Depois de mexer a massa por mais alguns minutos — é isso que dar não ter batedeira em casa. Sempre acabamos com um braço roxo e dormente -, despejei a mistura em uma forma retangular, levando-a ao forno em seguida.

Enquanto o bolo assava, chequei a hora no relógio da cozinha e caminhei apressadamente até a escada que dava acesso ao meu quarto.

– Muito bem... agora falta tomar banho... — pensei, esfregando as duas mãos no avental para limpá-las enquanto subia a escada, em passos largos e ansiosos.

Corri até meu guarda-roupa e escolhi um vestido curtinho de cor vermelha. Sem descartas as roupas de baixo pretas, é claro.

Para a maquiagem, pensei em olhos pretos e batom rosa choque. Meu objetivo era caprichar no visu para encantar o Jed. Que chegaria em apenas duas horas.

Estava tão nervosa que quase tropecei na beira da escada. Corri até o banheiro, carregando desajeitadamente minhas roupas e bolsinhas de maquiagem, me perdendo em devaneios com meu colega.

Quando finalmente entrei no chuveiro, senti uma paz inexplicável. A água quente derramava em meu corpo, e pude aproveitar a agradável sensação da espuma do shampoo cair levemente em meu rosto. Meus músculos relaxaram instantaneamente, e o nervosismo passou.

O delicioso cheiro de lavanda inundou o banheiro, e desejei nunca terminar aquele banho. De olhos fechados, curtindo aquela paz, de repente senti minha boca salivar. Além do cheirinho do sabonete, consegui, de algum medo, sentir também um leve odor de chocolate...

Deve ser psicológico, pensei. O Jed é tão bonito e incrível que meu cérebro o associa a essas sensações maravilhosas e... queimadas?!

Abri meus arregalados olhos de repente. Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha rosa que havia encontrado nos fundos do meu guarda-roupa. Bati firmemente os pés no tapete e desci as escadas com pressa.

Essa não, exclamei em voz alta! Em quê eu havia errado?!

Caminhei até a cozinha, segurando a toalha com a mão, para impedi-la de cair. Agachei perto do fogão e senti um horrendo cheiro de queimado. Desliguei o forno imediatamente e retirei a forma, com o auxílio de luvas que evitam queimaduras.

– Será que dá pra aproveitar? — pensei em voz alta, dando espetadas na massa preta com garfos. Naquele momento eu não sabia qual era o chocolate e qual era a parte queimada daquela coisa que apelidei de "bolo"...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.