Um amor inesperado.
1 Jaspe
Eu cuspo o chiclete no chão, observando meus amigos ao meu redor. Todos eles estão fumando maconha, e aproveitamos um momento fora da escola. Esse é um ritual que seguimos todos os dias, e para mim, isso representa uma diversão incrível; é assim que eu entendo o que é viver plenamente.
— Vamos, rapaziada! — digo, me afastando do grupo. Eles apressam-se em jogar os restos dos cigarros no chão, tentando esconder qualquer vestígio do que acabaram de fazer. Cada um deles então tira uma bala do bolso, utilizando esse doce como uma forma de disfarçar o cheiro característico da erva que ainda paira no ar. Não ligamos se é uma transgressão das regras.
Dirigimo-nos em direção à entrada da escola, e essa rotina se repete dia após dia. Não há absolutamente nenhuma novidade que torne essa experiência mais interessante; é sempre a mesma coisa, uma monotonia insuportável. Ao longo do corredor, vejo os rostos de outros estudantes, que me observam com expressões de desprezo e ódio. Percebo que eles perderam o medo que tinham de mim; recentemente, esse sentimento deu lugar a um crescente desprezo.
Contudo, eu realmente não me importo com isso. Esses jovens imaturos acreditam que podem me derrubar com suas olhares desdenhosos e suas feições feias. Eles se reúnem em pequenos grupos, trocando sussurros e olhares hostis, como se isso os fizesse mais poderosos. Mas, sinceramente, isso não me afeta. Indivíduos tão tolos não sabem o quanto sua animosidade é ridícula. Eu sigo em frente, ignorando seu desprezo, firme na minha própria atitude. Atualmente, tenho me envolvido em atividades que considero divertidas, mas que para algumas pessoas parecem ser erradas. Tenho praticado humilhações contra certos indivíduos . Não me importo com a opinião que os outros têm de mim; expresso minha visão em público sem me preocupar com as consequências. Eles podem pensar o que quiserem, mas isso não me afeta, porque estou consciente de que na cabeça deles não há espaço para entender o que realmente importa. Entro no ambiente com um sorriso largo e aberto, que tenho certeza de que todos podem ver. Meus amigos fazem o mesmo; estamos juntos nessa. Não temos receio das pessoas que nos cercam, pois sabemos que, se tentarem nos agredir de alguma forma, enfrentarão consequências. Ninguém pode nos tocar ou nos perturbar sem que isso lhes traga sérias consequências, como serem expulsos dessa escolinha. Essa confiança nos dá segurança para nos mostrarmos como realmente somos, sem medo do que os outros possam pensar ou fazer.
Entramos na sala de aula, todos nós, um grupo de seis pessoas. Logo, nos posicionamos em um canto, afastados dos outros alunos que consideramos patéticos; não temos interesse em nos misturar com eles. Eu realmente gosto de provocar esses idiotas, é uma das minhas maiores diversões ver como eles ficam irritadinhos. Eles tentam me atingir com suas palavras tolas, mas, sinceramente, não me importo; nada que dizem consegue me ofender de verdade. Essa é uma das melhores características que tenho.
— Cara, eu odeio essa porcaria de escola — diz meu amigo Drian.
— Eu também sinto aversão a isso. — Confesso com total sinceridade que tenho que aguentar certos alunos falarem sobre umas questões insuportável. Sinto até um desejo de que coisas ruins aconteçam com eles. Às vezes, me pergunto por que não posso simplesmente sair deste lugar. Minha mãe não me deixa ir; ela insiste que aqui é o melhor ambiente para mim e que eu devo permanecer até concluir meus estudos. Vou completar 18 anos no próximo mês.
E então entram aquelas garotas que eu não suporto, e dizer que eu não suporto é um eufemismo; para ser mais claro, eu as odeio. Elas se acomodam nos seus pequenos grupos, completamente alheias à nossa presença, como se não fôssemos dignos da atenção delas. Nós já estamos acostumados a esse tipo de situação e, por isso, não nos importamos muito com isso.
Decido então tirar meu celular do bolso e colocar os fones de ouvido. Enquanto espero a professora chegar, aproveito para relaxar e escutar algumas músicas que eu gosto.
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