Acabei de dobrar a última peça de roupas. Vou precisar sair da minha cidade e me transferir para outra escola, mas isso me parece tão injusto. No entanto, meus pais tomaram essa decisão. Assim que terminei de organizar todas as minhas coisas, saí do meu quarto e segui em direção à cozinha, onde encontrei minha mãe.

— Mãe, eu vou até a casa da minha amiga Sophia. Preciso me despedir das meninas, pois elas vão estar lá.

— Tudo bem, pode ir, mas não se atrase para o almoço — responde minha mãe. Faço que sim com a cabeça e saio de casa.


Quando chego à casa da Sophia, bato na porta, já que não há campainha. A porta se abre e quem aparece é a mãe dela, que me recebe com um sorriso caloroso. Eu retribuo o sorriso, sentindo-me bem-vinda como sempre.


— Pode entrar, querida — diz ela, afastando-se um pouco para que eu possa passar. Então eu entro na casa, começando a me sentir animada para ver minhas amigas.

— Onde está a Sophia?

— No quarto dela, você pode subir se quiser. — Então eu subo. Assim que abro a porta do quarto da minha amiga, sou recebida pelas outras, que se aproximam animadas.

— Nós organizamos uma festa de despedida para você — diz Giovana, com um sorriso no rosto.

— Muito obrigada, amigas — respondo, também sorrindo.


— Você está pronta para ir?

— Vou ser sincera, na verdade, estou um pouco insegura.

— Relaxa, você vai se acostumar, tenho certeza disso — afirma minha amiga Welliva, tentando me tranquilizar. Eu sorrio para ela, sentindo um pouco mais de conforto.


Aproveitamos a festa, rindo e compartilhando momentos especiais.


A comemoração foi realmente muito divertida! Eu adoro essas garotas e com certeza sentirei falta de todas elas a cada dia que passar. Após a festa, voltei para casa e, ao chegar, percebi que minha mãe já havia terminado o almoço. No entanto, eu não estava com fome, pois havia comido bastante na festa surpresa. Mesmo assim, não comentei nada sobre isso; apenas fui até a cozinha, peguei meu prato e comecei a preparar a minha refeição.


Enquanto eu coloco minha comida, minha mãe me pergunta:

— Filha, você já empacotou todas as suas coisas?

Eu respondi com um tom um pouco desanimado:

— Sim, mãe.

A verdade é que meu humor não estava dos melhores naquele momento.

Após aquele almoço, dirigi-me ao meu quarto, consciente de que aquele seria meu último momento naquele lugar, já que no dia seguinte eu teria que partir. Fiquei deitada na cama, ouvindo algumas músicas que pareciam se encaixar perfeitamente com o meu estado de espírito. O ambiente estava tranquilo, e as melodias me faziam refletir sobre tudo o que havia vivido ali.


De repente, fui despertada por um barulho vindo da janela. Alguém estava do lado de fora. Retirei os fones de ouvido e me aproximei da janela, curiosa. Para minha surpresa, avistei Peter abaixo, na calçada. Ele é um amigo querido, sempre descontraído e divertido.


— Peter, o que aconteceu? — perguntei, intrigada.


— Eu quero conversar com você antes de você ir — respondeu ele, com um tom sério.

- Entra pela porta.

E eu desce para abrir a porta pra ele que entrou . Assim que ele passou, fizemos nosso caminho em direção ao meu quarto. Subimos as escadas e, ao chegarmos, ele trancou a porta. Fiquei parada ali, sem saber o que dizer.


Ele me encarou e, cruzando os braços, perguntou:

-Você ia embora sem se despedir de mim? -O tom da sua voz demonstrava um certo desconforto.

- Achei que você estava jogando, foi só isso.- Dei de ombros, ressaltando que essa era a verdade.


Ele me olhou com uma expressão de incredulidade, como se não pudesse acreditar que eu falasse sobre aquilo com tanta naturalidade. Então, tentando desanuviar o clima tenso, disse:

-Ai, Peter, não seja dramático.-Levantei um pouco a cabeça, e o olhei novamente.

Ele me olha e começa a se aproxima.

Conforme ele se aproxima, sinto meu coração acelerar. Ele envolve minha cintura com seus braços fortes e, em um gesto suave, me beija. Retribuo seu beijo, e no começo tudo é calmo e delicado. Mas rapidamente a intensidade aumenta, e posso sentir a ansiedade que ele tem por esse momento ; na verdade, eu também sinto o mesmo. Ele significa muito mais para mim do que um simples amigo. Depois de alguns instantes, ele se afasta, quebrando o beijo, e recosta sua testa na minha.

- Você promete que não vai me esquecer?

- Eu prometo. — Eu seguro seu rosto entre as minhas mãos, sentindo a suavidade da sua pele.

- Eu nunca vou te esquecer. — O meu coração se enche de emoção ao dizer isso, e, em pensamento, eu gostaria de poder passar o dia todo ao seu lado.

- Eu também desejo isso. — Nós permanecemos ali, juntinhos, perdidos um no outro, e a ideia de trocar esse momento por qualquer outra coisa parece absurda. É como se o tempo parasse e tudo ao nosso redor desaparecesse.