Um doutor só pra mim
1 1. Becas e capelos
Triiiiim, soou o telefone naquela maravilhosa tarde de sábado. Dezembro com certeza é um mês maravilhoso, cheio de emoções e... formaturas.
- Alô? — atendi, prendendo o telefone entre a orelha e o ombro enquanto mexia uma massa de bolo em um enorme caldeirão.
- Lavínia? Sou eu, amiga! A Catarina!
- Oooi, Caty, sua linda! — exclamei, estampando um sorriso em meu rosto — e aí, como é que estão as coisas, mulher?
- Aqui está tudo ótimo, graças a Deus. E como você está?
- Muito, muito bem, obrigada! Que bom que deu tudo certo ontem, não é?
- Pois é, querida! Você estava linda de beca! Tirei uma foto maravilhosa, depois te mando por E-mail.
- Mande mesmo, Catarina! A festa foi ótima, não foi?
- Nossa, maravilhosa! Foi de dar inveja! O pessoal da faculdade capricha mesmo nos eventos!
- Sem dúvidas! — respondi, tentando levantar o telefone com meu ombro, sem parar de mexer a massa.
- Mas e aí? Tá fazendo o que agora? — indagou Catarina.
- Estou fazendo um bolo aqui... só pra mim e pro Jed, mesmo! Eu ia te chamar, mas... hã...
- Ora, nem precisa se preocupar! Sei muito bem como é estar apaixonada... a gente quer fazer tudo pro cara, né?
Senti meu rosto corar e dei uma risadinha, concordando.
Jed era meu colega da facul. Sempre tive uma quedinha por ele, mas sabe como são os homens: nunca percebem nada... a não ser que sejam atraídos por alguma coisa, se é que me entende. Por isso resolvi convidá-lo para comer bolo e tomar um refri comigo. Vai que rola, né? E o melhor é que posso dar a desculpa de que é uma mini comemoração da formatura, embora tivéssemos participado de uma mega festa ontem.
- Ei, Lavínia... vou desligar agora, tá? Só liguei para dar mais uma vez os parabéns! Agora é mais uma etapa na sua vida! Deve ser muito da hora terminar um curso depois de tantos anos na universidade...
- É... espero que seja bom mesmo! — respondi, com a voz meio fraca. Sempre tive um pouco de medo dessa coisa de procurar emprego, trabalhar... o fato de ter terminado os estudos me dá tipo uma nostalgia...
- Ah, amiga... para de fazer essa voz, vai! Você tem 24 anos, é nova, tem um crush super gatinho... pior sou eu, 21 na cara e nunca arrumei um namorado. Ouvi falar que os caras têm medo de mim porque faço física... eles acham que a gente vive pros estudos!
Dei uma curta gargalhada.
- Então é só isso... — continuou Catarina — vou indo, miga! Boa sorte com o Jed!
- Haha! Valeu!
Devolvi o telefone ao gancho e carreguei o caldeirão de volta ao forno.
Espero que o Jed goste, pensei, dando um suspiro.
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