Um anjo em minha vida
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Notas iniciais
-Florence, você vai passar na biblioteca antes de ir pra casa? -Pergunta Lucca, meu melhor amigo.
-Acho que sim, tenho que pegar aquele livro que o Sr. Louis passou.
-Eu vou encontrar a Lola, minha princesa precisa de mim, me mandou mensagem.-Lola é a namorada dele e minha melhor amiga.
-Tá legal, até mais, mande um beijo pra ela.
-Pode deixar, até mais.
Sigo pra biblioteca e vou até a Lucy.
-Boa tarde Lucy, eu preciso de um livro chamado,-dou uma olhada no caderno pra ver o nome- Brida, é do Paulo Coelho, um escritor brasileiro.
-Claro, está na sessão três, letra B.
-Obrigado.
Vou até a prateleira, deixo meu caderno na mesa e acho o livro, tem uma capa bonita, com uma mulher de cabelos cacheados, ruiva, de costas, escrito Brida bem grande. De repente sinto um perfume, cheiro de madeira e grama molhada, me viro e não vejo ninguém. Passo por Lucy mostro que peguei o livro e saio da biblioteca indo para o estacionamento, vejo minha bebê, o preto reluzindo de longe, a belezinha que meu pai me deu, meu sonho, minha Ferrari, ganhei quando consegui minha habilitação.
Chego em casa e subo as escadas indo direto para o meu quarto, cinco minutos depois ouço alguém me chamar.
-Florence. -É Marta, a nossa governanta. -Você poderia vir até aqui querida?
-Claro, já estou indo.
Desço e dou de cara com Alec -meu irmão- sentado no sofá, com duas malas do lado. Grito e saio correndo pulando e beijando o seu rosto, cara, estava realmente com saudades.
Havia quase um ano que eu não o via, depois da morte da nossa mãe, á quatro anos ele se distanciou da família.
-Oi pra você também Flor.
-Ai meu Deus, você está realmente aqui? -Segurei o rosto dele. -Que saudade de você.
-Pois é, a temporada acabou mais cedo, resolvi vir pra casa, se essa ainda for minha casa.
Ele é ator, e é formado em arquitetura.
-Claro que é.
-Também estava com saudades de você Flor, aquela belezinha lá na entrada é sua?
-Sim, o papai me deu quando tirei carteira, você está tão bonito.
O cabelo loiro havia crescido e o corpo malhado ficava bem a mostra nas roupas que ele usava, os olhos verdes se destacavam na pele branquinha.
-Obrigada Flor, você também está linda, cresceu uns dez centímetros desde a última vez que nos vimos. Continua vestindo preto?
Dei de ombros. -Eu gosto e você sabe, então quanto tempo vai ficar?
-Acho que vou dar um tempo, e vou fazer uns projetos, a arquitetura me chama. -Não parecia isso. -Sabe? Eu tenho que mudar um pouco.
-Você pode ser ator, mas não consegue mentir pra mim, o quê aconteceu? -Perguntei séria.
Ele me olhou por alguns segundos, se ajeitou no sofá, respirou fundo e eu vi uma lágrima escorrendo pelo lado esquerdo do rosto. O abracei e fiquei ali sem dizer nada, até que eu ouvi:
-Ele era meu melhor amigo, ela não tinha esse direito.
-Calma, se você não quiser, não precisa me contar.
Ele se afastou e limpou as lágrimas.
-O Jeff estava gravando junto comigo, e nós éramos melhores amigos, eu estava namorando com a Katherine, morávamos eu e ele no apartamento, eu saí pra comprar comida chinesa e quando eu voltei, os dois estavam no sofá, juntos e se beijando...-Ele secou outra lágrima. -Eu sou um idiota, amava ela e os dois me traíram.
-Olha, ela não merece o seu amor, e nem ele a sua amizade, agora você está aqui e vai superar isso. Porque família é pra essas coisas.
-Eu amo você. -Ele disse, uma lágrima escorreu pela minha bochecha.
-Eu também amo você irmão, agora você quer comer alguma coisa? Acho que temos bolo de chocolate.
Ele abriu um sorriso enorme.
-Da Marta?
-Sim, da Marta.
O bolo está divino, Marta realmente sabe como fazer um. Pego um copo de água na geladeira e sirvo, um pra mim e outro pro meu irmão, ele agradece e pergunta:
-E o Mark, ainda juntos?
Balancei a cabeça em negativa.
-Ele foi pra Portugal, decidi que era melhor se terminássemos.
-Entendo... -Ele decide não prolongar o assunto. -Então, quero dar uma voltinha na sua belezinha.
Pego a chave no balcão e a entrego pra ele.
-É a comando de voz então, é só dizer: Ligar Ferrari e tudo estará resolvido.
-Legal, quer vir? -Arqueou a sobrancelha.
-Não, tenho que fazer um trabalho, só não machuque a minha bebê.
-Nunca. Te amo irmã, e é sério, você está linda.
Coro, nunca me dei bem com elogios.
-Obrigado, também te amo.
Subo para o quarto e troco de roupa, visto um vestido solto preto com detalhes brancos, na beirada. Me olho no espelho a fim de encontrar uma garota realmente bonita.
Magra, alta, peito e bunda em um tamanho aceitável, coxas grossas o suficiente, cabelos quase pretos, olhos verdes esmeralda, algumas sardas perto do nariz, mas nada preocupante e, por fim, branca como a neve. Eu definitivamente não sou linda, pelo menos é o que eu acho.
Pego meu livro e vou fazer o trabalho, procuro meu caderno de letras mas não o encontro devo ter deixado na universidade, tenho que buscá-lo. Depois de quase uma hora escuto o som do meu carro, aproveito que quero beber água e desço as escadas, quase caio ao pisar em falso, então tudo para, sinto o perfume de hoje mais cedo olho para os lados e não vejo ninguém, é frustrante, continuo descendo as escadas, meu irmão entra e me entrega a chave.
-Ela é demais baby, obrigado.
-Quando quiser. -Sorri e segui para a cozinha.
-Florence, seu pai vai trazer a namorada aqui hoje, a senhorita Scarlet é um doce, acho que vai gostar dela. -Disse Marta, um pouco insegura.
-Calma Marta, eu não vou aprontar nada, eu só não quero que ela pense que vai ocupar o lugar da minha mãe, mas meu pai merece ser feliz de novo, e ela sabe fazer isso.
-Tudo bem.
-Bom estou indo lá na universidade, tenho que pegar um caderno que deixei lá, enquanto eu vou, você poderia preparar uma daquelas tortas salgadas da sua mãe? Se não for incomodo.
-Você nunca incomoda querida, tome cuidado.
-Obrigado, mamãe.
Chego na universidade e vou em disparada para a secretária:
-Caty, por acaso, algum caderno de literatura, chegou aqui hoje?
-Um moço veio aqui e devolveu esse caderno, disse que tinha encontrado na biblioteca, é esse? -Ela levantou um caderno com uma banda na capa.
-Isso, quem era o moço?
-Não sei, nunca o tinha visto, mas ele tinha um perfume maravilhoso -sorriu tímida-, na verdade ele era todo maravilhoso. Acho que o nome era Samuel.
-Ah, queria agradecê-lo.
Ela se desculpa com o olhar.
-Tudo bem, tchau Caty.
-Tchau, Florence.
Saio da universidade e esbarro com o a senhora Legger, que carrega livros de mais pra idade dela. Antes que eu possa oferecer ajuda ela pergunta:
-Oh Florence, minha querida, você poderia, por favor, levar esses livros pra biblioteca?.
-Claro Sra. Legger. Será um prazer ajudar. -Respondo.
-Obrigado meu anjo, você é muito doce, mande lembranças ao seu pai.
-Pode deixar, até mais, tenha um bom dia, Clair.
-Até, você também criança.
Corro em direção da biblioteca, mas na metade do caminho, meu corpo bate em algo sólido, caio de bunda no chão e todos os livros -inclusive o meu caderno-, caem.
-Que coisa! -Resmungo, me ajoelhando e pegando os livros. -Merda, merda, merda, como eu sou desastrada.
-É já deu pra perceber. -Fala o desconhecido, se agachando para me ajudar.
-Me desculpa, eu não vi você. -Digo pegando o último livro.
-Não tem problema, só presta mais atenção. -Olho pra ele, ele me encara, ele tem belos cabelos castanho escuro, olhos tão escuros que chegam a ser pretos, pele alva e belos traços. -Sou Samuel.
-Sou...
-Florence Mayer, eu sei. -Vejo um sorriso brotando nos seus lábios, mas não chega a se formar por completo, ele deve ter visto a confusão nos meu rosto e tratou logo de esclarecer. -Devolvi seu caderno. -Apontou pro meu caderno. -Tem seu nome escrito.
-Ah, claro... Hum, obrigada. -Sorri -Bom já vou indo. Tchau.
-De nada, cuidado pra não cair, ou atropelar alguém, de novo. -Agora ele sorria, com o escárnio transparecendo na voz aveludada.
-Há há. Acho que posso me cuidar. -Sorrio de volta, com o mesmo grau de ironia.
Vou em direção a biblioteca, sinto os olhos dele em mim, mas não olho pra trás.
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