Um novo Vingador
4 A primeira vitória e as sombras do passado...
Notas iniciais
– Vamos dar uma voltinha pelo quarteirão? – Sugeri.
– Claro as noticias já passaram mesmo. – Ela concordou.
– Eu e Felicia vamos dar um volta, voltamos para o almoço! – Gritei em direção da cozinha.
– Certo! – Luke e Jessica gritaram da cozinha.
Peguei Felicia e a pus nas costas e pulei da sacada, caímos suavemente, mas um garoto viu, coloquei Felicia no chão então ela segurou o meu braço e começamos a andar como se nada tivesse acontecido.
– Espera aí. – O garoto que nos viu disse. – Você caiu lá de cima e sai andando assim normalmente?
– Se eu te contasse não ia acreditar, até mais. – Falei para o garoto. – Se quiser saber sobre mim, ligue a TV às três da tarde.
Felicia e eu andamos pelo quarteirão conversamos de muita coisa, sobre as nossas vidas, aventuras, desventuras (eu ganhei nesse assunto). Até que voltamos para casa.
Almoçamos, a comida estava ótima.
– Sandra, o que acha de dar uma aula pro Luke? Ele está precisando – Falei.
Olhei para Luke, ele não estava feliz, saímos da mesa, Luke e Jessica foram para a cama, eu avisei a eles que eu e Felicia iriamos sair para fazer um lanche, Luke recarregou minha carteira e foi para a cama, Felicia foi para a casa dela se vestir e eu fui para meu quarto fazer o mesmo, ela chegou alguns minutos depois com o vestido que eu tinha escolhido para ela.
– Agora vamos combinar – Eu disse me sentando, ela não deitou a cabeça no meu colo para não estragar o cabelo. – Eles vão ter no mínimo seis pessoas, duas para vigiar a porta, uma para vigiar os reféns, uma para cuidar dos seguranças e duas para arrombar o cofre, como eu disse ontem, nós entramos e ficamos lá até eles chegarem.
– Certo. – Felicia respondeu.
Ficamos vendo TV até chegar a hora, olhei no relógio, 14:30.
– Vamos nessa, temos que pegar o metrô. – Falei para Felicia.
Descemos de elevador, pois Felicia não queria estragar o vestido e o cabelo. Pegamos o metrô mais próximo e fomos para o banco, chegamos ao banco 20 minutos depois, entramos e ficamos indo de um lado para o outro, um segurança perguntou se estávamos perdidos, dissemos que estávamos esperando nossos pais, o banco era grande, tinha portas de vidro como todos os outros, tudo ia bem até que uma vã preta parou na frente do banco e homens armados saíram de dentro.
– Eles chegaram. – Sussurrei para Felicia.
Eles entraram no banco botando ordem e rapidamente renderam os guardas e os clientes, inclusive eu e Felicia.
– Quero todo mundo quieto! – Gritou aquele que parecia o líder da gangue. – Vocês dois vão arrombar o cofre – Ele disse dando as ordens para os capangas. – vocês dois vão vigiar a porta, você vai cuidar dos reféns, eu cuido dos guardas, rápido!
Todos foram para suas posições, quando eles pararam eu olhei para Felicia.
– Agora. – Sussurrei.
Felicia simulou um desmaio, o bandido que nos vigiava foi até ela, olhei para os reféns e botei o dedo no lábio pedindo silencio, cheguei por trás do bandido, o segurei pelos ombros e o arremessei para porta de vidro a mais de 10 metros de distancia, ele voou e atravessou a porta, foi parar na calçada.
– Oque foi isso? – Um dos bandidos da porta exclamou.
Mas eu já estava em cima dele, eu o peguei e o joguei em cima do companheiro, já foram três, eu corri para o cofre e o líder me avistou, ele começou a atirar em mim, mas as balas ricocheteavam na minha pele, eu conseguia ouvir a movimentação na rua, a imprensa havia chegado, eu cheguei ao cofre e bati a cabeça dos dois bandidos na porta, eles caíram inconscientes no chão, então fui em direção ao líder, assustado ele atirou desesperado em todas as direções, uma das balas passou por mim na direção dos reféns, eu olhei para trás e gelei, a bala tinha pegado de raspão na perna de Felicia, nesse momento a minha raiva tomou conta eu cheguei à frente do líder, tirei o revolver da mão dele e o amassei até virar sucata, ele pareceu muito surpreso eu o peguei pelo pescoço e o ergui.
– Boa viagem. – Eu disse e o arremessei para a porta ele a arrebentou toda e ficou caído inconsciente na calçada.
Eu fui até onde Felicia estava.
– Você esta bem? – Perguntei preocupado.
– Tudo bem, só pegou de raspão. – Ela disse.
Eu arranquei a manga da minha camisa e limpei o sangue.
– Vamos para fora. – Eu disse e a peguei no colo. – Pessoal, vamos sair daqui! – Falei para os clientes e seguranças do banco.
Saímos de dentro do banco e já havia uma multidão lá fora querendo saber o que estava acontecendo, quando eu parei todo mundo ficou em silencio, então de repente começaram a bater palmas, até a policia fez isso, a CNN já estava chegando, mas eu levantei a mão.
– Primeiro vou levar minha amiga para a ambulância. – Falei.
De fato havia uma ambulância ali perto eu a deixei lá e os enfermeiros começaram a fazer um curativo nela, então eu comecei a dar uma entrevista, eles perguntavam coisas do tipo: “O que aconteceu? Como você fez isso?” e muito mais, eu olhei para o lado e não acreditei no que vi Capitão América e o Homem de Ferro olhando para mim, pareciam pasmos.
– Você esta bem? – Eu olhei para o lado e Luke e Jessica vinham em minha direção.
– Estou Luke. – Respondi.
– Espere garoto, você conhece Luke Cage? – Um dos repórteres perguntou.
– Eu cuido desse garoto agora. – Luke respondeu para o repórter, então caiu uma chuva de perguntas sobre Luke.
Eu saí da confusão para ver como esteva Felicia, mas uma luva vermelha tocou o meu ombro.
– O que aconteceu aqui garoto? – Eu ouvi uma voz dizer olhei para trás e quase desmaiei, o Capitão América estava ali.
– Ca-Ca-Capitão América? – Consegui dizer.
– Ah é desculpe, não me apresentei não é mesmo? – Ele disse.
– E nem precisa – Falei. – Olha não da para explicar agora, mas tenho certeza que o Tony Stark bem ali pode acessar as câmeras de segurança, eu preciso ir bom conhecer vocês. –Eu falei e comecei a andar.
– Espere! – O homem de ferro me chamou. – Quem são os seus pais?
– Estão bem ali. – Eu disse a ele apontando para Luke e Jessica.
– Como é?... – Tony perguntou, mas eu já tinha saído.
Cheguei à ambulância e Felicia já estava de pé.
– Você esta bem? – Perguntei a ela.
– Você foi incrível! – Felicia pulou de alegria e me abraçou.
– É, mas acho que vamos ter uma bela de uma bronca quando chegarmos em casa.
Um tempo depois Tony Stark pôs fim na entrevista, e todos fomos para a mansão dos Vingadores (não se iluda eles me convidaram).
– Agora quero que digam exatamente o que aconteceu. – Tony Stark perguntou para mim e para Felicia.
Na mesa em que estávamos tinha todos os membros fundadores, Tony Stark ou Homem de Ferro se preferir, Bruce Banner nosso famoso Hulk (obviamente ele não estava transformado), Steve Rogers o herói da nação o Capitão América, Clint Barton o Gavião Arqueiro e Natasha Alianovna a bela Viúva Negra.
– Bem... Foi o seguinte. – Comecei.
Eu expliquei o nosso plano inteiro lembrando dos detalhes e tudo mais.
– Por que não nos avisou? – Luke bateu na mesa.
– Se eu te avisasse não iria acreditar em mim... Ou iria? – Perguntei a ele calmo.
– Não importa – Ele teimou. – Você viu? Felicia podia ter se machucado feio ou pior...
– Não fale uma coisa dessas! – Gritei.
– Fiquem calmos! – Tony tentou estabelecer a ordem. – Luke, está certo que essa foi uma atitude irresponsável, mas mesmo assim ele conseguiu acabar com um grupo criminoso.
– E usou uma estratégia brilhante – Clint comentou. – com essa ocupação toda nós não conseguiríamos pensar em uma coisa assim.
– A ferida da garota foi um pequeno erro – Natasha falou com um pouco do sotaque Sovético. – mas erros acontecem.
– Mas e se a bala fosse acerta-la em cheio? – Luke protestou.
– Luke – Bruce falou. – Deixe de ser orgulhoso, só está nervoso por que o garoto fez uma coisa como essa sem estar preparado.
Luke abriu a boca, mas a fechou.
– Bem graças a Deus tudo está bem – Steve disse. – agora por que vocês não para casa e descansem?
Nós nos despedimos dos Vingadores e voltamos para o apartamento.
– Desculpe Luke, acho que devia ter conversado com você. – Eu disse para Luke.
– Não, eu devo me desculpar por ficar daquele jeito. – Ele confessou.
Eu não podia acreditar no que acabei de ouvir.
– Tudo bem Luke, também foi um erro da minha parte. – Falei querendo pôr um fim no assunto.
– Da minha também. – Felicia comentou.
– Apesar de que isso não deveria ter acontecido – Jessica começou. – estou admirada com a coragem dos dois, principalmente a sua Felicia, mesmo sem superpoderes teve coragem de ajudar Kayque nisso.
– Obrigada tia Jess – Felicia disse corada. – mas quem teve toda a ideia foi Kayque.
– Eu sei disso, por isso foi corajosa em confiar nele também. – Jessica disse, eu não sei se encarava como um elogio para mim.
– Bom nos saímos bem, mas não é o bastante, preciso treinar mais, Luke, a ferrovia tem iluminação? – Perguntei.
– Tem por quê? – Ele perguntou.
– Por que eu vou treinar até cair hoje. – Falei.
– Esse é o espirito. – Luke elogiou.
– Você vem com a gente Felicia? – Perguntei.
– É claro. – Ela respondeu.
– Então vamos nessa! – Disse, coloquei-a nas minhas costas e saltei da sacada.
Luke ligou a iluminação da ferrovia e começamos a treinar, Felicia sempre me trazia a agua e me observava, um tempo depois Luke veio em minha direção.
– Agora vamos treinar suas técnicas de combate, você pode não ter percebido, mas você agora é um mestre na briga de rua, mas uma coisa é ruim, sua evasão, então eu bolei um sistema de treinamento evasivo, por que obviamente a Hydra não vai atirar em você com uma pistola, as armas deles são mais do que ultima geração, são quase do futuro praticamente, então, vou jogar essas bolas de ferro em você, e você vai tentar desviar, para você aprender vou jogar nessa força... – Ele pegou uma bola de ferro e jogou contra um vagão o impacto foi grande, afundou literalmente o vagão.
Ele começou a jogar as bolas, era difícil desviar, elas eram rápidas e uma só poderia me arremessar longe, “Pode fazer movimentos ousados, você não vai se machucar, do chão você não passa!”, Luke disse, foi o que eu fiz, eu desviava de todo o jeito ele começava a aumentar o ritmo, uma das esferas passou a centímetros da minha orelha a bola chegava a assobiar de tão rápida, mas nem tudo são flores uma esfera veio na minha direção me pegou no estomago e eu voei para trás só parei quando enterrei o corpo dentro de um vagão, doeu menos do que eu pensava, me levantei devagar me soltando do vagão, de longe eu vi Felicia correndo até ali.
– Kayque! Você está bem? – Ela perguntou preocupada.
– Sim Felicia, está tudo bem. – Falei.
Ela suspirou e me ajudou a levantar.
– Ei garoto, foco! – Luke disse rígido. – Não pense que vou pegar leve com você aqui! Treinamento de luta, agora, mostre o que sabe! – Ele gritou me intimidando.
– Com prazer. – Falei e parti para cima dele.
Luke apesar de grande era ágil, eu sabia que qualquer soco dele seria pior que uma esfera de ferro, eu arrisquei um soco, mas foi em vão ele desviou segurou o meu braço e me arremessou longe, fui parar em uma cabine dessa vez, Felicia assistia a tudo preocupada, me levantei e fui outra vez, pensando em um plano, ele é mais forte do que eu, mais rápido e mais experiente, então pensei em uma coisa, vou dar o troco do golpe de agora, enfrentei ele de novo, ele tentava me socar de todo o jeito até que eu vi a chance e segurei o braço dele.
– Você pode ser forte! – Gritei. – Mas não é pesado! – Eu o arremessei com todas as minhas forças.
Ele voou para longe atravessou dois vagões e foi parar enterrado em outra cabine, cheguei lá pouco depois, ele limpava a sujeira da roupa.
– Nada mau garoto, mas não me fez um arranhão. – Ele disse.
– Você é o homem que nunca sangra, não tem como eu fazer isso, ninguém pode. – Eu falei.
– Você aprende rápido. – Ele falou.
– Ei cabeções já são dez horas, vamos embora. – Felicia nos avisou.
Entramos no carro e fomos para casa. Chegando lá o jantar foi servido, apesar de já ser tarde, Sandra já havia saído então Jess esquentou tudo.
– A comida da Sandra é a melhor. – Eu disse.
– Com o salario que eu pago é quase obrigação ser assim. – Luke comentou.
– Nossa! Nem deu pra perceber sua arrogância. – Felicia disse a ele.
– Olha como fala garotinha. – Ele falou fingindo um olhar mal.
– Pra me pegar tem que passar por cima dele. – Ela disse se apoiando no meu ombro.
– E eu pensando que ia tirar o meu da reta... – Falei.
– Do jeito que me arremessou hoje, duvido que não desse tempo de correr. – Ele disse.
– Isso foi um elogio? – Perguntei.
– Se você achar que foi...
Terminamos de comer e Luke e Jess lavaram a louça, eu e Felicia tomamos banho e fomos para cama, eu já ia me deitar, mas Felicia me parou com uma pergunta que me doeu o coração.
– Kayque, eu sei pode ser meio chato de perguntar, mas... Como foi a sua infância no Harlem? – Felicia me perguntou.
– Bom Felicia, é melhor você sentar... A história é longa. – Falei.
– Que história é longa? – Luke disse entrando com Jess no quarto.
– Bem, estão todos aqui, que bom, assim não preciso falar a mesma coisa duas vezes. – Eu disse. – Bom, vamos começar...
Vou contar a história aqui, por quê? Por que eu quero, se você gosta que bom, se não gosta, pois vá à merda que a história é minha.
Eu nasci e cresci no Harlem, como a grande maioria do meu bairro fui um moleque pobre que viva andando na rua, desde sempre fui maltratado pelos meus pais adotivos sem nenhum motivo, sempre fui magro, pois a alimentação era precária, eu nunca tive amigos, todos me achavam fraco e indefeso, os garotos tiravam sarro da minha cara, como eu era ingênuo caia em todo tipo de pegadinha, em vez de me dar um conforto, meus pais me davam broncas e tapas, o que só piorava as coisas, a pior coisa de todas era Nate, o pior garoto que se podia existir, mas comigo ele era pior por que ele era extremamente racista, então sempre me pegava em um beco e me dava uma surra, quando eu fiz dez anos não aguentei, fugi de casa e comecei a perambular por New York, conheço todos os bairros, a vida era muito complicada, tão complicada que comecei a roubar, era horrível eu detestava, mas era isso ou a fome, com o dinheiro eu consegui comer melhor do que eu comia antes, por isso fiquei mais “cheinho” – Eu disse olhando para Felicia, relembrando algo que ela tinha me dito. – passei anos assim, até alguns dias atrás, mas agora está tudo bem.
Felicia me abraçou aos soluços quando terminei de falar, Jess segurava a mão de Luke com uma expressão triste, Luke como de costume continuou rígido.
– Está tudo bem agora Felicia. – Eu disse afagando o cabelo dela enquanto ela chorava. – Me desculpe se eu fiz você chorar.
– Deixa de ser bobo, sou sua amiga, não consigo suportar o jeito com foi tratado, minha vontade é de ir ao Harlem e quebrar a cara de cada um que te fez mal. – Ela falou começando a se acalmar.
– Bom pessoal. – Luke disse. – Está tarde, vamos dormir, amanha é domingo, então podem dormir o quanto quiserem, até o meio dia. – Ele anunciou.
– Certo Luke, boa noite. – Eu disse.
– Boa noite queridos. – Jess nos disse e fechou a porta.
Felicia saiu do meu ombro e eu enxuguei os olhos dela.
– Que garota frágil, chora por qualquer coisa. – Disse.
Ela sorriu e me deu um tapa no braço.
– Não me provoca que eu sou má. – Ela disse.
– Ah eu sei disso, então não vai rir do que eu vou fazer. – Eu falei.
Levantei-a e a pendurei no meu ombro e comecei a girá-la.
– Me põe no chão Kayque! – Ela disse enquanto ria.
Eu a joguei em cima da cama e comecei a fazer cocegas nela.
– Para é serio! – Ela pediu rindo ainda mais.
Eu parei rindo.
– Seu idiota! – Ela disse e me deu um chute entre as pernas.
– Se eu não fosse forte, isso teria doido muito. – Eu falei.
– É mesmo, agora vai dormir palhacinho. – Ela falou.
Dormimos a noite toda.
– Acorda Kayque, já é meio dia. – Ouvi a voz de Felicia dizer.
– Bom dia. – Eu falei a ela meio sonolento.
– Bom dia, agora acorde, vamos almoçar. – Ela disse me puxando para fora da cama, eu me vesti e fui para a cozinha com Felicia.
– Hey bela adormecida, dormiu bem? – Luke perguntou para mim.
– Dormi muito bem obrigado. – Respondi.
Sentamos para comer.
– Felicia suas aulas começam amanha certo? – Jess perguntou a ela.
– Sim, agora vou para a oitava série. – Ela disse.
– Ei Kayque, por que não vai busca-la amanha de manha? Ia poupar um tempo para a mãe dela. – Luke sugeriu.
– Claro, sem problemas. – Eu disse.
– Certo, então eu e você vamos sair hoje à noite para comemorar meu ultimo dia de férias, não que isso seja bom... – Ela disse.
– Ah o que é isso, eu iria adorar ir para a escola, conhecer pessoas novas, estudar, aprender...
– Olhar as garotas. – Luke interveio.
Jess lhe deu um soco no braço, esse pareceu doer.
– Bom tanto faz, seria ótimo. – Eu falei.
– Hum... Se você gostaria, podíamos pedir para o Scott dar uma caprichada nas aulas, e você pode ir no ano que vem para o colégio. – Jess sugeriu.
– Que máximo! Assim posso importunar o Kayque o dia todo mesmo estudando. – Felicia disse.
Eu olhei para ela com uma cara de “Como é que é?”.
– Eu apoio, assim o Scott pode fazer outros serviços, vou ligar pra ele depois do almoço. – Luke falou.
Terminamos o almoço, eu e Felicia fomos para a sala e Luke foi falar com Scott.
– Ele disse que vai planejar um supletivo caprichado e você termina a oitava série até o próximo ano. – Luke me avisou.
– Que ótimo! Parece que vai dar tudo certo afinal. – Falei.
– Esqueci de te perguntar uma coisa, quando é o seu aniversário? – Luke perguntou.
– Na verdade é esse mês, 26 de Setembro. – Contei.
– Hum, certo eu e Jessica vamos dormir, comportem-se. – Ele falou e foi para o quarto dele.
Eu me sentei no sofá e Felicia se deitou e pôs a cabeça no meu colo.
– Já sabe o que fazer. – Ela falou.
Comecei a afagar a cabeça dela enquanto assistia TV.
– Ai, Ai eu nunca me canso disso. – Felicia suspirou.
Ficamos assistindo TV até dormirmos, acordei com Luke me balançando.
– Acordem, está na hora de treinar. – Ele falou.
Eu e Felicia levantamos e nos espreguiçamos.
– Um bom vento na cara vai acordar vocês. – Ele disse.
Pulamos da sacada e entramos no carro, chegamos até a estação de trem.
– Hoje sem treino de combate, você não esta preparado, agora mexasse! – Ele falou para mim.
Comecei os exercícios simples, levantamento, Flexões e puxadas, Luke me mostrou outro treino, arremesso.
– Se você quiser acertar alguém a distancia...
– Precisa ter boa mira, já li isso em um livro, me diga onde tenho que jogar. – Eu perguntei.
– O mais longe possível. – Ele disse.
Eu peguei um vagão e o arremessei, ele voou 100m e caiu.
– Bom, agora tente lançar ainda mais longe. – Ele disse.
Eu fiquei jogando mais alguns e consegui 150m.
– Certo, vamos embora, vocês tem que se preparar para sair. – Luke nos disse.
Fomos para casa, Felicia foi para o apartamento dela se arrumar e eu fiz o mesmo no meu, coloquei uma calça jeans, camisa preta e um tênis casual, simples, mas elegante, pus meu relógio e botei meu perfume, fui até a sala e esperei Felicia chegar, não demorou muito e ela chegou como sempre, estava linda, usava um visual também casual, calça jeans a camisa vermelha com preto que escolhi para ela e a sapatilha preta.
– Esta linda. – Eu disse a ela.
– Eu já ouvi isso antes. – Ela disse. – Pega a sua carteira e vamos nessa.
Eu peguei a carteira e saímos.
– Da pra acreditar? Minha mãe me deu só U$100,00 para comprar um par sapatos. – Ela disse indignada.
– Para de reclamar, com essa grana eu viveria quatro meses na rua. – Falei.
Ela pareceu meio chateada com a comparação.
– Desculpa. – Eu disse botando meu braço em dos ombros dela. – Falei sem pensar.
– Desencana, eu também deveria parar de ser mirradinha. – Ela falou.
Fomos em direção ao Shopping até chegarmos à entrada do Harlem.
– Quer contornar o bairro? Não tem problema se não quiser passar por aqui. – Falei a ela.
Ela segurou o meu braço direito e encostou a cabeça no meu ombro.
– Você está aqui comigo, então eu não tenho medo. – Ela disse.
Eu sorri para ela, entramos no bairro.
– Não importa quantas vezes eu passe por aqui, sempre vou me lembrar daqueles dias. – Falei para Felicia.
– Shh. – Ela disse tocando meus lábios com o dedo. – Não vamos falar disso.
– Obrigado, eu precisa que alguém me fizesse esquecer tudo isso. – Eu falei. – Acho que fiz a escolha certa fugindo daqui.
– Você acha? – Felicia indagou. — Você ainda seria um esparro, se você não tivesse saído não teria conhecido o tio Luke, a tia Jess e...
– Não teria conhecido você. – Falei olhando para Felicia. – Agora eu sei que fiz a escolha certa.
Ela me olhou por alguns segundos, os olhos delas eram radiantes, eu poderia olhar para eles a noite toda.
– Bom... – Ela disse e olhou para frente, mas parou de repente.
– O que foi? – Perguntei.
Ela apontou para frente com uma expressão preocupada no rosto.
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