Após aquelas aulas, eu já havia retornado ao meu quarto, onde tinha almoçado e feito outras atividades. Estava mergulhado em um jogo extremamente interessante e viciante no meu computador.


De repente, ouço minha mãe chamar meu nome, me puxando para fora da minha concentração.

— Jasper! — ela grita. Reviro os olhos, relutante em interromper o que estava fazendo, então pego meus fones de ouvido e os coloco com força, tentando ignorar . Finjo me concentrar ainda mais no jogo, mas, de repente, sinto algo puxar meus fones de ouvido. Ao me virar, me deparo com minha mãe à minha frente. Com as mãos na cintura e um olhar sério, ela me encara, como se estivesse disposta a me dar uma reprimenda.

— O que eu disse para você na última vez, Jesper? — pergunta, respirando fundo.


— Ah, mãe, é só que eu queria um tempinho para me divertir


— Ficar o tempo todo no computador para você é diversão? — ela questiona, com os braços cruzados. Ao perceber que não vou responder, ela continua:


— Eu já te avisei, pare de jogar esse jogo, senão você ficará sem computador. Entendeu?


— Vou parar agora — afirmo, voltando-me para a tela do computador e desligando-o.


— Pronto! — digo, abrindo os braços em um gesto de rendição e me afastando.

— Eu estava te chamando! Tem uma pessoa lá embaixo querendo falar com você. — O que eu realmente gostaria de fazer era mandar essa pessoa se danar, mas na frente da minha mãe eu não tenho coragem de dizer isso.


— Já estou indo. — Respondo, de mau humor, enquanto deixo meu quarto, ela me acompanha.


Ao chegar na sala, encontro a tal pessoa sentada no sofá. Assim que entro, ela levanta o olhar e me encara. Essa era a última coisa que eu precisava naquele momento para me irritar.

- O que você quer? — pergunto de maneira direta. Tento me mostrar educado para a garota chata da minha sala, e então olho para minha mãe. — Você poderia nos deixar a sós? — Em seguida, ofereço um sorriso que não é nada convincente. Assim que minha mãe se afasta, me aproximo da menina. — Então, diga logo o que você quer!


- Não precisa ser assim, você só demonstra respeito quando está perto da sua mãe? — Ela diz isso com um tom desafiador, e eu sei muito bem que ela está sendo provocativa apenas para me irritar.

— Não fale assim, tudo bem? — digo, apontando o dedo para ela com firmeza. — Eu não me importo se você é garota, mas você vai se ver comigo se me irritar.


Ela pareceu demonstrar medo diante da minha reação.


— Fala logo, o que você quer comigo?! — pergunto, já em um tom impaciente.


— Eu vim entregar isso. A professora que mandou pediu para eu vir te ajudar — ela responde, estendendo algumas folhas que parecem conter questões.


Dou uma risada debochada, não conseguindo conter meu desprezo.


— Só o que me faltava! Aquela maldita professora manda uma pessoa para me ajudar, e ainda por cima é você! — exclamo, expressando toda a minha indignação.

— Você vai querer minha ajuda?

— Você ainda pergunta? É claro ... — Ela revirou os olhos, parecendo aliviada. — Que não. — Ela bufou, visivelmente irritada.

— Você está brincando, não é? Não dá para suportar alguém como você.

— Então, por que você não sai da minha casa? — Eu não perdi tempo e saí imediatamente daquele lugar. Para ser sincero, não suporto essas garotas, especialmente não suporto essa que está aqui.

E quando a noite finalmente se aproxima, uma sensação de antecipação se apodera de mim, pois já conheço bem o que está por vir. Meu pai retornará para casa embriagado, como acontece com frequência. Nesse momento, fico em alerta, ciente de que terei que enfrentar os gritos ecoando pelos cômodos e o barulho ensurdecedor de objetos se quebrando. Ele frequentemente se torna agressivo.É um ciclo que se repete.

Embora em minha mente eu imagine que poderia encontrar um pouco de paz no meu quarto, nem mesmo isso tem funcionado. Estava jantando com minha mãe, só nós dois, já que meu irmão trabalha e só retorna nos fins de semana. Ela apresenta uma aparência pálida, e consigo perceber que isso é um sinal; ela já intui o que está prestes a acontecer.


Terminamos a refeição em um silêncio constrangedor. Eu detesto esse clima que parece um funeral. Depois de um tempo, vou ao banheiro tomar um banho, buscando alguma forma de relaxamento. Após o banho, me preparo para dormir. Deito-me em minha cama, mas estou sem sono.

As horas se passaram lentamente, e eu estava enrolado nas cobertas. Ouço o som da porta se abrindo de forma brutal e acompanhado de gritos estridentes. Um objeto é lançado com força, e a violência da situação me deixa paralisado. Coloco as mãos sobre os ouvidos em uma tentativa inútil de abafar aquele barulho ensurdecedor, enquanto lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto. Não consigo suportar mais a intensidade desse caos. Contudo, desta vez, há uma pequena chama de esperança dentro de mim: sei que não conseguirá entrar no meu quarto, pois tranquei a porta com força, isso me traz uma leve sensação de segurança. Eu me encontro em um estado de expectativa ansiosa, ouvindo atentamente os sons que ecoam pelo corredor, esperando que os passos se aproximem do meu quarto. Em um impulso, abraço o travesseiro com força, buscando conforto enquanto uma vontade intensa de gritar se acumula dentro de mim. Contudo, as horas vão passando lentamente, e, para minha surpresa, nada acontece; o silêncio persiste. Um alívio momentâneo se apodera de mim, mas, ao mesmo tempo, uma realidade se impõe: sei que, apesar desse alívio, não conseguirei dormir tão cedo.