Notas iniciais
Sei que você está querendo que eu faça alguma coisa em vez de ficar parado aqui, mas estou achando isso incrível! Eu estou no meio de comensais! Bem... Talvez não seja tão incrível assim... Acabaram de perfurar o Diretor Luch nas costas com um ferro negro.
— Luke! Mãe!
Como pude me esquecer! Tenha foco Lucas! Varinhas em mãos e... Onde Luke e Sookie estão? Ali! Achei eles!
— Búh! – emitiu uma mulher de cabelos loiros no estilo “black power” para Liesel, a garota que estava ao meu lado.
— Incarcerous! – bradou a garota contra a mulher loira.
— Impedimenta! – retrucou paralisando a corda que havia saído da varinha de Liesel.
A mulher balançou o dedo negativamente para a sonserina enquanto fazia “tsc tsc” com a boca.
— Diffindossum! – esbravejei mirando para o ombro da mulher... Mas apenas um som quase inaudível de impacto saiu da varinha.
Obrigado varinha! OBRIGADO!
Em um movimento rápido e brusco a mulher levou sua mão até meu pescoço, agarrando a corrente dourada que havia o meu... VIRA-TEMPO! FILHA DA PUTA! Não! Cadê ela? Está acontecendo muita coisa ao meu redor.
Catarina está aqui atrás desferindo alguns feitiços e lançando outros. Mais atrás da vice-diretora consigo ver Luke e Sookie. Do outro lado, no centro do tribunal há Klaus e alguns comensais ajudando-o a retirar as algemas. Está ocorrendo um verdadeiro pandemônio parecendo festival chinês de tantos feitiços coloridos sendo atirados na Sala de Audiência.
Talvez o objetivo dos comensais seja salvar Klaus do julgamento, julgando que todo esse ataque é apenas uma distração. Se alguém sinalizasse o que estava ocorrendo ali no centro poderia ao menos impedir de obterem sucesso no resgate.
— Periculum! – e uma faísca vermelha saiu da ponta da minha varinha em direção aos seres mascarados ao redor de Klaus. – Agora... Sookie e Luke.
Pulando algumas cadeiras eu... Vi Sookie defendendo Luke... Recebendo um feitiço nas costas. Não...
— Mãe! Carpe Retractum! – apontei a varinha para uma cadeira próxima a minha família e um chicote luminoso saiu da ponta do graveto, fazendo um giro e explodindo no ar. –Só pode estar de sacanagem!
— Olá, sou a subsecretária sênior – falou uma mulher de cabelos negros pulando na cadeira a minha frente. — Acho que você não devia estar aqui, garotinho. É um local perigoso como pode ver. Cadê o seu papai e a sua mamãe?
Havia um sorriso largo no rosto da mulher enquanto ela gargalhava. Cerrei meus punhos com a varinha em mãos enquanto observava ela rir. Subsecretária sênior... Eu já a vi no jornal. Mas não... Não é ela. Levantei a varinha bruscamente em direção a ela, mas ela acabou sendo mais rápida.
— Sectumsempra! – lançou fazendo um corte no ar com a varinha próxima a meu pescoço.
O sangue... O ferimento não é profundo, mas... É difícil engolir ou respirar. Meu corpo paralisou com o braço levantado segurando a varinha, e então cedeu e caiu rolando sobre algumas cadeiras, parando de bruços no cercado para onde ficavam os réus.
Meus olhos observavam o camarote onde se encontrava o diretor Luch explodir e então despencar sobre as cadeiras do tribunal, posteriormente a mulher que havia lançado o feitiço contra meu pescoço pulou sobre mim e acertou um ministerial nas costas com seu pé. Eu sou um alvo fácil de bruços e paralisado... Estou como um animal esperando pelo abate. Não consigo respirar e muito menos falar, além de o corte no meu pescoço, o que eu acho não estar pequeno, ter perigo de abrir mais se eu realizar algum movimento com ele. Foi bom passar alguns dias com você meu amigo.
— Você está preso, Howard! Eu, Raven Hel, como subsecretária sênior do Ministério da Magia Britânico, o condeno a prisão! – dizia a mulher na frente do comensal com mascara tribal, ao lado de Klaus. – Preso!
A mulher finalizou com um leve tom de brincadeira, mesmo que também fosse “sério”. Puxando com força o ar para os meus pulmões, com cuidado para não hiperventilar, eu não sentia mais a dor e ardor do corte em meu pescoço. Rapidamente ergui meu corpo com ajuda dos braços e olhei para o lado, vendo Catarina apontando a varinha em minha direção.
— Magnífico. Vou precisar de um aumento – comentou movimentando a varinha para desferir os feitiços que lhe eram lançados.
— Sookie! – gritei apertando a varinha em minhas mãos e correndo pelas cadeiras até me aproximar da mulher.
— Mas... Que droga... MÃE ACORDA! – falava Luke em desespero com a mulher nos ombros.
A roupa de Sookie estava manchada de sangue, principalmente nas costas. Ao lado de Sookie, Liesel se aproximava e colocava o outro braço de minha mãe sobre seus ombros.
— Precisamos sair daqui – comentei passando a mão no pescoço e sentindo a região do corte mais elevada.
— Sério senhor óbvio?! – a sonserina comentou ironicamente.
Então um estrondoso barulho de fogo percorreu a Sala e os feitiços sessaram por alguns instantes, dando a atenção para a porra de um fodendo dragão magico de fogo!
— Precisamos sair daqui AGORA! – gritou o gêmeo após o dragão soltar uma baforada de fogo sobre nossas cabeças.
Girando meu corpo para encontrar a saída do local, não demorou muito para que eu conseguisse localizar a porta em meio à batalha que ocorria no tribunal. Olhei para Luke como um sinal de que ele deveria me seguir, então corri pelas cadeiras até a porta, afastando os assentos para que meu irmão e Liesel não tivessem problemas em carregar Sookie.
— O MINISTÉRIO ESTÁ ENFESTADO DE COMENSAIS! MANTENHAM A CALMA! – comentou dois ministeriais montados em uma espécie de miniatura dos Rabo-Córneo Húngaros e se aproximando do dragão mágico.
A última coisa que vi antes de atravessar a porta foi o Dragão de Fogo lançar uma baforada na direção dos dois ministeriais. Era uma questão de tempo até que essa porta começasse a aglomerar pessoas.
— Eu não memorizei o caminho que passamos com Luch – alertei ofegante e parando no corredor.
— Você não lembra?! – meu irmão gritou indignado.
— Ah! E você se lembra do caminho – ironizou Liesel.
— Lembro! – afirmou Luke. – Só não sei onde ele está... Eu estou perdido aqui!
— Ah claro, está perdido...
— Se eu encontrar alguma referência do caminho eu tiro a gente daqui!
— Da pra pararem de discutir, estamos sem tempo! – falei vendo um comensal atrás dos três desferindo alguns feitiços.
Aparentemente ainda não havia nos notado... Retiro o que disse, ele acabou de nos notar!
— Confrin... – e o comensal voou metros para o lado oposto do feitiço o qual lhe atingiu.
Rapidamente Catarina apareceu trocando feitiços com dois comensais, olhando rapidamente para nós e voltando sua concentração para os dois trajados de negro.
— Vamos! – disse correndo pelo corredor a procura de uma saída pelas entradas das paredes, as quais davam para diversos corredores e portas.
Não é aqui. Nem aqui. Não... Não. Onde fica a saída? Eu não... Espera... Essa porta... A maçaneta dourada! Lá no fundo do corredor! Lembra-se dela?! Parece muito com a que tinha visto após sair do vagão, não parece?! Provavelmente não é a saída... Mas deve ser um lugar bem melhor do que aqui.
— Por ali! – gritei quase desesperado apontando para a porta com a maçaneta de ouro.
Rapidamente Luke e Liesel, carregando Sookie, me seguiram através da porta.
Que lugar é esse? É enorme... Essas prateleiras gigantes com bolas de cristal enfileiradas é no mínimo curioso. Tem várias prateleiras mais ao fundo. Contudo, eu digo para você que não estou com um bom pressentimento sobre este lugar.
— O que... – iniciou Liesel pouco antes de ser interrompida por um grito feminino.
— É perigoso estar aqui! – Catarina disse ofegante vindo em nossa direção. — Abaixo dessa sala está...
Então o local foi tomado por vultos negros e lilás. Luke se jogou no chão junto com Sookie, Liesel acabou indo junto, eu apenas agachei e Catarina se juntou a batalha, lançando tanto feitiços ofensivos quanto defensivos.
Logo o que era uma troca ágil de feitiços se tornou em um verdadeiro bombardeio entre as prateleiras. Por fim, um barulho estrondoso originado do impacto de dois ou mais feitiços ao mesmo tempo fez com que as esferas de cristal próximas e um pouco além explodissem e as prateleiras cambaleassem. Eu preciso sair daqui! Nós precisamos sair daqui agora!
Olhei para Luke, que se mantinha abaixado com Sookie e Liesel, e corri para o trio, agachando e pondo Sookie em meus ombros.
— Luke, levanta! – falei pouco antes das prateleiras iniciarem uma queda em efeito dominó. – Corre!
Apanhando a mão de Liesel, Luke seguiu meus passos enquanto eu corria com Sookie nos ombros e sentia algumas esferas caírem sobre meu corpo, provavelmente causando queimaduras a julgar pela dor ardida. Catarina continuava lançando feitiços enquanto aos poucos ia seguindo nossos passos.
— Lucas, a porta! – sinalizou Luke.
— Já vi!
Abrindo a porta eu uou! Por que diabos tem um penhasco atrás de uma porta?!
— Lucas entra logo! – Falou Luke apressado, me empurrando para dentro da porta. –Eita porra!
Primeiramente Sookie caiu dos meus ombros e eu segui pouco depois a queda. Luke em um desequilíbrio já sem apoio para os pés segurou o braço de Liesel, que em um reflexo agarrou a roupa de Catarina que acabava de se aproximar deles. Ambos caíram no penhasco.
Seguindo na ordem: Sookie estava mais a baixo, porém eu não tinha visão dela, estava de costas para a mulher. Eu estava um pouco acima de minha mãe, observando Luke caindo abaixo de Liesel, seguida de Catarina.
— Luke se eu morrer por culpa sua eu te mato!
— Aresto Momentum! – bradou Catarina pouco após um som de baque ecoar abaixo das minhas costas.
Por fim todos flutuavam poucos a centímetros do solo... E então caímos.
— Mãe! – gritou o gêmeo vindo em minha direção.
Confesso que não vi Luke se aproximando, mas escutei ele. Eu estou meio... Tonto. Levantando lentamente olhando para um vulto negro que descia o penhasco e parava um pouco além de eu e Catarina, pude escutar Sookie nas minhas costas sussurrar algo para Luke. Liesel também se encontrava atrás de mim.
— Onde estamos? – indagou Luke que, se eu o conhecia bem estava com a varinha empunhada.
— No espelho dos mortos!- Disse a mulher sádica olhando para Catarina e revelando ser o vulto o qual havia nos seguido. — O maior núcleo de magia negra do mundo e agora o túmulo de vocês!
Eu conheço essa voz... É a mesma daquela mulher que me cortou. Eu acho que é a mesma. Minha varinha esta aqui e eu não hesitarei em enfeitiça-la caso seja necessário ou surja oportunidade. Mas logo a atenção da mulher e de todos foi desviada por um choro.
— Quem está ai? – perguntou a mulher dirigindo-se ao choro, mas logo se voltou para nós. – Vamos!
Agora que reparei... Catarina está sem varinha. Quer dizer, ela estava para pegar sua varinha do chão. Não há muito que fazer, e eu não sei se Luke ou algum de nós arriscaria apontar a varinha ou lançar um feitiço para uma... Provável comensal. Restou-nos seguir a ordem da mulher de caminhar até o choro. Eu não vou tirar os olhos dela... Eu quero que ela tenha a mesma cicatriz no pescoço. Eu vou fazer ela ter.
“Expecto Patronum... Expecto Patronum...”
Essa voz... Eu não quero olhar. Mas... Catarina e ela estão... O que é isto? Há uma sombra no espelho dos mortos... De chifre e asas. E essa fumaça?
Aos poucos a voz se misturava com várias entonações, emitindo tanto um pedido de socorro quanto uma cantiga e um profundo Expecto Patronum. Então uma luz forte percorreu minha visão. Além das vozes era possível ver duas sombras chifrudas entre o clarão, uma delas abrindo os braços e outra se afastando, cabisbaixa. Fora isso uma dor no meu corpo começava a tomar conta... Uma dor insuportável!
O choro tornava-se mais alto, a fumaça mais densa, eu estava sem ar e o pouco que conseguia ver dos outros aparentemente sofriam o mesmo. Algumas das silhuetas já estavam apoiadas no chão, uma delas caída e outra se encurvava de dor, procurando resistir aquilo. Mas então... Luzes... Luzes brilharam entre a fumaça.
— Então a lenda é verdade! – comentava uma voz masculina.
Aos poucos a minha visão voltava, mesmo que isso não significasse estar em condições físicas boas. Ao meu lado estava Catarina caída no chão e a mulher mais afrente, encurvada, procurava resistir a tudo aquilo. Do outro lado estava... LUKE! SOOKIE!
— MÃE! – gritei dando um impulso para chegar mais perto de Sookie e Luke.
Meu irmão estava chorando com a minha mãe nos braços. Uma parte da costela de Sookie estava amostra... Uma fratura exposta. Foda-se a dor. Eu preciso... Chegar... Até eles!
— Mors, poderia começar? Se ficarmos aqui por muito tempo... – comentou uma voz feminina.
Mirei o rosto em direção à voz enquanto me arrastava por causa daquela dor. Querendo ou não a dor não era constante como anteriormente, mas eu ainda estava dolorido. A dona da voz em questão era Raven, a verdadeira Subsecretária Sênior.
—Ahh! Agora que já estava ficando divertido! – respondeu outra voz masculina, para qual também virei o rosto. — Se me contassem eu jurava numa descrença!
Eu não o conheço. Talvez ele seja o Mors que a Raven disse. Ou Mors é apenas uma expressão. Agora que vejo... Não são apenas dois, há mais! Phillip, o ministro, Mordred, vice-ministro, e Christian, o chefe do STB que lhe mostrei. Os cinco estavam em posição de combate contra aquela fumaça, apontando suas varinhas para aquele espectro que emitia vozes.
— No três frente de batalha anti-trevas! Um... TRÊS! – gritou o homem que eu desconhecia.
— FINITE PATRONUM! – um coro foi cantado enquanto o feitiço era entoado em direção ao espectro, dissipando boa parte da fumaça.
— NÃO! DE NOVO NÃO! – exclamou o espectro.
Finalmente cheguei em Sookie... Esse sangue saindo da fratura... O osso... Mãe...
— Luke? O que está fazendo? – questionei o garoto que se levantava lentamente e mirava sua varinha em direção ao ministro. – LUKE!
Ele não está consciente. Luke, não!
— Avada Kedavra! – bradou o sonserino.
Meus olhos seguiram o lampejo verde em direção a Phillip. Em um movimento rápido, Mordred utilizou o “Carpe Retractum” na direção do ministro, puxando-o para fora da rota da maldição.
— Finite Incantatem! – o homem desconhecido lançou contra meu irmão, anulando o controle sobre Luke, que caiu de costas desacordado.
Acho que posso chamar o homem desconhecido de Mors, assim você o identifica mais facilmente. A fumaça esta rodopiando... Parece que estamos dentro do olho de um furacão.
— NO TRÊS! – gritou o ministro.
— Mãe... Acorda.
— TRÊS!
— Não mãe, levanta... Por favor...
— FINITE PATRONUM!
— Você não pode ir...
—FINITE PATRONUM!
— E Alexis... Adele... Lilah...
—FINITE PATRONUM!
—... Morôni... Por favor mãe, fique.
E a fumaça rodopiou mais rápida enquanto o espectro gritava de dor e eu sentia meu rosto quente e úmido. Então tudo explodiu... E começou a ficar escuro... Mas eu vejo neve... Cair... Em mim...
***
—MÃE! – gritei levantando da maca.
Uma mulher olhava em minha direção espantada. Não era apenas uma mulher, era uma enfermeira.
— St. Mungus?!
— Sim...
— Onde está minha mãe?! Quero ver meu pai! Agora!
— Acalme-se. Você está com cortes e queimaduras pelo corpo, fora os hematomas...
— Eu estou pouco me fodendo pra isso! Me fala onde está minha MÃE!
— Eu irei chamar o Doutor Collin.
—NÃO! – exclamei me levantando com dores pelo corpo.
Eu vou até o quarto da minha mãe. Preciso vê-la. Você sabe não sabe? Eu preciso saber como ela está. Eu... Eu vou até lá.
— Com calma Collin.
— Me deixa! – esbravejei atravessando a porta do meu quarto, utilizando as paredes como apoio.
O hospital estava cheio. Havia algumas pessoas enfaixadas nos corredores. Outras chorando em cima das macas ou sentadas nos bancos do hospital. Os enfermeiros estavam em todos os lugares, correndo de um lado para o outro, carregando ou não objetos ou pacientes.
Após olhar através de algumas portas um cabelo loiro me chamou a atenção. Era um cabelo loiro masculino. Era Morôni com seu jaleco. E ele não estava sozinho. Adentrei alguns passos naquele quarto, vendo um pequeno grupo envolta de uma cama. Haviam duas garotas idênticas, sendo uma delas chorando no ombro de um garoto.
— Ah Brodah... – falou Alexis após me ver parado na porta.
Rapidamente a garota se aproximou de mim e me abraçou. Luke estava abraçado com Adele, que soluçava de chorar. Morôni estava sentado, com a cabeça abaixada e encostada na maca. Eu não consigo ver o que estou vendo... Aceitar isso... Reagir a isso. Sookie estava excessivamente enfaixada, e as poucas regiões que realmente eram visíveis, como seu rosto, estavam roxas ou com pontos.
— Disseram que a morte dela foi por impacto, por causa dos hematomas e da fratura... Mas o feitiço nas costas também ajudou... – explicava minha irmã ainda me abraçando. – Luke disse que quando estavam no Espelho ela conseguiu sussurrar algo... Mas ele não disse o que era. Desculpa Brodah... Deveríamos ter ido. Talvez... Talvez assim não teria acontecido.
Minha irmã me apertava com mais força.
— A culpa não foi sua, Sistah... – falei olhando para Sookie.
Eu... Não sei o que dizer... Como explicar isso que eu estou sentido. Se você já perdeu alguém sabe como eu me sinto... Eu acho...
Eu preciso de tempo, desculpa... Amigo.
Fale com o autor