Um engano do destino?
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Ronald deu tempo para que a família chegasse ao elevador, depois sentou-se na cama com cuidado e retirou a agulha do braço. Em seguida levantou-se, livrou-se da tipóia e despiu o pijama. Depois de vestir as roupas que os pais tinham lhe trazido, recolocou a tipóia. Enfiou o pijama, roupão e sandálias que Hermione lhe dera em uma sacola de plástico e dirigiu-se à porta. O Dr. Dumbledore o interceptou.
— Aonde pensa que vai, tão cedo nesta manhã de segunda-feira?
— Minha garganta está melhor — sussurrou Ronald, tentando poupar a voz — e tenho trabalho a fazer.
O médico pensou um pouco e depois disse:
— Muito bem, porém não deve ficar sozinho em casa.
— Estou pensando em alguém que poderá ficar comigo.
— Ótimo! Vá até a recepção. A irmã Angélica lhe passará uma dieta alimentar e instruções sobre como cuidar dos curativos. Marque consulta para retorno em uma semana. Precisarei tirar os pontos. Tome cuidado ao se barbear.
— Obrigado, doutor. Agradeço a toda a sua equipe pela atenção que recebi. Por favor, distribua as flores e as frutas do meu quarto para todos os pacientes.
— Vão ficar contentes, obrigado, Sr. Weasley.
Minutos depois, Ronald deixava o hospital na companhia de Harry Potter , seu gerente e braço-direito.
Na noite anterior pedira à irmã Angélica que telefonasse para Harry e avisasse que estava no San Lorenzo. O gerente não tardara a aparecer. Ronald escrevera em um bloco, pedindo que Harry o viesse buscar na manhã seguinte e, como era seu costume, o funcionário não fez perguntas irritantes.
— Não faz idéia como é maravilhoso ter saído do hospital, Harry! — sussurrou, tentando pronunciar as palavras com cuidado para não forçar demais a garganta.
— Posso imaginar. Para onde vamos?
— Ao hotel Ecuador Inn. E pise no acelerador!
Quando o despertador de Hermione tocou quinze minutos antes das sete da manhã, ela não se sentia nem um pouco repousada. Estava aborrecida porque pensava mais em Ronald Weasley que em Victor, e dava graças a Deus por partir logo.
Pediu o café da manhã, ciente de que era a principal refeição do dia e de que teria um vôo longo pela frente. Vestiu um suéter azul de mangas curtas, calça e sandálias combinando.
O corte dos cabelos era fácil de arrumar, e o sol do Equador os havia deixado ainda mais claros.
Estava preocupada porque deveria chegar duas horas antes ao aeroporto, e sentiu um grande alívio ao ouvir baterem na porta, deduzindo que fosse o funcionário do hotel para pegar a mala.
— Buenos di...
Parou no meio da frase, ao ver na soleira da porta um homem muito alto e ruivo, que preferiria nunca mais encontrar. Vestia calça e camisa cor de creme, e ainda usava a tipóia.
Hermione arregalou os olhos azuis.
— O que faz fora do hospital? Ficou louco?!
— Muita gente pensa o mesmo — sussurrou Ronald Weasley com toda a calma.
— E ainda não deveria falar!
— Pensei que ficaria feliz em me ver assim.
— E estou! Só não esperava...
— Ver-me outra vez?
Hermione sentia o rosto em chamas. Como dissera o Dr. Dumbledore, Ronald Weasley tinha um físico soberbo, e estava muito bem para quem fora tão gravemente ferido e quase perdera a vida. Gaguejou:
— Estava indo... para... o aeroporto.
Com os olhos cinzentos semicerrados, Ronald mordeu o lábio.
— Sim. O capitão Rúbeo Hagrid me contou que planeja voltar hoje para os Estados Unidos. Não pretendia nem se despedir de mim?
Hermione sentia um misto de culpa e alegria ao vê-lo tão bem, e mal notou o garçom que se aproximava com a bandeja do café da manhã.
— Buenos dias, señorita.
Ela respondeu de maneira automática.
— Um momento que vou pegar a bolsa.
— Pode deixar.
Ronald colocou a mão no bolso e deu uma boa gorjeta ao homem, que foi embora, sorridente.
— Não vai me convidar para entrar?
— Claro! Precisa se sentar, Sr. Weasley.
Ela abriu caminho, ainda atordoada pela surpresa, e Ronald entrou, ficando de pé perto da mesa e erguendo a toalha que cobria a bandeja.
— O aroma é delicioso. Coma enquanto está quente. — Mas Hermione perdera o apetite.
— O que faz aqui, Sr. Weasley?
Ele voltou a cabeça em sua direção.
— Meu nome é Ronald, e depois de tudo que passamos juntos, creio que é tolice nos tratarmos com cerimônia, não acha?
Hermione sentia o pulso acelerado.
— Se o médico lhe deu alta, deveria ter ido direto para casa!
— É o que pretendo fazer. Só parei no hotel para levá-la comigo.
Ela permaneceu estática, como que em estado de choque, convencida de que não ouvira direito.
— É muito simples — continuou Ronald com a voz baixa e rouca. — O Dr. Dumbledore disse que poderia deixar o hospital, caso tivesse alguém que tomasse conta de mim nos próximos dias.
Hermione sentia as pernas trêmulas.
— Tem uma família que está ansiosa para fazer isso.
— Estão todos voltando para o Texas hoje.
— Por quê?
— Porque eu pedi.
— Como pôde ser tão indelicado quando vieram para cá às pressas para vê-lo?
— Ficaram comigo a noite inteira. Foi uma reunião familiar muito boa. Mas não estou disposto a suportar muita gente em volta. Por isso hoje, às seis horas, dei adeus a todos. — Suspirou. — Já que saí do hospital, quero me recuperar na minha casa, com alguém que sabe, de maneira instintiva, do que preciso. Se puder postergar sua partida por alguns dias, farei com que valha a pena.
— Quer dizer que me quer como enfermeira — disse Hermione, lembrando-se da massagem nas pernas.
— Só quero que seja você mesma. — Ronald franziu a testa. — Será que entendi mal, ou me contou que seu trabalho no Departamento de Turismo é ajudar um pouco em tudo?
— Não, foi isso mesmo que ouviu.
— Então é só o que peço. De acordo com o médico, a partir de hoje devo fazer uma dieta líquida. Dependendo de como minha garganta estiver amanhã, poderei comer algo leve. Se puder cuidar de minhas refeições, atender os telefonemas e responder algumas correspondências enquanto uso a tipóia, ficarei muito agradecido.
Hermione observou as palmas das mãos ainda enfaixadas, e imaginou que ainda devia sentir dor, mas sem dúvida Ronald Weasley não era um homem comum, e jamais se queixaria.
Teve ímpetos de perguntar por que não pedira ajuda a Lilá Brown. Tinha certeza que a secretária ficaria radiante. Mas talvez ele não quisesse que uma funcionária da empresa o visse convalescendo, raciocinou, e se sentisse mais confortável com ela, que não passava de uma estranha.
— Há um outro motivo para querer que fique comigo — disse ele, deixando-a alerta. — Rúbeo Hagrid veio ao hospital ontem à noite, e com as informações que dei, o corpo de seu ex-marido poderá ser encontrado nos próximos dias. Como terá que identificá-lo antes de voltar para Dakota do Sul, irá economizar uma outra viagem.
Ao compreender os motivos reais do pedido, Hermione sentiu uma onda de desapontamento invadi-la. O mistério terminara.
Antes que pudesse dar uma resposta, voltaram a bater na porta do quarto, e os olhos de Ronald adquiriram uma expressão curiosa.
— Está esperando alguém?
— Devem ter enviado um funcionário para pegar minha mala.
Hermione correu a abrir, e soltou uma exclamação de espanto.
— Jorge!
— Bom dia.
— O que faz aqui? Pensei que estivesse a caminho do Texas.
— Mudança de planos. Fico feliz em ver que consegui alcançá-la. Gostaria de levá-la ao aeroporto.
Nesse instante Ronald surgiu diante da porta, e sussurrou:
— Creio que a Srta. Granger vai ficar mais alguns dias por aqui.
Ela virou-se, e viu que ele se servira de suco de maçã, fazendo o sorriso desaparecer do rosto de Jorge.
— Quem o deixou sair do hospital, mano?
— Os médicos, sob a condição de que Hermione tome conta de mim. Mas foi gentil de sua parte oferecer-lhe uma carona. Por sorte ainda tem tempo de voltar ao carro e tentar pegar seu vôo com o resto da família. Isto é, se sair já.
A indireta pouco sutil provocou uma expressão frustrada no belo rosto de Jorge, que fitou Hermione.
— Quanto tempo ficará ainda em Guayaquil?
Parecia que o rapaz não iria desistir, pensou ela. A teimosia devia ser um traço característico dos Weasley. Arrependeu-se de ter pedido que a levasse ao apartamento de Victor. Por certo isso parecera um sinal de que estava interessada em algo mais.
Percebeu que precisava aproveitar a proposta de Ronald para se descartar do outro irmão.
— Ainda não sei.
Com gesto satisfeito, Ronald engoliu todo o suco de uma só vez, e voltou a sussurrar:
— Agora que sabe que estou em boas mãos, pode avisar mamãe para não se preocupar.
— Resolvi que só viajarei amanhã — replicou Jorge, uma expressão teimosa nos olhos brilhantes, que procuraram Hermione. — Já que estou aqui, que tal jantarmos hoje?
Antes que ela tivesse tempo de responder, Ronald interpôs.
— Já temos outros planos.
— Quais?
— Visitar o local onde seu ex-marido foi acidentado.
Hermione piscou diversas vezes, ante tal novidade, e Jorge pareceu ceder.
— Quando voltar a Dakota do Sul, entrarei em contato — disse por fim.
— Ainda terá que esperar que o corpo seja encontrado. Foi por isso que veio a Guayaquil — sussurrou Ronald.
Hermione evitou dizer que, na verdade, viera encontrar Victor no hospital, e não seu corpo, mas de qualquer forma agradeceu.
— Obrigada, Jorge, por sua ajuda.
— De nada. Em breve telefonarei. Cuide-se, Ronald.
A porta voltou a ser fechada, e Ronald fitou-a com seriedade.
— Parece que meu irmão está muito interessado em você. Aconteceu depressa.
— E uma ótima pessoa.
— Concordo.
— Quando me levou ao apartamento de Victor, contou que era divorciado. Creio que se sente perdido e inseguro.
— Concordo com isso também. Mas primeiro precisa descobrir sobre si mesmo, antes de mergulhar em outra relação.
Era um pensamento correto, mas Hermione lembrou-se que Ronald já forçara a garganta demais, e tratou de pegar o copo de sua mão.
— Deveria estar em casa, descansando.
— Leu meu pensamento.
— Seu apartamento fica longe?
— Moro em um... condomínio fechado, a cerca de setenta quilômetros daqui.
— Nossa! É mais distante que o apartamento de Victor.
— Sim. Enquanto toma seu café, pedirei a Harry que pegue sua mala.
Sem procurar saber quem era Harry, Hermione tratou de obedecer e comer sua refeição, mas as torradas e os ovos já estavam frios, e depois de engoli-los com um pouco de leite, correu ao telefone e avisou a mãe sobre a mudança de planos, prometendo ligar de novo mais tarde para dar maiores detalhes.
Arrumou o resto de seus pertences na bolsa, e anunciou:
— Estou pronta.
Logo um homem de aspecto latino e bronzeado surgiu à porta. Usava uma camisa caqui com o logotipo da Weasley no bolso.
— Este é Harry Potter, Srta. Granger, gerente da empresa. Nada sou sem ele.
— É um prazer, senhora. Por favor, me chame de Harry.
Saíram todos do quarto e, já no vestíbulo do hotel, Hermione disse:
— Preciso ir à recepção. Por que não me esperam no carro? E mais uma coisa, Harry, não deixe que o Sr. Weasley fale. Já se exercitou demais. Se ele insistir, faça-o calar a boca!
Harry riu, e fez um comentário em espanhol para Ronald, que ergueu os lábios em um sorriso satisfeito. Hermione não entendera o que tinham conversado entre si, e tratou de se dirigir ao balcão da recepção, onde lhe informaram que sua conta já fora quitada pela Weasley Corporation.
Lilá Brown dissera que a empresa tomaria conta de todas as despesas, mas não lhe parecia justo que tivessem que arcar com tudo. Assim pensando, Hermione deixou o hotel, e viu Harry de pé junto a um Land Rover do tipo que Jorge guiara. O gerente abriu a porta para que entrasse, e assim que se acomodou, ela avisou:
— Harry, o Sr. Weasley está de dieta. Quando passarmos por um supermercado pode parar para umas compras?
— É claro.
— E sabe se ele aprecia vídeos? Seria bom passar por uma loja e alugar alguns filmes.
— É falta de educação ignorar minha presença — sussurrou Ronald ao lado.
— No que me diz respeito, ainda precisa de cuidados. Como acontecera quando estivera todo enfaixado, o corpo de Ronald se sacudiu em um riso mudo. Hermione voltou a se dirigir a Harry.
— O Sr. Weasley sofreu um acidente muito sério e ainda não deve falar. Sugiro que o ignoremos.
— A Srta. Granger tem razão, Ronald. Deixe que tomemos conta de tudo.
— Estou perdido! — sussurrou o doente com bom humor. O comentário não recebeu atenção, e Hermione recostou—se no assento, apreciando a paisagem. Em breve Harry estacionou em um shopping center, e avisou:
— Aqui temos um bom supermercado. Irei com a senhora.
— Ótimo!
Hermione saiu e debruçou-se na janela semi-aberta do carro.
— Há algo mais que deseje, além de comida, Sr. Weasley? Não fale. Só faça um sinal com a cabeça.
A proximidade fez com que Ronald sentisse o perfume floral que ela usava, e isso o excitou. O suéter azul revelava curvas sensuais e a pele sedosa, e ele mal pôde se concentrar na pergunta. Um dia faria com que o chamasse pelo primeiro nome, pensou com seus botões.
Por fim balançou a cabeça em negativa.
— Não vamos demorar — garantiu Hermione.
Ela e Harry rumaram para o mercado no centro do complexo de lojas, e Ronald semicerrou os olhos, ante a visão das pernas bem modeladas sob a calça de algodão. Hermione devia medir mais ou menos um metro e setenta e cinco, a altura ideal para ele, refletiu.
Todos os homens no estacionamento observavam a bela morena norte-americana. Como podia impedir que Jorge também se entusiasmasse com sua feminilidade? Ronald não compreendia o que levara Victor a abrir mão de um casamento com uma criatura tão maravilhosa.
Quinze minutos depois ela voltou ao carro, os braços cheios de pacotes. Harry a seguia com mais compras, parecendo muito doméstico. Ronald sorriu, porque devia ser a primeira vez que seu gerente entrava em um supermercado. Harry era um solteirão empedernido.
Não pôde deixar de dizer, com sua voz sussurrada:
— É a primeira mulher que conheço que faz compras tão depressa. E um hábito da sua região?
— Não, mas como precisa chegar logo em sua casa e repousar... calado, resolvi me apressar.
Os dois homens acharam graça na observação, e depois que Harry colocou as compras no porta-malas, prosseguiram viagem.
— Pensei que todos os texanos lidassem apenas com petróleo e gado — comentou Hermione, dirigindo-se a Harry. — O que o Sr. Weasley faz deste lado do mundo? Construções?
— Será mais fácil lhe mostrar que explicar. Logo chegaremos à estrada litorânea. Verá algo surpreendente.
— Estou curiosa, e enquanto espero, creio que é hora de fazermos um pequeno lanche.
Mexeu em uma das sacolas ao lado, e retirou o que queria.
— Dois refrigerantes para mim e para você, Harry, e um delicioso suco de frutas para o Sr. Weasley. Seu gerente me disse que é igual ao que se vende nos Estados Unidos. E dê graças a Deus, sem reclamar, porque esteve muito tempo apenas tomando soro.
— Pretendo me esquecer logo — murmurou Ronald, tomando com avidez um grande gole do suco.
Hermione refletiu que um homem tão grande e forte devia se alimentar muito bem, por isso comprara muita coisa.
— Quando chegarmos em sua casa, farei uma sopa. Pode comer sorvete de sobremesa. Comprei sabor chocolate, baunilha, café e tangerina.
Ronald já terminara seu suco em silêncio.
— Já vi que manter sua boca sempre ocupada com comida é uma boa estratégia para que fique calado, Sr. Weasley. Que tal mais um suco? Quer de pêssego?
— Vou esperar pelo sorvete.
— Caso não tenha ainda entendido, não espero que me responda com palavras, basta mover a cabeça.
De novo os ombros largos de Ronald se agitaram em um riso abafado, e Harry o acompanhou, de maneira mais escandalosa. Hermione sentia-se feliz por ver que Ronald estava de bom humor, após tudo que sofrera.
— Harry quanto tempo levou para dar pela falta do Sr. Weasley?
Os olhos escuros do funcionário a fitaram pelo espelho retrovisor.
— Eu e Ronald conversamos pela última vez na segunda-feira, quando me disse que estaria em Miami até o final da semana, para terminar um negócio importante. Poderia tê-lo procurado pelo celular, mas nada de urgente surgiu, portanto não fazia idéia do acidente, até uma freira do hospital me telefonar ontem.
Era óbvio que Ronald não contara a Harry aonde pretendia ir antes de Miami, e Hermione estremeceu ao pensar que poderia ter morrido e que ninguém tomaria conhecimento por bastante tempo. Como se lesse seus pensamentos, ele murmurou:
— Não aconteceu, portanto não pense nisso.
Porém ainda havia muita coisa a descobrir sobre o acidente que levara à morte de Victor, refletiu Hermione. Ronald Weasley tinha todas as respostas, mas até que pudesse falar sem problemas, precisava conter a impaciência. De repente recordou algo importante.
— Estão com seus celulares? Lembrei que não cancelei meu vôo.
— Tomamos conta disso enquanto a esperávamos em frente ao hotel — disse Harry
— Obrigada. E fico grata também, Sr. Weasley, por ter pago minha conta. Foi muito gentil.
— Sempre fazemos isso com os familiares de nossos funcionários acidentados — voltou Harry a explicar.
Depois todos ficaram em silêncio, apreciando o cenário. Hermione era de uma região afastada do mar, e a vista do oceano sempre a maravilhava.
O tráfego continuava intenso. Por fim fizeram uma curva à direita, e um novo cenário se descortinou diante de seus olhos. A distância, Hermione viu algo como uma enorme cidade perto do mar. Algo como um prédio gigantesco se erguia com mais de vinte andares sobre as águas. Imaginou que devia ser um hotel de alto luxo.
Consultou o mapa que pegara no hotel e constatou que não havia nenhuma cidade demarcada ali. Como era possível?
Ia interrogar Harry mas então, observando com mais atenção, viu que não se tratava de uma cidade, mas de um estaleiro gigante, muito maior que o que visitara com os pais na Costa Leste dos Estados Unidos, quando criança. Em seguida fixou o enorme prédio, e deixou escapar um grito.
— Céus! Mas... é um navio! A coisa mais gigantesca que já vi na vida!
— Pode conter uma cidade — explicou Harry
— Está brincando!
— O Espírito de Atlantis tem a altura de vinte e quatro andares.
Hermione mal conseguia acreditar no que via.
— O que é isso? A arma secreta do Equador? Os dois homens voltaram a rir.
— Estou falando sério. Foi construído para a Marinha?
— Não exatamente — sussurrou Ronald.
Harry fez uma curva, e o veículo se aproximou mais do navio.
— A senhora está olhando para a cidade flutuante do futuro, construída por um norte-americano que, com outros homens de negócios, trouxe prosperidade a este país, oferecendo empregos a milhares de pessoas nos últimos anos. Quando o Atlantis sair em sua primeira viagem, na próxima semana, o estaleiro continuará a funcionar para reparar e construir outros navios.
Hermione balançou a cabeça, incrédula. Uma cidade flutuante! A mente que idealizara isso devia pertencer a um gênio. Por certo tal projeto elevaria a economia de qualquer país.
— Agora entendo por que meu ex-marido se interessou em trabalhar aqui. Muitas pessoas dos Estados Unidos vieram para cá a serviço?
— Milhares, e muitos também de outros países — explicou Harry
Hermione examinou o complexo de edifícios e deques gigantescos, e então percebeu o símbolo da Weasley Corporation no casco.
— Victor era vidraceiro, e percebo agora que tinham bastante trabalho para lhe oferecer aqui. Mas a idéia dessa cidade flutuante deve ter custado bilhões de dólares! Um sonho fantástico que se tornou realidade. Quem será que idealizou tal obra?
Nesse momento chegaram a um píer. Harry parou o carro, e voltou-se para Hermione com expressão confusa.
— Não sabia que tudo isso nasceu de uma idéia de Ronald?
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