Um garoto no Mundo Mágico - Ano 1

3 Julgando o velho e o Duende


Notas iniciais
Antes de mais nada quero me desculpar com vocês pela demora para lançar este capítulo. Contudo, finalmente eu consegui traze-lo pra vocês. Nota: Este era para ser o último capitulo, porém acabou tornando-se muito grande. Para se encaixar com o formato de leitura do Nyah! sem ficar cansativo para vocês eu dividi ele em duas partes. Essa é a primeira, a próxima será a ultima parte e consequentemente o ultimo capitulo. Aproveitem!

“– Por ali! – gritei quase desesperado apontando para uma porta com a maçaneta de ouro ao fundo do corredor”.
Ai... Minha cabeça...

— Estou começando a me arrepender de ter vindo com você... – comentou o sonserino descendo do vagão.

— Não precisava ter vindo Luke, acho que não vai ter mais nada além do julgamento – respondi com a mão na cabeça.
Essa dorzinha de cabeça está me incomodando.

— Hm... Mesmo que isso acabe sendo muito chato, eu não deixaria meu irmãozinho andar por ai sozinho – o sonserino sorriu após terminar de falar, e eu correspondi da mesma forma.

Ah, aposto que você não está entendo o motivo pelo qual nos encontramos na Plataforma 9 ¾ trajando uniformes completamente diferentes dos de Hogwarts. Bem... Espere Luch terminar de falar que eu já te explico tudo. A propósito... Luch precisa fazer a barba.

— Escutem bem, senhores! Estaremos em território trouxa, portanto não deem qualquer sinal que somos um tanto... Hm... Diferentes! Em seguida, sairemos da Estação e encontraremos o agente Biggs do Departamento de Execução das Leis Mágicas! – Os olhos do diretor transitavam entre seus auxiliares e os alunos a sua frente.

Quando digo auxiliares quero dizer pessoas do ministério selecionadas para conduzir a tropa de alunos liderada pelo velho lufano, que está vestindo um Smoking Formal.

— Após o acontecido, seremos levados até o Ministério, chegando lá vocês encontrarão seus responsáveis (aqueles que conseguirão vir), porém como hoje vocês estão sob proteção Ministerial, serão levados até uma área destinada a Hogwarts! – Era quase previsível que alguns familiares poderiam aparecer no julgamento, principalmente aqueles mais relacionados com o ocorrido, porém tenho minhas duvidas se Morôni ou Sookie realmente vão comparecer.

— Vamos, apenas temos dez minutos para chegarmos ao Tribunal do STB, não se dispersem! – falou o diretor apressado após olhar seu relógio de pulso.
E assim os alunos trajados com uniformes marrons dourados seguiram o caminho para o Ministério da Magia, saindo da Plataforma 9 ¾ e passando pela Estação King Kross.

Enquanto passamos pela Estação, vamos as minhas explicações de costume já que você não estava comigo no vagão, ou antes. A propósito, você viu a mesma coisa que eu pouco antes de descer do vagão? Aquele corredor com a porta. Não? Estranho... Enfim. Deixando avisando que a dor de cabeça já passou só para você não ficar preocupado... Caso esteja preocupado.

Bom, vai haver o julgamento aberto do (ex-) Diretor do Gringotes, o duende Klaus Pocahontas, e o dono da Casa dos Venenos, que se localiza na Travessa do Tranco, James Blood. E o Luke já abandonou o barco indo para algumas fileiras da frente conversar com uma garota... Pois é... Continuando. Pelo fato de ser um julgamento, ainda mais aberto, somente aqueles mais curiosos, ou desocupados, saíram de Hogwarts para acompanhar o evento. Você pode ver a massiva quantidade de alunos... Que não ocuparam nem 1/3 dos vagões do Expresso de Hogwarts. Contudo, Alexis e Adele não estão entre os alunos, dizendo que seria uma perda de tempo ou que tinham tarefas mais importantes.

Ah, uma pena não morarmos em Londres... O clima aqui na primavera fica muito bom, ainda mais quando está aquela chuva bem fininha e gostosa de deixar cair os pequenos pingos no rosto, porém ainda deixa algumas pequenas poças nas ruas e o céu nublado. Vendo agora, depois de sair da estação, Londres está curiosamente pouco movimentada.

Atravessando a primeira rua após a Estação, um guarda nos parou na calçada.

— Boa tarde senhor! – Dirigiu-se ao Luch, posteriormente observando os alunos. — Posso auxilia-lo?! Vejo que tens muitas crianças!

— Não precisa, eles são alunos da minha escola, Spell Breep, e vieram apenas para um passeio cultural! – respondeu o diretor sorridente.

O policial apenas sorriu e deixou-nos de lado fazendo um breve aceno com a cabeça. “- Nada suspeito”, provavelmente foi o que o policial pensou. Talvez Londres não seja tão segura quanto se pensa ser. Depois de avançarmos mais alguns passos fomos parados novamente, desta vez por um homem, diga-se de passagem que estava bem trajado, o qual questionou o diretor.

— Diretor Luch?

— Sim!

— Prazer em conhecê-lo, meu nome é Robert Biggs e eu vim acompanha-los até o centro histórico! – disse o homem apertando a mão de Luch.

Obviamente não vamos a um centro histórico, porém precisamos dar a entender que sim e que somos apenas um bando de trouxas (desculpa por isso, não resisti). Sendo guiados até o final da rua pelo homem que dizia ser Robert Biggs, um ônibus de turismo estacionou próximo à calçada e então os alunos foram entrando aos poucos e se acomodando nos assentos. Não devo ter dito para você que estamos no final do ano letivo e que Uou!!! O que aconteceu? Não íamos andar de ônibus?! Achei que ia ter tempo de te explicar mais algumas coisas, porém já estamos dentro do Ministério!

Olha que lugar mágico! Que altura colossal! Olha esse piso de madeira escura! Olha esses tijolos verdes! Olha a porra do monumento no centro daquele pátio! Que incrível! Eu estava cogitando há algum tempo atrás exercer trabalho aqui depois que terminasse Hogwarts, porém agora eu tenho quase certeza de que quero trabalhar aqui. Com o que? Ainda não sei.

— Extra, extra! Profeta Diário e Witch Magazine colocam Klaus Vladimir a vexame público! – gritava um homem esquelético segurando um jornal nas mãos e ao seu lado um homem mais “gordinho” entregava o jornal para aqueles que buscavam comprar.

O Ministério parece um verdadeiro formigueiro, não? É incrível. Olha lá em cima, aquele cartaz com um duende ruivo preso e escrito “Ordem e disciplina regem uma organização!”. Aquele é Klaus Pocahontas. Eu gostaria muito de descobrir a história da cicatriz que praticamente atravessa rosto do Duende, indo da testa até a mandíbula... Ou é apenas uma deformidade comum de um Duende... Olhando agora eu acho que é isso mesmo, o rosto dele é deformado.

— Gringotes, o banco mais seguro do mundo... Que farsa! – resmungou alguém do meu lado. — Que vergonha, um renomado diretor do maior banco bruxo cumplice de um ex-comensal!

Confesso que se eu tivesse mais galeões no meu cofre reagiria quase da mesma maneira.

— Lucas! Lucas! A mamãe tá aqui! – falava Luke enquanto andava pela multidão de alunos.

— Onde?!

— Vem!

Trombando entre alguns Ministériais e tropeçando nos pés aleatórios no chão, Luke me guiou até onde Sookie supostamente estava. Não demorou muito e encontramos ela conversando com um homem que não estava tão formal se comparado aos outros presentes no Átrio.

— Mãe! – gritamos ao mesmo tempo, eu e Luke.

— Luke! Lucas! Bem que Luch disse que trariam os alunos para o tribunal – falou a mulher. – Onde está Adele e Alexis?

— Ficaram. Não quiseram passar o tédio aqui – respondeu o sonserino.

— E você mãe, o que está fazendo aqui? – eu perguntei para Sookie.

— Se esqueceram de que sou eu quem cuida do cofre dos von Lichteinsten?!

— E... – emitiu Luke esperando ela falar mais alguma coisa.

— E se eu tiver que depor contra aquele anão de jardim sobre os roubos nos cofres, eu farei.

E com um som parecido com um apito, Luch acenava para reunir todos os alunos.

— Acho que você também tem que ir agora, Sookie – comentou o homem ao lado de minha mãe.

Eu não o conheço... Ao menos não me é familiar. Depois pergunto para Sookie quem é.

— Tem certeza que não quer ficar para o julgamento Diogo?

— Acho que não será necessário. Bom, aproveitem o julgamento.

E o homem caminhou em direção as lareiras no canto do imenso corredor.

— Acho que vocês também tem que ir, nos encontramos lá dentro!

Após nos abraçarmos, eu e Luke seguimos o caminho até o grupo de alunos. E eu acho que senti alguma coisa dura encostando-se em mim enquanto caminhava até o grupo... Que bizarro. Enfim. Todos estavam devidamente reunidos, contados e conferidos pela vice-diretora Catarina. Lembro-me de ter comentado com você sobre ela ter me ajudado na memória da Arvore do Passado. Mas isso não vem ao caso. Sendo guiados por Luch, chegamos até a sala do tribunal.

O local possuía um altar em conjunto a uma mesa de tribunal e uma enorme poltrona. Atrás do conjunto havia diversas cadeiras que seguiam uma ordem para a vertical. Curiosamente o formato lembra a arquibancada de um estádio de Quadribol profissional, por ser redonda ou oval.

As cadeiras nas verticais próximas do altar eram compostas por bruxos trajando vermelhos. Nas outras cadeiras havia bruxos mais jovens utilizando trajes cianos e outros utilizando trajes marrons rústicos. No altar estava o chefe do Supremo Tribunal Bruxo Christian Hammond, o famoso Ministro da Magia Phillip B. Shacklebolt, Diretor Luch e mais outros dois homens. Ambos se cumprimentavam.

— Eu vou ficar em um lugar onde ninguém me veja dormir.

— Ok – soltei um riso vendo o sonserino ir para as cadeiras do fundo.

É bom sentar um pouco agora, só que não tão afastado do julgamento. Olha só, a Catarina está aqui a trás! E essa garota aqui do lado, se não me engano, é a Liesel Vengeance, uma sonserina do quarto ano. Bom, agora só resta o julgamento começar.

***

Parece que vai começar o julgamento, considerando o silêncio e os olhos da maioria voltados para aquela mulher de vermelho, sentada próxima ao chefe do STB e com um pergaminho em mãos.

— Está aberta a seção de julgamento do senhor James Stark Blood, dono da casa dos venenos e acusado de pratica de artes das trevas – os olhos aparentemente azuis da mulher varriam as escrituras do pergaminho enquanto recitava as palavras com a voz trêmula. – E posteriormente do ex-diretor do Gringotes, Klaus Vladimir Pocahontas, acusado por furto na economia bruxa e cumplicidade com o Sr. Blood! Desta vez, a preferência do STB fora trazer ambos juntos à sala, a fim de evitar qualquer falha de segurança... Que entrem os réus!

A grande porta de ferro que havia na sala abriu-se em meio a rangidos e marchas. Alguns homens trajados cercavam e guiavam a peculiar dupla de réus. Está vendo aquele homem magro, manco da perna esquerda e de cabelos longos e brancos? É o James Blood. É obvio que conseguiria distingui-lo do Klaus já que a altura de um duende é relativamente... Diferente de um bruxo. Claro, a não ser que você tenha nanismo e esteja com a cabeça ensacada ao lado de um duende. James, além da sua altura peculiar, possui um cabelo imensamente longo e branco, quase arrastando no chão. Blood deve ter começado com cosméticos capilares e então utilizou o mesmo dom para produzir venenos porque olha... Não deve ser fácil cuidar desse cabelo. Brincadeiras à parte, após os dois réus entrarem houve uma enxurrada de comentários por parte dos alunos. Confesso que estou igualmente excitante com o julgamento, mas sem alguém conhecido para expressar essa excitação.

— Ordem no tribunal! – ordenou o chefe do STB.

Rapidamente o barulho cessou e os rostos dos réus foram descobertos. Em minha opinião, o Sr. Stark parecia bem mais... “Cuidado” nas fotos do Profeta Diário.

— Juras solenemente pela magia e justiça, não mentir em frente à Suprema Corte?! – questionou a mulher de vermelho.

— Juro não mentir... Mas não será pela justiça! – Retrucou James sentando-se na única cadeira fora da “arquibancada”. — Para que essa frescura? Eu já disse que sou culpado... Oras!

E o tumulto recomeçou. Será que Luke está dormido com tudo isso? Deixa-me ver... Ele está conversando com alguém, mas não consigo ver quem é. A professora Catarina está olhando estranho para as fileiras de cadeiras do lado oposto do nosso cercado. Há duas vazias, mas não sei se estavam vazias antes... Provavelmente sim.

— Afirmas ter matado ou roubado alguma vez na sua vida?!

— Sim! – esbravejava o comerciante.

E assim sucedeu uma série de perguntas relacionadas a acusações sobre James S. Blood enquanto Klaus ria a cada palavra que qualquer um dizia. Em outras palavras, o duende está achando graça de tudo... E você não é o único que acha isso estranho meu amigo.

— Em nome da constituição bruxa pós-Holocausto, declaro aqui, e perante a todos, que o senhor James Stark Blood é culpado! Sendo sentenciado a cinquenta anos de prisão em Azkaban com o acompanhamento de beijo do Dementador! – Declarou o chefe do STB enquanto James recitava algo parecido como uma oração.

— É agora!

— Ainda não!

— Mas... você sabe de algo que eu não sei?

Escutou isso? Eu escutei aqui atrás! De onde veio? Que estranho... Até parece que alguém vai...

— Vocês são umas baratas, vermes! – profanava o comerciante levando as algemas em sua boca. -É UMA HONRA!

Como assim?! O que está acontecendo?!

— SEGUREM ESSE HOMEM! – gritou Catarina em meu ouvido.

— Ai meu ouvido... O quê? – comentei vendo o comerciante derramar um liquido roxo e brilhante de sua manga em sua boca.

— Ele está tentando um suicídio! – alertou um ministerial.

Os ouvidos de James esfumaçaram e então seu corpo caiu no chão. Não demorou muito e o homem de cabelos longos começou a levantar lentamente... Como se estivesse com um peso nas costas. Seus olhos estavam amarelos... Com pupilas justas iguais a de um dragão. Eu tenho a leve sensação de que isso não será apenas um simples julgamento.

— FESTEJAM AS PRESAS ENQUANTO O CAÇADOR DORME, SOBEM AO TRONO OS FRACOS ACHANDO QUE VENCERAM OS FORTES, ENQUANTO ESTES FICAM MAIS FORTES! PREOCUPAM-SE EM PASSAR UMA IMAGEM LITERÁRIA EM VEZ DUMA REAL... – o homem apontou seu dedo torto para o ministro. — CUIDADO! NÃO É O PASSADO QUE VIRÁ A SE REFAZER E SIM... UM NOVO FUTURO QUE IRÁ PREVALECER! ALEA JACTA EST!

E morreu. Bom... Eu acho que morreu a julgar pelo modo que o homem caiu imóvel e com força no chão. Logo um desespero tomou conta do tribunal e o chefe do STB procurou acalma-los... Ou apenas silencia-los. E com um som estrondoso diversas fumaças negras adentraram na Sala de Audiência. Fumaças que ao tocarem no solo transformavam-se em seres de trajes escuros e mascaras... Comensais da morte? Não... Será mesmo? Achei que estivessem inativos após a queda de Saphira!

Notas finais
Obrigado por lerem! Classifiquem, comentem e até o próximo capitulo! Sendo que o próximo será o ultimo, e diferente desse e dos outros não terá um intervalo de tempo tão imenso. Um abraço!