Um conto de verão
2 Dar um tempo
Fazia uma semana que Bob morrera atropelado e Thomas não saíra de casa nem para comprar pão. A mãe começou a se preocupar e sempre que via Thom jogado pelos cantos tentava animá-lo e falar para que ele saísse e se divertisse com os amigos. Mas na escola Thomas só tinha colegas. Ninguém com quem desejasse passar 5 minutos a mais depois de tocar o sinal no fim do dia. Depois que se formou, seus contatos foram, aos poucos, se deteriorando, até sobrar quase nada.
Thom acreditava que nem todo relacionamento começava tão fácil. Era preciso construir confiança, e isso era muito difícil quando a maioria das pessoas não tinham assunto em comum com ele. É fácil encontrar pessoas nerds que fiquem o dia todo jogando ou fazendo maratona de séries ou assistem Star Wars todo final de semana, mas não é fácil encontrar pessoas que romantizem tudo e concordem com seu ponto de vista crítico e detalhista até sobre as coisas que mais gosta.
Sim! Thomas romantizava tudo. Quem é que disse que só meninas sonham com o príncipe encantado? Quer disser, não que Thom sonhava com um príncipe encantado, na verdade não está nem em questão quais são as preferências dele, ele que se resolva depois encolhendo entre sapos, príncipes e princesas.
Mas romantiza do tipo que vai ser fiel, muito, muito, muito fiel e isso também é um problema. Não a fidelidade em si, claro, mas o “muito, muito, muito”. Esse é o principal motivo dos términos (ou do termino que ele já teve pelo menos) de um relacionamento. O muito, muito, muito, ou MMM como vamos chamar, passa a virar ciúmes, ou obcessão, ou qualquer coisa assim, e ninguém, repito, NINGUÉM, quer uma pessoa grudada em você 24h por dia 7 dias por semana.
Thom queria ter amigos, pois queria sentir o que os livros diziam ser “felicidade infinita”. Ter companheiros para todos os momentos, etc, etc, etc. Aquela amizade que é MMM bonita. E que ele só tinha com Bob.
A mãe de Thomas pensava que ele só estava sendo dramático, assim que a faculdade começasse em março ele faria amigos e o problema acabaria. Mas o garoto não esperaria até o início das aulas, ia fazer algo agora, realmente não ia poder lamentar a morte de Bob por muito mais tempo.
Ele ia fugir de casa na próxima terça-feira, dali a dois dias.
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