Um coração perdido no espaço
3 Capítulo 2
His Pov
“Só encontramos o amor de verdade uma vez na vida; portanto, não o deixe escapar, se um dia você encontrá-lo.”
Após a guerra ter sido finalizada não havia mais o que fazer nesse lugar, por isso o governo estava mandando foguetes para buscar os “soldados” que haviam servido a seu propósito. Eu, no entanto, não estava muito entusiasmado com isso, pois voltar significava ter que enfrentar tudo aquilo que tinha deixado para trás.
Só de imaginar com o que poderia me deparar, eu começava a suar frio. Como estariam meus pais? Estariam eles vivos, ou alguma coisa poderia ter-lhes acontecido? Pensar nessa hipótese me angustiava, já que nossos últimos momentos juntos não haviam sido dos melhores, uma vez que eles também não concordavam com minha vinda para o espaço. Porém, algo dentro de mim, dizia-me que eles estavam bem e aguardavam ansiosamente meu regresso.
Outra coisa que passou a me inquietar foram os pensamentos sobre Rafaela. Teria ela me esquecido e iniciado algo com outra pessoa? Essa questão estava roubando todos os meus pensamentos, e era o motivo principal de eu querer adiar meu retorno para casa, pois não sabia como iria reagir ao constatar que ela realmente havia seguido em frente e refeito sua vida.
Deitei-me em minha “cama” – se é que podia se chamar aquele bloco feito de metal que nem com todos os cobertores ficava confortável, de cama – e tentei abrandar a mente para conseguir dormir. Entretanto, aquilo parecia algo difícil para mim, pois não conseguia parar de refletir sobre como as coisas deveriam estar na Terra. O medo de ter sido esquecido enquanto estava fora começou a se abater sobre mim e a tirar o pouco de paz que eu tinha.
Apesar de todas as consternações, eu não me arrependia da minha decisão, de modo algum, pois isso havia sido a realização de um dos meus maiores sonhos; mesmo que infelizmente tenha tido que abdicar do outro para poder concretizá-lo.
– Preparado para voltar para casa, Monroe? – Se existia algo de que eu não gostava em tudo isso, eram as amizades que havíamos sidos forçados a fazer com pessoas que nem conhecíamos direito, apenas porque estávamos todos juntos em uma mesma missão. Agora Frederick Olwen, um dos homens com quem dividia o espaço destinado para nosso descanso, olhava-me incisivamente a espera de uma resposta que eu não queria dar.
– Na medida do possível, Olwen — respondi encarando o teto.
– O que isso quer dizer? Eu odiava quando alguém era invasivo. Não estávamos ali para sermos melhores amigos e eu não devia explicações da minha vida a ninguém.
– Quer dizer que muito tempo se passou. Tenha um bom descanso. — Virei-me para o outro lado, como uma forma de evitá-lo, e se ele fosse inteligente o bastante, entenderia o recado.
Ouvi o farfalhar daqueles lençóis metálicos, com os quais tínhamos que nos cobrir, e soube que ele finalmente havia ido se deitar e iria deixar-me em paz. Fechei os olhos e torci para que o sono me alcançasse, mas isso não parecia que iria acontecer tão cedo, e em meio aos pensamentos aleatórios que transitavam por minha mente, fui inundado pela lembrança de meu primeiro dia aqui na base espacial.
Após uma longa viagem realizada em um dos foguetes da NASA – com o aperfeiçoamento das tecnologias, uma viagem para a lua já conseguia ser feita com o mínimo de tempo possível – eu finalmente pisei em solo lunar, e dirigi-me para a nova base espacial em órbita ali, construída especialmente para nos abrigar enquanto estivéssemos realizando aquela missão.
Descrever em palavras como me senti ao olhar para a imensidão do espaço pela primeira vez, era uma tarefa difícil de ser realizada, pois não havia nada no mundo que conseguisse expressar este sentimento. Fiquei tão impressionado assim desci na plataforma da estação, que a única coisa que conseguia fazer era olhar ao redor para ter certeza de que aquilo era real e não apenas um sonho.
No entanto, logo tive mudar meu foco para o real motivo de estar ali, já que tivemos que entrar apressados para não sermos atingidos pelos de raios de laser disparados pelas naves que rondavam o local.
– Vocês já devem ter percebido com o que terão que lidar enquanto estiverem aqui – disse o oficial pela missão, Richard O'Shea – Devem ter notado também que eles não estão de brincadeira, e que possuem uma tecnologia muito mais avançada que a nossa, apesar de já termos nos aperfeiçoado bastante nos últimos trinta anos. Portanto o que tenho a dizer-lhes antes que possam seguir para seus respectivos aposentos, é que terão que esforçar-se ao máximo para vencê-los. Ele olhou atentamente para cada um de nós antes de pronunciar sua frase final:
– Utilizem toda inteligência e agilidade que possuem, uma vez que estes foram os atributos que os levaram a serem selecionados para estarem aqui. Agora estão dispensados.
Assim que ele terminou de falar todos se espalharam em direção às câmaras que iriam ser como nossas casas, até que pudéssemos ir embora. Quando vi do que se tratavam nossos “aposentos”, eu quis rir, porque aquilo não se parecia em nada com um quarto. Havia seis blocos de metal, do tamanho de camas, dispostos horizontalmente, com uma almofada sobre cada um, e um armário onde estavam guardadas algumas roupas de astronautas e lençóis metálicos para nos cobrir quando fôssemos descansar. Essa parte, não era realmente do jeito que imaginei, mas isso não era a questão importante que estava em jogo...
Não sei em que momento adormeci, mas quando acordei era o único que ainda estava deitado. Escutei o som de passos andando de um lado para o outro, e repentinamente fez sentido que os outros já tivessem acordado e me deixado dormindo. Eles estariam voltando para casa hoje, e o foguete que viria buscá-los deveria estar próximo de chegar.
Centenas de homens haviam sido convocados para esta incumbência, mas apenas 20 permaneciam na base. Éramos o último grupo a voltar para casa, e ainda poderíamos ser divididos em dois, se permitissem que mais familiares viessem para cá. Eu sinceramente esperava que isto acontecesse, pois não estava pronto para enfrentar o passado.
Após fazer minha higiene e comer alguma coisa para preencher o estômago, já que fome eu não sentia, saí para mais uma caminhada sem rumo. Isso já estava se tornando um hábito meu, mas sinceramente não estava preocupado, pois em breve iria embora e isso não seria algo que me afetaria quando voltasse para casa.
Segui andando sem rumo em meio às rochas e meus pensamentos voltaram-se para a primeira vez que participei do combate.
Respirei fundo antes de entrar na nave espacial e concentrei-me no que teria que fazer. Bastava acionar a alavanca e direcioná-la para o lugar certo quando avistasse as naves invasoras e disparar os raios elétricos.
Eu poderia fazer isso, já havia treinado antes de chegar aqui. Além disso, não poderia ser tão difícil, não era? Naquele momento eu senti falta de Rafa mais do que nunca, pois era sempre ela que não me deixava desanimar em meio às dificuldades, e dava-me forças para seguir com o que estivesse fazendo.
Balancei a cabeça tentando me livrar da imagem dela. Não podia me lamentar, e muito menos agora. Eu tinha que manter o foco na missão à minha frente.
– Tudo pronto Monroe? – perguntou-me Kelvin McCoy, um dos oficiais, e a pessoa que supervisionaria meu primeiro voo.
– Sim senhor!
– Ótimo! Eu quero aqueles seres insignificantes destruídos, e que não sobre nem uma peça sequer daquelas navezinhas medíocres! – O modo como ele falou assustou-me um pouco, mas ignorei. Eu iria lidar com coisas piores daqui pra frente, então teria que me acostumar. Mortes e destruições me aguardavam nessa jornada.
Essa viagem já havia me proporcionado diversas experiências, muitas das quais jamais esqueceria, não importando quanto tempo passasse. Olhei ao redor e vi uma espécie de formação rochosa que não notara antes em minhas andanças, talvez tivesse me afastado da base espacial mais do que pretendia. Dei de ombros e caminhei até lá, sentando-me em seguida. Se eu iria fazer uma visita às minhas lembranças, preferia estar sentado.
Haviam disparos de laser por todos os lados, e eu tentava atingir a maior quantidade de naves que apareciam no meu caminho.
– Vamos Monroe, acabe com esses malditos!– McCoy gritou de onde estava sentado, no banco ao meu lado.
Vi a oportunidade de aniquilar vários invasores de uma vez, após avistar um meteorito que vinha ao meu encontro. Seria arriscado o que pretendia fazer, mas eu tinha que tentar. Girei a nave bruscamente e ativei uma grande carga de raios que atingiram o centro do meteorito, porém, antes que este se espalhasse em milhares de partes e atingisse meu objetivo, me desloquei do caminho, fazendo a nave chocalhar.
– Ficou maluco?! – Esbravejou o oficial – O que pensou que estava fazendo, ao realizar tal manobra?!
– Eu tinha tudo sob controle. Além do mais, temos que fazer de tudo para vencer essa guerra.
– Sim, sim. Isso é verdade. Só não esperava um movimento assim de um novato.
Sem sombra de dúvidas aquela havia sido a melhor parte do meu dia.
Sorri com a memória e voltei a caminhar, avistando ao longe depois de alguns passos, uma silhueta bastante conhecida por mim, mesmo com todas aquelas camadas de roupas especiais. Entretanto, aquilo não poderia ser real, em hipótese alguma, pois não fazia sentido. Contudo, mesmo que eu fosse me desiludir depois, por ser apenas uma alucinação, eu corri em direção àquela imagem que fazia com que eu pensasse que era Rafaela.
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