Notas iniciais
Procurei explicar bem a história em conjunto aos comentários e ponto de vista do Lucas.
Boa leitura!

1 de Setembro de 2034, Expresso de Hogwarts. Chegada exatamente as onze da manhã. Malas devidamente separadas, beijos devidamente dados, conselhos devidamente aconselhados e... Estou esquecendo de algo? Ah sim, Lucas von Lichteinsten Cancheski Walker Collin, caso esteja em duvida sobre meu nome. Sim, é um nome excessivamente desnecessário.

Cabines vazias, dinheiro no bolso e Vira-Tempo pendurado no pescoço. Se estiver perguntando-se sobre como consegui o Vira-Tempo, eu lhe digo, caso contrário, somente prossiga... Havia acabado de completar onze anos, festa de aniversário dos quadrigêmeos. Sim, quadrigêmeos! Sinceramente, até hoje eu sinto pena de minha mãe, pois depois dos quatro vieram mais três. Mas isso não vem ao caso. Não por agora. Festa de onze anos, família feliz, muitos presentes e dentre outras coisas. Em um desses presentes havia uma caixinha com um laço e um papel branco com meu nome. Dentro havia um objeto dourado e circular. Um vira-tempo. Nunca soube quem havia dado a mim, acho que gostava de conviver com a dúvida e sabendo que de alguma forma havia agradecido a pessoa. O motivo pelo qual eu havia ganhado não saberia lhe dizer, mas imaginava que seria muito útil em algum momento (eu queria tanto estar certo sobre isso... Mas não estava). Voltando ao presente, encontrei uma cabine vazia, não muito longe de onde meus irmãos provavelmente iriam sentar.

— Lucas, você tem que se enturmar mais! Vai continuar sendo o mesmo idiota solitário? – falava a garota de cabelos negros na porta da cabine. Havia acabado de sentar e sinceramente queria um pouco de silêncio.

— Está me chamando de idiota?

— Meu idiota. – Alexis, a mais nova dos quadrigêmeos, não há muito que dizer sobre ela a não ser que ela é a Alexis. Entenderão algum dia... Se ela não praticar bullying contigo antes. – Tem certeza que não quer ficar na nossa cabine? Luke já está lá. – Apesar de tudo, era amável.

— Acho que... Vou ficar aqui mesmo.

Erguendo os ombros, a garota voltou à sua cabine. Luke era o mais velho dos gêmeos, seguido por Adele e então eu. Os dois, Alexis e Luke, tinham seu próprio “grupo da bagunça” chamado Injustice. Não possuía relação com os integrantes, apesar de alguns serem primos. Ou algo próximo a primos. Boatos rondam que iriam por fogo na cabana do guarda-caça este ano, porém quando perguntei diziam que era somente uma boa ideia. Ou seja, vão atear fogo na cabana.

Eu tenho uma sensação curiosa sobre esse ano letivo. Não posso afirmar que serão boas ou ruins. Provavelmente essa sensação deve-se de algo que ocorreu há alguns dias. Em memória ao Holocausto do Halloween, ocorrido há vinte anos, alunos da época montaram um memorial ao pé de uma arvore conhecida como a Árvore do Passado. Sua aparência era grotesca. Seu tamanho, enorme. Dotada de uma magia incrível, porém inofensiva. Convites foram enviados aos diversos cantos do mundo bruxo para que comparecessem à homenagem aos falecidos naquele dia. Eu fui, mas não se pode dizer o mesmo de minha família.

A Árvore tinha a capacidade de envolver seus galhos no indivíduo e faze-lo reviver suas memórias mais antigas. Como uma penseira. Isso poderia ser feito em conjunto, não restringindo apenas a um único indivíduo em uma determinada memória. A memória em questão, a qual diversos bruxos participaram, tratava-se do ataque da falecida Lady ao Ministério da Magia. Aparentemente era o ano de 2014 ou 2015 que se passava a memória. Lembro-me de aparecer ao lado de uma lufana em uma esquina, seguido de ataques aéreos dos comensais montados em vassouras. Um pequeno detalhe que já vou lhe informando é que tenho a leve impressão de que eu escolhi minha varinha em vez do contrário, e talvez ela não tenha gostado de mim. Voltando a história... Eu tentei absorver e entender o que realmente estava acontecendo, porém um dos comensais lançou um feitiço em minha direção. Tentei revidar utilizando o feitiço Speculum, o qual repele o feitiço adversário, sem sucesso. Como consequência, acabei sendo acertado pelo feitiço, perdendo o movimento de uma das pernas. O cenário simplesmente mudou da rua para o interior do Ministério, onde acontecia uma discussão do Ministro Gregory afrente a Lady Saphira. Em algum momento era obvio que o estopim iria chegar à bomba. Não demorou muito para que aurores e Ministeriais trabalhassem em conjunto para que explosões, fumaça, fogo, mutilações e mortes participassem da paisagem do Átrio Principal. Provavelmente deve estar se perguntando onde me encontro em meio a esse pandemônio... Bom, eu lhe digo. Minha pessoa encontra-se desmaiada após inalar a fumaça do local. O resto acabou tornando-se resto. Acordei enlaçado por galhos da Árvore do Passado, pouco tempo depois me informaram que Catarina, vice-diretora de Hogwarts, havia me ajudado a escapar do local.

No fim das contas havia sido somente uma memória. Poderia não significar muita coisa, mas no fundo tinha esse leve pressentimento. Neste momento em que converso com você o Expresso de Hogwarts já havia iniciado seu caminho há um bom tempo. Se estiver curioso, o trem está passando por uma ponte agora.

— Lucas? – comentava a incrivelmente parecida com Alexis enquanto adentrava na cabine. Nunca entendi o por quê de eu e Luke sermos tão diferentes e Alexis e Adele serem tão parecidas, na aparência, enquanto na personalidade o assunto é outro... Para os quatro. – Liam foi ao banheiro e as outras cabines estão cheias então...

— Podem ficar aqui – respondi sem muita animação.

— Obrigado Luc! – exclamou a garota antes de me abraçar. Liam era nosso primo... Algo como primo... Nossa arvore genealógica é muito confusa para ser explicada ou compreendida. A questão era que eu por algum motivo não tinha uma relação muito positiva com Liam, porém não chegava a ser algo negativo entre nós. – Eu ainda espero ter alguém para chamar de cunhada, Luc! Só não vou esperar muito – ambos rimos. Adele era dócil e muito preocupada, as vezes avoada, mas era o jeito dela. Tinha muita curiosidade pelo motivo que ela foi escolhida como sonserina.

A julgar pelo horário do relógio e a paisagem através da janela pode-se dizer que temos um bom tempo até a chegada em Hogsmeade. Nesse tempo acho que posso lhe dizer algumas coisas que provavelmente você saiba ou não sobre esses vinte anos. Com a proposta de trazer uma Nova Ordem Mundial ao Mundo Bruxo, Saphira Du Weldenvarden, conhecida como Lady das Trevas, iniciou a subestimada ascensão das trevas. Como muitos duvidavam de tal feito, isso provavelmente teria colaborado para que a Lady agisse “por baixo dos panos”. Um caso que provavelmente ocorreu foi o de alguém acabar descobrindo e ter deixado de lado por não considerar algo grandioso. Essa falsa sensação de proteção excessiva gerada pela mídia e o próprio governo, ministério ou qualquer que seja o representante da sociedade acaba cegando a população contra um possível ataque ao meio em que vivem. De qualquer modo, ela, a Lady, conseguiu. 31 de Outubro de 2014, o que era para ser uma bela manhã de Halloween tornou-se um grande genocídio na tão conhecida Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Poucos escaparam, sendo a maioria composta por alunos jovens e poucos do sétimo e sexto ano. Esse dia ficou conhecido como Holocausto do Halloween. Nesse momento Liam entrou na cabine. Acenei em forma de cumprimento e assumi meu posto conhecido como “vela”. Voltando aos fatos... A noticia espalhou-se pelo mundo e Saphira tomou grande parte do território escocês para si. Revelando que apenas o reconhecido Reino Sombrio da Bretanha era o alvo da Lady, nenhum país procurou envolver-se diretamente no conflito. Já dentro do território do Reino Unido, uma guerra estourava entre a população e o exército da Lady. 1 de Julho de 2015, um plano foi posto em prática no qual ex-alunos fariam um ataque relâmpago a Fortaleza de Hogwarts enquanto outros grupos de Elite enfrentariam os diversos postos avançados espalhados pelo norte da Escócia. Contudo, a guerra final acabou por ser na capital da Inglaterra, sendo oficialmente finalizada, com alguns resquícios, no dia 15 de Agosto de 2015. Utilizando um feitiço explosivo e devastador como ultima opção ao ataque da Lady, aqueles que lutaram contra impediram que Saphira obtivesse sucesso. Após o preço de muitas mortes, a paz aparente começava a ressurgir no Reino Unido.

— Lucas, está tudo bem? Você está tão quieto...

—Não é nada – sorri após responder a garota.

Na realidade eu estava conversando com você durante este tempo em que fiquei quieto, e... Olha só! Chegamos em Hogsmeade. Seguindo o roteiro padrão, sem muitos detalhes, os novatos seguiram até Hogwarts pelo lago, já os veteranos (como eu) seguiram pelas carruagens. Sendo recebidos pela Vice-Diretora Catarina, que aparentava estar preocupada por um motivo o qual eu não saberia te responder, chegávamos ao tão memorável Salão Principal. Mesas longas representando as casas Sonserina, Lufa-Lufa, Corvinal e Grifinória, juntamente com o teto enfeitiçado eram algumas das características mais marcantes do local. Como de costume, me dirigi à mesa da Lufa-Lufa. Eu comentei ser lufano para vocês? Não? Bom, acho que isso não é tão relevante... Não por agora.

— Boa Noite povo de Hogwarts! É com muito orgulho que venho dar início ao ano letivo. – Para você que não sabe, esse é Luch Cancheski Drac, o mesmo ex-aluno quem liderou o ataque relâmpago no dia 1 de Julho de 2015. Lufano, casado com a diretora da Lufa-Lufa Juliana Cancheski Collin e pai de Olivia, Lorena e Liam. Sim, Liam. O mesmo Liam que namora minha irmã. O parentesco vem da parte da Juliana se não me engano. Mas vamos continuar o discurso do Diretor de Hogwarts. – Há muitos anos atrás, e ponha muito nisso, eu estava nesta mesma mesa que hoje vocês sentam. Eu era um aluno assustado da Lufa-lufa e também muito ansioso e curioso! Eu sofri e até apanhei muito no início dos meus anos aqui. Era uma época muito diferente... Mas eu dei tudo de mim em superar meus problemas. Tive muitas aventuras, muitos vitórias, mas também muitas derrotas e perdas. Fiz muitas amizades e dentre destas, fiz um amor para toda a vida – e deu aquela piscadela para sua esposa.

— Mas durante todo tempo que estive aqui vi o quanto é importante mudarmos e estarmos atentos... Aaah, atenção! Como ela é importante. Poderia evitar muitas coisas, muitas tragédias... Hoje! Depois de anos de aprendizado eu me considero um homem atento e concentrado. E por isso quero passar essa experiência para vocês. Acho que me entendem... E como primeiro decreto como Diretor, se é que posso fazer “decretos”. Foi que as aulas dos alunos do quinto em diante fossem mais práticas e aplicáveis na vida de vocês... Então, preparem-se! – Sinceramente Luch parecia inquieto, mas aparentemente alegre e empolgado com o ano que se iniciava. O diretor caminhava a frente da mesa dos professores até que por fim cessou em silêncio. Então sorriu e encerrou seu discurso. – Bom apetite!

Eu me pergunto como seria aulas mais aplicáveis a vida. Mais do que aparentemente são. De qualquer modo, as preocupações somem quando grandes porções de comida literalmente aparecem na sua frente. Um pouco de carne, molhos, purês e qualquer suco que estivesse ao meu alcance. Tirando de abobora. De fato não gosto de aboboras.

— CALEM-SE! – Educação pra que? Mas juro que a ouvi pedir três vezes silêncio... Acho que foi só uma sensação. A mulher gritando em posição de discurso era Máximinia Travelis. Pois é, rumores da nova guarda-caça eram verdadeiros, e julgando por agora consigo entender o motivo de quererem por fogo em sua cabana. — Queridos, inicialmente eu miseravelmente gostaria de dar-lhes a boas vindas a Hogwarts! Gostaria também de ressaltar que, a Floresta Proi... – E avisos sobre a Floresta Proibida, os horários que se pode andar ao redor do castelo e outros locais proibidos de entrar foram recitados. Não minto que não presei muita atenção, visto que tinha uma bela costela sendo consumida em meu prato. Mas em resumo, era praticamente os mesmos avisos de sempre.

Após o banquete, não poderia faltar a tão desejada sobremesa! Não comi muito para falar a verdade. Deveria ter deixado um espacinho... Bom, agora já foi. Ao final fomos levados ao dormitório e, como já deve saber, minha conversa com você se encerra por aqui. Acho que... Não. Eu lhe garanto que os tempos que se seguirão serão bem interessantes, mas resta você querer saber mais ou não. Por enquanto eu vou vestir meu pijama e me deitar na cama. Eu não sei você, mas estou bem curioso... Mas só nos resta esperar. Esse beliche é tão quentinho. De qualquer modo, boa noite!

Notas finais
Classifiquem a história e comentem!
Tenho previsão de fazer mais dois capítulos antes de encerrar o Ano 1. Caso tenha uma boa repercussão farei o Ano 2, que terá alguns "eventos" peculiares...