Um clássico nada clichê.
2 Culpa da pizza de chocolate – Parte 2.
Notas iniciais

(Música para o capitulo: “World is Mine – Hatsune Miku”)
[POV. ANNIE]
Fiquei paralisada.
– O QUE FOI QUE EU FIZ? – Gritei sem pensar.
– Você fez o que ele merecia a tempos. Alguém tinha que enfrentá-lo. – Kori falou rindo e Jin começou a gargalhar.
– Por que vocês estão rindo? – Perguntei me contagiando com o “clima de risadas”.
– Nada – As duas falaram em coro. Fiquei olhando para o pedaço de pizza no chão. Senti dó da pizza, ela não merecia isso. E o chão devia estar frio.
– Que dó da pizza! – Pensei rindo. Olhei mais um pouco para a pizza, suspirei e decidi olhar em volta.
Tinha dois garotos olhando para mim, com uma expressão de “Podemos te abraçar?”
Então quando vi, os garotos estavam vindo na minha direção.
Será que eles vão mesmo me abraçar?
– Oi – Um deles falou. Suspirei mais fundo. Eu mereço né? Não podia ter dia melhor. Agora virei sensação do colégio.
– Olá – O outro falou. Prevejo ter patricinhas na minha cola. Podia estar pior? Não!
– Você simplesmente fez o que queríamos fazer desde do ano passado. Obrigado! – O primeiro falou sorrindo. Impressão minha, ou...
– Você está com uma camisa do Luigi*, e você... – Falei apontando para o segundo.
Ou... Encontrei gente... Normal?
– Está com uma camisa do Kaito*? Se apresentem logo, quero nomes. – Falei ficando boba. Encontrei gente normal sim, obrigado!
– Oi, prazer sou Hiro. Hiro Zhou. – O garoto com a camisa do Luigi falou. Fiquei mais boba ainda.
– E eu sou o Peter e vi o que rolou hoje. Sua bolsa tentou voar né? Ou o /tp* deu errado? – O garoto com a camisa do Kaito falou. Morri e parei no paraíso dos garotos gamers?
Ou estou sonhando.
Sim, eu devo estar sonhando.
– Oie, e-eu s-sou Annie Co-Cooper. Pra-prazer. Sou gamer, otaku e geek! – Falei gaguejando com um sorriso bobo no rosto.
– E ela tá solteira heeem... Querem Whatsapp? – Kori falou com um sorriso malicioso.
– Kori! Modos! – Gritei. Não preciso de ninguém para me lembrar que estou solteira, obrigado! E como a Kori sabe que tenho Whatsapp? Senhor, que medo!
– Rápida a sua amiga em... Porque ter inimigos quando se tem a Kori como amiga, certo Kori? – Peter falou piscando pra mim.
Estou definitivamente sonhando.
– Nada haver P! Só quero ajudar a Annie... Algum problema? – Kori falou batendo o pé. P? Ela chamou ele de P? Como assim?
A Kori que trate de me explicar isso depois!
– Hum, que tal... Bancos, olhem lá... Tem bancos vazios lá, que tal a gente ir sentar lá? – Perguntei nervosa apontando para alguns bancos perto da entrada para o pátio.
– Vaamoos! – Kori gritou carregando todos com ela. Arrumamos os bancos e por fim todos sentaram.
Ficamos um bom tempo conversando. Jin e Kori conversaram sobre os animes que iriam lançar no final do ano, Hiro ficou fingindo jogar pipoca para pombos imaginários e Peter e eu ficamos conversando sobre jogos.
Tenho provas suficientes que estou sonhando.
Então bateu o sinal.
– A conversa foi boa, mas temos química agora, hashtag amamos química! – Hiro falou dando gargalhadas com os seus pombos imaginários. Todos levantaram e começaram a ir para a sala. Os segui enquanto tentava ler um mangá no celular.
– Ei Annie, falando com o Tibers*? – Peter falou parando na minha frente. Estávamos quase na sala.
– Mas o quê? Tibe... Ah saquei, do League of Legends. Diga oi para o Tibers... – Falei apontando para o celular.
– PETER, VEM CÁ VER ESSE NOVO JOGO! – Hiro gritou histericamente. Revirei os olhos. Peter acenou para mim e correu para dentro da sala. Encostei na rede de proteção que havia em frente a sala – porque é normal alguém decidir cair do segundo andar do colégio né? – e continuei tentando ler o mangá.
– Kôkô, colabore... Por favor, carregue o mangá... – Falei brigando com o meu celular que apelidei de “Kôkô”.
– Tentando fazer o que, senhorita pizza de chocolate? – Alguém perguntou. Me virei para ver quem era o dono da voz.
– Ma-Mako-Makoto? – Gritei gaguejando. Ah não, não, não... Não dava para piorar.
– Sim, em corpo e alma. E sem recheio de pizza de chocolate no rosto. – Ele falou dando um sorrisinho. Avistei o grupo de loiras vindo atrás do Makoto. É, deu para piorar.
– Oizinho, garota da pizza. – Uma das loiras falou chegando perto de nós. Piorou elevado ao cubo.
– Hum, Annie minhas amiguinhas adorariam falar com você... Que tal? – Makoto falou dando um sorriso sarcástico. Piorou elevado a quarta potência.
– Não, outro dia né garotas? Podíamos ir ao Shopping... – Falei recuando. O grupo de loiras começou a avançar.
“Quanto mais eu recuar, mais ela vão avançar.” Pensei começando a suar frio. Não curti essa situação.
– Não, que tal aqui? – Uma das loiras falou. Recuei um pouco mais e bati em algo.
Um extintor de incêndio. Ótimo!
Parei ao lado do extintor, quando fui pega-lo umas das loiras correu e chutou para longe o extintor, fazendo um estrondo enorme. A mesma pegou pelo meu braço, abriu uma porta que estava ao lado e me jogou com força para dentro do local.
Caí com tudo em cima de um monte de cadeiras. Atordoada, consegui dar uma rápida olhada no ambiente.
Parecia um laboratório de química.
Cinco loiras entraram no laboratório, e a última fechou a porta, a trancando.
Ah não, piorou elevado a quinta potência.
Fiquei jogada em cima das cadeiras, sinceramente, fiquei com preguiça de levantar.
– Ah, até que está bom aqui. – Falei com sarcasmo.
– Então a garota da pizza tem humor? Pelo jeito não é tão burra! – Uma delas falou rindo.
– Burra? Você sabe aonde está nesse exato minuto? – Falei tentando levantar. O chão estava bom, mas sabe como é...
– Sala de química? – Uma outra loira falou pensativa.
– Éh, uma doce e linda sala de química! – Falei ficando totalmente em pé. Só preciso achar onde fica as substâncias químicas e boom chakalaka.
Comecei a procurar vidros com alguma substância dentro.
Vi um vidrinho escrito Br.
O que é mesmo Br?
– Mas então... O Mak pediu para falar com você... – Uma delas falou. São todas loiras, não sei mesmo qual é qual.
– Hum, sério? Interessante. E o que ele pediu para vocês falarem? – Perguntei animada e desesperada.
O que é BR mesmo? Vamos Annie, lembre, lembre!
– Olha garota, não sei o que você quer, mais de uma coisa eu sei, mexa com o Mak de novo... E você vai se ver com a gente! – A mesma que tinha falado antes, falou com um tom ríspido.
BR... BR... Espera...
BROMO?
– Ele que mexeu comigo. – Protestei lembrando do Nintendo despedaçado. Comecei a andar devagar até o vidrinho com Bromo.
[N/A: Bromo é um líquido volátil, irritante e corrosivo, ataca rapidamente tecidos orgânicos e provoca sérias queimaduras. ~ Como eu sou má ~]
– Mesmo assim, ele é o Mak e ninguém mexe com ele. – A mesma gritou batendo o pé. Continuei devagar indo até o vidrinho.
– E vocês são o que? Donas do fã-club do Makoto? – Perguntei rindo e continuando andando. Cheguei perto do vidrinho e em um rápido movimento eu o peguei.
– Boa ideia garotas, que tal um fã-club? – Uma delas falou alegremente. Apontei o vidrinho para elas.
– Vocês sabem o que é isso? – Perguntei com um sorriso bobo no rosto. Como eu sou má!
[ENQUANTO ISSO, NA SALA DE AULA]
[POV. KORI]
– Gente, já faz um tempo que bateu o sinal, cadê a Annie? – Perguntei para o pessoal a espera de uma resposta.
– Vi ela pela última vez no corredor, depois entrei na sala. – Peter explicou começando a se levantar.
– Aonde você vai Peter? – Hiro e Jin perguntaram em coro.
– Já volto, vou tomar água. – Peter falou indo pedir autorização para sair de sala ao professor.
[POV. PETER]
– Água, sei... – Falei saindo de sala. Aonde a Annie se meteu? Mal a conheci e ela já sumiu.
Escutei gritos, pareciam vir do...
DO LABORATÓRIO DE QUÍMICA!?
Corri em direção ao grito para ver o que estava acontecendo.
[POV. ANNIE]
– Não gritem, não irei abrir o Bromo e jogá-lo em vocês. Mas, mexam comigo de novo, e talvez eu não mexa com Bromo, talvez eu mexa com algo pior. – Falei com um tom amedrontador. Faço de tudo para tirar essas Barbies Falsificadas do meu pé.
– Annie, você está aí? – Escutei alguém gritar. As cinco pularam assustadas.
– Nem pense, ela não vai sair daqui – Uma delas gritou. Escutei alguém forçar a porta pelo lado de fora.
– Annie, tudo bem? – A pessoa gritou de novo. Parecia a voz do Peter.
– Peter? – Gritei sorridente. Agora tudo começou a melhorar.
– Sim, sou eu. – Peter gritou, senti o sorriso no meu rosto aumentar mais.
– Socorro, estou tendo que me defender com Bromo. Me tira daqui! – Gritei para Peter. Escutei as batidas na porta aumentarem.
– Bromo? Você sabe que isso é corrosivo? – Peter gritou rindo, e as batidas na porta aumentaram mais ainda.
– Éh, ela explicou isso! – Uma das loiras falou parecendo entediada com tudo aquilo.
Mas eu estava animada.
– Calma garoto, vamos abrir a porta! – Outra loira falou pegando uma chave e destrancando a porta.
– O que vocês fizeram com ela? – Peter perguntou correndo até mim.
Pelo jeito, estou mesmo sonhando.
Que raiva.
– Estou sonhando? – Perguntei me abraçando ao vidrinho com Bromo.
– Não Annie, é tudo real! – Peter falou rindo e pegando o vidrinho de mim.
– Bromo então? Você é uma garota corrosiva? Hum, interessante. – Peter falou rindo e agitando o vidrinho. Comecei a rir junto.
– Vamos para sala Annie. – Ele falou me puxando pelo braço para fora da sala e jogando o vidrinho de Bromo em uma cesta de lixo.
Entramos na sala e fui direto para o meu lugar.
– Annie, o que houve? – Jin e Kori perguntaram em coro. Comecei a rir do nada.
– Nada garotas. Acho que vou dormir, me avisem quando acabar as aulas de hoje! – Falei abrindo a boca de sono e deitando a cabeça na mesa.
E assim foi o meu primeiro dia de aula.
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