência de ver TV, depois de ver que era o colégio de Felicia saí correndo. – Falei.
– Que bom, mas da próxima vez pouse suavemente, eu tive que pagar o chão que você abriu o buraco. – Ele me censurou.
– Me desculpe a única coisa que eu tinha em mente era salvar Felicia... E o resto da escola. – Acrescentei.
Luke olhou para mim e pude perceber que depois iriamos conversar de novo, só não sei por que razão.
– Vou passar a noite aqui com Felicia. – Eu disse.
– Tudo bem, só passamos para ver como estavam as coisas. – Jess disse.
Luke e Jess se despediram e foram embora, chegou o horário de almoço, eu fui para o refeitório e deixei Felicia no quarto, quando voltei as quatro amigas dela estavam lá quando elas me viram começaram a pular em cima de mim felizes e contentes por tê-las salvado.
– Ah garotas, não precisam me agradecer. – Eu disse. – Eu só quis ajudar.
– Aquilo foi o máximo, mas como você conseguiu arrebentar a parede. – Sam perguntou.
Eu parei, “E agora? O que eu digo?” perguntei para mim mesmo.
– Ahn... Bem... As paredes estavam fracas, o material não era de concreto e fogo deve ter danificado elas, foi só chuta-las e pronto. – Menti maravilhosamente bem.
– Mas...
– O que é mais importante? – Felicia perguntou interrompendo Sam. – Como ele chegou lá ou suas vidas serem salvas?
Sam parou e assentiu pondo fim no assunto, nós todos conversamos um pouco e em seguida todas elas foram para casa, eu e Felicia ficamos sozinhos, ela pegou a minha mão outra vez.
– Obrigada de novo – Ela me agradeceu. – se você não tivesse aparecido eu provavelmente estaria...
– Ainda desmaiada. – Eu terminei a frase de um jeito diferente do que ela iria terminar.
Ela deu um pequeno sorriso.
– Você é um cara tão legal, eu te conheço há muito pouco tempo, mas eu sinto como e você fosse a pessoa certa para estar comigo... – Felicia disse.
Eu olhei fundo nos olhos dela.
– Eu me sinto assim também... Argh! Que coisa, eu não vou aguentar o fato de ficar longe de você, por que esses vilões idiotas simplesmente não somem?
– Se eles sumissem os super heróis deixariam de existir – Felicia disse o colocou a mão no lado do meu rosto. — você também deixaria, e pra mim isso seria a pior coisa de todas.
Eu a abracei outra vez, ficamos assim por alguns segundos.
– Não importa onde você esteja sempre vou estar do seu lado, para sempre. – Eu falei no ouvido dela.
Uma lagrima escorreu pelo rosto de Felicia e eu a limpei.
– Você chora muito, parece uma gatinha medrosa. – Eu falei.
Ela sorriu, acho que não importa o que acontecesse, eu jamais esqueceria aquele sorriso na vida.
– Agora que tal você afagar minha cabeça um pouquinho? – Ela perguntou.
– Tá bom, chega pra lá. – Eu disse me sentando ao lado dela na cama.
Ela deitou a cabeça em mim, eu passei o braço pelas costas dela e comecei a acariciar a cabeça dela lentamente, um tempo depois ela cochilou, e eu fiz o mesmo. Acordei um tempo depois e vi que eram 18:00h, só naquele momento me lembrei da minha aula, mas nem me preocupei, tenho certeza que Luke e Jess avisaram o professor Edwards, minha barriga roncou, estava na hora de um cafezinho, deixei Felicia dormindo e fui até o posto de enfermagem pedir o café, eu mesmo levei a bandeja para o quarto, pus em cima da cama, peguei um pãozinho de queijo e passei perto do nariz de Felicia, ela acordou.
– Hm, que delicia de café. – Ela agradeceu. – Está servido?
– “Bitch Please”, vou te dar só o pãozinho de queijo e uma xicara de café preto, o resto é meu. – Falei.
– Engraçadinho. – Ela disse rindo.
Tomamos nosso café, liguei a TV, como estávamos em um setor particular não tínhamos de ficar brigando pela tv como nos quartos da emergência do hospital. Na TV passava a noticia da escola e dizia também que um garoto entrou na escola e salvou três turmas do incêndio, Felicia deu tapinhas na minha cabeça, mas ela também sentia uma pontada de tristeza.
– O que foi? – Perguntei.
– Bom, é que eu vou ter que ir para outro colégio, me sinto mal por que eu gostava da minha antiga escola. – Ela falou meio triste.
– Não se preocupe, a parte mais difícil da reconstrução vai ser as paredes que eu quebrei, o resto são só mesas, cadeiras, a cozinha e alguns armários, até o ano que vem tudo vai estar pronto e vamos estudar juntos, na mesma escola. – Eu a animei.
Ela sorriu para mim.
– Você sempre sabe como me animar, parece que tem resposta para tudo. – Felicia me disse.
– Não tenho a resposta para tudo – Falei sendo modesto. – eu só tenho sorte de responder o que você pergunta.
Felicia se aninhou um pouco mais em mim.
– Vai dormir mais ainda? Que preguiça hein? – Perguntei.
– Não me enche que eu sei que você também vai. – Ela retrucou.
Eu desisti, botei o meu relógio para despertar no jantar e deitei minha cabeça na de Felicia, nós dormimos tranquilamente. Acordei um tempo depois com o alarme do relógio, era impossível dormir com aquele apito infernal, fui até o posto de enfermagem pedir o jantar para Felicia, eu mesmo levei para ela, fui até o refeitório, no caminho passei por uma das alas da emergência e vi uma cena nada agradável, um homem completamente bêbado gritando com uma enfermeira.
– Como assim não podem me atender! – Ele gritou para o hospital inteiro ouvir, eu cheguei mais perto.
– Senhor, não posso lhe atender ainda, há mais pessoas na fila. – Ela disse educada, mas nervosa.
– Não venha com desculpas! – Ele gritou e levantou a mão.
Quando ele foi dar uma bofetada na enfermeira eu segurei a mão dele.
– Não me interessa que esteja bêbado você não vai bater nas enfermeiras. – Eu disse sério.
Eu apertei a mão dele, ele praguejou, fingi pegar um impulso grande para arremessa-lo para trás, mas não fiz esforço algum, ele bateu com a cabeça na parede e perdeu a consciência, a expressão das pessoas era uma mistura de espanto e admiração.
– Se tiver mais alguma coisa é só gritar. – Eu disse simplesmente para quem quisesse ouvir.
Ninguém disse uma única palavra, eu saí e fui em direção ao refeitório. Chegando ao refeitório eu me servi de um bom prato de comida, tudo parecia apetitoso, me sentei para comer e alguém me viu e gritou.
–Ei aquele é o garoto que salvou os alunos da escola hoje de manha!
Todos olharam direto para mim, eu olhei em volta com uma expressão preocupada, as pessoas olhavam para a TV e para mim, para a TV e para mim, até que chegaram a uma conclusão, o cara que gritou era um louco, suspirei de alivio, a ultima coisa que eu queria era ter que varrer as pessoas da minha frente. Depois de acabar o meu prato voltei para o quarto de Felicia, enquanto eu entrava uma enfermeira saía, ela sorriu para mim, eu sorri de volta “Uma amiga daquela enfermeira”, pensei, sentei ao lado de Felicia na cama.
– Parece que alguém está fazendo sucesso no hospital. – Felicia disse.
– Ninguém mandou aquele bêbado querer bater na enfermeira. – Eu disse indiferente. – Mas tive muita sorte no refeitório, um cara me reconheceu e gritou para todos sobre mim hoje de manha, sorte que ninguém acreditou.
– Eu imagino você jogando todo mundo para cima enquanto tenta passar. – Felicia disse sorrindo.
– Nem me fale, acho que vou esfriar meus fatos heroicos por enquanto. – Falei.
– A não ser que EU esteja em perigo certo? – Felicia retrucou.
Eu olhei para ela intrigado.
– Então os outros podem se machucar, mas você não? – Perguntei.
– Os outros que arranjem um super-herói para cuidar deles. – Ela disse indiferente.
Acenei com a cabeça com ar de quem detestou a resposta.
– Eu estou cansada, vamos dormir. – Felicia disse.
– Cansada? Você passou o dia todo deitada na cama enquanto eu tive que correr e quebrar paredes, quem está cansado sou eu! – Retruquei.
Felicia fez um gesto de indiferença e se deitou no meu ombro, desliguei a TV e apaguei as luzes no controle remoto, passei um pouco do lençol por cima de mim, encostei minha cabeça na de Felicia e dormi profundamente.
Acordei quando eram 9:00h, decidi que tomar café não seria uma boa ideia, logo depois do almoço iriamos para casa, Felicia começou a acordar.
– Bom dia flor do dia. – Eu a saudei.
– Bom dia cavaleiro. – Ela devolveu o cumprimento. – Vou ao banheiro, já volto.
Felicia se levantou, mas quando botou os pés no chão cambaleou para trás, eu prontamente me coloquei atrás dela e a segurei.
– Vai com calma, você ainda está meio tonta. – Eu disse a ela.
– Está tudo bem Kayque, obrigada. – Felicia disse para eu não me preocupar.
Ela foi ao banheiro e eu liguei a TV, ainda a mesma coisa, a noticia da escola continuava, mas todas as atenções estavam viradas para um ponto, quem salvou os alunos? Os Vingadores alegaram não terem interferido em nada, pois estavam muito ocupados, os professores estavam tão chocados que nem conseguiram me descrever, Felicia voltou do banheiro e se deitou novamente.
– Mas será que não vão parar com essa noticia? – Felicia perguntou entediada.
– Querida, eles vão passar no mínimo até descobrirem quem salvou os alunos. – Eu disse a ela. – E se depender de mim não vão saber nunca, mas acredito que daqui a pouco o assunto esfria e tudo volta ao normal.
– Espero que esteja certo...
BLAM! Eu ouvi a porta bater e uma enchente de repórteres invadiram o quarto e foram em direção a Felicia, eles vinham fazendo perguntas, talvez soubessem que ela tinha sido salva pelo herói, que era eu.
– Srta. Quem salvou você? Ele era um dos Vingadores? Tinha super-poderes? – Os repórteres perguntavam freneticamente.
Felicia não conseguia nem falar direito ela gaguejava algumas palavras, mas nada saía, então eu me interpus.
– Quem deixou vocês entrarem aqui?! – Perguntei aos repórteres, eles me ignoraram, então eu pisei com força no chão e a sala tremeu, os repórteres pararam e olharam para mim. – Esse é um setor particular, ela está tentando descansar então saiam daqui antes que eu resolva por vocês para fora. – Eu disse apontando para a porta.
Um a um eles saíram, quando não sobrou nenhum eu me sentei novamente ao lado de Felicia.
– O que foi isso? – Perguntei devagar.
– Eles não podiam saber quem eu era, alguém dedurou... – Felicia disse pensativa. – Nissa! Aquela vadia! Ela é a mais fofoqueira da minha sala, deve ter falado que você me salvou, ainda bem que não conseguiu reconhecer você.
– Saco! Para sair daqui hoje a tarde vai ser um inferno, e não posso chamar Luke, se eles nos ligarem a ele tudo vai melar de vez. – Falei.
Felicia riu.
– O que é tão engraçado? – Perguntei.
– Parece que vou ter que fazer o mesmo que as estrelas de Hollywood, você vai ser meu segurança, se eles tocarem em mim você desce a porrada. – Ela falou.
– Gostei da ideia. – Concordei.
Finalmente havia chegado o horário de almoço, depois de prontos a mãe de Felicia trouxe uma roupa nova para Felicia vestir, aproveitando a viagem ela trouxe uma para mim também, ela saiu primeiro para esperar no carro, como eu havia previsto tinha um lago de repórteres na porta, pareciam zumbis sedentos de carne, eu saí na frente, enquanto Felicia andava eles faziam perguntas, ela mantinha a expressão séria, meu olhar já dizia aos repórteres, “Encostou levou”, eles nos deixaram passar, entramos no carro e saímos do hospital, obviamente alguns carros nos seguiram, paramos no hotel e entramos rapidamente, o porteiro já estava fechando a porta para nenhum repórter entrar.
– Esses caras parecem zumbis com câmeras fotográficas e microfones. – Eu disse para Felicia.
– Pois reze para que eles não montem guarda até a amanha na frente do prédio... – Felicia disse.
– Vou sair para treinar amanha nem que eu tenha que aterrissar na cabeça deles. – Garanti a ela.
Chegamos ao apartamento de Luke e fomos direto para o sofá.
– Que situação. – Eu disse.
– Nem me fale. – Felicia disse deitando a cabeça no meu colo.
Eu afaguei a cabeça dela devagar.
– Vamos ver pelo lado bom, estou sem aula por uma semana, podemos aproveitar juntos. – Felicia disse para me animar.
– Mesmo que seja só dentro do prédio. – Falei.
– Você acha que nesse prédio só tem a TV para se divertir? – Felicia perguntou com uma sobrancelha levantada.
Eu pensava que era não pensava em outra coisa para me distrair.
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