Um amor inesperado

4 Escândalo na festa


O dia já havia amanhecido, e Giane já se encontrava na porta da casa de Bento. Eles estavam prestes a começar mais um dia de trabalho. Apesar do seu pequeno atraso, parecia que Bento não estava em casa.

— Bento! Bento! — chamou a garota, batendo na porta.

— Por que você tá batendo aí, filha? — perguntou Silvério.

— É que eu perdi a hora, né, pai? Eu vi que a van está aí na frente, mas o Bento parece que não está em casa. — disse a garota.

— Ele foi a um casamento da firma da Renata. — disse Gilson, que estava por perto, podando as flores.

A casa de Bento ficava no mesmo terreno da casa de Gilson, ao lado desta, mas nos fundos. O imóvel era, na verdade, um antigo barracão reformado. O barracão havia sido dado a Bento por Gilson, seu antigo proprietário, quando Bento completou dezoito anos. A reforma, no entanto, foi feita por Bento, que o arrumou a seu próprio gosto. A floricultura, por sua vez, ficava localizada nos fundos desse mesmo terreno.

— Casamento de quem? Ele não me falou nada. — Giane estranhou.

— Ele me pediu pra te ajudar hoje na loja. — disse Silvério. — Ele só foi porque Amora vai estar lá.

Silvério era membro da cooperativa, assim como toda a vizinhança. Ao fundá-la, Bento envolveu todos os vizinhos, com o objetivo de melhorar a vida da comunidade.

Giane ficou bastante insatisfeita com a história de Bento deixar o trabalho para ir ver a patricinha. Ela questionou se ele agora ia começar a correr atrás de Amora, e o que ele pensava que iria acontecer, o que pretendia com isso. A moça acreditava que Bento iria, mais uma vez, se decepcionar, pois Amora não lhe daria atenção. Giane pensava que a ex-namorada de Bento estaria com seu noivo, rodeada de pessoas ricas e famosas, e não iria se interessar por ele, especialmente agora que estava noiva. O noivado de Amora já estava até marcado, e Giane acreditava que o noivo não gostaria de saber que o namoradinho de infância da Amora estava atrás dela. Giane concluiu que Bento deveria esquecer Amora e parar de se iludir. Amora não tinha interesse em manter amizade com um florista.

— O Bento foi atrás da Amora, pai? Mas eu não tô acreditando que ele fez essa burrada!

Ela optou por ir até a Para Sempre, a empresa onde Renata trabalhava. Embora não tivesse certeza do que faria exatamente, seu plano era encontrar Bento e, mais uma vez, tentar abrir os olhos dele. Ela tinha a esperança de que ele desistisse de ir atrás de Amora.

— Essa Amora não presta, Bento. Não vou deixar ela te fazer de palhaço, mas não vou mesmo. — disse a garota, para si mesma. Em seguida, entrou na van e partiu rumo à Para Sempre.

Assim que chegou na Para Sempre, Giane foi atrás de Amora.

— Amora! Ô Amora! — gritou Giane, colocando-se na frente dela.

Bento estava indo ao encontro de Amora quando, ao ver Giane, procurou tentar se esconder rapidamente entre duas plantas. Ele notou que Giane estava claramente furiosa, bufando de raiva. Bento ficou se perguntando o que ela teria ido fazer ali, se a intenção seria brigar com Amora e o que teria acontecido com ela para estar daquele jeito.

Deu para notar que Amora gelou por dentro. Era evidente que ela havia congelado e parado de andar assim que ouviu a voz de Giane atrás de si.

— Mas quem é essa maluca? — perguntou Sueli Pedrosa, a jornalista. Atrás dela, uma operadora de câmera filmava tudo o que acontecia.

Giane olhou para Sueli.

— Ah! Eu sou amiga de infância dessa peruinha aqui! E eu vou contar pra todo mundo o que eu sei sobre ela! — gritou Giane.

Amora entrou em pânico, como sempre acontecia quando se deparava com pessoas de seu passado. Ela não conseguia entender por que Giane havia aparecido ali para fazer aquele escândalo. Pensou se a garota tinha enlouquecido, se não percebia que estava passando vergonha ou o papel ridículo que estava fazendo. De qualquer forma, não queria que sua imagem fosse associada àquela garota desleixada e barraqueira, e ficou morrendo de vergonha. Não olhou diretamente para Giane, pois tinha o hábito de não encarar as pessoas de seu passado como uma forma de se proteger. Então, decidiu fingir que nem a conhecia, que Giane simplesmente não existia para ela, estivesse a mídia presente ou não. No entanto, o fato de estarem diante da imprensa tornava tudo ainda pior.

A mídia, agora, iria querer saber quem era Giane e explorar sua infância, o que seria uma oportunidade para suas rivais tentarem derrubá-la. Ela sabia que no mundo midiático havia muita gente com inveja de sua posição, de seu sucesso. A última coisa que Amora queria era que a mídia explorasse e fizesse sensacionalismo com seu passado. Sua infância, para ela, não era da conta de ninguém. Por isso, decidiu ir embora da festa, pois o clima para ficar ali havia acabado. Falaria com Maurício, pois não queria que seu passado a assombrasse.

Giane queria provar a Bento que Amora tinha vergonha de seu passado, a ponto de fingir que ele nem existia. Para a imprensa, Amora nunca tinha dado detalhes de sua infância. Embora todo o Brasil soubesse que ela era adotada e tinha morado em um lar de adoção, ela sempre se referia a essa fase de forma vaga. Como havia muitos abrigos em São Paulo, ninguém sabia exatamente em qual deles Amora morou antes de ser adotada, e ela jamais falava sobre as pessoas que a criaram. Não que fosse obrigatório para Amora contar tudo para a mídia, não era essa a questão. Mas Giane tinha certeza de que Amora jamais a apresentaria à imprensa como amiga de infância e que fingiria não a conhecer. Bento precisava enxergar que Amora tinha vergonha de sua origem humilde, de ter morado na rua e sido criada em um lar de adoção, no meio de pessoas simples. Ele precisava ver quem Amora realmente era: alguém que sentia vergonha de todo o pessoal da Casa Verde, inclusive dele. Foi por isso que Giane a ameaçou, dizendo que contaria tudo o que sabia sobre ela para a mídia, ali na frente de Amora, para ver a sua reação. Quem sabe, assim, conseguiria abrir os olhos de Bento. Em seguida, Giane se dirigiu a Amora:

— Você não falou que eu devia escrever sobre você? Pois eu vou fazer pior! Eu vou falar pra todo mundo, e eu quero que você veja, na sua...

Os seguranças, que estavam por perto, aproximaram-se por trás e a agarraram.

— Quê que é isso? Me solta! Eu quero falar com ela! Eu quero falar com ela! Me solta! Palhaçada! — gritava Giane, sendo arrastada pelos seguranças. Amora ficou aliviada.

Bento decidiu ir atrás de Giane e, nesse momento, quase colidiu com Renata, que acabou de chegar e viu os seguranças arrastando Giane para fora. Renata então perguntou a Maurício, noivo de Amora, que também tinha acabado de chegar, o que havia ocorrido. Ele respondeu que uma louca havia invadido a festa e começado a gritar com Amora. Sueli Pedrosa questionou Amora sobre quem era a moça que ameaçou contar tudo sobre ela, e Amora respondeu que não tinha a menor ideia de quem era aquela "marginal". Amora, por sua vez, mal olhou para Renata ou para a pessoa com quem Renata quase esbarrou e se afastou rapidamente com Maurício.

Em pouco tempo, Giane estava do lado de fora da empresa, bufando de raiva, perto da van. Bento foi ao seu encontro. Giane havia se sentado na porta lateral da van. Bento não conseguia compreender o motivo daquele escândalo de Giane. Renata, que também não havia gostado de ver Giane causar aquela confusão na empresa, na frente da mídia, veio logo atrás, dizendo:

— Quê que deu em você, hein, Giane? Ficou maluca, foi?

Na opinião de Renata, Giane não tinha por que se expor daquela maneira. O Brasil inteiro passaria a acreditar que ela não estava em seu juízo perfeito. Renata torcia para que a confusão não fosse parar na televisão. Além do mais, o que os convidados pensariam? O que ela diria à sua chefe?

— Não, pô! Só queria abrir os olhos desse trouxa aí. — Giane falou, referindo-se a Bento.

— Você pensa que eu sou algum idiota? — perguntou Bento.

Na opinião de Bento, ele não era tolo e não era homem de se iludir. Se Amora foi até à loja, era por que queria encontrá-lo, tinha assunto a tratar com ele, talvez quisesse matar as saudades.

— Penso! — disse Giane, levantando-se. — Quando se trata da Amora, você vira um idiota, cara! Senão você não tinha vindo atrás dela, né? Deixa de ser imbecil! Tu é um palhaço!

Giane achava Bento um bobo. Ele ainda se iludia com a ideia de que Amora era a mesma pessoa do passado, mas Giane sabia que ela havia mudado.

— Parem! Parem! Parem vocês dois! — disse Renata. — Ah, meu Deus! Eu sabia que isso não ia dar certo. Não devia ter ido atrás da conversa do Érico.

Foi Érico quem convenceu Renata a levar Bento à Para Sempre para ver Amora. A princípio, Renata estava relutante, pois pensava que Bento se decepcionaria. No entanto, Érico acreditava que Bento deveria lutar pelo que desejava. Afinal, Bento e Amora se davam tão bem na infância, e ele pensava que talvez pudessem se reconciliar e se apaixonar novamente. Érico reconhecia que Amora tinha uma atitude desagradável por não cumprimentar Renata quando se cruzavam na empresa, mas supunha que ela se comportaria de maneira diferente com Bento. Ele não acreditava que Amora esnobaria seu namorado de infância. Para Érico, o fato de Amora ter procurado Bento na floricultura indicava que ela ainda pensava nele e que ele ainda tinha alguma importância para ela, caso contrário ela não teria saído dos Jardins para vê-lo. Renata acabou concordando em levar Bento para a festa como seu assistente, convencida também por sua mãe, Odila. Afinal, se Bento se decepcionasse, pelo menos pararia de alimentar falsas esperanças.

— Mas quem podia imaginar que o resultado seria esse, né, Renata? — perguntou Bento.

— Renata, você... Você, que convive coma Amora, fala pra ele. — disse Giane.

O bairro inteiro sabia que Amora não cumprimentava Renata, Érico e qualquer outro morador da vizinhança que encontrasse na rua. Contudo, todos se mantinham calados para não magoar Bento, que sentia um carinho muito especial por Amora. Mas agora, Giane acreditava que, por mais dolorosa que fosse a verdade, Bento precisava saber dela, pois poderia ser libertador e iria ajudá-lo a acabar de vez com suas ilusões.

— Eu não convivo com a Amora. — disse Renata.

Aos olhos de Renata, encontrar Amora por acaso na empresa não era o que se poderia chamar de convivência. Embora fosse o braço direito de sua chefe, Verônica, ela não tinha tanta intimidade coma família da patroa. A relação com o marido e o filho de Verônica era mais distante.

— Ué, ela não namora o filho da tua patroa? — perguntou Giane.

— Mas quando a gente se cruza, ela sequer fala “oi” pra mim. É como se eu simplesmente não existisse e fosse o quê? Transparente. — disse Renata.

— Vai ver ela não lembra de você. — disse Bento. Afinal, Amora viveu muito pouco tempo no lar, apenas um ano.

— Cara... — Giane suspirou.

Bento ainda estava defendendo a patricinha? Para Giane era impossível que Amora não se lembrasse de Renata. Renata não tinha mudado tanto, e ainda por cima, ensinou Amora a ler e a escrever. Como ela poderia esquecer? Renata não era uma pessoa qualquer, ela tinha sido alguém importante na vida de Amora. Amora deveria ter consideração e não virar a cara para ela. Amora poderia até não se lembrar de todo mundo, especialmente daqueles com quem tinha pouco contato e mal falava, mas Giane tinha certeza de que ela se lembraria de Renata. E, com certeza, Amora se lembrava dela, Giane. Amora sempre adorou sapatos, e Giane havia dado os seus sapatos a ela.

— Como não, Bento? Eu tinha 15 pra 16 anos quando ela chegou no lar do seu Gilson. Foi na mesma época que eu comecei a namorar com o Érico. — disse Renata. — Sei lá, parece que ela decidiu apagar da memória o passado e quem faz parte dele.

— Por que você nunca me contou que ela não te cumprimenta? — perguntou Bento.

— Pra você não ficar ainda mais arrasado do que você já está. Você entende agora por que eu era contra você vir a esse casamento? — disse Renata. A última coisa que ela queria era ver Bento chateado.

Bento não conseguia aceitar que Amora pudesse tratar Renata tão mal, especialmente porque Renata a havia ensinado a ler e a escrever. Ele se perguntava se a razão para ela nem sequer cumprimentar Renata seria a vergonha. Isso o fez questionar se Amora também sentiria vergonha dele. No entanto, ele ainda acreditava que Amora se lembrava dele com carinho. Para ele, o fato de ela ter ido até a loja indicava que ela queria vê-lo, e foi por isso que ele a seguiu até a Para Sempre. Ele queria vê-la.

— Gente, isso não faz o menor sentido. — disse Bento. — Por quê que ela foi me procurar na loja então?

— Caraca, Bento! Você não vê que a Amora, ela joga charme pra todo mundo ficar aos pés dela, cara? Ela não vale nada! — disse Giane. Dirigiu-se à Renata. — E você devia contar pra tua patroa a boa bisca que a nora dela é!

— Eu não vou me meter em assunto da família da Verônica. — disse Renata. Giane fez um sinal com a mão, contrariada.

Renata dirigiu-se a Bento.

— Mas é bom você saber que quando a Sueli Pedrosa perguntou à Amora quem era Giane, ela disse que não conhecia essa marginal.

— Essa fulana, ela me encontrou ontem, me mandou até presente. Agora vai me chamar de marginal na televisão? — espantou-se Giane. Ela ficou chateada. Em vez de ficar calada, Amora resolveu ofendê-la publicamente, como se o desrespeito que ela havia demonstrado na loja já não tivesse sido suficiente.

— Tinha nada que ter feito aquele escândalo, Giane. — disse Bento.

— Eu sei, pô, eu errei. Mas daí a ela me chamar de marginal? Pô, podia não ter dito nada, né? Ela preferiu me chamar de marginal?

— Bom, gente, eu preciso entrar. — disse Renata, retirando-se. — Eu tô trabalhando. Desculpa.

Bento e Giane entraram na van. Giane disse:

— Ô Bento! Você entende, cara? Eu não sei mais o que falta pra cair tua ficha!

Giane notou o quanto Bento ficou arrasado. Ele não conseguia entender como Amora podia ignorar, e até mesmo ofender, as pessoas com quem conviveu durante a infância. Ao chegarem em casa, Giane sugeriu:

— Ô Bento, e se a gente for pegar umas flores lá na casa do seu Nestor?

— Cuida você, Giane. Cuida disso você, eu vou pra casa.

— Pô, Bento! Pô, cara! Você não pode ficar assim por causa daquela filha de...

Bento achava inacreditável que não tivesse sequer o direito de ficar chateado. Ele se perguntava por que Giane não o deixava em paz.

— Giane, eu tô querendo ficar sozinho. Pode ser? — disse Bento, entrando em casa.

— Que bicho mordeu o Bento? Quê que aconteceu? — perguntou Gilson.

— Acontece que todo mundo ficou dando força pra ele ir lá atrás da Amora... — disse Giane. — Adivinha... — batendo no peito. — Quem estava certa?

Giane ficou triste.

— Quer saber? Antes não tivesse, pra não ter que ver ele desse jeito. — disse a garota.

Mais tarde, trabalhando na loja, ela ouviu uma voz conhecida às suas costas:

— Lindas essas orquídeas. Nossa, fazia tempo que eu não via igual. Adorei!

Giane se virou e viu que era Lara Keller. Lara tinha testemunhado o escândalo que Giane havia provocado na festa de casamento de Vitinho Barata, onde Giane ameaçou revelar tudo o que sabia sobre Amora. Escondida atrás de uns arbustos, Lara ouviu toda a conversa entre Bento, Giane e Renata sem que eles notassem sua presença. A partir disso, Lara concluiu que havia algumas "manchas" na história de Amora. Pelo que ouviu, Amora conhecia Renata, Bento e Giane há muito tempo, mas não queria saber deles. O fato de Amora ter fingido não conhecer aquela gente e ainda ter chamado Giane de "marginal" só reforçou a ideia de que ela tinha vergonha de seu passado. Lara chegou a sondar Renata e Amora, mas não recebeu a devida atenção de nenhuma delas. Resolveu, então, ir atrás de Bento e Giane, na esperança de que eles revelassem algum segredo comprometedor do passado de Amora. Dessa forma, Lara encontraria uma maneira de derrubá-la. Assim, o Brasil inteiro saberia quem era Amora Campana de verdade, e sua imagem seria arruinada. Lara precisava tirar Amora de seu caminho, pois Amora estava tentando tomar o controle do Luxury, que era dela. Para isso, Lara pesquisou na internet o nome da loja que estava escrito na van, "Acácia Amarela", encontrou o endereço e foi até lá.

— Lara Keller na Acácia Amarela? Que honra! — disse Giane, surpresa.

Sabia quem era Lara. Lara era quem apresentava o Luxury antes de Amora.

— Peraí, eu estou te conhecendo... — disse Lara. — Não foi você que ameaçou contar altos babados da Amora lá no casamento?

Giane se questionava o que Lara Keller estaria fazendo ali, com que intenção, pois era evidente que ela não havia ido para comprar flores. Giane concluiu que Lara provavelmente viera em busca de alguma infor-mação comprometedora sobre Amora para prejudicá-la. Lara devia ter desconfiado que Amora escondia algo, especialmente após o escândalo que Giane provocou. Lara deve ter percebido que Amora fingiu não conhecê-la.

— Quer parar de teatrinho e ir direto ao ponto? — perguntou Giane.

— Nossa! Direta você, né? Tá bom. — disse Lara. — De onde é que você conhece a Amora?

— Eu moro em frente ao lar do tio Gilson, onde Amora morava antes de ser adotada aí pela Bárbara Ellen. — disse Giane.

— Hum... Então você sabe tudo sobre o lado B dela?

Giane não estava com vontade de conversar com aquela mulher. Ela tinha outras coisas para fazer e não queria fofocar ou falar sobre a vida ou a infância de Amora. Giane sabia que Lara esperava que ela falasse mal de Amora ou revelasse algo comprometedor, mas Lara estava perdendo seu tempo ali. Afinal, na opinião de Giane, não havia nada no passado de Amora que ela devesse ter vergonha. Ser pobre ou ter sido criada na casa de Gilson não era motivo de vergonha. Ela até poderia falar mal de Amora, dizendo que a moça desprezava o pessoal da Casa Verde e não visitava as pessoas que a criaram. Contudo, não queria mais se envolver em escândalos. Giane queria deixar Amora para lá e seguir com a própria vida, enquanto Lara só queria criar confusão.

— Olha só, não perde seu tempo não, tá? Eu cometi um erro hoje, mas eu já me arrependi, valeu? Então, se você quiser saber aí algum babado da Amora, você fica à vontade, só me deixa fora disso.

— Calma, tá? — pediu Lara. — Baixa a guarda. Eu tô aqui como sua amiga.

Giane deu uma risada. Lara não tinha interesse em amizade com ela, e sim em prejudicar Amora.

— Ai! Não, não tá, não. Eu que não ia querer uma amiga que se presta ao papelão de engravidar de um cantor gay só pra ficar aí rica e famosa!

— Grossa! — disse Lara, tratando de ir embora.

À noite, Giane foi ao Cantaí à procura de Bento. Ela queria saber como ele estava, se ainda estava sofrendo por causa de Amora. Giane então se aproximou do balcão, onde encontrou Filipinho na frente do computador.

— E aí, Filipinho? — disse Giane, batendo no balcão.

— E aí, Giane? — disse Filipinho.

— Viu o Bento?

— Eu vi. Ele tava... Ele tá lá, naquela mesa lá do canto, na última, perto do palco.

Ela olhou e avistou o amigo sentado a uma mesa, em uma conversa que tinha um clima de romance com Charlene. Charlene havia acabado de retornar de uma viagem a Maceió. Pelo que Giane pôde perceber, Bento já não pensava mais na outra. Embora Charlene e Bento fossem amigos e se dessem muito bem, Giane sabia que essa amizade era colorida. Ela não teve coragem de se aproximar, pois não queria ficar de vela. Então, decidiu ir embora. Ao passar por Filipinho, ele disse:

— Ué, Giane, você não vai lá falar com ele?

— Não, não. Valeu, valeu. Deixa pra lá. — disse Giane, indo embora.