Um fim para nós dois!
1 Capítulo I
Notas iniciais
Pressagio de guerra!
Éramos apenas duas crianças quando o pressagio da guerra santa chegou ao santuário.
— Então, vamos ter que nos separar?! – falei já sentindo o sabor agre da saudade.
Degel e eu éramos amigos desde que tínhamos chegados ali. Posso dizer que fui seu primeiro amigo...
— Pelo menos ate segunda ordem! – ele respondeu enquanto organizava as roupas em perfeitos quadrados, muito bem dobrados, dentro da mala.
Céus... Eu não tinha paciência para aquilo! Por Athena, era só jogar tudo dentro da mala de viagem. Não ia ter que tirar tudo quando chegasse ao destino marcado?
Sorri... Acho que esse jeito metódico dele nunca vai deixá-lo.
Ainda lembro-me como ele era tímido, não falava com ninguém, corava por qualquer motivo; na verdade ainda o faz. Cora por qualquer motivo, eu digo.
Mantinha sempre uma distancia e sempre franzia o cenho quando alguém falava com ele. Não se ariscava e nem perguntava. Normalmente sempre o víamos com um livro em mãos... Fosse saindo de dentro de uma biblioteca ou debaixo de uma arvore, mesmo quando ganhávamos folgas... Ate mesmo sobre grossas gotas de chuvas.
Será que ele nunca cansa de ler? – Shion perguntou uma vez, avistando Degel em uma mesa do outro lado da sala. Estávamos todos na biblioteca. Como estava chovendo o mestre Sage disse que o nosso treino seria lá. Treinar a mente também faz parte da formação de um soldado.
Shion, Dohko, Aspros, Manigold, Regulus, Asgard, El Cid, Sisifos e eu dividíamos uma mesa. Enquanto Albafica (outro esquisito, de acordo com os demais) estava em uma mesa próximo à janela, admirando a chuva. Asmita (o menino cego do santuário ficava sempre ao lado do mestre)
Por que não perguntamos isso a ele? – Manigold sugeriu, sorrindo de um jeito estranho... Na verdade, ele sempre foi estranho para mim.
Acho melhor somente um de nós fazer isso – Dohko falou, olhando de canto para Degel. – ele parece meio que... Inalcançável!
Não sei por que estão tão incomodados com isso. Não vê que ele se sente superior a nós somente por que o grande mestre requisita a presença dele. – os olhos de Aspros demonstravam uma raiva contida.
Não julgue antes de saber. – ralhei. – talvez o problema seja outro.
Por que está defendendo ele? – Aspros perguntou olhando diretamente para mim, aparentemente muito irritado. – quer ser amiguinho dele? – perguntou de um jeito jocoso. – Olhe bem para ele Kardia, nunca ira conseguir a amizade dele.
Institivamente fechei meu punho e exprimir uma expressão zangada para Aspros. E dai que ele tivesse razão? Ele não poderia sair tirando conclusões precipitadas... Podia?
Já disse para não julgar. – falei. Sai pisando duro em direção à mesa onde o ruivo estava.
Aonde vai? – Sisifos perguntou.
Ver qual é o problema! – respondi dando de ombro... Aquilo não estava obvio?!
Um baque forte me tirou de meus devaneios inocente. Degel tinha colocado a mala no chão e agora se encaminhava em direção ao enorme espelho que tinha dentro do quarto, carregando uma escova nas mãos.
Um sorriso travesso formou-se em meu rosto. Levantei-me correndo da cama (local onde eu estava deste que cheguei ali) e o abracei por trás. Pude ver, através do reflexo no espelho, seu olhar arregalar e seu rosto corar, talvez pela surpresa.
— Vai sentir saudades de mim? – perguntei, dispensando um sorriso jovial. Apoiando meu queixo em seu ombro, sentindo o cheiro que se desprendia dos cabelos dele.
— Acho que não vou ter tempo pra isso... – ele murmurou. Lançou-me um sorriso triste e um olhar saudoso.
Céus... Como aquilo doía!
Os nossos olhares ressoaram um com o outro.
Eu não queria me separar dele e vi que o mesmo acontecia com ele.
— Ao menos diga que não irá nunca me esquecer. – pedi manhoso, apertando o acerco em seu corpo.
Degel se virou pra mim, seus olhos lacrimejando, seus lábios comprimindo um sorrindo gentil.
— Jamais o esquecerei, Kardia! – murmurou. Abraçando-me forte. Retribui. Aquele seria um dos últimos por um longo período de tempo.
— Também nunca o esquecerei, Degel. – falei, ele sorriu suspirando, contendo um soluço teimoso. Senti algo quente molhar minha blusa. – Nunca! Nunca! – repeti. Abraçando-o ainda mais forte, sentindo seu corpo tremer em meus braços.
Afastei-o um pouco de meu corpo, limpei seus olhos com a ponta do polegar e o beijei como tantas outras vezes o tinha feito. Sentir o gosto salgado de suas lagrimas.
Eu realmente nunca iria esquecê-lo!
Aquela noite eu dormi no templo de aquário, melhor... Dormimos (ele e eu) no templo de aquário. Nosso sentimento era inocente! Ele me amava! Eu o amava!
Como eu viverei sem ele? Perguntei-me enquanto velava seu sono.
Na manhã seguinte o acompanhei ate o porto, depois de mais um abraço ele subiu no navio que o levaria as terrar geladas da Sibéria. Seus olhos de cor exótica cruzaram com os meus, seus lábios sorriram pra mim... Fizeram-me lembrar da primeira vez que aquele pequeno ato de flexionar um pouco os lábios para cima foi direcionado a mim...
Não entendo! – o som rouco e arrastado saiu dos lábios finos. – é complicado! – disse esfregando as mãos uma na outra, abaixando a cabeça, totalmente envergonhado.
Franzi o cenho e olhei em direção ao amontoado de livro... Eram todos dicionários!
Foi então que eu entendi; ele não entendia o que falávamos! Sorri e sentei-me com ele na mesa, comecei a lhe explicar as coisas que estavam escritas naquelas velhas páginas. E foi ai que aconteceu...
O mais belo raio de sol naquele dia chuvoso... Foi o sorriso dele!
–ooo0ooo-
Alguns anos depois...
Eu corria uma corrida desenfreada!
Meu coração batia acelerado e minha respiração estava ofegante. Meu corpo pedia alivio, implorava para que eu parasse de pressioná-lo daquele jeito e findasse logo o martírio que eu estava impondo as minhas pernas. Mais não dava para parar naquele momento... Não quando eu estava tão perto!
Cheguei ao fim da escadaria zodiacal, a sala do mestre estava bem a minha frente. Tudo o que eu precisava fazer era abrir aquela enorme porta de madeira carmesim e comprovar com meus próprios olhos... Ele tinha voltado!
Depois de longos oitos anos de um árduo treinamento, ele tinha voltado! Como estava? O que tinha acontecido? Por que parou de me escrever? Minha mente estava totalmente anuviada de perguntas, mas eu sabia... Tudo mudaria no momento que nós nos encontrássemos. Todas as perguntas seriam respondidas somente com o olhar dele.
Meu peito agoniou-se, eu realmente esperava por aquilo? Quer dizer, não era como se ele também tivesse descoberto a mesma coisa... Que nossos amor juvenil na verdade era um clamor de nossas almas. Eu não tinha o direito de espera que ele também pudesse estar apaixonado por mim. Éramos pirralhos! Tudo era tão inocente!
Oh, Athena... Como eu deixei as coisas chegar a esse ponto?
— O que ainda está fazendo parado ai? – a voz jocosa de Manigold tirou-me dos devaneios perturbadores que faziam meu cérebro trincar. Quando ele tinha chegado...? Não notei!
— Estava formulando uma desculpa para o caso d’eu ser o ultimo. Como estou vendo você aqui fora isso significa que estou no prazo. – falei. Exibi meu sorriso mais cafajeste para ele, isso o fez bufar.
— Imbecil! Estamos atrasados! – berrou.
Manigold abriu a grande porta que dava acesso à sala do mestre e eu e ele entramos.
— Que bom que resolveram se juntar a gente... Câncer! Escorpião! – o mestre ralhou. Estávamos realmente atrasados!
Todos já estavam organizados em perfeitas fileiras de pares e impares dentro da sala do mestre, inclusive ele... Vestido de forma imponente, com a reluzente armadura de aquário. Os cabelos estavam longos, quase no meio de suas costas e seus olhos... Céus, o que eram aqueles olhos? Duas lindas lanças de gelo que me fizeram engolir seco quando se direcionaram para mim. Fazendo um temor horrível me assolar.
Por Athena, ele parecia tão... tão... Inalcançável?!
Continua...
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